Hermione encarou Nina esperando que ela começasse a se explicar. Era sua amiga e, simplesmente, não ia dar as costas à mesma sem ouvir o que tinha a dizer. Era nisso que se baseava as amizades, certo? Na confiança. E, por tudo que já haviam passado juntas, confiava em Nina, embora estivesse magoada.

A ruiva estava sentada na única poltrona da casa, com um dos pés embaixo do corpo e as mãos juntas em sinal de nervosismo. Os olhos corriam de Hermione para Draco demonstrando como estava acuada.

O loiro já havia se desfeito da pasta executiva, suspirando dramaticamente, e encontrava-se encostado à janela, com os braços cruzados, também esperando que a ruiva começasse a falar.

– Tudo bem... Er... Hermione, lembra quando nos conhecemos, na faculdade? — Meneou a cabeça em afirmação. — Você lembra que eu vim para Londres, transferida da Escócia e só nos conhecemos quando você estava em seu terceiro ano do curso de Direito?

– Sim, você ganhou uma bolsa para o curso de Artes Plásticas.

– É... Bem, eu não ganhei uma bolsa. Minha faculdade foi financiada por... — Ela encarou Draco nesse momento. — Theodore Nott.

– O quê? — Hermione não conseguia formular um raciocínio sequer.

– Olha, o que você precisa saber é: eu sou um aborto. — Nina suspirou e deixou os ombros caírem quando Hermione a olhou quase sem acreditar. — Conheço Nott há muito tempo, nossas famílias eram muito amigas. Vivíamos juntos quando crianças, apesar de ser mais nova que ele. Mas... Quando eu não demonstrei nenhum resquício de magia no sangue minha família se envergonhou. Quer dizer, eu sou filha única e eles esperavam que eu honrasse o sobrenome. Então... Como isso não aconteceu, eles resolveram vir para a Inglaterra, com o objetivo de me tirar dos olhares dos bruxos, você sabe como eles veem quem é diferente.

"É claro que o boato chegou aos ouvidos dos amigos mais próximos da família, inclusive e principalmente dos Nott. Meu pai quase agradece todos os dias pelo Sr. Nott ter sido morto na batalha de Hogwarts junto com outros Comensais. Quer dizer, Nott fez da vida dele um inferno no Ministério quando soube o que eu era!

Enfim... Há sete anos, Theodore me procurou. Eu não esperava, claro, não nos víamos há muito tempo. Ele me contou o que estava fazendo. Trabalhava no Ministério, na seção dos Inomináveis."

– Nott teve uma ascenção rápida nesse Departamento, muito má explicada por sinal. — Disse Draco, com as mãos no bolso e o cenho franzido, parecia até saber o que Nina diria a seguir.

– Ele fez a descoberta do século. — Nina virou-se melancólica para Hermione. — Por muito tempo, Potter e Weasley estiveram te procurando depois da Batalha. Eles passaram a trabalhar no Departamento de Aurores justamente por que tiveram autorização especial para continuar a busca por você enquanto intercalavam com missões oficiais do Ministério.

"Theo havia chegado há pouco tempo no Departamento de Inomináveis quando o seu processo caiu nas mãos dele. Os casos não resolvidos pelos Aurores são mandados para os Inomináveis. Ele viu a oportunidade perfeita para crescer como investigador na Seção. Ele teve três meses para investigar e encontrar novas pistas sobre seu paradeiro. Tudo isso, sem que Potter e Weasley soubessem. Ouvi dizer que eles saíram escoltados do Ministério no dia em que o Chefe dos Aurores arquivou seu processo. E ele a encontrou, Hermione, Nott a encontrou.

Na verdade, ele foi bem mais esperto que seus amigos. Pelo que ouvi falar, sua fama de sabe-tudo em Hogwarts era um pouco grande, todos sabiam que vivia para os livros. Então, Theo procurou no lugar mais óbvio. Você tinha idade suficiente, poderia facilmente ter entrado numa faculdade forjando um diploma.

Mas... Ele também percebeu que estava bem, que conscientemente ainda era Hermione Granger e que, definitivamente, tinha um motivo para ter saído do mundo bruxo da forma com que saiu. Ele relatou tudo isso a seus superiores e eles tomaram uma decisão. É aí que eu entro na história.

– Ah não... — Hermione começou a entender o papel de Nina.

– Eles poderiam deixar você viver no mundo trouxa em paz... — A ruiva continuou. — Com a condição de que fosse constantemente vigiada, afinal ainda era uma bruxa e, apesar de ser considerada a mais inteligente de seu tempo, ainda poderia fazer uma besteira. Era de Hermione Granger que eles estavam falando.

"Theo se lembrou que eu passei a viver como trouxa depois que me mudei para a Inglaterra e me procurou. Artes Plásticas sempre foi minha paixão e Nott disse que o Ministério custearia todos os meus gastos enquanto estivesse na faculdade, além de que ainda receberia um bom salário para me aproximar de você, me tornar sua amiga e... Fazer um relatório mensal sobre tudo que acontecia em sua vida."

– Eu não posso acreditar nisso. — Hermione tapou o rosto com as mãos, seus dedos tremiam como nunca, algumas lágrimas já desciam por seu rosto. Nina não estava em situação diferente, seus olhos estavam vermelhos e a ponta do seu nariz inchada. Encarava Hermione, implorando silenciosamente por perdão. — E você vem fazendo isso desde então? Escrevendo tudo que acontece em minha vida num papel para que o Ministério se mantenha a par de tudo que acontece. Para que Theodore Nott se mantenha informado sobre... Minha conduta. Como se eu fosse uma prisioneira ou... Algo do tipo?

