Um ano após o primeiro beijo, o primeiro ‘Feliz Natal’ e o primeiro uísque

– Hermione, por Merlin, o que está fazendo aqui? Se não percebeu, é noite de Natal!

Draco abriu a porta de forma abrupta adentrando seu escritório sem nem mesmo pedir licença ou verificar se estava ocupada. De qualquer forma, não poderia/deveria estar recebendo um cliente a poucas horas da ceia de Natal, até mesmo Michael já havia ido para casa se preparar para as festividades.

– Eu tenho um caso importante, Draco. – Retrucou em sua defesa, vendo-o encará-la desdenhoso.

– Tenho certeza que pode esperar o fim do recesso.

Então, suspirou e fechou a pasta a jogando de qualquer jeito sobre a escrivaninha de vidro e desfazendo-se do par de óculos de grau. A verdade era que estava esgotada de tanto trabalho. Lucy dera à luz em julho e resolvera se dedicar em tempo integral ao pequeno Henry, que teve como madrinha Nina e um amigo de Michael, pois o mesmo ainda estava magoado demais com Hermione por tudo que havia acontecido a sua esposa. Consequentemente, o trabalho no escritório havia dobrado para ambos nos últimos meses e não agüentava mais ver tantos processos acumulados na estante.

– Tem razão, desculpe.

Percebeu como ele estava completamente arrumado para a ceia, usando um cachecol escuro em detrimento da tradicional gravata e casaco negro sobre o terno de recorte perfeito feito sob medida.

– Podemos declinar o convite de Nina. – Ele sorriu maliciosamente. – E irmos para a minha casa.

– Ótimo! – Hermione disse em um falso tom animado. – E quem vai preparar a ceia? A Sra. Jo está de folga e aposto que nós dois juntos não sabemos preparar uma salada.

– Eu não estava pensando em cozinhar, exatamente.

Draco revirou os olhos e Hermione sorriu, levantando-se à procura de seu próprio casaco e bolsa. Mesmo depois de um ano, as borboletas em seu estômago ainda eram as mesmas quando ele estava por perto, assim como o leve tremor de ansiedade em suas mãos.

– Nina espera por isso há tempos e eu realmente quero conhecer Surrey*. – Draco fez uma careta de desgosto ao mesmo tempo em que desligava as luzes e, finalmente, encaminhavam-se para a saída.

– É exatamente igual ao lugar onde você vive agora.

– E como sabe?

– Uma ex-namorada morava lá. – Respondeu o loiro de forma natural antes de aparatarem de mãos dadas, sem dar tempo para que lhe lançasse uma resposta ácida.

Já havia ido a Surrey na época da Grande Guerra, quando a Ordem fez um plano para levar Harry à casa dos Weasley, mas, obviamente, não houve tempo e sequer vontade de conhecer o local tão concentrados todos se encontravam na ocasião. Sem contar que ouvira falar que a área rural do lugar era completamente encantadora e contrastava de forma gritante com o grande centro que era Londres.

Nina lhe listou todas as vantagens de cear na casa dos Foster, pois depois de tanto tempo que se conheciam estava realmente disposta a convencê-la. Então, para que não passasse o Natal apenas com Draco – já que não iria à casa dos pais dele, de qualquer maneira – aceitou o convite.

Hermione, durante todo o tempo em que estavam juntos, não havia visto Lucius nenhuma vez e confraternizar com seu obscuro sogro não estava em seus planos. Sabia que se tratava do pai dele e não se oporia se Draco quisesse passar aquela noite com sua família, mas não iria, nem mesmo em consideração por Narcissa.

A relação delas havia melhorado, a senhora parecia se martirizar pelas inconsequências do marido, ainda que não lhe verbalizasse isso, quase como se ele fosse uma criança que precisava ser vigiada o tempo todo e tivesse falhado nessa tarefa. Passeavam por Londres, visitavam casas de chá, conversavam amenidades, havia aprendido a confiar nela. Narcissa era uma boa pessoa, e, agora, a agradecia por ter convencido Bellatrix a entregá-la aos Granger para protegê-la da realidade cruel que não poupara o próprio filho.

