Memories of the Past
23 Capítulo 23
Nina a olhou como se estivesse louca. Havia contado tudo, desde sua carta de Hogwarts anunciando que era uma bruxa até descobrir que era filha de uma das piores inimigas de seu melhor amigo, Bellatrix Lestrange, tão cruel quanto Lord Voldemort. Contara esta história também, embora Nina parecesse cada vez mais calada a cada palavra dita.
Hermione tinha consciência de que era uma história um tanto quanto fantasiosa, mas havia vivido isso e era completamente real. Poderia ser comparada às grandes guerras trouxas! Pessoas foram mortas, conspirações foram feitas, alianças foram forjadas e traições aconteciam o tempo todo. A guerra é o pior dos males da humanidade, havia sentido isso em sua própria pele ao participar de uma. Ela mexera com seu psicológico, e não ia negar que o fazia até hoje, suas atrocidades por vezes quase motivaram Hermione a desistir de tudo e buscar refúgio em um lugar seguro. Mas então pensava em Harry, Ron, todos os seus conhecidos que estavam lutando (muitos já em sua segunda experiência numa guerra como aquela), os nascidos-trouxas inocentes que sofreriam caso ela resolvesse simplesmente desistir. Todas essas pessoas eram sua razão para continuar, buscar uma saída, enquanto viveu um inferno por quase um ano morando numa barraca. Só não havia sido pior por que sempre teve Harry ao seu lado. Ele havia feito o papel de irmão e amigo, mesmo com toda a pressão que sentia com a guerra dependendo apenas dele. Porém, simplesmente, não conseguira lidar com algo que poderia destruir todas as suas convicções. Convicções essas pelas quais havia lutado até então. Não tinha certeza se poderia lutar contra Bellatrix, mas sabia que não poderia ir contra o fato de que era filha dela, a pior Comensal, embora não nutrisse nenhum sentimento bom em relação a pessoa que que Lestrange escolhera ser. Harry e Ron também não ignorariam isso facilmente e, quando decidiu fugir, em seu íntimo sabia que a guerra teria seu fim ali. Em Hogwarts. De certa forma, onde tudo havia começado. Lembrava-se com clareza de quando tudo havia terminado. Estava lá, escondida, apenas querendo ter a certeza de que seus amigos estavam bem. – Então sua mãe... — A voz de Nina a tirou de suas divagações pessoais sobre o passado. — Essa tal de Bellatrix Lestrange, faz parte da... Realeza do mundo bruxo? – Algo assim, eles veem dessa maneira. Mas... Como eu disse, ela morreu na última batalha contra Voldemort, há 10 anos. – Sinto muito? — Nina pareceu incerta ao dizer. Hermione levantou a manga da blusa e estendeu o braço para que Nina pudesse ver a cicatriz que tinha no braço esquerdo e que carregaria para o resto de sua vida. Sangue-ruim. – Foi Bellatrix quem a fez. — Deu de ombros vendo Nina passar os dedos pela marca, quase que lamentando. — E ela sabia que eu era sua filha, o tempo todo, mas... Eu acho que seu verdadeiro amor sempre foi o Lord das Trevas. – Eu sinto muito mesmo, Hermione. – Já faz muito tempo agora. — Escondeu a marca novamente e trouxe os joelhos para junto de seu corpo em cima do sofá. – Mas ela era sua mãe, no fim das contas.– Não, Bellatrix nunca foi minha mãe e agradeço por isso. Se eu tivesse sido criada por ela, provavelmente, seria tão cruel quanto e... Isso é o suficiente para me deixar perturbada por uma vida. — Encarou as chamas faiscarem na lareira da amiga. – Foi por isso então que veio para o... Mundo trouxa? — Perguntou a ruiva, parecendo temerosa. – O que eu vivi lá também era real, Nina, apenas... Diferente e incrível. — Disse, com um sorriso de saudade. — Mas, sim, foi por que descobri quem eram meus pais. Então... Eu achei que fugir era uma opção mais fácil. Não a certa, apenas a mais fácil. As duas amigas ficaram em silêncio por um tempo e Hermione entendeu que Nina precisava de um tempo para processar tudo que havia ouvido. – Espera! Você disse que Michael e Lucy brigaram com você por não ter contado que conhecia Malfoy, então... – Sim, ele é um bruxo. Lembra quando eu disse que existiam pessoas que acreditavam na purificação do sangue bruxo? Malfoy vem de uma família assim e eles lutaram do lado de Voldemort na Guerra. Nos conhecemos na escola, como ele disse a Michael, mas não nos dávamos bem exatamente por causa dessa divergência do sangue. Deus, brigávamos tanto! – Mas... Vocês pareceram bem próximos no Ano-Novo. – As coisas no mundo bruxo parecem ter mudado bastante desde que eu fugi. — Hermione suspirou e encarou a amiga. — Ele não é mais o preconceituoso de antigamente e está me ajudando com algo. – Em quê? – Um homem está me perseguindo, um bruxo para ser mais exata, e acreditamos se tratar do irmão de Rodolphus. – Caramba, sua vida é coisa de filme! — Disse Nina boquiaberta. – Mas, infelizmente, é a vida real. — Virou-se para a ruiva, preocupada. — Por isso eu quero que fique atenta a qualquer coisa que parecer suspeita para você. Eu estou ficando na casa de Malfoy por que já recebi alguns recados nada agradáveis desse homem e não tenho como me proteger. Eu abandonei completamente a magia quando fugi do mundo bruxo e descobri, recentemente, que não há mais resquício mágico em meu sangue. Por favor, Nina, qualquer coisa estranha que acontecer, você precisa me dizer.
