Memories of the Past
24 Capítulo 24
– Malfoy, Nina foi envenenada.
– O quê?! — Ela estava pronta para mandá-lo prestar atenção no que dizia, mas ouviu quando ele disse a alguém que precisava atender aquela ligação. — Me conte o que aconteceu.
– Eu vim almoçar na casa de Nina e ela recebeu uma caixa de bombons por um entregador. — Hermione jogou todos os bombons no chão e desmontou toda a caixa até encontrar o pequeno bilhete logo embaixo do papel de seda negro. — É dele, Lestrange, tem um bilhete.
– E o que diz? — Perguntou ele, apressadamente.
– Não importa agora, ela está aqui desmaiada, Malfoy!
– Tudo bem, er... Se acalme, certo? — Hermione quase o xingou, como se acalmar vendo a sua amiga envenenada e desmaiada no chão? — Ela está respirando, não é?
– A respiração está fraca, mas sim. — Respondeu, depois de colocar um dos dedos em frente o nariz de Nina.
– Os batimentos?
– Estão lentos. — Hermione sentiu a voz embargar depois de apertar os dedos ao redor do pulso da amiga. — O que eu faço?
– Se a levar para um hospital trouxa, vamos passar por uma investigação. E se a levássemos para o St. Mungus você seria descoberta.
– Foi o que eu pensei, mas... Ela está morrendo, Draco. — Hermione sentou-se no chão com as costas encostadas ao sofá, reprimindo um soluço enquanto encarava o corpo de Nina. — Eu não posso me colocar à frente dela em um momento como esse.
– Droga! Me passe o endereço. — Hermione rapidamente o fez. — Não faça nada, eu estarei aí em meia-hora.
Ele desligou sem dar tempo para que ela argumentasse. Entendeu, Malfoy já sabia o que diria: meia-hora era tempo demais para quem estava com um veneno perigoso sendo espalhado pelo sangue.
Enquanto esperava, verificava a cada cinco minutos se a amiga ainda respirava, mas, para seu terror, a respiração de Nina parecia cada vez mais fraca.
– Não faça isso comigo, Nina. Por favor, não faça.
Então lembrou-se do bilhete, que ainda se encontrava jogado displicentemente perto da maldita caixa de chocolates. Lá estava novamente a caligrafia mal feita de Lestrange, aterrorizando-a mais uma vez. A diferença é que, agora, não se tratava dela, mas de uma amiga que prezava muito.
"Esse é o preço que irá pagar por escolher jogar comigo."
E ainda assim Hermione, indiscutivelmente, preferia que fosse ela a comer os chocolates no lugar de Nina. "Você passou dos limites, seu desgraçado", foi o pensamento dela ao amassar o bilhete e tomar a decisão do que faria dali para frente.
Entretanto, não teve tempo de alimentar ainda mais seu ódio, pois ouviu o barulho de alguém tentando abrir a porta pelo lado de fora. Havia trancado com chave como isso fosse manter um bruxo do lado de fora por muito tempo. Pelo menos, a fazia se sentir um pouco mais segura e já estava de bom tamanho.
Se levantou e encostou o ouvido à porta no momento em que a campainha tocou, sem conseguir ouvir nada do que se passava do outro lado.
– Hermione, sou eu, abre a porta! — Malfoy ainda deu dois socos na porta, fazendo com que ela pulasse assustada antes de destrancar e dar espaço para ele passar. — Onde ela está?
Apenas afastou o corpo para que ele pudesse ter a visão de Nina desmaiada no chão, quase atrás da porta, perto do tapete da sala. Sem demora, Malfoy abaixou e a pegou nos braços sem dificuldade perguntando onde era o quarto.
– O que você vai fazer?
Perguntou, enquanto abria a porta do quarto de Nina e observava Malfoy colocar o corpo da mesma em cima da cama espaçosa. Hermione reparou que o quarto dela refletia o resto da casa. Havia roupas espalhadas por todo o aposento e objetos que não pertenciam ao lugar jogados sem organização por todo o espaço — como lápis de variadas cores, bolas de papel jogadas sem cuidado pelo chão e até mesmo um prato com restos de comida. Apesar de tudo, era o ambiente mais claro da casa, pois o sol batia a tarde toda naquela parte do apartamento.
– Esqueceu que sou um mestre em poções? — Ela revirou os olhos e tirou os sapatos da amiga enquanto Malfoy pegava dentro de sua pasta executiva uma seringa cheia de um líquido bege que Hermione desconhecia. — Pegue algo para amarrarmos um braço dela. Rápido, os batimentos estão parando!
Hermione olhou ao redor procurando o cabide de lenços e cachecóis, mas o mais próximo que conseguiu disso foi uma faixa de seda vermelha que, imaginou, servia para outra coisa. Entregou a Malfoy, que a amarrou apertada acima do cotovelo de Nina, fazendo com que a veia do braço se tornasse um pouco mais sensível.
