A chuva caía torrencialmente lá fora quando Draco e Hermione se dirigiram para o escritório do mesmo, no primeiro andar. Não que ela estivesse com cabeça para discutir sobre o invasor àquela hora. Só queria tomar um banho quente, se enfiar embaixo de edredons quentes e dormir para tentar esquecer por apenas algum tempo tudo que havia acontecido, mas precisava encarar a relidade, como Malfoy havia dito, "chorar e resmungar" não ia ajudar a resolver seus problemas.

Viu quando ele tirou um mapa e um um bloco de anotações de uma pasta escura e sentou-se atrás de sua escrivaninha, lançando um feitiço imperturbável na porta, para que ninguém do lado de fora ouvisse o que se passava lá dentro, e apontando para que ela se acomodasse numa poltrona em frente à escrivaninha.

Hermione sabia que Malfoy era o tipo de pessoa que não confiava nos outros tão facilmente, mas não havia sido perspectiva o suficiente para perceber que ele não conversava sobre certos assuntos com os empregados por perto até aquele momento. Entretanto, poderia estar apenas sendo cauteloso pelo fato de que Elijah e a Sra. Jo não eram bruxos.

– Muito bem, Granger. — Ele começou, assumindo um tom profissional. — O Profeta Diário nos informava que o último lugar onde Rabastan Lestrange foi visto era o Vale do Loire, certo?

– Mas isso faz anos. — Argumentou Hermione.

– Exatamente. Porém, Nott trabalha na Seção dos Inomináveis e tem acesso a muitas informações que circulam dentro do Ministério. — Malfoy se ajeitou na cadeira, inclinando-se para frente e juntando as mãos sobre a mesa. — Como o esperado, o Ministério esconde há anos qualquer pista sobre os Comensais foragidos, por isso não encontramos mais nada de concreto nos exemplares do jornal.

– Querem dar a sensação de segurança à população bruxa. — Ela sorriu, irônica. — Que previsível.

– Apenas uma manobra política, qualquer governo faria o mesmo. — Malfoy deu de ombros. — E a população merece a sensação de segurança depois de anos sendo aterrorizada pelo Lorde das Trevas. Se preocupar com essas coisas é dever do Ministério e eles vêm fazendo isso perfeitamente bem durante todos esses anos. As pessoas confiam no Ministro Kingsley.

– Sim, mas... E quanto ao perigo que esses Comensais foragidos podem vir a representar? — Hermione disse, exasperada.

Não estava chocada com a atitude de Kingsley por que apenas sua vida estava correndo perigo, e os outros? Eles estavam manipulando informações, assim como Fudge fazia, deixando as pessoas ficarem à mercê do perigo acreditando estar vivendo em uma sociedade completamente segura.

O raciocínio de Draco estava certo, a maioria dos bruxos fizeram por merecer o tempo de paz que estavam vivendo, mas ninguém pode ficar com a guarda sempre baixa. A própria Hermione havia feito isso e agora estava sendo perseguida por um ex-Comensal foragido. Estava fora do mundo bruxo e eles não poderiam rastreá-la, mas e se não se tratasse apenas dela e de várias famílias? E se fosse apenas a primeira de uma série de vinganças que Lestrange planejava?

– Há riscos, claro, qualquer opção que o Ministério escolhesse naquele momento teria seu lado negativo e positivo, ambas teriam chances de ataque, perseguição e vingança por parte dos Comensais. Kingsley apenas escolheu a opção que preserva seu povo acima de tudo, Granger.

Malfoy tinha certa razão, mas não conseguia se convencer e acreditar em um governo que esconde informações tão importantes de seu povo.

– Ainda assim, não é certo.

– Vejo que seu espírito grifinório continua mais vivo do que nunca. — Ele disse, levantando-se e passando a andar de um lado para o outro com ambas as mãos no bolso da calça. — Recapitulando. A informação do Profeta Diário sobre o Vale do Loire é verdadeira, mas data de pelo menos 9 anos atrás. Nott conseguiu este mapa, onde estão assinaladas todas as cidades por onde Lestrange passou nos últimos anos.

Hermione alcançou o mapa. Suas mãos estavam trêmulas e sabia que Malfoy percebia seu nervosismo de longe, como um lobo farejando à caça. Era visível para qualquer um. Respirou fundo e se concentrou em seu objetivo: encontrar o invasor misterioso de sua casa. Enfim, começou a analisar o pedaço de papel desgastado que tinha em mãos.

