Memories of the Past
31 Capítulo 31
– Nott. Desvencilhou-se, bufando pela falta de tato, e afastou-se. – Acalme-se, Granger, eu lhe tirei de uma encrenca. — Ele escondeu as mãos no bolso e Hermione cruzou os braços, semicerrando os olhos. Theodore Nott, ao contrário de Narcissa Malfoy, parecia o tipo de pessoa que esperava agradecimentos por seus supostos atos de heroísmo. — Bem, é o que venho fazendo nos últimos anos. – Pagando uma pessoa para me vigiar? Colocou Nina em perigo deliberadamente, sem motivo algum. Eu poderia viver muito bem sem a monitoração de um agente do Ministério! Com um aceno de varinha, Nott conjurou uma garrafa de conhaque e dois copos, erguendo um para ela, que declinou apenas com um olhar feio. Pacientemente, ele completou seu copo e sentou-se numa das poltronas do espaço de leitura da imensa biblioteca. Poderia detestar aquela mansão, mas não havia como negar que seu projeto visava o máximo conforto de seus habitantes. Sangues-puros pomposos, pensou com desdém ao analisar o lugar, repleto de tapetes fofos e poltronas caríssimas de estilo clássico.
– Ela aceitou o "emprego", não a forcei a nada. — Ele continuou antes que pudesse retrucar. — E você devia me agradecer, pois pensei até mesmo no seu bem. Nina nunca foi uma agente do Ministério, escolhi uma pessoa completamente comum para se aproximar de você. – Se aproveitou do estado em que ela estava para fazê-la aceitar. – A situação dela, realmente, não era a melhor naquela época. — Nott pareceu pensar um pouco antes de levantar-se e se aproximar. — Mas, estou me perguntando, por que se importa tanto com o bem-estar de Nina? Ela quase morreu por você e, mesmo assim, a abandonou. Não teve sequer o senso bom e grifinório de conceder uma segunda chance. – Ela mentiu durantes anos! — Hermione, realmente, não queria falar sobre Nina, mas era quase impossível estando frente à frente do homem que a havia colocado em sua vida. — Nossa amizade foi construída à base de mentiras, ninguém esquece fácil assim. – No começo, talvez. — Ele levantou o tom de voz, mas conseguiu controlar-se depois de fechar os olhos e beber todo o conteúdo âmbar do copo. — Mas parece que seu dom é esse, Granger, fazer as pessoas gostarem de você. Por um momento, não teve palavras para retrucar. Nott agia como se a conhecesse há muito tempo e o assustador é que essa era a pura verdade. Na prática, nunca haviam se falado, mas tinha consciência de que ele teria a estudado e sabia que, agora, tinha o poder de prever cada mínimo passo que daria em seguida. – Não quero assustá-la, você é fácil de ler. Era estranho que falasse de sua pessoa com tanto conhecimento de causa, o que ninguém nunca teve. – Que ótimo, agora sou uma pessoa previsível. — Ironizou, revirando os olhos, e ele sorriu, buscando a garrafa de conhaque numa pequena mesa de madeira de lei escura e envernizada e bebendo de seu próprio gargalo. Levantou uma sobrancelha e o viu se aproximar da grande lareira, encarando o fogo que crepitava incansavelmente, as chamas reluzindo em seus olhos escuros e sombrios. Nott poderia ser o mais bem humorado dos sonserinos, mas ainda assim possuía uma aura misteriosa e questionável. – Ela me procurou, há alguns anos. — Ele começou, sem encará-la. — Nina. Queria parar de receber o salário que o Ministério pagava por seus serviços. Disse que não precisava mais por que não enxergava mais como um trabalho ser... Sua amiga. – Não me coloque como a culpada dessa história. — Praticamente rosnou. Não era justo que, depois de tudo, depois de toda a enganação orquestrada por ele, ainda quisesse fazê-la se sentir culpada por escolher se manter longe de Nina. — Posso ter passado dos limites com Nina, desconsiderado tudo que passamos juntas, mas não faça parecer que eu planejei que as coisas acontecessem dessa maneira, quando o único que fez isso foi você.– Tudo bem, manipulei sua vida! — Ele admitiu, teatral e desdenhosamente, virando-se para olhá-la. — Não seja cínica, Granger, você me deve e sabe disso. Em todos esses anos, sabe quantas vezes tivemos de despistar seus amigos? Isso mesmo, Potter e Weasley! É incrível como eles se acham espertos quando não passam de dois idiotas brincando de ser aurores. – Não fale deles assim! — Quando percebeu, já havia gritado e estava ofegando, perguntando-se se alguém poderia ouvir do lado de fora. Nott também parecia ter se assustado com seu súbito acesso de raiva. — Harry e Ron só queriam saber se eu estava bem. – Estavam se sentindo culpados! — Disse, dando outro gole na garrafa. — Culpados por não atribuir a você o devido valor que merecia, desde os tempos de Hogwarts, todos percebiam. – Você não vai mudar a imagem que eu tenho dos meus amigos, sabe por quê? — Eles estavam muito próximos, nariz a nariz, os olhos nunca perdendo contato visual. — Você, Nott, é o homem que pagou uma pessoa para se passar por minha amiga e quem faz isso não sabe o valor de uma amizade verdadeira, sem segundas intenções ou interesses mascarados. Nesse instante, a porta da biblioteca rangeu ao se fechar e ambos olharam percebendo que Draco estava ali, presenciando toda a cena, nenhum deles poderia saber há quanto tempo, imersos demais em seus próprios argumentos e acusações. – Eu os deixaria continuar a lavação da roupa suja, mas o tempo é curto. — Hermione afastou-se de Nott, respirando fundo, enquanto o loiro seguia por entre as prateleiras para encontrar um livro. — A lua crescente estará visível e em seu ponto mais alto no céu daqui poucos minutos, temos que nos preparar.
