Memories of the Past
29 Capítulo 29
Quando a porta de carvalho escuro se fechou atrás de Hermione, um arrepio sombrio percorreu seu corpo. Olhou ao redor, prendendo a respiração. A Mansão Malfoy ainda era exatamente como em suas memórias. A iluminação vinda dos escassos candelabros produzia sombras disformes nas paredes de pedra, como em seus pesadelos. Ao seu lado, Draco parecia não compartilhar nenhuma de suas reações negativas. Sua inexpressão a irritava um pouco. Estavam ali, na casa onde ele havia nascido e crescido, onde Hermione fora torturada uma vez, e ainda assim Malfoy insistia em não demonstrar nenhuma emoção. Lá fora, era possível notar pelas janelas estreitas e de espaldar alto, o tempo era revolto. Não passava do meio dia, mas o céu estava negro como a noite. A chuva forte batia contra as vidraças, produzindo um barulho abafado e assustador demais para quem não estivesse acostumado. Imaginou como havia sido para Draco, quando criança, dormir ouvindo aqueles sons.
– Hermione Granger. Hermione não viu quando o Sr. Malfoy apareceu no topo da escada, mas não gostou da chegada inesperada. Imponente, em suas roupas caras e tipicamente negras, os cabelos do mesmo tamanho que se lembrava — pouco abaixo dos ombros — e tão louros quanto os de Draco. Lucius a olhava superiormente, como sempre havia sido. – Devo lhe dizer o quanto é... Interessante vê-la em meu modesto lar novamente? — Ele sorriu, exatamente como o filho, o tom desdenhoso presente. — Dessa vez, entrando pela porta da frente. – Pai...– Oh, não se preocupe em tentar defender sua querida prima. — Draco suspirou e enfiou as mãos no bolso enquanto Lucius descia as escadas, ainda olhando-os, os dedos passeando suavemente pelo corrimão. Ele agia como se estivesse pronto para a batalha, aparentando tranquilidade, mas atento a qualquer movimento do inimigo, que no caso era Hermione. — Você não me lembra a menina que nos fez uma visita há 10 anos atrás. Agora entendo por que Draco insiste em ajudá-la. – O seu filho...– Acho que posso confessar que estava ansioso para sua chegada. — Ele a interrompeu, sem se importar, ao parar bem à sua frente. — A última Lestrange. Superou minhas expectativas até! Só não posso dizer que Bellatrix ficaria orgulhosa. – Nunca foi meu objetivo orgulhá-la. – Imagino que não. — Ele respondeu, com falsa compreensão, rindo de alguma piada interna. As rugas ao redor dos olhos e da boca eram mais proeminentes do que se lembrava, mas Lucius já tinha mais de 50 anos, o tempo não havia parado em Wiltshire. Draco e Hermione entenderam o convite mudo quando ele virou-se e começou a subir as escadas. Em silêncio, observou os corredores decorados com estátuas de guerreiros da idade média, artefatos históricos da família — ou mesmo da história bruxa — e quadros dos antepassados de Draco. Hermione não negava o quanto tudo aquilo era fascinante. A Mansão Malfoy era repleta de lembranças, tanta gente havia vivido ali, deixado seu próprio toque pessoal no lugar. Entretanto, pensar que poderia ter crescido num local minimamente parecido a deprimia. Aquela Mansão, apesar de ostentar tanto poder e riqueza, era escura e triste. Tinha a impressão de que, mesmo no verão, ela aparentaria aquela aura de medo, naturalmente implícita em sua arquitetura. Enquanto passavam por um corredor estreito e pouco iluminado, Hermione parou instintivamente ao ouvir um som conhecido vindo de uma das salas. Uma porta, a poucos passos de distância, estava entreaberta e ela aproximou-se, cautelosamente. Podia sentir Draco em seu calcanhar, embora o Sr. Malfoy ainda tivesse demorado alguns segundos para perceber que não o seguiam. Dentro da sala havia um piano de cauda de aparência antiga e um único vaso grande de tulipas secas perto da janela, onde a cortina aberta permitia que admirasse o céu iluminado por raios. Sentada ao piano estava o fantasma de uma mulher de ombros delicados e pescoço esguio, os cabelos negros e fantasmagóricos presos num coque desmanchado. A roupa que usava na hora de sua morte parecia ser uma camisola, as mangas largas displicentemente caídas pelos braços, mas ainda assim muito elegante de um tecido fino e nobre. Apesar de tudo, a mulher sequer parecia ter percebido a presença de Hermione ou Draco. – É o fantasma de Valerie Malfoy. — Disse ele em voz baixa. — Ela se suicidou após a morte do marido, haviam acabado de se casar. Dizem que estava grávida. – Por isso ela parece tão triste. — Valerie parecia alheia à conversa, continuava insistentemente tocando a melancólica melodia. – Essa é sua sala preferida, onde Raphael passou os últimos dias, segundo o diário que ela deixou. Hermione o encarou. Draco parecia perdido em pensamentos enquanto encarava a fantasma e achou que ele sabia muito mais sobre a história do que estava contando. Porém, não teve tempo de retrucar, a figura de Lucius apareceu logo atrás deles, apressando-os. – Vamos, vamos, não é elegante deixar um Malfoy esperando. Ele não esperou resposta e saiu andando apressadamente pelo corredor, desaparecendo em uma curva. Franziu o cenho, não poderia descrever o quanto era estranho Lucius Malfoy recebendo-a em casa, antes de qualquer outra pessoa. – Ele... Não era assim, era? — Draco fechou a porta da sala e a puxou pelo braço, na altura do cotovelo.