– Eu realmente não queria saber disso. – Disse distraidamente enquanto procurava a chave, no que Draco riu baixo mordendo levemente o lóbulo de sua orelha.

– Só tenho olhos pra você, amor.

Hermione revirou os olhos para o modo malicioso como ele falou, ignorando o arrepio que tomou seu corpo por alguns segundos, e finalmente abriu a porta da cozinha desfazendo-se do casaco excessivamente pesado, assim como o loiro.

A própria Sra. Malfoy a convencera a mudar-se para uma das casas que herdara dos Lestrange. A construção de pedra cinza era grande demais para uma pessoa só e lhe passava a impressão de ser muito pacata para os “padrões Lestrange”, o que pode verificar ao visitar as demais propriedades da família. Além de tal fator, determinante para conquistá-la, era a casa mais tradicional do bairro, a única que resistira ao tempo e a modernidade que dominou o local – provavelmente devido ao fato de que ninguém sabia quem eram os donos.

Na primavera, o jardim se encontrava muito bem cuidado: sebes de várias cores se alojavam nas paredes de pedra da fachada, o que destacava as janelas de madeira branca. Por dentro, todos os cômodos eram muito espaçosos, inclusive a cozinha. Tudo era decorado com extremo bom gosto utilizando móveis da melhor qualidade, mas de forma aconchegante e familiar, ainda que houvesse todo o luxo com que os Lestrange estavam acostumados devido ao número de cômodos desnecessários e, em suas mãos, completamente inutilizados, o que era o caso da sala de piano e de três quartos e banheiros que ficavam trancados.

Narcissa ainda acrescentara que aquela não era exatamente uma propriedade dos Lestrange, visto que pertencera primeiramente à família da mãe de Rodolphus. Ethel Lawler Lestrange possuía três irmãos, daí a necessidade de uma casa grande para que passassem as férias de verão quando crianças. Devido à natureza curiosa, Hermione ainda estava reunindo informações sobre sua avó materna, mas esta já se revelava uma figura bastante interessante.

– Evan mandou uma carta. E um presente de Natal. – O loiro levantou o rosto para Hermione ostentando uma careta de desgosto, enquanto pegava uma maçã para comer rapidamente.

– Abusado, eu diria.

– Só tenho olhos para você, amor. – Repetiu no mesmo tom, vendo-o fabricar um sorriso falso.

Assim, subiu as escadas em direção a seus aposentos, pois Draco informou que iria procurar algo para beber. Apesar de não ser romântico, o loiro era extremamente ciumento, o que considerava resquícios de uma época em que o mesmo estava acostumado a possuir o que bem queria na hora em que desejava. Hermione, ao contrário, não era do tipo que seguia suas regras, o que o irritava na mesma medida em que o excitava segundo suas próprias palavras.

Seu quarto era o maior e mais confortável da casa, havia rearranjado a mobília da forma que gostava e comprado novos itens, assim como fizera com todo o resto da casa colocando seu toque pessoal no charme dos anos 30. Aquela casa tinha história, talvez uma que não era repleta de erros como a dos Lestrange, o que lhe encantava.

Tomou um banho rápido, agradecendo mentalmente que o loiro não tivesse subido para atrasá-la e maquiou-se de forma eficiente para a ocasião – olhos simples e batom vermelho, como estava acostumada. Nesse instante, Draco adentrou o cômodo com um copo de uísque à mão, sentando-se de forma esparramada sobre a cama enquanto a observava apenas de lingerie negra e, surpreendentemente, comportada.

– Preciso agradecer a Merlin pelo fato de que minha namorada gosta de uísque bom. – Comentou, dando mais um gole na bebida enquanto Hermione sorria e virava-se para ele com dois vestidos a mão.