Assim, lentamente, ele aplicou todo o conteúdo da seringa na veia de sua amiga enquanto Hermione nada podia fazer a não ser ficar olhando, esperando e torcendo para que desse tudo certo. Viu uma gota de suor escorrer pela têmpora direita de Malfoy, suas feições completamente fechadas e concentradas no que estava fazendo.
– O que é isso que você aplicou nela?
– Concentrado de bezoar. É mais eficaz que o bezoar em si, mais rápido e fácil de usar. Criei enquanto cursava a faculdade de poções.
Antes que pudesse falar alguma coisa — elogiá-lo ou, provavelmente, fazer um comentário sarcástico -, Nina colocou-se sentada na cama num pulo, com a respiração ofegante e os olhos arregalados, assustados.
– Oh meu Deus, me desculpe, Nina! — Abraçou a ruiva fortemente, mas a mesma ainda estava um pouco atordoada com o que havia acontecido e apenas deu simples tapinhas em suas costas.
– O que aconteceu? — Quando Hermione terminou de contar, a ruiva apenas balançava a cabeça, em sinal de entendimento.
– Não é culpa sua, Hermione.
– É claro que é e você sabe que sim. — Relutante, se afastou e Nina deitou-se novamente, encarando Draco enquanto o mesmo desamarrava a faixa vermelha de seu braço e a passava no lugar onde a injeção fora aplicada, o qual estava saindo sangue.
– Obrigada, namorado da Hermione.
Hermione pegou a seringa usada da mão dele e encaminhou-se para o banheiro, revirando os olhos. Agora que tinha certeza que Nina estava viva e ficaria bem, já poderia ficar brava com ela à vontade.
– Ele não é meu namorado.
– Estão até morando na mesma casa!
Hermione apenas riu silenciosamente, jogou a seringa no lixo do banheiro e se apoiou na pia para respirar fundo. Realmente, jamais queria passar por outra situação parecida novamente. Foi quando lembrou-se de que, pouco antes de desmaiar, Nina mandou que procurasse algo numa das gavetas do banheiro.
Abaixou-se e abriu a última gaveta, como a ruiva havia dito. Dentro, apenas uma pequena caixa na cor verde. Franziu o cenho e abriu a mesma com cuidado. Não havia nada lá dentro a não ser um envelope fechado. Curiosa, abriu o mesmo deparando-se com um pequeno pedaço de papel onde havia somente um endereço escrito em uma caligrafia desleixada. Um endereço que conhecia!
"Hogsmeade, Rua 10, número 19"
Intrigada e — por que não dizer? — com medo da resposta, Hermione voltou ao quarto, onde Malfoy já colocava sua pasta ao redor dos ombros e Nina se levantava.
– Por que tem o endereço de um lugar que deveria ser inteiramente habitado por bruxos?
Nina arregalou os olhos e abriu a boca algumas vezes, sem resposta, até conseguir soltar algo coerente. Nunca vira a ruiva parecendo tão atordoada ou desconcertada, nem mesmo há poucos minutos, quando quase morrera envenada estivera tão nervosa.
– Não é o que está pensando.
– Eu não estou pensando nada! O endereço está na minha mão e eu quero saber de quem é e por quê você o tem.
– É de um antigo namorado, você pode me devolver... — Nina estendeu a mão para pegar o pedaço de papel, mas foi mais esperta e o tirou de seu alcance.
– Não insulte a minha inteligência, Nina! — A castanha tinha a respiração ofegante e Malfoy aproximou-se, parecendo condescendente.
– Posso ver? — Entregou o papel a ele, que simplesmente soltou um suspiro cansado e olhou Nina. — Diga a ela a quem pertence ou eu farei, você escolhe.
A mulher colocou as duas mãos na cabeça, como se estivesse resolvendo um dilema mental, e fechou os olhos. Levantou as mãos em rendição, suspirando, não tinha escolha de qualquer maneira.
– Tudo bem, tudo bem. Só... Prometa que vai ouvir até o fim.
Hermione viu o pedido cravado, quase implorado, nos olhos de Nina e simplesmente meneou a cabeça. Sinceramente? Não queria ouvir aquela história, não queria confirmar a suspeita que tomou conta de si ao ler o pequeno pedaço de papel que poderia mudar para sempre sua relação com Nina.
Apesar de tudo, isso se tratava de sua vida e do rumo que ela tomaria, qualquer passo mal dado e não calculado poderia ser fatal para Hermione neste momento, por isso gostaria de saber tudo o que podia antes de comunicar a Malfoy a decisão que havia tomado.
– Este é o endereço de Theodore Nott.
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