So I dare you to let me be your, your one and only

I promise I'm worthy

To hold in your arms

So come on and give me a chance

To prove I am the one who can walk that mile

Until the end starts

– Procurou por seus amigos? – Perguntou Draco andando pela sala de estar espaçosa parecendo analisar tudo ao redor com bastante interesse.

– Apenas Ginny. – Hermione se desfez dos casacos e cachecol que usava jogando-os displicentemente sobre uma das poltronas. – Você sabe... Ela ganhou bebê essa semana, então... Eu fui visitá-la. Parece que o tempo sequer passou entre nós. É claro que houve muitas mudanças em nossas vidas, mas nossa relação... Não é como com Ron, continua a mesma, entende? Sinto que posso contar um segredo a ela e este será guardado, como quando éramos adolescentes.

– Então não resolveu seus assuntos inacabados com Weasley? – Hermione tirou os saltos e sentou-se confortavelmente, indicando o sofá a sua frente à Draco, que a ignorou completamente e acomodou-se ao seu lado, esticando as pernas e cruzando os braços.

– Não tenho assuntos inacabados com Ron. – Virou-se para ele, encarando-o com os olhos semicerrados quando o viu dar de ombros, como se não importasse. – Olha, se quer perguntar algo, faça-o diretamente.

– Quem disse que quero?

– Você não é tão bom assim em esconder as emoções. – Sim, ele era, seu subconsciente discordou, mas Hermione havia aprendido a lê-lo. Não tão perfeitamente como gostaria, mas o suficiente para perceber quando ele estava nervoso ou ansioso. – Qual é o problema, Draco?

– Vim saber como estava, é meu... Dever familiar, você sabe. – Hermione sorriu, revirando os olhos.

– Por favor, não me venha novamente com essa história de “dever familiar”, seu pai passou dos limites por causa disso. – Só então Hermione percebeu como o fato de Lucius ter sido o responsável por tudo havia afetado o loiro. Ele não parecia gostar de pensar sobre o ocorrido. – Como estão as coisas na corte?

– Meu pai está mais excêntrico que o normal e Narcisa está dando um gelo nele, o que sempre o deixa maluco. – Ele balançou a cabeça e a encarou. – Tudo vai voltar ao que era antes.

O silêncio dominou o local por algum tempo, enquanto se encaravam, pois Hermione sabia que, para ela, as coisas não seriam como antes. Tinha uma audiência marcada na semana seguinte no Ministério, onde finalmente tomaria posse da herança dos Lestrange e se tornaria herdeira legítima e incontestável de todos os bens deixados por eles.

Nada voltaria ao que era antes por que não seria mais Hermione Granger no mundo bruxo, por que herdaria a fortuna de uma família que construiu seu império sobre pedras duvidosas, sem contar que jamais concordara ou concordaria com os ideais por ela defendidos. Hermione, filha de Comensais da Morte, que morreram lutando pelo que acreditavam, era assim que seria conhecida. Não seria Hermione, amiga de Harry Potter, o que obviamente preferia.

Agora, entretanto, tinha até mesmo Draco Malfoy em sua vida lhe perguntando o que havia feito ou deixado de fazer, preocupado, por mais estranho que pudesse parecer, como se há uma semana não tivessem passado por uma briga de grandes proporções como só eles sabiam ter. Então, não, as coisas não voltariam à normalidade, não a normalidade de antes.

Portanto, como gostava de pensar quando as incertezas sobre o futuro a atingiam, teria de se adaptar a uma nova realidade.

– Acho que gostaria que fosse assim. – Hermione suspirou e deixou a cabeça cair de lado, observando distraidamente o perfil quase perfeito do loiro ao seu lado. – Rodeios não combinam mesmo com você.

– Me acostumei com sua presença em minha casa. – Disse ele, abrupto e sério virando-se para ela. – Nunca nenhuma mulher ficou lá por tanto tempo e... Ter você ali, invadindo meu espaço pessoal todos os dias foi... Perturbador.

Hermione semicerrou os olhos e cruzou os braços, intrigada pela declaração, afinal de contas não julgou sua estadia na casa dele tão invasiva assim. Cada um cuidava de seus afazeres quando não estavam resolvendo os problemas dela, sem contar que fazia questão de não requerer a atenção dele o tempo todo, embora tinha de admitir que passassem bastante tempo na cama.

– Eu não...