– Dourado ou verde? – Perguntou mostrando os modelos ao loiro, que sequer pensou para responder.

– Sabe que vou optar pelo verde. – Ela revirou os olhos, embora o escolhido também fosse seu preferido, e guardou o outro no armário.

O modelo verde escuro era liso e com mangas, mas marcava todo seu corpo até o chão, onde produzia uma abertura elegante. As costas, porém, ficavam completamente nuas, embora um fino laço logo abaixo da nuca segurasse tudo do lugar certo. Era discreto, mas sofisticado, o que satisfazia seu estilo. Porém, seus olhos se desviaram para o reflexo do loiro ainda sentado sobre a cama, que parecia entretido demais em um ponto específico qualquer do chão.

– O que há de errado? – Perguntou franzindo o cenho em estranheza, visto que Draco dificilmente divagava.

O loiro levantou os olhos em surpresa, mas logo se levantou, deixando o uísque de lado e encaminhando-se até onde estava, segurando-a delicadamente pelos braços embora seu semblante se encontrasse contraído em tensão.

– Eu estava pensando... Liesel não vai ficar em St. James para sempre. – Ele percorreu seu rosto com os olhos na tentativa de ler cada uma de suas mínimas expressões, o que sempre fazia muito facilmente.

Hermione abaixou os olhos para os dedos inquietos enquanto se lembrava da visita que haviam feito naquela manhã ao orfanato. Liesel parecia cada dia mais feliz, sempre que podia ia vê-la e seria mentira dizer que dava a mesma atenção às demais crianças. Aquela garotinha era especial, fazia exatamente um ano que a conhecia, um ano em que tinha certeza que mantinha as esperanças dela e de si mesma. Aparentemente Draco sabia disso.

– Eu sei. – Admitiu a contragosto.

– Está completamente apegada a ela, Hermione. – Apenas concordou com um aceno de cabeça, sabia exatamente onde aquela conversa chegaria. – O que irá fazer quando for adotada?

– O que quer que eu faça? – Ele levantou uma sobrancelha, como se estivesse óbvio o que ela deveria fazer a seguir. Realmente estava, mas possivelmente Hermione nunca teve tanto medo assim do óbvio. Respirou fundo e desviou os olhos dos dele, mordendo os lábios de forma insegura. – Não acho que estou pronta para me tornar mãe.

Com o coração apertado, Hermione desvencilhou-se e sentou-se na cama com os ombros caídos encarando os próprios pés ainda descalços. Quase podia ver o loiro revirando os olhos enquanto sentava-se ao seu lado, jogando seus cabelos para trás para que pudesse enxergar seu rosto de perfil.

– Ninguém está pronta para ser mãe, você ouviu Lucy. – Balançou a cabeça, inconformada.

– É que... Liesel parece tão perfeita, tão frágil, que tenho medo de machucá-la, quebrá-la de alguma forma.

O ouviu respirar fundo e sentiu o carinho suave em sua nuca, como ele sempre fazia quando precisava relaxar. Porém, seus olhos não puderam continuar fechados por muito tempo, logo Draco exigia novamente sua atenção, segurando seu rosto com ambas as mãos enquanto a olhava seriamente.

– Eu quero lhe ajudar.

Ela levantou-se num pulo assim que assimilara o que ele queria dizer olhando-o assustada, a respiração completamente alterada, seus olhos tão arregalados quanto possível. Porém, o loiro permaneceu completamente quieto, encarando-a tranquilamente como se houvesse antecipado aquela reação

– Como assim? O que quer dizer com... Com... Isso?! – Perguntou sem conseguir controlar a forma como gesticulava sem parar. – Não pode estar falando sério.