Tratava-se de um mapa da Europa, com todos os seus países, capitais e cidades mais importantes. Algumas das cidades do mapa estavam assinaladas com um "x" à tinta vermelha.

– Como você pode ver, ele só esteve na Inglaterra uma vez desde que esteve foragido e, por pouco, não foi pego pelo Ministério numa Rede de Transportes clandestina. — Ele pegou o bloco de anotações. Pode ver de relance a caligrafia mal desenhada e displicente que supôs ser de Theodore Nott. — De acordo com essas informações, Surrey só esteve no roteiro de Lestrange há 6 anos.

– Certamente, ele não queria apenas matar as saudades do país natal. — Disse ela, irônica, continuando a observar o mapa. — Então... Ele já esteve na Escócia três vezes.

– Talvez tenha algum vínculo lá, mas não sou influente o suficiente na Escócia para descobrir mais do que isso. — Disse Malfoy, pegando uma dose de uísque puro para cada um deles. Hermione levantou uma sobrancelha, quase divertida, ao aceitar o copo que ele oferecia. Esse já era um ato que estava se tornando típico entre eles, beber uísque.

– Ora, ora, Malfoy admitindo não ter influência em algum lugar é um fato inédito. — Debochou ela, soltando uma risada breve.

– Isso é... Irrelevante. — Ele dispensou com uma mão ao apoiar-se na própia mesa e encará-la. — Pois tenho influência sobre coisas muito mais... Interessantes.

Hermione levantou os olhos do mapa, ainda imaginando o que Lestrange poderia fazer naquelas cidades, e encontrou Malfoy encarando-a como se quisesse dizer algo mais do que as palavras superficiais demonstravam. Sabia muito bem do que se tratava e, apesar de se sentir tentada a continuar jogando o mesmo jogo que ele, pois entendia muito bem daquelas "regras", não estavam ali para isso. Não naquela noite, não naquela hora.

– Apenas posso imaginar o que seja. — Seu tom, embora estivesse tentado se conter, ainda era de provocação e Malfoy parecia estar gostando da situação. Hermione não negava, ele era alguém fácil de se jogar e apreciava isso. Respostas rápidas e inteligentes realmente a excitavam. E foi exatamente por esse motivo que decidiu mudar o rumo da conversa. — E Amsterdã? Não me parece o tipo de lugar onde um Comensal da Morte poderia se esconder.

– Lestrange foi visto lá, há dois meses. O Ministério mandou alguém para confirmar a informação.

– E por que ainda não o prenderam?! — Perguntou ela, indignada, no que Draco apenas deu de ombros.

– Pura burocraria. A Holanda adora criar problema para o Ministério. Se recusam a deixar os aurores ingleses agir em seu território e também não querem prendê-lo e deportá-lo sem uma acusação concreta de crime dentro do país. Ou seja... — Draco jogou o bloco de anotações em cima da mesa. — Tudo que Lestrange faz em Amsterdã é, totalmente, legal.

– Isso não pode ser verdade. — Disse ela, tapando o rosto com as mãos. — O que vamos fazer, então? Não podemos simplesmente azará-lo com um Imperio e mandá-lo cometer um crime para que seja preso e, finalmente, deportado.

– Ele é Rabastan Lestrange, ninguém conseguiria azará-lo com um Imperio tão facilmente. — Draco revirou os olhos, como se ela fosse uma idiota por ter meramente insuado tal coisa, e voltou a se sentar atrás de sua escrivaninha. — De acordo com as informações de Nott, não tem como Rabastan ser nosso invasor. Ele nunca chegaria à Inglaterra sem passar despercebido pela Rede de Transporte do Ministério.

Hermione suspirou, cansada, estava certa de que o nome por trás do invasor era Rabastan Lestrange. Ambos ficaram em silêncio por alguns minutos, cada um preso em seus respectivos pensamentos.

Só poderia imaginar, então, quem poderia ser a pessoa que lhe mandava flores negras. Quem seria louco o bastante para fazer isso? Talvez simplesmente estivesse enganada e o invasor sequer fosse um bruxo. Entretanto, ela tinha certeza que um trouxa não invadiria sua casa tão facilmente.

