Memories of the Past
16 Capítulo 16
– O que disse?
Ele havia acabado de convidá-la para ficar na casa dele por tempo indeterminado. Sob o mesmo teto. Malfoy e Granger. Ainda estava processando tudo isso, definitivamente. – Estou tentando ajudá-la, mas já que recusa minha oferta... Malfoy fez menção de abrir a porta do carro, mas Hermione curvou-se para impedi-lo, segurando sua mão onde estava. Era a melhor proposta que havia recebido até o momento e vinha de Malfoy! – Está ciente do que está sugerindo? — Voltou para seu assento e o encarou nos olhos, sem receio. — Quer mesmo que eu vá para sua casa?– É a nossa melhor opção, certo? — Levantou uma sobrancelha ao ouvi-lo se referir a tudo que havia acontecido no plural. Malfoy percebeu como havia soado e revirou os olhos. — Você pode não saber, por que não me conhece, mas eu realmente me empenho quando começo algo.– Acha mesmo que desconheço tanto assim sua personalidade? Hermione semicerrou os olhos, mas ele, entretanto, quebrou o contato visual sem se dar ao trabalho de responder. Entendeu que ele a estava ajudando, embora não estivesse disposto a passar por uma análise. Malfoy se sentia incomodado ao ser psicologicamente dissecado e, incrivelmente, isso só a deixava ainda mais interessada em fazê-lo. – É uma sugestão, você pode ficar num hotel também... — Começou ele, em tom desdenhoso.– Acha que daria certo?– Por que você faz tantas perguntas? — Malfoy a encarou como se esperasse uma resposta, mas Hermione o conhecia o suficiente para saber que, na verdade, já estava ficando aborrecido. — Não somos mais aqueles jovens inexperientes que achavam que tudo era movido por ódio ou amor. Somos adultos e totalmente capazes de fazer isso... Certo? Hermione desviou o olhar e dessa vez era ela quem estava divagando sobre a hipótese quase inacreditável de ir para a casa dele. Ficar na casa de Draco Malfoy era impensável, até considerar que estaria mais segura do que se ficasse em sua própria casa. É claro que o invasor saberia que ela estava fugindo, mas certamente a casa de Malfoy era magicamente protegida das forma mais eficazes possíveis, caso ele descobrisse onde o mesmo morava. E se isso acontecesse... A cabeça de Malfoy também estaria à prêmio. Hermione o olhou, meio assustada, por que ele certamente já devia ter pensado nessa possibilidade e, mesmo diante do perigo, ainda oferecia ajuda. – Ele é perigoso, Malfoy. — Avisou, temerosa. — Você... Estará se colocando em risco e... Não gostávamos um do outro até algumas semanas atrás. Ainda sou Hermione Granger. – Sua presença ainda me irrita um pouco às vezes. — Confessou ele, dando de ombros quando o olhou, incrédula. — Mas vamos relevar esses detalhes. Hermione suspirou e deixou a cabeça descansar no encosto do banco, por alguns momentos. Não havia percebido, mas todo o estresse da situação a havia cansado mentalmente mais do que imaginara até aquele instante. Era claro que a convivência diária com Malfoy não seria nada fácil, tinha plena consciência de que as personalidades de ambos eram bastante difíceis de lidar, mas teriam de fazer um esforço para tentar equilibrar as coisas. E não era como se fosse vê-lo a todo momento, os dois tinham seus respectivos trabalhos para ocupar boa parte do tempo. Não era por que estava indo para a casa de Malfoy que teria que viver grudada nele.– Acho que... Podemos não transformar sua casa em um campo de guerra. — Malfoy estendeu a mão, levantando sugestivamente uma sobrancelha, e Hermione a apertou seguramente. – Você sabe meu endereço, te espero lá ainda hoje. Então, sem esperar resposta, como era bem típico de sua personalidade mandona e arrogante, ele abriu a porta do carro e saiu. Hermione ainda acompanhou seu caminhar até seu próprio carro com as mãos no bolso e corpo encolhido devido ao contraste do calor do interior de seu carro com o frio que estava do lado de fora. Ainda meio atordoada com o que havia acabado de aceitar fazer, Hermione ligou o carro e dirigiu até sua casa, apressadamente. Queria tirar suas coisas de lá o mais rápido possível e, por algum motivo, sabia que o invasor não estaria lá. Embora tivesse certeza de que ele poderia estar observando todos os seus movimentos. Subiu as escadas com rapidez e tirou duas grandes malas do closet. Não sabia por quanto tempo seria sua estadia na casa de Malfoy, então era melhor previnir e levar tudo que precisava. Em outros tempos faria um feitiço para que todas as suas coisas, literalmente, coubessem em apenas uma mala pequena, mas agora não contava mais com este recurso. Depois de quase uma hora trancada em seu quarto, Hermione colocou as duas malas com seus pertences mais importantes dentro do carro e partiu, dando uma última olhada para a casa, que antigamente fora de seus pais. Não tinha ideia de quando voltaria. Hermione estacionou em frente à casa de Malfoy e, por algum motivo, ficou parada por alguns segundos dentro do carro tomando coragem para descer e tocar a campainha, como uma pessoa normal deveria fazer. Mas ela estava nervosa. Deus, Malfoy era a tentação em pessoa e jurava que não tinha pensado nisso ao aceitar a ideia de se hospedar na casa dele!
