Memories of the Past
7 Capítulo 7
No dia de Natal, Hermione acordou cedo e se arrumou. Não vestiu nada muito elegante e prendeu os cabelos em um coque. Sabia bem o dia que teria pela frente. Tomou um café da manhã rápido e saiu. O banco traseiro da carro estava repleto de sacolas.
O tempo estava nublado e parecia que ia nevar ainda mais do que na noite anterior. Adorava a neve no Natal. Gostava do ar tradicional e do contraste com as cores quentes de uma árvore natalina. Amava o Natal, realmente, só não tinha motivos suficientes para comemorá-lo.
Dirigiu pela cidade sem pressa até chegar a uma interseção de ruas pouco movimentadas. Numa das quatro esquinas erguia-se uma construção antiga, de pedra, que a primeira vista parecia fria e implacável. Uma discreta placa de bronze ao lado do portão de ferro retorcido indicava: Orfanato St. James.
Não sabia ao certo o que realmente a levara a decidir passar seu dia de Natal ali, mas tinha certeza de que era uma boa causa. Havia visitado o mesmo dois dias atrás e falou com a diretora Herman sobre o panfleto que encontrara no quadro de avisos do prédio de sua amiga.
A mulher era uma boa pessoa. Ela aparentava ser conservadora, devido a suas roupas fechadas até gola que não faziam parte de um uniforme, mas tinha um sorriso doce e um brilho no olhar, Hermione reparou, ao falar das crianças do orfanato.
“As crianças costumam entristecer-se nessa época. Elas sabem que o Natal é uma data para se comemorar em família. Tentamos de tudo para animá-las, mas parece que não é o bastante.” Foi o que disse Herman dois dias atrás.
Hermione sabia como era a sensação de não ter alguém querido com quem passar o Natal e decidiu-se na hora. Passaria o dia com as crianças do Orfanato St. James. O lar funcionava com doações e Herman disse que muitas pessoas ajudavam, pois confiavam em sua administração. Segundo ela, aquele era um dos melhores orfanatos de Londres.
Com dificuldade, abriu o portão e subiu as escadas até a grande porta de carvalho escuro carregando as sacolas. Tocou a campainha e esperou. Seu coração batia insistentemente rápido contra o peito. Não tinha ideia do motivo para tal nervosismo, apenas tinha consciência de que queria agradar àquelas crianças.
Uma das inspetoras atendeu a porta com um sorriso. Ao que parecia, o tradicional uniforme cinza de inspetora havia ganhado um acessório a mais para a data comemorativa. Um botton colorido lhe desejando um Feliz Natal estava pregado do lado direito do peito da jovem inspetora.
– Miss Granger, é um prazer recebê-la aqui hoje. Deixe que eu te ajude com as sacolas. – Disse ela, solícita, tirando boa parte das compras das mãos de Hermione antes que pudesse protestar. – Entre, entre, está um gelo aqui fora.
– É um prazer estar aqui também. Suponho que não estavam esperando realmente que eu vinha, não é? – Disse com um sorriso descontraído enquanto caminhavam pelo corredor de pedra fria.
Para quebrar o clima rígido da construção, a parede estava repleta de quadros com fotos de antigos alunos que fizeram sucesso quando saíram do Orfanato ou foram adotados por famílias ricas e prestigiosas. Hermione supôs que aquilo servia para incentivar as crianças, mostrar que elas poderiam ter uma vida normal se quisessem.
– Na verdade, estamos acostumados com essa ocorrência. – Disse a inspetora em tom de desculpas.
– Bom, então espero que possa realmente ajudar hoje, Srta…?
– Miss Gold. — Chegaram a uma encruzilhada e tomaram o caminho da direita, apressadamente. – Estamos indo para a Ala Sul, já que escolheu ficar com as crianças de 3 a 7 anos.
Hermione sempre se deu bem e gostava de crianças. Gostava de contar histórias e vê-las brincar quando ia ao parque, imaginando se um dia teria as suas próprias crianças.
Percebeu quando estavam chegando perto da sala de recreação ao ouvir o som de gritos finos masculinos e femininos e som de cadeiras arrastando-se. Quando Miss Gold abriu a porta da sala, todos se calaram imediatamente. Hermione ficou impressionada com a educação rígida que eles recebiam. Porém, despertou ao sentir 20 pares de olhos curiosos a examinando.
– Crianças, essa a Srta. Granger e ela passará o dia com vocês.
Não houve reação da parte das crianças nem das outras duas mulheres que já estavam na sala antes de Hermione e Miss Gold entrarem.
– Eu trouxe presentes!
A algazarra começou imediatamente. Todas as crianças da sala reuniram-se em volta de Hermione e da inspetora tentando alcançar as sacolas de presentes.
– Acalmem-se, meninos. – Apesar de a voz de Miss Gold ser doce e educadamente baixa, fez com que todas as crianças fossem se calando simultaneamente. – Aparentemente, a Miss Granger resolveu que vocês se comportaram muito bem esse ano e há presentes para todos.
Isso elevou o grau de consideração que as crianças tinham para com Hermione. Ela sentou-se no chão com todos os meninos ao seu redor, assim como as duas sacolas. Ergueu os olhos rapidamente, examinando-os, do mesmo que jeito que haviam feito com ela.
Eles eram tão lindos. Não podia imaginar como uma mãe conseguia ter o sangue tão frio para abandonar coisinhas tão bonitinhas. A maioria tinha os cabelos loiros, mas havia alguns ruivos de nascimento, negros ou morenos.