Hermione levou os dedos às têmporas, uma dor de cabeça começava a tomar conta. Queria tanto tomar um analgésico e simplesmente dormir. Foi então que uma ideia passou por sua mente e abriu os olhos, levantando-se e chamando a atenção de Malfoy imediatamente.

– E se... E se Lestrange não tivesse usado meios bruxos para chegar à Londres?

– Lestrange é um bruxo sangue-puro, jamais deixaria o orgulho de lado para passear de avião por aí. — Disse ele, sem dar muita atenção, sorrindo desdenhoso.

– Há trens! — Hermione respirou fundo, tentando colocar a dor de cabeça insistentemente chata de lado. — Ele pode ter se locomovido da Holanda até aqui por meios trouxas, mas usou magia para atacar minha casa. Além do mais, 10 anos pode mudar muita coisa na vida de uma pessoa.

– Acho que vou me calar, a especialista está falando. — Malfoy levantou as duas mãos, como se estivesse rendido, mas parou com as brincadeiras.

– É apenas uma ideia. — Deu de ombros e viu Malfoy se levantar e se aproximar, encarando-a profundamente.

– Granger, eu sei que irá parecer pessimista, mas pode estar fazendo isso apenas para... Continuar procurando um suspeito. Lestrange pode não ser a pessoa que estamos procurando e eu sei que você não tem mais ninguém à vista para incriminar.

Hermione o encarou de volta, por algum tempo, pensando no por que de Malfoy estar dizendo aquilo. Foi quando lembrou-se do episódio desastroso do carro quando, guiada por um instinto mais forte que ela, tentou agredi-lo fisicamente. Odiava que ele a tivesse visto num momento de total fraqueza psicológica. Não havia contado o que acontecera com ela há anos atrás, mas Malfoy suspeitava de algo e estava chegando perto de descobrir sobre seus problemas apenas devido a uma suposição sortuda.

– Mas ele pode ser e é nisso que temos que nos concentrar. — Deu a volta na mesa e se apoiou na mesma com uma das mãos encarando-o profundamente. — Ouça: eu tenho motivos para acreditar que ele, de alguma forma, está envolvido nas invasões.

– Eu poderia ajudar muito mais tendo conhecimento desses motivos.

– Você já faz muito e eu agradeço. — Ela suspirou, desviando o olhar. — Só... Me dê algum crédito. Por favor, Malfoy, eu preciso de respostas e... Eu sinto, elas estão com Lestrange.

– É um tiro no escuro, Granger, e você tem consciência disso. — Ele apoiou a cabeça numa das mãos, balançando-a negativamente. Foi então que Hermione percebeu que Malfoy também estava cansado, também havia tido um dia exaustivo e, provavelmente, também só queria estar em sua cama. Tudo isso graças à ela e, o pior, nenhum deles teria folga no dia seguinte. — Vamos atrás de Lestrange, mas... Com uma condição.

– Tudo bem. — Concordou, sem pensar duas vezes.

– Primeiro vamos achar a solução para o seu problema com a magia e você vai voltar a usá-la, pelo menos provisoriamente.

Notas finais
Entããão, esse é o capítulo dessa semana, espero que gostem!! Estamos chegando na parte das estratégias pra chegar até Lestrange, mas não significa que as coisas serão fáceis nos próximos capítulos, eu nunca consigo facilitar nada kkkkk Como sempre, os comentários foram ótimos e eu adorei responder todos, suas lindas!! :D O que acharam desse capítulo e o que acham que vai acontecer daqui em diante? Só posso dizer uma coisa: Hermione vai sofrer um pouquinho no próximo capítulo e não é por causa de Rabastan Lestrange, não diretamente, pelo menos! Queria agradecer também às leitoras lindas que indicaram algumas fics pra eu ler, muito obrigada, gente!! :)) Agora, o spoiler!! Essa parte eu adoro e acho que vocês irão gostar, particularmente, deste: - Meus amigos correm perigo, não é? - Sim, eles correm, mas é com você que estou preocupado. ... - Quando pretendia nos contar que o conhece desde a época da escola? Claro, se é que pretendia, certo? ... - Preciso do endereço da empresa de Malfoy, agora. ----x---- Gostaram? Hahah Bjão, até a próxima semana ;)