Nina apenas abaixou a cabeça e Hermione se levantou. Sua cabeça doía e não sabia qual o próximo passo que daria. Deus, estava tão confusa.

– Hermione, eu juro... Eu sou sua amiga. Eu não poderia fingir algo que eu não sinto por alguém como você. Eu... Sempre soube quem você era e sempre a admirei por isso. — Nina a segurou pelos ombros para que parasse e a encarasse. — Por favor, não vá embora assim...

Olhou nos olhos da ruiva, tão azuis e cristalinos, um pouco mais, porém, devido as lágrimas que os rodeavam e marcavam o rosto. Ela parecia tão sincera em seu pedido de desculpas. Hermione fechou os olhos, pensando. Nina poderia muito bem ser apenas uma boa atriz, estava em sua vida há pelo menos seis anos e nunca desconfiara que ela não era quem dizia ser. Mordeu os lábios antes de encará-la novamente, se amaldiçoando mentalmente por não ceder, por estar perdendo aquela amizade e por, deliberadamente, querer se machucar ainda mais. Mas a questão é que simplesmente não conseguia estar ali e perdoá-la, como se tudo que Nina havia dito não tivesse relevância.

– Só me responda uma coisa: Ainda recebe do Ministério?

– Granger... — Malfoy, que observava tudo em seu lugar perto da janela, tentou interrompê-la.

– Ainda escreve relatórios sobre mim, não? Ainda é... Ainda é paga para ser minha amiga?

Nesse instante, Draco suspirou e abaixou a cabeça. As mãos de Nina que se encontravam nos braços de Hermione se afrouxaram e ela deixou os braços caírem ao lado do corpo, parecendo desolada e sem conseguir (ou tentar) lhe dar uma resposta.

– Eu sinto muito, Hermione.

– Eu também, Nina. Eu também. — Desviou da ruiva, pegando a bolsa e o casaco para sair.

Ainda pode ouvir Malfoy e Nina falando algo, mas já estava no meio das escadas, as lágrimas embaçando seus olhos e obrigando Hermione a agarrar-se no corrimão para não escorregar. Só queria ir para longe dali o mais rápido possível e ter tranquilidade para absorver tudo que havia ouvido até ali.

– Granger!

Já havia ganhado as calçadas quando Draco a alcançou e sentia o vento frio congelar seu rosto molhado. Fechou os olhos, engolindo em seco e tentando se controlar para não parecer ainda mais frágil na frente dele.

Sentiu quando ele segurou um de seus braços, na altura do cotovelo, e obrigou-se a abrir os olhos e encará-la. Havia algo como pena em seus olhos, o que a irritou bastante, mas Hermione resolveu não mencionar. Por mais incrível que pudesse parecer, Malfoy era a única pessoa com quem podia contar e não queria terminar o dia com dois amigos a menos. Aliás, ainda não tinha certeza se ele poderia se encaixar nessa categoria, mas estava quase lá.

– Não vá fazer uma besteira. — Hermione quase sorriu. Draco Malfoy lhe mandando não fazer besteiras era, no mínimo, irônico.

– Eu só quero ficar um pouco sozinha... E não, não vou fazer nenhuma besteira. — Completou quando ele levantou uma sobrancelha, duvidoso.

– Tudo bem. — Ele enfiou a mão no bolso. — Eu... Acho que vou chegar em casa um pouco tarde, então...

– Certo.

Hermione ainda tentou formular uma tentativa de sorriso, mas obviamente se saíra muito má sucedida, pois Draco simplesmente a olhou por mais alguns segundos antes de dar as costas à ela e sumir entre as pessoas na calçada.

Assim que o perdeu de vista, soltou a respiração tremulamente. Falar com Malfoy era um alívio por que ele tinha o poder de fazê-la se concentrar apenas nele, mas tudo que aconteceu no apartamento de Nina voltou à sua mente assim que se viu sozinha.

Precisava ter calma e pensar em tudo que estava acontecendo. Nina era uma agente infiltrada do Ministério e não alguém com contato com o invasor, como já havia passado por sua cabeça algumas vezes. Pelo contrário, Nina havia sido envenenada pelo tal invasor, o que só fez com que Hermione o odiasse ainda mais. Estava magoada com a ruiva, mas não era capaz de, simplesmente, desgostar dela de alguma forma.

Respirou fundo e seguiu seu caminho entre as pessoas, tentando manter a calma a todo o custo para que não precisasse recorrer ao pequenos potes dentro de sua bolsa. Essa é a última opção, Hermione, pensou convicta abaixando a cabeça contra o vento frio.

Notas finais
Primeiramente: oiiiii!! Segundamente (:p): não me matem, eu não tive tempo de postar em um horário aceitável, mas é por que tava fazendo trabalho, tô em semana de provas, enem chegando e por aí vai... Mas... Aqui está o capítulo quentinho pra vocês, com a história de Nina, Nott e Hermione. Gostaram? Muita gente ficou curiosa que eu sei u.u, então é bom vocês me falarem o que acharam. Minha opinião: eu gostei do resultado final do capítulo, embora o próximo... Ah, o próximo :p Respondi todos os comentários, tentando não dar spoiler importante por que né? kkkkkk Enfim, adoro responder todos vocês e quero (claro) saber o que vocês vão achar do spoiler desse capítulo. Gente, eu to me coçando pra próxima quinta chegar logo ^^ Vamos lá então: -Theo encontrou uma coleção de diários, datada de 1638. A narradora, uma mulher chamada Jane Eldridge... - Por que nunca li nada sobre ela enquanto estava na escola? ... - Encontrei um modo de devolver o resquício mágico ao seu sangue. ----x---- Não disse que algo que todos estavam esperando há séculos ia acontecer?!! ^^ Bjão, até o próximo :D