Hermione acordou extremamente cedo no dia seguinte, apesar de querer ficar na cama até a hora do almoço simplesmente não conseguia parar de se revirar e isso a irritava profundamente. As palavras de Malfoy martelavam em sua mente.

"Vamos achar a solução para o seu problema com a magia e você vai voltar a usá-la, pelo menos provisoriamente." Não tinha ideia de como achariam a solução, mas ele, obviamente, deveria estar pensando em algo. Entretanto, como poderia ter a magia de novo ao seu alcance e abandoná-la novamente, sabendo o que iria acontecer caso o fizesse? Não gostaria de passar por isso duas vezes, era apenas... Doloroso demais.

Tomou um banho demorado e se arrumou com calma. Quando olhou pela janela, percebeu que o dia estava nublado e parecia mais frio ainda. Já não havia neve da noite anterior nas ruas, mas as calçadas estavam completamente tomadas pelo gelo.

Adorava o inverno, a sensação de acolhimento que trazia, o contraste das árvores completamente secas com a neve branca, mas aquele janeiro, especialmente, não estava sendo como esperava. A sensação de estar sozinha aumentava cada dia mais. Só podia contar com Malfoy, mas ele não era exatamente o tipo de pessoa com quem se podia desabafar, ainda mais se levassem em conta quem eram.

Ainda não sabia quais os motivos dele para tamanha dedicação e sequer sentia que estava perto de descobrir. Malfoy ainda era um mistério para Hermione e queria desvendá-lo. Era quase uma obrigação admitir para si mesma: estava muito atraída por ele.

Porém, acima de tudo, sabia que entrar em um jogo de sedução com Draco Malfoy poderia ser muito perigoso. Malfoy gostava da conquista difícil, tinha certeza, por que outro motivo flertaria com ela tão abertamente? Ele gostava de ter as mulheres mais bonitas em sua cama... Por uma noite. E, por fim, Malfoy era apaixonável demais. Tal combinação poderia ser a perdição para uma mulher.

Suspirou, tomando um gole da xícara de chá que a Sra. Jo havia lhe deixado enquanto estava no banho. Não sabia o que fazer em relação a Malfoy, definitivamente. Ele era imprevisível e a Hermione dentro de si que gostava de segurança emitia um alerta cada vez que sentia que estava próxima de cair na conversa dele. Draco Malfoy era uma incógnita muito difícil de se resolver, concluiu antes de se distanciar da janela.

Quando chegou à sala, Malfoy estava saindo da sala de jantar, com uma pasta executiva pendurada nos ombros e uma garrafa térmica na mão. Ele pareceu surpreso quando a viu, mas ambos começaram a descer as escadas depois de se cumprimentarem educadamente.

– Não sei pensei que fosse trabalhar tão cedo.

– Normalmente, eu não vou, mas... Ficar em casa martelando tudo isso em minha mente vai me enlouquecer.

Malfoy abriu a porta, dando espaço para ela passar e constatar que seu carro já a estava esperando logo atrás do veículo de Malfoy, onde Elijah estava parado com ambas as mãos para trás.

– Er... Granger? — Ele a segurou pelo cotovelo, aproximando-os. — Sair de casa não quer dizer que os ataques do invasor irão parar, fique atenta.

– Meus amigos correm perigo, não é? -Murmurou ela, no que Malfoy apenas meneou a cabeça.

– Sim, eles correm, mas é com você que estou preocupado.

Porém, quando Hermione abriu a boca para responder que era seu dever se preocupar com seus amigos, pois era por sua casa que eles estavam correndo perigo, foram interrompidos.

– Draco!

Ambos voltaram-se para a voz e Hermione levantou uma sobrancelha ao ver uma mulher loira na casa dos 40 anos, usando calças de corrida, um agasalho e uma faixa no cabelo... Na cor rosa.

– Amanda. — Draco virou-se, forçando um sorriso para a mulher.

– Há quanto tempo não nos vemos, vizinho? — A mulher a olhou, analisando-a. — Nova amiga?

Até Hermione se virou para Draco esperando o que ele teria a dizer sobre isso, mas respostas rápidas não eram motivo de preocupação para Malfoy.

– Na verdade, Hermione é uma velha conhecida. — Respondeu ele, com um sorriso vitorioso para Hermione que refreou uma revirada de olhos. Deus, ele era tão exibido!

