– Então me faça relaxar.

O silêncio pairou na sala e os olhos de Malfoy voaram do copo que ela segurava para seus olhos num segundo. Havia um traço de divertimento ali, mas as matizes cinzas estavam um pouco mais escuras que o normal. Então, instintivamente, Hermione soube que venceria.

– Eu acho que você não tomou conhaque suficiente para... Estar dizendo isso.

– Muito bem.

Ele estava hesitando e Hermione se levantou, dando um gole no conhaque antes de depositar o copo sobre a mesinha de centro. Sua mente estava completamente nublada pela ideia de ter sexo com Draco Malfoy no escritório dele.

Voltou-se para o loiro e desenrolou o cachecol vermelho do pescoço, sem nunca quebrar o contato visual. Os olhos de Malfoy acompanhavam todos os seus movimentos, mas ele parecia estar com a mente em outro lugar. Porém, quando Hermione desfez-se do casaco e o jogou no chão ao seu lado, ele pareceu despertar de um transe e se levantou num pulo do sofá.

As mãos de Draco foram direto para sua cintura a empurrando com destreza em direção a parede mais próxima. Engoliu em seco quando o viu lamber os próprios lábios ao descer os olhos para os seus, suas respirações se misturando deliciosamente.

– Divertiu-se o bastante, Granger?

A voz dele estava mais rouca que o normal, o que fez com que seu corpo vibrasse em expectativa. No entanto, Malfoy quebrou o contato visual quando seus lábios fizeram um caminho lento e perigoso em seu pescoço.

– Pelo contrário, a diversão só começa agora. — Arranhou suas unhas no pescoço claro e ofegou quando Malfoy mordeu levemente seu lóbulo.

– Você é muito atrevida.

– É mesmo? — Ela riu, de olhos fechados, deliciada com a sensação dos lábios dele em sua pele enquanto fazia um som entretido de concordância.

– Mas eu gosto.

Foi nesse instante que suas bocas se encontraram, famintas e sedentas por mais. Suas línguas em contato provocaram um pequeno gemido de satisfação em ambos.

As mãos de Draco passeavam ansiosamente por suas costas e cintura. Ele nem se deu ao trabalho de desfazer os botões de sua blusa de seda branca, tirando-a pela cabeça. Ela, por sua vez, o ajudou a tirar o terno apressadamente e apenas afrouxou a gravata para que esta saísse pelo pescoço. Logo, porém, a boca dele desceu implacável em seu pescoço enquanto seus dedos pequenos e ágeis desabotoavam a camisa masculina social.

A respiração de ambos já estava pesada e ofegante, mas foi quando Malfoy deslizou as mãos por suas nádegas e deu um pequeno impulso para que ela pudesse enrolar as pernas ao redor de sua cintura e seus sexos se encontraram que Hermione não conseguiu se conter e gemeu o nome dele. O primeiro nome. Draco. De olhos fechados. Com os lábios colados ao seu ouvido, sentiu os pelos dele se eriçarem. Deus, essa sensação era boa.

Com agilidade, Malfoy abriu o fecho de seu sutiã e Hermione só teve a opção de encostar a cabeça na parede e tentar conter os gemidos mais altos enquanto sentia ele brincar com seus seios. E ele sabe muito bem o que fazer com a boca, foi seu pensamento enquanto distraidamente acariciava os cabelos de Draco incentivando-o a continuar.

Seus lábios se encontraram novamente e Malfoy a carregou até o sofá onde estiveram, se sentando com Hermione em seu colo e escorregando as mãos para dentro da saia dela destravando a cinta-liga que sustentava a meia 7/8 enquanto ela tirava seus próprios sapatos. No instante seguinte, porém, estava deitada no sofá com Malfoy sobre si puxando sua calcinha para baixo e a jogando para o chão, apressadamente.

Não conseguiria, nem se realmente se esforçasse, pensar em algo senão nas mãos de Malfoy, ou qualquer parte do corpo dele, em contato com o seu.

Foi ele quem teve o trabalho de abrir suas próprias calças enquanto Hermione puxava sua saia mais para cima e abria as pernas para que Malfoy pudesse se acomodar entre elas, não precisavam de mais nenhuma preliminar. Quando seus corpos se encontraram, ambos abafaram seus gemidos em um beijo molhado enquanto ele puxava uma de suas pernas para sua cintura.

Se movimentavam juntos, sentindo seus corpos ondularem de prazer juntos, se arrepiarem juntos. Hermione podia sentir a respiração acelerada e os gemidos e sussurros ininteligíveis de Draco, abafados em seu pescoço com beijos e mordidas que ficariam marcados por alguns dias, mas isso apenas a excitava mais e mais. Ela cravava as unhas sem pena em sua omoplata e costela por baixo da camisa branca, sem poder controlar os gemidos que escapavam por sua boca sem permissão e pareciam ser um incentivo a mais para Malfoy.