– Quem gosta de carrinhos? – Perguntou especialmente para os meninos e todos responderam que sim, animadamente.
Hermione, definitivamente, havia feito sucesso com as crianças. Seu temor havia passado e agora, uma hora depois do farto almoço, encontrava-se de pés no chão com as pernas cruzadas embaixo do corpo lendo uma história para eles.
… E então o Pequeno Pônei falante conseguiu subir a colina. Mas não havia pote de ouro algum e ele voltou para contar aos seus amigos, a Sra. Formiga Rabugenta e o Sr. Gavião Certeiro.
O Gavião Certeiro, naturalmente, continuou afirmando de que no alto da colina havia um pote de ouro grande e gordo que ele havia visto, não apenas uma, mas várias vezes. Apesar de gostar do Pequeno Pônei, gostava ainda mais de contar mentiras..
A mentira, porém, foi desmascarada por um pequeno pardal novo na área de nome Charlie. Ao sobrevoar a área acima da colina só vira o verde descendo a encosta e algumas árvores pingadas aqui e ali. Não hesitou em contar seu testemunho.
Assim, o Sr. Gavião Certeiro fora expulso da Sociedade dos Animas da Floresta da Baixada para nunca mais voltar.
Quando Hermione terminou de ler, levantou os olhos percebendo o encanto das crianças.
– Você lê tão bonito, Miss Granger. Um dia quero ler assim. – Disse uma menininha negra de olhos verdes com um sorriso enorme no rosto.
– Obrigada, Angel.
Não teve tempo de comentar mais nada sobre o livro, pois dois meninos começaram a se empurrar no meio da turma.
– Não, ela vai casar comigo!
– Deixa de ser bobo, ela vai casar comigo!
As inspetoras começaram a contê-los e Hermione intercedeu, sorrindo amavelmente.
– Meninos, que tal vocês dois crescerem um pouquinho mais? Eu posso esperar.
Eles então se dispersaram, assim como o resto da turma, mas com a cara amarrada. Hermione olhou no canto que vinha cuidando desde que havia chegado. Uma menina de cabelos castanhos muito lisos que batiam um pouco abaixo de seu ombro estava sentada a uma das mesinhas coloridas desenhando desde a hora que havia chegado.
Percebeu que ela não havia se interessado muito pelos brinquedos que havia trazido e o único momento que se aproximou foi quando começou a contar a história do Pequeno Pônei. Aproximou-se cautelosamente, desviando-se dos brinquedos.
A sala era grande e as crianças estavam espalhadas pela mesma entretendo-se com os presentes que haviam ganhado. Além disso, toda a sala tinha enfeites natalinos espalhados.
Ajoelhou-se ao lado da menininha, que não parecia ter mais de 5 anos, e sorriu quando a mesma pausou brevemente sua pintura escarranchada e a olhou, confusa. Ela tinha os olhos verdes muito claros e os lábios fartos e pequenos.
– Oi.
– Oi. – Hermione levantou as sobrancelhas.
– Como é seu nome?
– Liesel.
– Você gosta muito de desenhar, Liesel? – Deu uma olhada rápida no desenho percebendo que era uma árvore de Natal com uma enorme estrela no topo.
– Sim. – Hermione franziu o cenho. Por que aquela garotinha só a respondia daquele jeito, com pouca empolgação, tão diferente das outras crianças?
– O que mais você gosta de fazer?
– Ler. – Liesel continuava a pintar, parecendo distraída.
– É mesmo? Eu tenho muitos livros na minha casa, também adoro ler. – A menina não demonstrou reação alguma. – Posso trazer um para você. Você quer?
Liesel apenas meneou a cabeça afirmativamente e Hermione levantou-se, acariciando seus cabelos sedosos.
– Quando eu vier da próxima vez não vou me esquecer.
Despediu-se das crianças querendo colocar todas na bolsa para levá-las com ela, mas, não podendo fazer isso, prometeu voltar. Sem demora. Virou-se para uma das professoras antes de sair.
– O que aconteceu com aquela menininha que está sentada no fundo, desenhando?
– Liesel? – Respondeu a mulher. Esta tinha aparência mais severa, talvez devido ao cabelo preso rigidamente num coque baixo e o uniforme. – Toda a família morreu num acidente de carro e ela foi encaminhada para a assistência social, havia ficado com a babá.
– Entendo. Faz pouco tempo? – Perguntou, interessada.
– 2 meses.
– Por isso ela parece tão abatida. – A professora concordou com a cabeça e despediu-se dizendo que tinha que controlar aquelas pestinhas.
Hermione abriu a porta e seguiu pelo corredor, ignorando o caminho para a saída, enquanto pensava no maravilhoso dia que havia tido. Certamente, um dos melhores e mais renovadores de sua vida. Tinha certeza agora de que faria isso sempre, pois fazia algum tempo que não se sentia tão bem assim.
Subiu as escadas para a sala da diretora. Havia apenas um quadro grande atrás da escrivaninha de mogno onde ficava a secretária da Sra. Herman. Foi obrigada a esperar, já que aparentemente a mulher já estava atendendo alguém.
– …Fique à vontade, o senhor sabe o caminho até a Ala Sul.
Sem hesitar levantou os olhos da revista que estava lendo, distraidamente, assim que ouviu a voz da diretora, mas tomou um susto ao perceber quem a acompanhava e levantou-se imediatamente.
Malfoy pareceu tão ou mais surpreso que Hermione.
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