– É mesmo? — Amanda olhou Hermione, sorrindo amigavelmente. — Deve ser bastante especial, Draco não costuma trazer suas amigas para casa. De qualquer maneira, tenho que ir. Nos visite e a leve, Draco, adoraria conhecê-la melhor.

– Boa corrida! — A mulher apenas acenou com a mão e recolocou os fones de ouvido no lugar no instante em que Draco se inclinava para mais perto de Hermione. — Acredite, você não quer conhecê-la.

– De acordo, ela acha que estamos transando e não vai falar de outra coisa senão sobre você. — Ainda seguiam a silhueta de Amanda com olhos, quando Draco a encarou levantando uma sobrancelha, ironicamente.

– Suponho que nenhuma das duas coisas seja tão ruim assim! — Hermione apenas riu com a breve indignação dele e apertou seu braço esquerdo levemente.

– Vou me lembrar do que disse, obrigada.

Hermione encaminhou-se para o carro, cumprimentando Elijah rapidamente antes de adentrar o automóvel. O caminho para o trabalho fora congestionado e corrido, como sempre. Plena segunda-feira e as pessoas estavam mais sonolentas e atrasadas, embora se sentisse totalmente desperta devido aos sonhos que tivera na madrugada.

Anne, como de costume, já estava acomodada atrás de sua escrivaninha totalmente concentrada em alguns documentos, mas se levantou assim que a viu.

– Bom dia, Srta. Granger.

– Como vai, Anne? — Passou direto pela mesa da secretária e andou pelo pequeno e elegante corredor em direção a sua sala. — Lucy e Michael já chegaram?

– O Sr. Bones está em sua sala e a Sra. Bones tem uma consulta médica pela manhã.

– Certo, há algo para mim hoje? — Hermione desfez-se de seu casaco e bolsa.

– Apenas as correspondências de sempre. — Anne colocou um maço de envelopes sobre a mesa. — E o Sr. Bones disse para ir a sala dele assim que chegasse.

– Tudo bem, obrigada.

Hermione passou pelo pequeno saguão com algumas cadeiras de espera e encheu uma xícara grande com chá. Nunca fora muito adepta ao café preto. Deu duas batidas na porta e adentrou a sala de Michael. O mesmo encontrava-se sentado em uma poltrona perto da janela com um processo à mão e o semblante concentrado, nem parecia ter percebido sua chegada.

– Michael? — Ia sorrir, mas havia uma sombra pairada sobre os olhos do homem e ela se preocupou imediatamente. — Aconteceu alguma coisa?

Michael se levantou, colocou a pasta com o processo sobre sua mesa e se virou para ela.

– Você e Draco estão bastante próximos, não é? — Ela franziu o cenho com a pergunta, mas respirou fundo e se aproximou.

– Nem tanto.

– É que eu... Fiquei um pouco intrigado, vocês parecem bem íntimos para quem se conhece há pouco mais de um mês.

Michael parou à sua frente, esperando resposta, mas Hermione conhecia aquela postura e aquele olhar. Havia feito faculdade juntos e sabia que ele estava querendo encurralá-la.

– Não estou entendendo aonde quer chegar com isso, Michael.

– Previsível. — Ele sorriu, irônico. — Quando pretendia nos contar que o conhece desde a época da escola? Claro, se é que pretendia, certo?

Hermione perdeu sua linha de raciocínio neste instante. Como Michael sabia sobre isso? Colocou a xícara sobre a mesa do homem e fechou os olhos. Apenas Malfoy poderia ter dito isso a Michael por que não havia como descobrir nada sobre seu passado.

– Michael, eu... — Antes que pudesse continuar, a porta do escritório fora aberta e uma Lucy sorridente entrou. O que raios ela estava fazendo ali?

– Olá, amores! — Porém, a mulher percebeu o clima tenso instalado na sala e franziu o cenho, olhando de Hermione para Michael. — O que está acontecendo aqui?

Não era novidade para ninguém que a relação de Hermione com Michael era frágil e quebradiça, ambos gostavam de serem donos de suas razões e não aceitavam que fossem questionados, apesar de tentarem manter um bom relacionamento por causa de Lucy.

– Pergunte para a sua amiga. — Nesse instante, quis fuzilar o homem com os olhos, ele não tinha o direito de estragar sua amizade de anos com Lucy. — Pergunte por que ela e Draco fingiram esse tempo todo que não se conheciam até se encontrarem na nossa casa.