Entretanto, sentia a tensão sexual entre eles crescer cada dia mais e todos os seus amigos pensavam que eles tinham um romance. Lucy, Michael e Nina não poderiam descobrir que agora era hóspede de Draco Malfoy ou as coisas ficariam ainda mais complicadas e não queria ter que lidar com mais problemas. Quando olhou para cima, ao encarar o prédio como se isso fosse lhe dar coragem para seguir em frente, viu uma silhueta parada à janela, com postura rígida, encarando-a de volta. Era o único ponto da casa onde se podia notar as luzes acesas. Ainda tentou descobrir de quem se tratava a silhueta, mas não se lembrou de ninguém, apenas tinha certeza que não era de Malfoy. Respirou fundo e saiu do carro, andando rapidamente até a porta e tocando a campainha. Quem atendeu a porta foi um senhor alto, de cabelos prateados bem aparados rente à cabeça e sorriso alegre. Bem, não era exatamente o que esperava. – Você deve ser a Srta. Granger. – Sim, sou eu. Malfoy, pelo visto, já comunicou que eu viria. — Disse, dando um passo para dentro enquanto o senhor fechava a porta e lhe ajudava a tirar o casaco grosso. – Ele gosta de receber bem as visitas. Hermione semicerrou os olhos enquanto o homem alinhado em seu terno guardava seu casaco dentro do armário. Deus, ele estava achando que era uma amante de seu patrão. Será que Malfoy costumava levar muitas namoradas para casa?– Tão bem que me mandou preparar a melhor suíte para a senhorita. — Disse uma voz do alto da escada com um sotaque rígido que lembrava o alemão. Hermione reconheceu a mulher como sendo a pessoa que estava encarando-a pela janela antes de sair do carro. Enquanto descia as escadas, pode reparar em suas feições duras e um pouco envelhecidas pelo tempo. – Sou Elijah Waters e esta simpática senhora é Joane Hawkins, mas nós a chamamos de Sra. Jo. – Posso me apresentar, Elijah. — Repreendeu a mulher de cabelos castanhos presos rigidamente num coque baixo e olhos azuis muito astutos, em sua humilde opinião. — O Sr. Malfoy está no laboratório, se é o que quer saber. Eu a levo até lá enquanto o Sr. Waters guarda seu carro na garagem e traz sua bagagem. – Oh não! — A Sra. Jo a olhou e Hermione pode ver as rugas ao redor de seus olhos encolhendo. — Eu sei o caminho, não precisa subir as escadas novamente. A mulher, certamente, estava se perguntando como sabia o caminho do laboratório de Malfoy, já que não a havia visto na noite de Natal. Então, possivelmente, também estava imaginando que era uma das conquistas de Draco Malfoy. – Se é assim que deseja. Por fim, a Sra. Jo entrou numa porta, que nem havia percebido a existência, ao lado do hall de entrada e começou a subir os dois lances de escadas até o laboratório de Malfoy. Podia vê-lo trabalhando lá dentro, compenetrado no livro que lia e, às vezes, desviando sua atenção para o caldeirão ao seu lado. Deu duas batidas na porta e entrou sentindo, no mesmo instante, o cheiro de podridão que invadira seu nariz. Malfoy a olhou e, diante de sua reação, revirou os olhos. – Eu sei, é só um protótipo, mas pode ser um novo sucesso se eu conseguir terminar a fórmula até a primavera. – Entendo. — Disse ela, ainda desconfiada, aproximando-se. — Malfoy, eu... Só vim agradecer. O que você está fazendo é... Mais do que eu esperava. Então... Obrigada. Não estava sendo nada fácil dizer aquelas palavras, nunca havia precisado deixar o orgulho de lado e falar com ele com tanta franqueza. Agradecer e depender de Malfoy ainda era uma novidade para Hermione e gostaria de poder se acostumar o mais rápido possível.