– Tudo bem, tudo bem, não se preocupe comigo. — Nina a abraçou forte e Hermione relaxou um pouco, suspirando. — Esse homem parece ser perigoso. – Ele é. Ele também foi um Comensal da Morte, mas está foragido desde a Guerra e eu não sei por que está atrás de mim. – Hermione, uma hora você terá que dizer a Michael e Lucy. — Fez menção de interrompê-la para dizer por que eles não entenderiam sua condição de "bruxa sem poderes", mas Nina não permitiu. — Eu sei, eles são um pouco rígidos, mas... Se eu estou em perigo, eles também estão... Certo? Apenas meneou a cabeça em concordância e Nina voltou a pegar o prato com a comida, já fria, o que fez com que risse um pouco. Ela era tão prática e fácil de se lidar que Hermione realmente agradecia por ter uma amiga assim. – Obrigada por entender, Nina. – É claro que eu entenderia, você é minha amiga e... Não é nada perigosa, como Lucy e Michael estão achando. — A ruiva riu um pouco, como se achar que Hermione fosse perigosa era a pior besteira do mundo. Franziu o cenho levemente, Malfoy havia pensado a mesma coisa. Será que todos achavam que era frágil e só ela não havia percebido? — Então... Está ficando na casa de Malfoy?– Sim, desde a noite de Ano Novo. Foi quando eu recebi o último recado do invasor. — Hermione ia colocar a comida na boca quando se lembrou de um detalhe, um pequeno detalhe que mudava um pouco seus pensamentos sobre Malfoy. — Nina! Malfoy é sobrinho de Bellatrix! – Sério? — A ruiva riu um pouco. — Vocês são parentes então? – Ele é meu primo! — Como não havia pensado nisso? Estava tão concentrada em suas buscas pelo invasor que ignorara completamente o fato de que Bellatrix era uma Black, assim como Narcissa e... Draco. — Malfoy é meu primo de primeiro grau e eu transei com ele! Nina arregalou os olhos e quase cuspiu a comida que tinha na boca. Hermione recolocou o prato sobre a mesinha de centro, não tinha mais estômago para almoçar. Se levantou, começando a andar de um lado para o outro. Era um tanto quanto perturbador saber que havia transado com o próprio primo, pelo menos para Hermione. – Sua maldita sortuda! — A ruiva riu, tomando um gole de seu refrigerante, mas pareceu preocupada quando Hermione continuou andando de um lado para o outro. — Não é como se fosse o fim do mundo, vocês nem foram criados juntos, é quase como se o parentesco não valesse. Antes que Hermione pudesse retrucar dizendo que sim, o sangue deles ainda era o mesmo e o parentesco ainda era muito grande para que saíssem por aí fazendo sexo, a campainha tocou e Nina a atendeu sem demora. Enquanto isso, foi ao banheiro e se conteve para não jogar um pouco de água fria em seu rosto pra tentar se acalmar. Quando voltou à sala, Nina tinha uma caixa nas mãos e a boca cheia de algo que parecia ser chocolate. Porém, Hermione percebeu algo errado e franziu o cenho quando a ruiva engoliu com dificuldade e a encarou com os olhos arregalados. – Nina...? – Última... Gaveta... Banheiro... Nina não conseguiu terminar de dizer, pois foi ao chão desmaiada, seu corpo caindo sobre o tapete do hall de entrada em um baque quase surdo. Hermione correu até ela e se ajoelhou, desesperada, ao lado da amiga, dando tapas de leve em seu rosto. – Nina, por favor, acorde. Acorde agora, sua vadia! — Seus olhos já estavam cheios de lágrimas quando pegou o celular e discou o primeiro número da chamada rápida. — Atende logo, seu imbecil.– Quem é imbecil? — Disse a voz dele do outro lado da linha e ela soltou um suspiro, quase aliviada. – Malfoy, Nina foi envenenada.
Notas finais
Volteeeei, um dia antes do previsto para vocês. Tudo bem, talvez um pouco tarde pra postar, mas eu resolvi que queria responder os comentários que eu já tava louca pra responder e, por isso, também postar, então... Aqui estou :D
Então, gente, os comentários de vocês estão cada vez melhores! Muito obrigada e que bom que gostaram da cena de sexo entre eles, eu estava apreensiva quanto a isso, queria muito saber o que acharam e fiquei tão empolgada quando percebi que gostaram *-* Espero que digam o que acharam desse capítulo e o que esperam para o próximo, fiz um pouco de mistério quanto a Nina né? kkkkkk
Tudo bem, esse capítulo é só uma introdução para o próximo e tudo que acontece nele (por que acontece muita coisa, galera, eu to muito animada para postar logo!!). Só digo uma coisa: Vai ter treta e Nina está envolvida.
Então, o que acharam da conversa entre as duas, a opinião da Hermione sobre certas coisas (como a guerra e Bellatrix e, finalmente, o fato de perceber ser prima do Draco). Olha, em tempos de guerra no Oriente Médio, que me comove muito, achei interessante colocar o modo como a Hermione viu a guerra pela qual ela passou. Claro, de acordo com o que o enredo da história permitiu, certo?
Enfim... Vamos ao spoiler, adoro vocês comentando sobre eles:
"Você passou dos limites, seu desgraçado"
...
- Obrigada, namorado da Hermione.
...
- Por que tem o endereço de um lugar que deveria ser inteiramente bruxo?
*-*
Bjão, até o próximo :D
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