A voz dele ia ficando cada vez mais abafada a medida que sumia na escuridão da biblioteca. Não sabia a extensão daquelas prateleiras, mas supôs que fossem bastante compridas. Estava falando dos Malfoy, anos e anos de história bruxa e da própria história familiar. Hermione se lembrava, dos tempos de frequentante assídua da biblioteca de Hogwarts, a família Malfoy foi uma mais maiores contribuintes para o desenvolvimento da sociedade bruxa, possuía muitos gênios e pessoas importantes carregando seu sobrenome nas gerações passadas. Viu Nott aproximar-se da janela, ainda segurando a garrafa de conhaque, estava começando a ficar incomodada na presença dele, queria sair dali o mais rápido possível, mas também sabia que Draco o havia chamado especialmente para ajudá-lo com o ritual. Bem, ele deveria ser de confiança, apesar dos pesares, já que nunca disse nem mesmo ao amigo sua localização. Não demorou para que Malfoy voltasse carregando o livro que continha o ritual que faria, o mesmo que Theodore havia conseguido de modo questionável no Ministério da Magia. – Faça como combinamos. Em silêncio e sem lançar um único olhar a Hermione, Nott saiu da biblioteca e ela se viu sozinha com um Draco que parecia mais mal humorado do que de costume ao encará-la. Bem, nada que a fizesse recuar.– O que foi? — Ele franziu o cenho.– Não imaginei que fosse se dar tão mal com Theo, ele não é exatamente difícil de se lidar. – É um idiota oportunista! – Oportunista, sim, mas não idiota. E você deveria parar de julgar as pessoas pelo seu pré conceito. — Hermione parecia ter levado um tapa na cara, desde quando era Malfoy que lhe dava sermões sobre preconceito? Ele pensar em sua escolha de palavras por um momento e a segurou pelos ombros. — Hermione, não temos tempo para discutir isso. – Claro. — Desvencilhou-se das mãos dele e seguiu para a porta, virando-se ao perceber que ele não a seguia. — Você não vem? Temos um ritual para fazer. Viu Draco suspirar e pegar o 'Rituais raros até 1874'. Em silêncio, eles seguiram em direção ao pátio de pedra, nos fundos da Mansão. O mesmo era tão sombrio quanto o resto da casa. Havia uma grande fonte, a qual eles rodearam para começar a descer um lance de escadas à esquerda, todo coberto por sebes trepadeiras. Hermione supôs que aquela parte da Mansão não estava sendo tão bem cuidada, pois havia sujeira e folhas secas por toda parte. Ao fim das escadas, um pequeno octógono de pedra se abria e — ela estacou nesse instante — abrigava um altar de sacrifício bem ao meio. – Meus antepassados eram um pouco... Excêntricos. No altar, estava desenhada uma cruz com um laço em cima, simbolizando a vida e o suposto "renascimento" pelo qual Hermione passaria aquela noite. Velas haviam sido colocadas em pontos estratégicos para iluminar o ambiente e, provavelmente, foram enfeitiçadas para que o vento forte não as apagasse. A natureza parecia sentir o que estava para acontecer ali. Draco lhe entregou um manto negro e tratou de começar a colocá-lo sobre o vestido antes que ele lhe dissesse que iria precisar tirar a roupa. Revirou os olhos, mas o fez rapidamente, pois Nott poderia aparecer a qualquer instante. Malfoy, por sua vez, estava concentrado no livro de rituais, colocado cuidadosamente sobre um oratório de madeira e iluminado com duas grandes velas de cada lado. Hermione tirou os sapatos e deitou-se no altar, no mesmo instante em que Theodore entrou no local, carregando um recipiente de prata. Desviou o olhar para o céu, onde as nuvens cediam espaço para a lua crescente. Um arrepio percorreu seu corpo quando Nott colocou o recipiente no altar ao seu lado, juntamente com uma adaga que possuía o cabo ornamentado com pedras preciosas de várias cores. – Sangue Black. — Ele sussurrou, antes de afastar-se e postar-se perto do oratório. Mais um olhar em direção ao recipiente com líquido escuro. Sangue Black. Quase que por instinto, estendendo a mão. Depois da discussão calorosa que tiveram, Hermione não imaginou que Narcissa ainda cooperaria com o ritual, mas ali estava o sangue dela, pronto para ser usado no ritual. Antes que pudesse sujar os dedos, Draco segurou seu pulso