Memories of the Past
21 Capítulo 21
A empresa de Malfoy ficava num bairro puramente industrial. Tratava-se de dois prédios interligados por uma passarela fechada. Supôs que o edifício menor e mais sofisticado fosse onde ficavam os escritórios. No último andar do mesmo havia um letreiro discreto e elegante onde o sobrenome Malfoy estava estampado com orgulho. Apesar de tudo, o sobrenome dele era extremamente apropriado para uma marca de perfumes. Malfoy. Má fé. Nenhum outro sobrenome descrevia tão perfeitamente alguém e seu negócio. Parou o carro na guarita, dizendo seu nome e esperando pacientemente o segurança imprimi-lo e colocá-lo em um crachá para que pudesse ser identificada como visitante. Estacionou o carro e andou com cuidado, devido ao gelo no chão, até a porta de vidro que se abriu instantaneamente assim que se aproximou. Nada menos que o melhor para Draco Malfoy. Evitou um revirar de olhos e andou até um balcão de informações onde duas moças usando uniformes azuis estavam trabalhando.
– Pode me dar uma informação? — A mulher de cabelos ruivos, quase castanhos, a olhou atenciosamente. — Em qual andar fica o escritório de Draco Malfoy? Depois de informar que era no último, Hermione encaminhou-se para o elevador dividindo-o com um homem negro que chegou correndo arrumando sua gravata, desajeitadamente. Cumprimentaram-se educadamente, embora evitasse olhá-lo diretamente. Tinha certeza que conhecia aquele homem e considerando que estava na empresa de Malfoy era melhor que não chamasse a atenção para si mesma. Entretanto, o mesmo segurava uma pasta executiva escura e desceu um andar antes dela. Ainda encarou seu reflexo no espelho antes de colocar os pés no último andar. Usava uma saia justa negra até um pouco acima dos joelhos e uma blusa branca e profissional por dentro da mesma, assim como meias de seda escuras que iam até um pouco acima do joelho. O casaco de couro negro que ia até os joelhos já estava aberto, mas um cachecol vermelho sangue ainda envolvia seu pescoço. Seus cabelos claros caíam perfeitamente cacheados até o meio das costas. Assim que o elevador abriu suas portas, Hermione percebeu rapidamente o ambiente luxuoso em que estava. Era extremamente claro e pequeno, nada do que se podia esperar para o escritório de um ex-sonserino. Uma mulher de aparência elegante estava sentada atrás de uma escrivaninha de vidro decorada com objetos minimalistas e elegantes. Atrás da mesma se encontrava uma janela de vidro que cobria a maior parte da parede. Na parede à sua esquerda havia uma sofisticada estante com detalhes em dourado onde ficavam pequenos e elegantes vidros de perfume que Hermione supôs serem as obras primas de Malfoy. Ele devia gostar mesmo do que fazia. – Posso ajudar? A mulher perguntou como se estivesse no último andar por engano. Ao contrário das outras que havia conhecido no balcão de informações, esta não usava uniforme, embora possuísse um discreto crachá prateado com seu nome: Andy Walters. Por que não estava surpresa que a secretária de Malfoy tinha pernas longas, cintura extremamente fina e fosse razoavelmente bonita, embora exagerasse na maquiagem para um dia comum de trabalho? – Claro, preciso falar com Malfoy e não estou disposta a esperar. — Usou seu tom mais arrogante, o que deixou a mulher levemente desconcertada. Havia aprendido que nada se ganha com condescendência. – Er... O Sr. Malfoy disse que não receberia ninguém hoje. – Diga que é Hermione Granger e ele irá receber. — Quando a mulher ainda pareceu um pouco temerosa por contrariar as ordens do patrão, Hermione levantou uma sobrancelhas. — O que está esperando? A mulher pegou o telefone e discou para o ramal ao lado, com certeza recebendo uma bronca de Malfoy depois de dizer que alguém queria vê-lo, mas desligou assim que recebeu uma resposta ao informar seu nome. – O Sr. Malfoy irá recebê-la. — Quando a Srta. Walters fez menção de se levantar, Hermione a parou com um movimento de mão. – Ah, não se incomode, é uma conversa breve. Hermione encaminhou-se para a única porta que havia além do elevador e a trancou assim que adentrou a sala de Malfoy, sem se incomodar com o que a secretária pensaria. O referido encontrava-se em pé ao lado da mesa lendo algo numa pasta fina e gesticulando com a mão como se quisesse decorar o que estava escrito ali. E isso só a irritou ainda mais. – Você pode fazer o favor de, pelo menos, me olhar depois de eu atravessar metade da cidade para estar aqui? — Perguntou, ironicamente, no que ele a encarou com desdém e olhou para cima como se pedisse paciência. Pelo visto, aquele também não era um bom dia para ele e não pode evitar rir malignamente por dentro. Ao menos estavam quites quanto a isso. – O que a traz aqui, Granger? Malfoy questionou, com um sorriso falso no rosto, enquanto jogava a pasta em cima da mesa. O escritório dele não era o mais organizado da empresa, Hermione supôs depois de olhar rapidamente ao redor. Além da escrivaninha, também de vidro e lotada de papéis e um computador, havia dois sofás claros e uma mesinha de centro sob uma pilha de revistas de vários os gêneros. À sua esquerda, ficava uma estante onde estavam dispostos os muitos prêmios que Malfoy recebera durante carreira como perfumista. Na parede à sua direita havia um pequeno e elegante aparador com vários de tipos de bebidas e copos sob um quadro de aparência abstrata.