– Meu pai não está lúcido, Granger, e torça para ele continuar assim. — Antes que pudessem continuar, ele a fez parar. — Quando disse que iria hospedá-la aqui... Ele, basicamente, fez um escândalo. Lucius a culpa pela queda do Lorde das Trevas...– E com razão. — Malfoy revirou os olhos e soltou a respiração, parecia estressado por estar ali, por ter a levado até ali, pela situação toda, Hermione não saberia dizer ao certo. – Granger, não brinque com fogo. Você não é mais uma sangue-ruim, mas Lucius ainda a odeia e não está em seu estado normal. – Eu posso lidar com qualquer uma das faces do seu pai, Malfoy. — Hermione soltou seu braço do aperto das mãos dele. Tudo bem, Draco a estava ajudando, mas super-proteção não era com ele. — Não sou mais uma menininha. Hermione deu as costas à ele e continuou a andar pelo mesmo caminho por onde Lucius havia sumido há poucos segundos. O ouviu resmungar algo relacionado a mulheres e teimosia, mas os passos a seguindo a pouca distância indicavam que ele estava logo atrás de si. Sorriu satisfeita e entrou em uma sala onde a porta havia ficado aberta após o dono passar. Com a respiração suspensa, sentiu ser avaliada dos pés a cabeça por Narcissa Malfoy assim que esteve ao alcance de seus olhos claros e idênticos aos de Draco. A Sra. Malfoy possuía uma aparência altiva e elegante — apesar de não parecer se esforçar nada para isso. Hermione supôs que esse tipo de coisa estivesse encravado nela desde que nascera. – Suponho que não considere apropriado chamá-la de Srta. Lestrange, embora seja o adequado. — Narcissa aproximou-se e estendeu a mão. — É um prazer conhecê-la, Granger. – O prazer é meu, Sra. Malfoy. — A mulher à sua frente mantinha a expressão rígida e um tanto fria, apesar do interesse mal disfarçado que tentava esconder. — E não, não seria apropriado me chamar de Lestrange, Bellatrix e Rodolphus não são meus pais. Uma risada alta fez com que percebesse que os Malfoy não eram os únicos presentes na sala e que, desde que havia entrado ali, estava quase num estado de transe olhando Narcissa. Perto da lareira, segurando um copo de uísque, havia um homem alto, de cabelos negros cacheados quase na altura dos ombros, olhos verdes e expressão zombeteira. – Bem que você disse que ela era peculiar, Draco. — Quando Hermione estendeu a mão para cumprimentá-lo, ele a pegou e se abaixou depositando um leve beijo e surpreendendo-a. — Theodore Nott, muito prazer. Nott se afastou sob o olhar irritado de Narcissa, depois de lhe lançar uma piscadela, e sentou-se confortavelmente num sofá de aparência antiga e clássica, tomando um gole de seu uísque. Lucius se encontrava ao lado de Draco, ambos preparando seus próprios drinques. – Minha irmã e seu marido podem não ter sido as melhores pessoas, mas abriram mão até mesmo do próprio orgulho para lhe proteger. Você admitindo isso ou não, o passado não pode ser apagado, eles sempre serão seus pais. – Não em minha mente, não quando eles abriram mão da própria filha por amor a um homem sádico e cruel. — Retrucou Hermione com ferocidade. Não sentia falta dos pais que nunca teve e a leve curiosidade que a consumia quando pensava em como seria se tivesse sido criada por eles era sempre suprimida pelas lembranças de Bellatrix torturando-a. Narcissa se aproximou, parando há apenas alguns centímetros de distância, tinham quase a mesma altura, mas a determinação da mulher naquele momento a fez parecer maior e ainda mais intimidadora. – Gostaria de ter sido criada como Draco? — A voz dela era fria e, como o filho às vezes fazia, tinha a intenção de atingir, ferir, machucar. — Gostaria de ser reconhecida como uma filha de Comensais da Morte? De ter seu destino traçado pelo homem que mais odeia? Eu suponho que não. E foi exatamente por isso que eu convenci Bellatrix a entregá-la a um casal de trouxas.
Notas finais
Oieee!! Então... Dessa vez não teve atraso!!! Ehhhhh! o/ Tudo bem, vamos falar da fic.
Gostaram?!! Dessa vez não teve hentai pra deixar vocês empolgadinhas :p Como vocês puderam perceber, esse capítulo foi mais uma introdução para os próximos. Mas vamos por partes ^^
Tivemos a falta de lucidez de Lucius e isso vai ser explicado nos próximos capítulos, mas não esperem vê-lo sempre tão pacífico assim, qualquer coisa a mais do que isso seria spoiler do que eu ainda pretendo escrever kkkkk
E aí veio Valerie, nova personagem. Eu tive a ideia de introduzi-la na história pra explicar acontecimentos futuros que eu decidi colocar na fic. kkkkk Vocês vão ficar curiosas agora, mas não vão demorar a saber do que se trata (se eu não mudar de ideia)!! Enfim, me digam qual foi a impressão de vocês em relação a ela? Por que acham que Valerie pode ser importante? Eu sou a mais suspeita a dizer, mas gostei bastante de colocá-la na história nesse momento :D
E... A revelação de Narcissa no fim. Bellatrix queria ter sido uma boa mãe? O que vocês acharam sobre isso e, como um todo, sobre o modo como eu descrevi os Malfoy?!! MEU DEUS, eu quero muito saber a opinião de vocês, juro!!! kkkkkk
Enfim, muito obrigada aos comentários muito legais no último capítulo *_* Vocês são loucas por um hentai, hem!! kkkkkkkk Obrigada especial a miss_halle que comentou em todos os capítulos (praticamente :o) e que encheu minha página de atualizações :)) Acho que significa que ela gostou. Vocês são demais, sério! *-*
Até o próximo, galerinha, bjão :D :D :D
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