– Só estou fazendo a minha parte, Granger. — Disse ele, dando de ombros e se sentando numa das banquetas que havia ao redor de seu balcão de trabalho. Hermione não teve tempo de perguntar o que ele queria, exatamente, dizer com isso. — Você deve estar com a cabeça cheia e temos um compromisso amanhã, é melhor ir descansar. Realmente, ainda não estava mentalmente preparada para tudo o que o contato de Malfoy teria a falar sobre Rabastan Lestrange. – Er... Boa noite. — Draco apenas acenou com a cabeça e Hermione virou-se para sair. Entretanto, quando já estava na porta voltou-se para Malfoy depois de se dar conta que não sabia onde era seu quarto. — Meu quarto...?– Segundo andar, corredor, primeira porta à direita. – Certo, então... Hermione sorriu e acenou com a mão, antes de fechar a porta. Porém, enquanto descia as escadas percebeu que sorrir para Malfoy estava ficando cada vez mais fácil. Decidida a não pensar nisso, pois já tinha muito com o que se preocupar, seguiu as instruções dele e abriu a porta do quarto, levantando uma sobrancelha ao constatar o luxo da suíte em que ficaria hospedada. Tapetes fofos em tons claros estavam espalhados pelo piso de madeira polido. Sob a janela grande, havia uma cama de casal com dossel, muito grande para uma só pessoa, com um criado mudo de cada lado. Perto da parede esquerda, duas poltronas azul turquesa ficavam ao redor de uma mesinha redonda com um vaso de flor em cima. A Sra. Jo realmente deveria ter muito trabalho naquela casa. Do lado direito da porta que ela supôs ser o banheiro, havia uma cômoda logo abaixo de um grande espelho pendurado cuidadosamente. Ao lado esquerdo, ficava uma escrivaninha onde se encontravam alguns blocos de anotações, canetas e lápis. A cadeira era forrada com veludo claro. Na parede, um candelabro antigo fazia a iluminação para quem quisesse usar o local. Suas malas estavam ao lado da cômoda e ela suspirou supondo corretamente que havia um closet em conjunto com o banheiro. Havia vários espaços para colocar seus pertences, um puff no meio para se sentar e um espelho que ia do chão ao teto. Deu uma olhada no banheiro só para constatar que o mesmo era todo de mármore claro e que, além do chuveiro, havia uma banheira espaçosa. Era luxo demais para um hóspede e ela começou a divagar sobre como, então, era o quarto do dono da casa, mas parou assim que percebeu o que estava fazendo. Abriu uma de suas malas, balbuciando: – Acho que vou ter que me acostumar com isso.
Notas finais
Voltei e dessa vez mais cedo que imaginava!! Adorei responder os lindos comentários de vocês, como sempre, muito obrigada mesmo :)) E, claro, um abraço e um obrigada especial à linda gitoccillo que fez uma recomendação super legal de Memories of the Past, eu amei. A primeira da fic, espero que venham outras!
Então, agora a Hermione vai morar na casa do Malfoy "por tempo indeterminado". Acreditem, eu também não sei quanto isso vai durar kkkkkk O que acharam do capítulo? Já deu para perceber que eles vão ficar sim mais próximos por causa disso, né? Eu adorei escrever a cena da Hermione agradecendo, realmente vi eles fazendo isso *-* Fico emocionada com minha própria fic, isso é normal? E os novos personagens? O que acharam de Elijah e da Sra. Jo? Eu ainda estou planejando algo especial para eles :D
Enfim, até o próximo e... DESSA VEZ TEM SPOILER!! o/
"Fique comigo, Hermione. Fique comigo e lhe ensinarei o que é ser uma Lestrange. Fique, Hermione. Fique e você saberá como um Lestrange deve agir. Fique..."
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Bjão!
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