Quando o ápice chegou, quase no mesmo instante para os dois, ainda ficaram um tempo na mesma posição sentindo suas respirações voltarem lentamente ao normal e seus corpos suados em um contato mais íntimo do que jamais poderiam imaginar.

Sentiu quando ele correu o nariz por seu pescoço, arrepiando-a prazerosamente, e depositou um beijo e uma pequena mordida na base de sua garganta. Em resposta, correu os dedos pelos cabelos loiros e macios, molhados de suor, acariciando suavemente e sem pressa, tendo consciência de seus músculos moles e do sono querendo dominá-la, embora soubesse que não podia dormir ali.

– Obrigada. — Disse, em um sussurro, como num segredo, e ele se afastou para encará-la. Seus olhos já estavam claros novamente e as matizes azuis mais brilhantes do que se lembrava.

– Não é como se eu tivesse feito um grande sacrifício. — Hermione revirou os olhos e Malfoy se levantou, ajudando-a em seguida, ambos começando a procurar suas roupas jogadas pelo escritório. Hermione levantou uma sobrancelha ao pegar sua calcinha sobre a mesinha de centro. — Pode me procurar para relaxar quando quiser.

– Malfoys e seus interesses pessoais envolvidos em tudo. — Hermione terminou de abotoar a blusa e a colocou por dentro da saia. — Nunca muda?

– Não.

Agilmente, Draco fez o nó de sua gravata e colocou o terno, enquanto Hermione ocupava-se em recolocar seus saltos, o casaco e o cachecol. Pegou a bolsa, respirou fundo e se virou para ele, que já a encarava de braços cruzados encostado em sua própria escrivaninha. Hermione aproximou-se.

– Voltamos a vida real?

– Voltamos a vida real.

Não era como se esperasse que fazer sexo com Draco Malfoy mudaria alguma coisa. A relação deles sempre seria essa coisa de provocações, respostas rápidas e supostamente espertas e, talvez, um tapa ocasional.

– Tudo bem, o que você disse a Michael?

– Que praticamente nos atracávamos no corredor.

– O que talvez não seja uma total mentira, considerando o soco que você levou no terceiro ano. — Ela desdenhou e ele semicerrou os olhos, mas Hermione não deu tempo que replicasse. — Disse que nos odiávamos, então.

– De qualquer maneira, precisa fazer de tudo para continuar a trabalhar no escritório.

– Eu sei. — Hermione suspirou e ajeitou a bolsa em seus ombros, ele ainda era Malfoy e ainda não sabia como agir. — Eu tenho que ir, então.

– Okay. — Antes que ela pudesse se virar para sair, Malfoy a segurou pelo braço, puxando-a para mais perto e subindo uma das mãos por sua perna até encontrar a cinta-liga e brincar com a mesma enquanto sorria malicioso. — Você vai trabalhar assim todos os dias?

– Na maioria das vezes.

– Essa é uma informação... Bastante útil.

Hermione não teve tempo de retrucar, pois os lábios dele desceram implacáveis sobre os dela. Dessa vez, o beijo era mais calmo do que os anteriores, apesar de ser tão exigente quanto. Apesar de tudo, a boca de Draco ainda tinha gosto de conhaque e imaginava que a sua também.

– Er... Sua secretária, ela não ouviu...?

– Tem um feitiço permanente na minha sala. — Respondeu ele, se divertindo ao vê-la corar como uma adolescente inexperiente e Hermione quase revirou os olhos. Que fosse uma mulher de 28 anos com vida sexual ativa, mas ainda tinha certos pudores.

– Tudo bem, tchau.

– Tchau. — Hermione andou até a porta, mas antes que pudesse abri-la, Malfoy a chamou. — A vida real pode ser bastante prazerosa, Granger.

Hermione apenas sorriu, antes de destrancar a porta e sair. A Srta. Walters a olhou um pouco temerosa, mas apenas se despediu com um cumprimento de cabeça e seguiu para o elevador.

Sim, Malfoy realmente a havia relaxado ao ponto de não conseguir pensar em outra coisa a não ser no que havia acontecido naquela sala. Absorta de todos os problemas, encostou a cabeça na parede do elevador e soltou um riso divertido. Fazia algum tempo que não ria de verdade e isso estava acontecendo graças a Malfoy. O mundo estava de cabeça para baixo e ninguém a havia avisado.

Assim que saiu da empresa de Malfoy foi direto para o Soho, eram raras as vezes em que chegava na casa de Nina sem avisar e ela não estava. No próprio bairro, passou em um restaurante, comprou almoço para ambas e seguiu para o apartamento da ruiva.