Mas nada disso importava, estava ali para discutir com Malfoy e era isso que ia fazer. – Apenas vim perguntar quem te deu o direito de contar a Michael que já me conhecia antes do jantar na casa deles. Nada demais, é claro. – Ah, o jantar para te arrumar um marido. — Ele disse, soltando uma breve risada, no que ela bufou jogando a bolsa no sofá e aproximando-se. – Malfoy, o que disse a Michael pode acabar com a minha amizade com Lucy. — Ele não parecia acuado, pois encostou-se tranquilamente em sua mesa e cruzou os braços enquanto Hermione falava. — Por que fez isso?!– Foi sem querer. — Entretanto, Hermione já estava no limite e perto o suficiente para lhe depositar um tapa na cara. E foi o que fez, sem se arrepender. – De todas as respostas, essa era a última que eu esperava. — Malfoy primeiramente pareceu chocado, alguns segundos depois, porém, com muita raiva dela. – Essa é a segunda vez que me bate e espero que seja a última, Granger. — Disse ele esfregando o local no rosto onde havia batido, mas Hermione não se importou, era apenas um tapa e, no máximo, ficaria vermelho por mais algumas horas. – Eu estou esperando a resposta e quero a verdade. – Essa é a verdade. — Hermione revirou os olhos e respirou fundo. Por que ele simplesmente não respondia e acabava com o teatro? – Quando vamos falar sério, Draco? Malfoy a olhou por um momento e ambos sustentaram o contato visual, até que ele suspirou escondendo as mãos no bolso da calça social. – A verdade, okay. Estávamos falando sobre mulheres em geral e Michael mencionou que você era um tanto quanto mandona e eu disse, sem querer, que sempre havia sido assim. — Ele deu de ombros e andou, sem pressa, até o aparador de bebidas. — Sinto muito, se esperava uma conspiração da minha parte deve estar um pouco desapontada. – E por causa da sua língua solta, agora eles acham que eu sou perigosa! — Nesse momento, Malfoy soltou uma gargalhada alta enquanto enchia um copo com conhaque. – Você? Perigosa? Que piada! — Hermione simplesmente lhe forçou um sorriso enquanto educadamente recusava o copo que ele lhe oferecia e cruzava os braços. Então, Malfoy continuou, alguns segundos depois de controlar seu riso — O que vai fazer a respeito? – Eles querem que eu conte a respeito de meu passado misterioso. — Disse, ironicamente, no que ele a olhou um pouco assustado por cima do copo e Hermione franziu o cenho enquanto se aproximava e pegava o copo para si. — Não acha um pouco cedo demais para isso? – Já é tarde em alguma parte do mundo. — Hermione encarou o líquido escuro. De qualquer maneira, estava sentindo todos os músculos de seu corpo tensos, então tomou todo o conhaque de uma só vez e devolveu o copo a ele, que a encarou surpreso. — Foi o que me ensinaram. – Contar para eles não é uma opção, Malfoy. Os Bones são conservadores ao extremo, jamais aceitariam... Mágica como algo normal. — Ela suspirou e ambos sentaram-se no sofá encarando os prêmios dele. — Isso sem considerar o fato de que nem há mais magia em meu sangue. Por que tudo tem que acontecer comigo?!– Eu estava me perguntando exatamente a mesma coisa. — Malfoy levantou-se, pegou outra dose de conhaque e sentou-se novamente, oferecendo o copo para ela novamente. — Você está precisando relaxar, Granger. Hermione encarou o perfil de Malfoy e, de repente, não conseguia desviar a atenção de seus lábios bem desenhados. Deus, sabia que ele era bonito, mas como poderia ter os traços tão perfeitos? Entretanto, Draco percebeu que estava encarando-o mais do que devia e a olhou de volta. Lembrou-se do beijo dele e todas as sensações que lhe causava e, instantaneamente, soube o que precisava. – Então me faça relaxar.
Notas finais
Oláááá!! Gente, muito obrigada pelos comentários muito legais do último capítulo, eu respondi a todos com muito prazer :D Reparei algo muito legal: muita gente comentou sobre o Michael, o que eu não achei que aconteceria, mas foi ótimo por que me deu uma ideia muito boa (eu acho)!! Só posso dizer isso :p
Enfim, vamos falar sobre o capítulo. Eu fiz do jeito que mais retratava a Hermione em minha mente, dá pra perceber que dessa vez ela não perdeu o controle, apenas estava irritada e com razão. E... Foi no lugar certo. Eu sei que muita gente achou que seria outra pessoa, mas Draco só deu uma bola fora, pra mim, ele não teria nenhum motivo pra dizer isso por querer. Me digam o que acharam disso?
E... A parte que vocês mais gostam está chegando, se preparem!! Enfim, vamos ao spoiler do próximo capítulo pra deixar vocês um pouco mais ansiosas:
- Você vai trabalhar assim todos os dias?
- Na maioria das vezes.
- Essa é uma informação... Bastante útil.
...
- Acreditaria se eu dissesse que há 10 anos atrás eu era uma bruxa e que estudei até os 17 anos numa escola de magia?
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Bjão, até semana que vem!! :))
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