Pois o que ele estava sugerindo era compromisso, compromisso de verdade, era muito mais do que o que tinham até agora, era... Criar uma criança! Hermione ainda estava um pouco atordoada, pois jamais poderia esperar que uma proposta como essa viesse de Draco. Sabia que ele gostava de Liesel, haviam falado sobre a possibilidade de adotá-la apenas esporadicamente, nunca passou por sua mente que ele poderia estar falando sério quando dizia que “Liesel daria uma ótima Malfoy”, pois era assumidamente fascinado pela personalidade decidida da menina.

– Não tem mais desculpa agora.

Ela levantou as mãos, impedindo que o loiro se levantasse para que pudesse pensar de forma clara enquanto andava de um lado para o outro sob o olhar entediado do mesmo. Seus pensamentos, entretanto, adentraram um círculo vicioso onde não havia nada além de seus momentos com Draco e Liesel, eram realmente ótimos juntos.

– Está... Está... – Ela grunhiu de raiva e voltou-se para ele quase num impulso, respirando fundo para que pudesse falar claramente. – Está dizendo que quer adotar Liesel comigo? Que quer ser... Pai dela?

– Eu estava muito certo disso até você começar a soar desse jeito.

Ignorou a ironia e levou as mãos ao rosto, soltando a respiração enquanto imaginava como seria ter uma família depois de tanto tempo. Adotar Liesel significava efetivamente o início de uma e não podia deixar de ficar assustada. Ainda que não pudesse preencher o vazio que a morte de seus pais havia deixado, Draco e Liesel o fariam mais confortável.

– Sim. – Disse, ao tirar as mãos rosto, sorrindo minimamente.

Não pensou que sua voz fosse soar tão frágil quanto soou, mas sua garganta estava tão congestionada e seus olhos tão lacrimosos enquanto segurava o choro que era impossível controlar. Draco soltou um de seus raros sorrisos verdadeiros e a puxou para mais perto, abraçando-a pela cintura, ainda sentado, enquanto Hermione o beijava delicadamente.

– Er... – Ele a afastou, já com seu sorriso costumeiro no rosto. – Não é um pedido de casamento, você sabe.

Hermione lhe deu um tapa e o beijou rapidamente antes de afastar-se para terminar de se arrumar, ainda com as mãos tremendo de ansiedade, nervosismo e alegria – pode perceber enquanto buscava a varinha para arranjar um penteado qualquer em seu cabelo.

Por isso, ainda estava um pouco atordoada quando chegou à casa dos pais de Nina. Mal podia esperar pra dar a notícia a seus amigos, mas gostaria de fazê-lo em um local reservado, onde eles pudessem saber da novidade antes de todo mundo.

O Sr. e Sra. Foster eram mesmo ótimos anfitriões e Nina tinha de onde puxar sua eterna animação, seus pais não deixaram a festar murchar em nenhum momento da noite. Além disso, a casa deles na zona rural de Surrey era exatamente como Hermione imaginara e possuía uma aura familiar fantástica. Adoraria morar em um local tranqüilo como aquele, visto que suas finanças se encontrariam em boas condições por algumas gerações, mas agora não poderia tomar qualquer decisão pensando unicamente em si mesma. Sorriu com o pensamento, tomando um gole de vinho enquanto sentia a brisa fria do inverno congelar seu rosto de forma agradável.

– Não devia ter lhe dito aquilo hoje. – Ela sentiu seu casaco ser colocado sobre os ombros e os braços de Draco ao seu redor. – Ficou distante a noite toda.

– Só... Estou imaginando.

– Todos estão se perguntando o quê. – Hermione olhou pela janela vendo Lucy ninar Henry nos braços enquanto os observava, provavelmente sentindo que algo diferente havia acontecido. Nina, ao contrário, era distraída demais para que pudesse perceber esse tipo de coisa. – Vou à Mansão Malfoy.