– Isso é verdade, Hermione? — É claro que Lucy levaria a palavra do marido em maior consideração do que a sua. Hermione abaixou a cabeça, suspirando. Sequer podia encontrar uma desculpa para sua mentira. Queria tanto poder contar a verdade a eles, para Lucy principalmente. — Por que fez isso?

– Lucy, é complicado...

– Não fale comigo como se eu fosse uma criança indefesa que não é capaz de entender o "complicado" mundo dos adultos. — Cortou a morena, levantando o tom de voz. — Eu só quero saber o motivo, Hermione.

– Eu não posso. — Seus olhos encheram-se de lágrimas ao encarar Lucy. — Não posso contar, vocês jamais me aceitariam se soubessem a verdade.

Lucy e Michael eram um casal proveniente de famílias conservadoras que levavam uma vida tranquila no subúrbio chique de Londres e julgavam os outros como se fossem melhores, lhe lembrava muito os tios de Harry. Eles jamais a veriam com os mesmos olhos se descobrissem que, um dia, possuíra dons que a diferenciava dos demais. Até mesmo a sociedade recente de Draco com o escritório estaria perdida se eles descobrissem que não eram "normais".

– Por que você não tenta? — Lucy suspirou, engolindo em seco, quando Hermione apenas balançou a cabeça negativamente. — Hermione, sempre soubemos que tinha um passado questionável e respeitamos seu desejo de tentar esquecê-lo, não te pressionando sobre isso, mas agora envolve Draco e... As mentiras que vocês nos contaram. Isso... Não se faz.

– Eu sinto muito, Lucy. — Viu Michael bufar, sem paciência, e começar a andar de um lado para o outro com as mãos na cintura.

– É uma pena, por que... — Sua amiga a olhou, sem se incomodar com as lágrimas que escorriam por seu rosto. — Até disso eu estou duvidando.

Então, Lucy lhe deu as costas enxugando as lágrimas do rosto enquanto tentava se controlar. O barulho seco da porta batendo foi como a confirmação de que algo havia acabado de ser quebrado entre as duas amigas. Michael fez menção de sair atrás da esposa, mas se virou para ela antes de chegar a porta.

– Sei que Lucy a chamou para madrinha do nosso filho, mas farei o que puder para mantê-la afastada enquanto representar um perigo para nossa família.

– Perigo?!

Ainda questionou indignada, mas tudo que teve como resposta foi o baque seco da porta batendo... Novamente. Sentou-se em frente a escrivaninha de Michael, colocando-se a pensar.

Por que Malfoy havia feito isso? Ele não era o tipo de homem desatento que diz as coisas sem pensar. Muito pelo contrário, ele sempre pensava demais, era frio e calculista em tudo que fazia então não conseguia entender seus motivos.

Entretanto, mesmo sem entendê-lo, sua raiva apenas aumentava. Ele era o culpado de Lucy agora achar que era alguma terrorista ou algo do tipo. Que tipo de perigo ela, Hermione Granger, poderia representar para um casal que vivia uma vida completamente normal num subúrbio com casas de jardins iguais? Havia lutado contra o perigo, era completamente o oposto.

Levantou-se e andou, rapidamente, até sua sala pegando o casaco, a bolsa e as chaves do carro. Antes de sair, entretanto, parou em frente a mesa de Anne encarando-a seriamente.

– Preciso do endereço da empresa de Malfoy, agora.

"Ah, você me paga, Draco Malfoy", foi o que Hermione pensou enquanto assistia a secretária anotar rapidamente o endereço num pequeno bloco de anotações.

Notas finais
Oi, oi, genteee! Entããão, o que acharam desse capítulo? Hermione tá brava, só digo isso, e no próximo... Ah, acho que vocês vão gostar dos acontecimentos dos próximos dois capítulos kkkkkk Michael é um pouco controlador, não? Me digam se gostaram dessa imagem que eu estou passando dele, vou considerar os comentários para escrever as consequências desse atrito entre eles nos próximos capítulos. O que acham que vai acontecer na empresa de Malfoy? Faz séculos que eu quero fazer uma cena entre eles na fábrica e vai ser tão legal, mal posso esperar pra postar!! Hahah Agora o spoiler só pra fazer vocês felizes: - Er... O Sr. Malfoy disse que não receberia ninguém hoje. - Diga que é Hermione Granger e ele irá me receber. ... - Essa é segunda vez que me bate e espero que seja a última, Granger. ----x----- Bjão, até o próximo!! :D