– Sim, você passou todos os limites que eu impus a mim mesmo sobre... Relacionamentos. – Draco levantou, parecendo nervoso enquanto andava de um lado para o outro na sala. – Quer dizer, nós transamos e dividimos a mesma cama, a minha cama, por muitos dias e foi... Normal. Normal demais, entende?

– Sinceramente, não. – Disse Hermione levantando uma sobrancelha, ainda confusa sobre onde ele queria chegar.

Havia sido um erro dividir a mesma cama por tanto tempo? Sim, até Hermione sabia que não tinham nenhum tipo de relacionamento sério e haviam ultrapassado uma linha tênue e muito fina da regra de relacionamentos, mas devido a tudo que estava acontecendo não parou para pensar sobre o assunto.

– Foi normal dormir na mesma cama após o sexo, ter sua escova de dente no meu banheiro e... – Nesse momento, ele fez uma careta e sentou-se sobre a mesinha de centro, de frente para Hermione, suspirando contrariado. – Conversar durante a madrugada. Quer dizer, você fez com que tudo isso se tornasse natural para mim, embora eu não estivesse acostumado com esse tipo de coisa. Então, fez com que eu gostasse desse novo normal que você criou e agora sinto falta da sua inconveniência. O que pretende fazer sobre isso?

Para Hermione, a inconveniência que ele dizia se tratava apenas de seus hábitos particulares, que, entretanto, o haviam incomodado tanto. Porém, no fim das contas, se acostumara com o que ambos, não apenas ela, haviam tornado normal em seu dia-a-dia.

Talvez, e suas suspeitas aumentavam a cada palavra dita por ele, haviam brigado há uma semana justamente por isso. Draco sabia que se acostumara à presença dela, mas certamente não estava pronto para dizer em palavras.

– O que eu pretendo fazer?! – Hermione levantou-se de supetão, pois não era justo que ele colocasse toda a culpa pelo que estava acontecendo sobre ela. Ele a havia convidado para sua cama, de todas as formas possíveis, e dissera para si mesma (talvez estivesse em negação nesse ponto) que não possuía nada demais o fato de levar suas coisas (inclusive a escova de dente) para o quarto dele. Sobre as conversas durante a madrugada... Bem, sequer perceberam qualquer uma dessas mudanças, foi tudo tão sutil e natural, pelo menos analisando de seu ponto de vista completamente imparcial. – O que você pretende fazer? Certo, está aqui para enfatizar que baguncei sua vida. Agora o quê? Quer que eu peça desculpas para que você se sinta menos responsável por tudo isso? Por que você também é culpado, Malfoy, tudo aconteceu de comum acordo entre nós dois, não me venha dizer que sou uma inconveniente por que “passei dos limites que você impôs a si mesmo”.

– Não era comum acordo que eu me apaixonasse por você, Hermione!

Draco também se colocou de pé, tornando o espaço entre eles quase ínfimo. Hermione sequer acreditou, ao primeiro momento, no que havia ouvido, mas o contato visual era intenso demais; aqueles olhos cinza nunca pareceram tão límpidos e sinceros para ela. Ao mesmo tempo, porém, podia perceber a apreensão que ele sentia e até mesmo entendia. Claramente, ele não esperava que aquela conversa pudesse relevar tanto sobre seus sentimentos e ela agradeceu pela guarda baixa, pois era extremamente difícil vê-lo dessa forma.

Entretanto, no instante em que abriu a boca para se pronunciar, o som da campainha soou por toda a casa, assustando-a e despertando-a do quase transe em que se encontrava. Ainda ficou na dúvida sobre atender ou não, mas Draco deu um passo para trás, como que lhe dizendo que deveria ir ver quem era.

Pigarreou levemente, ajeitando uma prega inexistente em sua roupa e afastou-se rapidamente. Assim que chegou ao vestíbulo, Hermione encostou a testa à porta e respirou fundo na tentativa de acalmar as batidas incessantes de seu coração.

“Você está parecendo uma adolescente, Hermione.” Pensou ela, sorrindo levemente com a sensação, antes de abrir a porta com a intenção de xingar quem quer que fosse que a estivesse interrompendo bem naquela hora.

– Ron?! – O ruivo levantou uma sobrancelha, parecendo acanhado por estar ali e estendeu a mão direita para que o cumprimentasse. – O que está fazendo aqui?

– Harry me convenceu a procurá-la para conversar. – Ele deu de ombros e Hermione franziu o cenho pensando no visitante parado no meio de sua sala de estar. – Acho que... Recomeçamos do jeito errado.