A ceia havia terminado há uma hora e todos agora apenas conversavam amenidades, contavam piadas e bebiam até estarem altos demais para se lembrar das gafes no dia seguinte. Hermione sabia que não era fácil para Draco passar o Natal longe de sua família, depois de tantos anos mantendo tal costume, ainda que sempre lhe contasse sobre as turbulências inevitáveis que ocorriam sempre que se encontravam.

– Harry me convidou para passar a noite com eles. – Voltou-se para ele ainda dentro de seu abraço, as respirações se misturando tão perto se encontravam. Não havia mencionado a carta que recebera na semana anterior, pois sabia que passar a noite de Natal na casa de “Potter” ainda era inaceitável para ele. – Vai contar sobre Liesel?

– Apenas à minha mãe. — Draco deu de ombros e a encarou seriamente. – Quando vou poder levar minhas coisas para sua casa?

– Está se mudando para a minha casa? – Perguntou Hermione, surpresa, vendo o sorriso característico surgir no canto direito dos lábios enquanto os olhos azuis exibiam um brilho de divertimento.

– Sinceramente, Granger, não sei como ainda se surpreende. – Ele a beijou rapidamente. – Nos vemos mais tarde, vamos comemorar.

– Se conseguir não dormir dessa vez, é claro.

Draco semicerrou os olhos para ela, que simplesmente riu lembrando-se como ele havia chegado exausto na noite anterior depois de dizer que comemorariam o fato de que levaria uma filial de sua fábrica de perfumes para os Estados Unidos no ano seguinte.

– Seus pés não se aquecem sozinhos, lembre-se disso.

– Como se você conseguisse dormir uma noite longe de mim, Malfoy. – Hermione cruzou os braços orgulhosamente, sustentando o olhar de desprezo que ele lhe lançara antes de virar as costas.

– Não brinque com a sorte dessa maneira.

Antes que pudesse responder, ele aparatou, deixando para trás apenas o ruído que lembrava o estalo de um chicote. Riu consigo mesma, terminando o vinho e voltando para dentro da casa, onde encontrara Nina sentada completamente confortável sobre um sofá – sob o olhar desaprovador de Michael, é claro – rindo absurdamente de uma das muitas piadas contadas por seu tio Barney naquela noite.

Puxou a ruiva a um canto, abraçando-a e a agradecendo pela noite. Realmente havia sido uma das melhores ceias de Natal das quais havia participado, a família dela era totalmente receptiva.

– Tenho novidades, precisamos nos falar essa semana.

– Estou deprimida, Hermione, a única novidade que tenho para contar é... – Ela olhou ao redor e abaixou a voz para que apenas Hermione pudesse ouvir. – Terminei com Theo.

O relacionamento de Nott e Nina era uma coisa de idas e voltas que Hermione não suportava. Até haviam apostado qual casal era pior no quesito brigas, mas Hermione e Draco surpreendentemente não tinham terminado uma única vez, mesmo com as inúmeras discussões – algumas até mesmo bem idiotas – que povoavam suas semanas.

– É, eu sei. – Nina, provavelmente, estava bêbada demais para se lembrar de que havia lhe contado isso há dois dias. – Feliz Natal, novamente.

– Obrigada por ter vindo.

Por alguns momentos, Nina não queria soltá-la do abraço, pois estava carente demais. Felizmente, conseguiu se desvencilhar do aperto para se despedir dos pais da amiga antes de sair discretamente.

Aparatou no mesmo lugar onde Draco o fizera, mas não para o mesmo destino. Godrics’s Hollow era realmente linda no Natal, uma pena nunca mais ter ido ali após a Guerra, embora fosse um infortúnio aparecer no lugar onde Harry morava enquanto fugia do mesmo.

Contornou a praça, sentindo os pés afundarem na camada fina de neve enquanto ouvia as músicas natalinas e risadas animadas soarem das casas mais próximas, onde as luzes estavam acesas. Abriu o portão da residência dos Potter, notando pelas janelas o número de cabeças ruivas que se encontravam do lado de dentro se divertindo.