e o colocou de volta no altar. Nott segurava o livro de rituais, ao lado dele. Estava começando. Um arrepio de medo ultrapassou seu corpo, sua respiração descompassada, o vento bagunçando seus cabelos. Surpreendentemente, o loiro retirou de seu pescoço o colar de ouro branco com pingente em forma de espada que nunca deixava de usar e o abotoou ao redor do pescoço da castanha, ajeitando-o em seu peito. Hermione nunca soube o significado do colar para Draco, mas estava ciente que a partir daquele momento teria de usá-lo como um amuleto, assim como Jane Eldridge e seu talismã de madeira. Viu o olhar de Nott sobre o amigo, mas Draco não percebeu ou o ignorou, pois pegou a adaga e a mergulhou no sangue de Narcissa. Com uma das mãos, ele abriu o manto escuro, deixando-a apenas de lingerie. Desviou o olhar para o céu novamente, ficar apenas de roupa íntima não seria um problema se Nott não estivesse ali. Por sorte, seu lingerie era simples e mais comportado do que o usual: negro sobreposto com renda da mesma cor. Malfoy colocou a ponta da adaga em sua barriga, logo acima do umbigo, e lentamente, recitando uma prece em tom sussurrado, começou a desenhar uma espiral, fundindo o sangue de Narcissa com o seu, que fluía em uma fina linha conforme a adaga percorria a extensão de seu abdome contraído pela dor. Hermione sabia que ele fazia uma oração para Merlim e, provavelmente, a havia decorado, pois não usava o livro de rituais que Nott segurava. Quando Draco levantou a manga do manto para começar a desenhar uma lua crescente em seu antebraço esquerdo já podia sentir o suor escorrendo por sua testa e pescoço. Não sentia mais dor e as árvores que se encontravam ao redor do octógono de pedra pareciam cada vez mais revoltas com o vento. Podia sentir algumas gotas finas da tempestade que se aproximava com rapidez. Em algum lugar de sua mente, ouvia a própria respiração descontrolada, o peito subindo e descendo veloz. Nott havia abandonado o livro para segurá-la, ou Draco não conseguiria desenhar o hexagrama logo acima do coração sem machucá-la. Sua cabeça ia e vinha, assim como sua consciência. Podia ver o vulto dos dois homens debruçados sobre seu corpo, mas não conseguia ter controle algum sobre o mesmo. O feitiço que recaía sobre as velas, impedindo-as de sucumbir ao vento forte, não era mais suficiente, a escuridão havia tomado o local. Sentia seu sangue, junto ao de Narcissa, escorrendo por sua barriga, peito e braço, tingindo de vermelho suas vistas, confundindo-a. Não poderia saber se tratava-se de algum produto de sua mente. Pode ouvir seu nome sendo pronunciado, como em um túnel, longe demais para ser alcançado. Sua mão se fechou sobre o pulso de alguém e uma dor lancinante a atingiu, começando pelo braço esquerdo e se estendendo por todo o corpo, parecendo vir de dentro, perfurando-a como a adaga fina que Draco usara. Um grito cortou o silêncio da noite, mais alto e presente que os trovões ao longe. Então, quando a dor ficou insuportável demais, ardente de tal maneira que seu corpo e mente não poderiam aguentar, a escuridão tomou conta; primeiro de suas vistas, logo depois, de sua consciência, tornando tudo negro e estranhamente silencioso.
Notas finais
Oláááá!! Acho que dessa vez não me atrasei o/ Então, vamos lá!
Encontro explosivo entre Nott e Hermione! O que vocês acham? Eles vão resolver as diferenças ou a relação deles vai ser sempre assim, cheia de altos e baixos? Bem, há Draco entre eles e vão ter que pensar nele, embora Hermione ainda fique ressentida. Me digam!!
E o ritual!! Mds, como eu estava ansiosa por isso. Eu não sei se ficou, se vcs vão aprovar ou whatever, mas... Eu gostei! (me julguem!) Ficou muito parecido com o que eu imaginei desde o início e logo vocês vão entender o por que de todos esses símbolos, não achei conveniente explicar sobre eles nesse capítulo! Enfim... Por favor, me digam o que acharam? É muito importante pra mim :D
Bem, obrigada a todos os comentários incríveis! Realmente percebi que não me abandonaram kkkkkkk Obrigada mesmo, espero vê-los nesse capítulo também! :D
Bjão, até o próximo
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