– Certo, er... – Hermione suspirou, passando para o lado de fora enquanto evitava o olhar cético de Elijah, que se encontrava recostado contra a porta do carro de Draco. – Eu entendo, Ron, este é você e... Já imaginava que reagiria daquela forma.

– Sou um pouco previsível, talvez. – Ele sorriu e a segurou pelo ombro. – Eu só... Não soube lidar com o fato de que você está de volta e ainda... Com o Malfoy. Mas Harry me disse que você voltou para casa, então achei...

A porta atrás de Hermione foi aberta abruptamente e Ron interrompeu a fala parecendo contrariado. O semblante de Draco enquanto encarava o ruivo com o rosto levantado em sinal de orgulho estava completamente pintado de desdém. Revirou os olhos, pensando que aquela rivalidade entre famílias era ridícula, mas Weasley’s e Malfoy’s jamais a superariam, ainda que o loiro tratasse o próprio Harry de forma quase educada.

– Então achou o quê, Weasley? – Ron fez uma careta de desgosto e fez menção de virar-se para ir embora, enquanto Hermione suspirava irritada.

– Achei que algo tinha mudado, mas, pelo visto, me enganei. – Ele voltou-se a encarando magoadamente. – Para se tornar Lestrange há uma premissa sobre estar com Malfoy?

– Ron, sempre serei a Hermione que conheceu! – Disse ela, indignada.

– Não, não será. – Ela respirou fundo, frustrada por toda aquela cena ser realmente a cara de Ronald, simplesmente por que ele não entendia que seus sentimentos estavam em jogo e não uma rixa infantil e desnecessária sobre sobrenomes. – A Hermione que eu conheci jamais ficaria com Malfoy, a Hermione que eu conheci o desprezava!

– A Hermione que conheceu era uma criança, Ronald, e crianças são estúpidos às vezes. Assim como ele foi um idiota, nós não fomos melhores. – Direcionou seu olhar a Draco nesse instante, pois o que tinha a dizer também servia para ele. – E essa mania que vocês têm de achar que são sempre os donos da razão é extremamente irritante.

– Quer saber, eu vou embora. – Disse Draco, levantando as mãos em sinal de rendição. – Quando terminar com ele, me procure.

Incrédula, Hermione observou o loiro descer as escadas da varanda e caminhar calmamente até a calçada, onde Elijah o esperava. Ron deu de ombros quando o encarou, pois claramente não se importava – e não lhe dizia respeito – com a presença ou não de Draco ali, ao contrário dela.

– Não, Draco, eu não irei. – O homem voltou-se para ela, parecendo confuso sobre o que havia acabado de dizer, principalmente se levasse em conta a conversa que haviam tido. – Se quer uma resposta sobre o que me disse, espere aqui, pois não vou procurá-lo.

Hermione tinha consciência de que estava arriscando demais, brincando com a sorte ao jogar daquela maneira com Draco. Ele detestava ser manipulado e, de certa forma, era exatamente isso que ela estava fazendo ao exigir tanto, mas sabia ser necessário. Se continuassem perpetuando seu maldito orgulho, as coisas entre eles jamais dariam certo, então alguém sempre precisaria ceder em algum momento.

O loiro parecia não acreditar no que estava pedindo, certamente não era subjugado daquela maneira por ninguém, ou melhor, por mulher nenhuma. Com o coração aos pulos por sua ousadia, Hermione o viu caminhar com o semblante azedo até o carro e acomodar-se ao lado de Elijah, como que num aviso dizendo que não deveria demorar a “terminar com Ron”.

Revirou os olhos e voltou-se para o ruivo, abaixando o tom para que a conversa continuasse no âmbito particular.

– Sei que jamais entenderia e que pode me detestar por isso, mas... Eu o amo. – Ron expressou surpresa por ser tão direta. – E quero que dê certo, embora não tenha a aprovação de vocês. Ele não é como pensam, Ron, Draco mudou muito e...

– Okay, já está de bom tamanho para mim, não preciso ouvir sua lista de elogios para ele. – A cortou com uma careta, levantando uma das mãos enquanto ela sorria minimamente, já que pela primeira vez reconhecia os traços do antigo Ron à sua frente. – Ainda não gosto da ideia, se quer saber.