Sorriu com nostalgia, pois há muitos anos não via todos os Weasley reunidos e tocou a campainha, um pouco apreensiva. Era o primeiro Natal desde que tivera seus poderes de volta, desde que seus amigos a perdoaram, desde que tentavam reconstruir suas antigas relações.

Não havia realmente voltado ao mundo bruxo, embora às vezes acompanhasse Draco ao Beco Diagonal ou em eventos importantes. Gostava mesmo era do modo trouxa de viver, se acostumara a este de tal maneira que não se via abandonando tudo novamente para recomeçar. Usava a varinha, fazia alguns feitiços básicos e práticos, mas não estava nos planos voltar e se tornar a Hermione Granger que todos esperavam. Gostava de como as coisas se encontravam, no momento.

Quem atendeu foi a Sra. Weasley. Nos últimos meses havia conhecido várias outras “Sras. Weasley”, mas ainda parecia estranho pensar que mais alguém carregava aquele título tão estimado por Hermione.

– Posso entrar? – Perguntou timidamente.

Passada a surpresa, Molly sorriu, sendo imediatamente retribuída, convidando-a para um abraço apertado. A porta foi fechada e o som característico de tantos Weasley no mesmo ambiente envolveu Hermione, como muitas vezes acontecera no passado, como esperava que acontecessem tantas outras no futuro.

Notas finais
Amores, chegamos ao fim! *_* Posso dizer que estava com medo de escrever e finalizar essa história (a primeira que eu postei) e que repercutiu tão bem, eu jamais poderia imaginar que tanta gente gostaria de uma ideia que começou tão tímida e foi tomando proporções muito maiores do que imaginei quando resolvi compartilhar. Só tenho a agradecer a vocês: muito obrigada por estar sempre por aqui, nos altos e baixos desses personagens tão queridos que eu amo escrever. Muito obrigada pelos comentários, por serem tão legais e receptivos, pelas recomendações, pelas ideias que sempre me mandaram, os puxões de orelha (conscientes ou não) pela torcida para eu entrar na faculdade... Tudo isso foi muito importante pra mim e o desenvolvimento da história. Por tudo isso, espero que tenham gostado desse último capítulo, que ele sacie as expectativas de vocês e até mesmo as ultrapasse (é o que eu espero depois de escrevê-lo, reescrevê-lo e revisá-lo pelo menos três vezes). Como puderam ver, deixei muita coisa subentendida! Uma nova personagem surgiu, Hermione pode ter parentes que não assinam Lestrange, mas certamente estão por aí nesse mundo bruxo. Michael e Hermione continuam com a mesma relação, se evitando o máximo possível, assim como Nina e seu eterno drama sobre namorados e Narcissa com seu amor incondicional pela família. Eles irão adotar Liesel e Draco se mudará para a casa dela, mas isso pode ser na semana ou no mês que vem, quis deixar isso para a imaginação de vocês. Podem me dizer o que acharam de tudo isso nos comentários, a história está terminando, mas é muito importante saber o que acharam, certo?! Mesmo aqueles que não comentaram durante a história... Saber a impressão de vocês sobre o enredo, os personagens, o modo como escolhi escrever o final, tenho outras duas histórias para finalizar um dia, então... Ajudaria muito saber o que acharam desse apanhado todo :)) *Escolhi Surrey como o cenário do Natal deles por que é também um dos cenários de um dos meus filmes preferidos: O amor não tira férias. Esse capítulo para falar a verdade foi todo inspirado nele. Gente, muito obrigada novamente e até a próxima, foi muito especial "estar" com vocês durante todo esse tempo! P.S. Para quem ainda não sabe, Vínculo e Neurótica continuam a todo o vapor, então migrem para lá para conversarmos mais sobre Draco e Hermione! P.S² Você, leitor novo, que quiser recomendar depois de todos esses capítulos fique completamente à vontade, eu serei eternamente agradecida!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!