Depois de alguns segundos de sua batida, Nina apareceu à porta com o cabelo bagunçado, os olhos vermelhos de tanto chorar e um pijama largo na cor cinza. As coisas não estavam nada bem considerando o último fato.

– O que aconteceu?

– Max e eu terminamos. — A mulher deu espaço para Hermione entrar e se jogou no sofá assim que fechou a porta. — E eu estou acabada, novamente.

– Bem, então você vai superar, novamente. — Colocou o almoço sobre o balcão da cozinha e sentou-se.

– É claro que vou, mas a questão não é essa, Hermione. — Nina fungou evitando uma nova onda de choro. Hermione sabia o quanto a amiga odiava chorar na frente dos outros, tinham isso em comum. Lucy, no entanto, nunca teve vergonha de mostrar suas emoções. — Eu apenas... Estou cansada de ficar sozinha. Esses namorados que eu tenho, eu sei que não vão durar, mas... Eu quero ter alguém para cuidar de mim, como Lucy tem Michael.

– Bem, isso não se encontra de uma hora para outra, não é? — A ruiva se deitou em seu colo e passou a acariciar os cabelos da amiga, pacientemente. Realmente, era sua sina ter amigas ruivas e chorosas por causa de garotos. Quase riu com esse pensamento, mas se conteve ao pensar que estava feliz demais quando devia estar preocupada com todos os problemas que haviam batido em sua porta nos últimos tempos, sem contar o fato de Nina estar chorando em seu colo. — A questão é que você não pode criar expectativas sobre esses caras com quem você fica, é obvio que eles estão com você pelo mesmo objetivo que você está com eles, que é o sexo.

– NÃO! — Nina se levantou, a olhando com os olhos arregalados. — Eu fico com eles por que quero encontrar a minha alma gêmea, minha outra metade da laranja, o amor da minha vida ou o que raios for isso!

– Então, sinto muito em lhe dizer, mas está procurando no lugar errado. — Nina soltou um suspiro sofrido e enterrou o rosto entre as mãos. — Que tal não procurar? Espere o destino fazer seu trabalho e veja o que acontece.

– Será que isso funciona? — Questionou ela com uma careta, no que Hermione deu de ombros. — Que seja, vou tentar... Seu método. Vamos almoçar, não coloco nada no estômago desde ontem.

– Não é meu método. — Seguiu Nina em direção a cozinha e a ajudou a pegar os pratos, enquanto dizia. — Eu não estou procurando minha "metade da laranja".

– Então... O que a fez vir almoçar na minha casa em plena segunda feira? Não é dia de almoçar no escritório? — Brincou Nina, que sempre caçoava de seus ocupados amigos advogados.

– É, mas eu briguei com Lucy e Michael. Quer dizer, eles brigaram comigo. — Lucy arregalou os olhos enquanto mastigava mandando-a continuar com um gesto de mão. — Eles querem saber por que eu não contei que já conhecia Malfoy antes do jantar na casa deles. E acham que eu sou perigosa por ter mentido sobre isso.

– E por que você não contou?

– Por que não é algo que todas as pessoas entenderiam. — Hermione suspirou.

– Especifique-se.

Hermione encarou o teto, respirando fundo. Poderia confiar o segredo da sua vida a Nina? Ela era completamente mais liberal do que Michael e Lucy, mas era trouxa e não conseguia enxergar um trouxa lidando com o fato de que há pessoas com poderes mágicos vivendo em sociedade em meio as pessoas "normais". Fechou os olhos, decidida, antes de encarar a ruiva e despejar tudo de uma só vez.

– Acreditaria se eu dissesse que há 10 anos atrás eu era uma bruxa e que estudei até os 17 anos numa escola de magia?

Notas finais
Ei!!! :D Genteee, recorde de comentários na fic!!! Muito obrigada (*-*), espero que esse capítulo tenha tanta aceitação quanto o outro. Sério, eu to muito feliz!! Tudo bem, vamos falar do capítulo. O capítulo que deixou vocês loucas por UMA semana! Então, primeira cena de sexo da história da fic kkkkkk Considerando que foi no capítulo 22 demorou bastante pra finalmente acontecer, mas levando em consideração também o ponto em que a relação deles está acho que foi na hora certa. Concordam? Discordam? Me digam!! E o que acharam da Nina? Foi certo Hermione contar pra ela e não para Lucy e Michael para se justificar? Lembrem-se, tudo tem um motivo e eu vou deixar o spoiler pra vocês ficarem curiosos quanto a esse motivo kkkkkkk - Não, Bellatrix nunca foi minha mãe e agradeço por isso. ... - Um homem está me perseguindo, um bruxo para ser mais exata, e acreditamos se tratar do irmão de Rodolphus. ... - Malfoy, Nina foi envenenada.