– Não quero saber, sério. – Hermione o abraçou rapidamente, o impedindo de continuar com sua campainha para não vê-la com Draco Malfoy, mas ainda assim feliz por finalmente perceber que as coisas estavam se encaixando novamente, mesmo depois de tanto tempo. – Podemos marcar algo qualquer dia. Você, eu e Harry... Como nos velhos tempos.

– Mande uma coruja.

Ron lhe sorriu e aparatou num estalo antes que pudesse dizer que não possuía uma coruja. Riu consigo mesmo anotando mentalmente que daria um jeito de encontrá-lo e encarou Draco, que ainda a olhava com o cenho franzido em contrariedade.

Viu quando Elijah disse algo a ele, que revirou os olhos e andou até onde estava. Apenas deu espaço para que o loiro adentrasse sua casa novamente e fechou a porta atrás de si, puxando-o pela mão em seguida para que seus corpos entrassem em contato de forma sutil.

O encarou, percebendo nos olhos dele o reflexo de todo o temor que sentia em relação ao que viria pela frente. Querendo ou não, eram pessoas extremamente difíceis e orgulhosas e teriam muito que construir pela frente, pois o que haviam passado era como uma introdução do futuro e de todas as dificuldades que ainda viriam e teriam de aprender a lidar. Então, era completamente aceitável que estivessem com medo.

– Prometa que seremos um casal mais simples do que nossos sobrenomes pedem.

Draco lhe levantou uma sobrancelha enquanto puxava a presilha que prendia seus cabelos num coque simples, fazendo com que os cachos se esparramassem por seus ombros.

– Por favor, peça algo possível.

Hermione sorriu e o beijou consciente de que sempre seriam Malfoy e Granger, ou Lestrange, se quisesse. Nada poderia/deveria ser normal ou simples no relacionamento deles, sequer suas personalidades contribuíam para tal e talvez por isso estivesse mesmo apaixonada.

Porém, esqueceu suas preocupações no instante em que as mãos dele percorreram um caminho quente e decidido por seu quadril e pernas, levantando-as para as enrolassem ao redor da cintura masculina. Ofegou mais audível do que gostaria quando a situação mudou e foi prensada contra a parede, mas enquanto sentia os lábios de Draco em seu pescoço, a arrepiando de forma gostosa, percebeu que, pela primeira vez em muito tempo, estava realmente satisfeita com o rumo que sua vida tomava.

Notas finais
Gente!!! E se eu contar que estou tentando terminar esse capítulo há pelo menos 5 dias e a inspiração nunca vem? Eu nunca estava satisfeita, mas acho que encontrei um ponto, então... Aqui estamos!! E então, o que acharam? Não teve nada de hentai (supresa!!), por quê? Por que eu achei que ficaria bem clichê escrever um hentai de reconciliação (e nem deu tempo, como vocês puderam ver), embora tenha ficado sugerido no fim, mas isso deixei apenas para a mente pervertida de vocês. Isso, PORÉM, não quer dizer que ainda não vá acontecer um, só pra fazê-los feliz, mas tudo depende das circunstâncias. Sobre Ron ter aparecido bem na hora que Draco disse estar apaixonado... Então, eu já tinha em mente que alguém deveria atrapalhar esse momento por que nada pode ser tão simples, mas decidi que seria Ron (depois de muito "matutar") por que não tenho planos de colocá-lo em próximos capítulos, mas não queria deixar essa questão deles em aberto, acho que não seria justo com Hermione, então aí está... Ron ainda insatisfeito e Hermione feliz por, finalmente, "ter" seu amigo de volta, ainda que naqueles termos de reconstrução de amizade, certo? E Draco todo confuso só pra dizer que Hermione balançou o mundo dele mesmo?!! O que acharam?? Eu sempre achei que ele todo confiante não combinaria com um momento como esse, diferente da Hermione, então decidi colocá-lo dessa forma, espero que tenham gostado! Enfim, acho que já falei demais!! Me digam o que acharam nos comentários (aliás, muito obrigada pelos anteriores, sempre fazendo minha alegria) por que vocês podem me dar ideias para os (poucos) próximos capítulos, se não o último. Gente, agora estamos mesmo na linha reta :( Ainda não decidi sobre quantos capítulos serão, depende de certas anotações que eu tenho aqui e de umas ideias que tive enquanto escrevia este capítulo, mas... Podem mandar algumas sugestões enquanto me dizem o que acharam deste capítulo?! ;) Até o próximo, galerinha!! P.S. One and Only da Adele lá em cima só por que ela me ajudou bastante com esse capítulo u.u