Memories of the Past
15 Capítulo 15
Hermione não soube precisar quanto tempo durou o beijo e, muito menos, quem o quebrou, mas tinha consciência de aquele era Malfoy, o cara que devia ser apenas seu inimigo misterioso e revigorado que, inexplicavelmente, estava a ajudando. Apertou os dedos na gola do casaco dele, suspirando. Não queria abrir os olhos por que dessa vez era ele quem tinha o controle e não gostava disso, por que então teria que encarar a realidade: havia beijado Draco Malfoy e tinha gostado. Sabia que ambos os fatos eram totalmente desfavoráveis a ela, as coisas não deviam estar acontecendo dessa maneira. Já era experiente o suficiente para diferir o certo do errado e sabia que isso nem passava perto do que era certo, mas o errado nunca teve o gosto tão bom. O gosto de Draco Malfoy. Engoliu em seco, respirou fundo e abriu os olhos. Apesar de tudo era uma mulher crescida e lidar com as consequências do que havia feito.
Levantou os olhos para Malfoy, mas a única coisa que pode ver nas típicas tempestades cinzas que eram suas orbes foi o reflexo das luzes dos fogos de artifício, ainda estourando no céu de Londres. Malfoy era a pessoa mais difícil de ler que Hermione já havia conhecido. – Por que fez isso? – Não é a única que sabe usar as pessoas em benefício próprio. — Ele sorriu, malicioso, e retirou a mão de sua cintura, afastando-se. — Há uma ex-namorada minha aqui e eu quero que ela me deixe em paz. – Você é um canalha. — Ele levantou a taça de champanhe como se fizesse um brinde e lhe lançou uma piscadela.– Seu carro está no estacionamento? Precisamos de um lugar com privacidade para conversar. Sem esperar resposta, Malfoy se virou, depositou a taça na bandeja de um garçom que passava por ali e seguiu seu caminho em direção ao estacionamento desviando-se das pessoas que ainda se abraçavam e comemoravam o Ano Novo.– Feliz Ano Novo para você também, seu imbecil. Suspirando, ainda percorreu a multidão com os olhos à procura de seus amigos, mas só pode verificar que Lucy e Michael provavelmente já haviam voltado para dentro do restaurante devido à nova profissão do último, que era ser babá de sua mulher em tempo integral, e ainda fez uma careta ao localizar Nina e Max simulando sexo com roupas sob a sombra de um edifício ao lado. Então, sem opção, e tendo consciência de que não poderia fugir da discussão com Malfoy, seguiu pelo mesmo caminho que ele sem se preocupar em saber se havia alguma mulher com cara de modelo a encarando com raiva por causa do loiro. O frio fez com que escondesse as mãos dentro do casaco e sentisse as pernas tremerem enquanto andava em direção ao carro, onde Malfoy já estava encostado a esperando. Seu rosto continuou inexpressivo, mas em contraste com seus pensamentos gritantes devido a todos os acontecimentos da noite. Destravou o alarme e adentrou o carro se sentando no banco do motorista enquanto Malfoy fazia o mesmo do outro lado. Ele virou-se e pegou o buquê no banco de trás, analisando-o e lendo o bilhete pelo menos três vezes antes de virá-lo para procurar assinatura.– Ainda consegue ver alguma ligação com Rabastan Lestrange depois disso? — Perguntou ele, a encarando.– Para mim, esse contexto não faz sentido algum.– Granger, eu vou perguntar novamente. — Malfoy começou e Hermione instantâneamente soube onde ele queria chegar. — Por que você suspeita de Rabastan? Hermione encarou os próprios dedos, resignada. Queria de verdade poder contar a ele, mas era um segredo só dela e tudo estaria resolvido quando pegassem o invasor, fosse ele Rabastan ou não. – Eu... Apenas acho que, de todos os nomes que você me mostrou, ele seria mais suscetível a fazer esse tipo de coisa. – Não, não, sem um bom motivo. — Ele ainda a olhava, esperando uma explicação para suas suspeitas acerca de Lestrange, e Hermione mordeu os lábios para não soltar nada inapropriado. – Por favor, eu não... Posso falar sobre isso. Malfoy, eu não... Consigo, entende? Ela encarou Malfoy, quase desesperada para fazê-lo entender que simplesmente não conseguia, embora quisesse mais do que tudo desabafar com alguém sobre o que passara e ainda passava. Entretanto, já havia aguentado dez anos e poderia continuar guardando esse segredo por mais dez. Ele pareceu entender, pois em seus olhos Hermione viu uma centelha de algo como conhecimento de causa e outra coisa que não pode identificar. O importante é que sentiu que seu recado havia sido passado. Não iam tocar nesse assunto por um bom tempo, esse era o combinado mudo. – Eu tenho um contato no Ministério que conseguiu informações digamos que... Confidenciais sobre Lestrange. Marquei um encontro para amanhã, tudo bem pra você? – Ótimo, eu não tinha nada marcado mesmo. — Disse em tom ironico, fazendo Malfoy levantar uma sobrancelha. Era palpável, até mesmo para ele que mal a conhecia, seu estresse com toda aquela situação. — Eu apenas me pergunto o que vai ser da próxima vez. Primeiro ele mandou uma rosa, depois o buquê inteiro, o que mais há para vir? Eles ficaram em silêncio por algum tempo, ambos perdidos em seus respectivos pensamentos. Hermione encarava as pessoas andarem de um lado para o outro na calçada ao longe, alegres e sorridentes, enquanto constatava, não pela primeira, que não tinha motivos para comemorar o Ano Novo.
– Tem que sair de casa. — O encarou, franzindo o cenho. — Tirar férias. – Eu não sei você, Malfoy, mas os meros mortais trabalham na segunda para pagar as contas. – Então fique na casa de uma de suas amigas, algum namorado talvez... – Não quero atrapalhar o "momento" de Lucy e Michael, muito menos a maratona de sexo de Nina e você já deveria saber que eu não tenho namorado. — Ela revirou os olhos ao terminar. Se tivesse namorado, jamais ficaria trocando beijos com Malfoy voluntariamente. Viu o loiro suspirar e passar uma das mãos pela nuca, como se estivesse nervoso. Hermione ainda não entendia como aquele Draco havia surgido. O Draco que estava à sua frente naquele momento não era o mesmo que ela havia conhecido há 17 anos atrás em Hogwarts. Aquele Draco mimado, egoísta e prepotente não faria nada para ajudá-la nem se pudesse. – Eu não acredito que vou dizer isso. — Ele respirou e concluiu encarando um ponto não específico à sua frente. — Fique na minha casa.
Notas finais
Olááááá!!!! Voltei o mais rápido que pude pra vocês por que eu sei que não podia deixá-los na mão, certo? Reescrevi este capítulo e vou fazer o mesmo com o resto, mas estou realmente chateada com isso por que eu me esforcei para escrever alguns capítulos importantes da história. Porém... Acreditem, ou não, esse capítulo ficou melhor do que o original que eu perdi!!
Enfim, com muita satisfação, respondi todos os comentários e adorei, vocês são ótimas!!
O que acharam do término desse beijo? É só uma desculpa dele ou realmente havia outra mulher? kkkkk Deixo com vocês agora. Quem vocês acham que é o contato dele no Ministério? E a Hermione vai aceitar ir para a casa dele assim tão fácil?!! Muitas perguntas, certo?
Gente, infelizmente, dessa vez não tem spoiler, mas eu prometo que vou compensar no próximo.
Bjo, vocês são ótimas!!
P.S: Relevem qualquer erro de escrita.
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