Memories of the Past
18 Capítulo 18
Após perceber o que havia acontecido, Hermione deu às costas no mesmo instante a Draco e ao Caldeirão Furado. Começou a andar pela calçada, sem preocupar-se com o rumo que tomava, o barulho de seus próprios saltos soando como uma melodia dramática em sua mente. Malfoy a chamou, mas não fez questão de parar, não queria ter que encará-lo depois de descobrir que não possuía mais nenhum traço mágico. Ele adorava caçoar dela na adolescência por causa disso, ele sempre acreditara que Hermione não tinha o direito de estar no mundo mágico, de ter conhecimento de que existia um mundo além daquele que ela conhecia quando criança, antes de receber a carta de Hogwarts.
Mas não podia imaginar há 15 anos que, no fim das contas, Malfoy sairia como dono da razão. Hermione não era mais bruxa, não possuía mais nenhum dom que a diferenciava dos demais, que a fazia se sentir... Especial. Deus, havia escolhido viver sem esse dom há 10 anos, mas não imaginava que descobrir que a magia a havia abandonado a abalaria daquela maneira. Nunca imaginara que ficar um espaço de tempo grande sem usar magia faria com que ela desaparecesse de seu sangue. Nunca vira relato parecido. Nesse momento, as lágrimas desciam por seu rosto sem poder contê-las. Era um baque para ela e com tudo que estava acontecendo em sua vida parecia ainda pior. Tudo acontecera de uma hora para a outra e agora, definitivamente, não tinha mais controle de nada. Se perguntava quando realmente tivera controle de alguma coisa? Sua adolescência inteira havia sido dedicada a lutar por um mundo melhor. Fizera uma escolha naquela época, mas não por si mesma. Estava no olho do furacão por Harry, Ron, por seus pais, por todas as pessoas que gostava, mas não por si mesma. Quando descobrira que sua mãe biológica era Bellatrix Lestrange tivera que fugir do mundo bruxo por medo de encarar seus amigos e o julgamento deles quanto ao fato de ser filha da mulher que mais odiavam no mundo. Era uma covarde, afinal. Não imaginava como seria capaz de encarar Teddy Lupin tendo consciência de que sua mãe matara a mãe dele? Havia presenciado o momento da morte de Tonks e isso também fazia parte de seus pesadelos. Não tinha condição nenhuma de lidar com isso depois de lutar numa guerra. Já no mundo trouxa, então, demorou algum tempo para aprender a lidar com seus próprios fantasmas, da guerra e de Bellatrix. E saber que sua mãe havia matado os Granger, as pessoas que amou sua vida inteira como sendo seus pais, a deixou ainda mais abalada. Não entendia como podia ser filha de uma mulher fria e sem coração como ela. Nunca soube como era Rodolphus, porém o fato de que ele era um Comensal da Morte já bastava para que Hermione nem mesmo alimentasse a curiosidade. O que a deixava mais apavorada era saber que, se tivesse sido criada por eles, provavelmente também seria uma leal seguidora de Voldemort. Felizmente, havia sido criada por um casal como os Granger, pois tinha consciência que estava em sua natureza, sua linhagem, ser má. Os Black não eram conhecidos por sua complacência e, pelo que sabia, os Lestrange também eram uma família muito sombria. Parou de andar quando percebeu que seus pés doíam e sentou-se na calçada mesmo, com os joelhos junto ao corpo e o rosto enterrado entre os braços. Não chorava mais, tinha a impressão de que o estoque de lágrimas de seu corpo havia secado. Saber que não possuía mais magia, mesmo que não a usasse há 10 anos, doía mais do que imaginara. Levantou o rosto ao ouvir o barulho de uma porta de carro batendo. Quando olhou para cima percebeu que se tratava de Malfoy e ele não tinha as feições mais amenas. Nenhum dos dois disse nada por alguns instantes. Hermione, por sequer querer encará-lo naquele momento, e ele... Bem, não sabia seus motivos, mas Draco certamente devia tê-los. Ou estava esperando que ela se pronunciasse, explicando por que havia fugido daquela maneira, mas nesse caso ficaria esperando. – Levante-se. — Ele disse, como uma ordem, o que a fez sorrir irônica. Malfoy realmente não sabia lidar com pessoas. Ou melhor, não tinha paciência. – O que o faz pensar que sou alguém que o obedece sem questionar? — A expressão dele se tornou indecifrável de repente e decidiu se levantar para não criar mais tensão. – A partir de hoje, você vai parar de se fazer de vítima das circunstâncias. — Hermione abriu a boca para contestá-lo e dizer que não havia escolhido ser filha de quem era e que não tinha culpa de um maluco estar perseguindo-a, mas ele não permitiu que interrompesse. — Eu ainda terminei. E vai parar de querer ganhar a pena das pessoas por que isso é... Deprimente. – Acha que faço por que quero? — Ela o empurrou pelo peito, já perdendo as estribeiras novamente. — Acha que escolhi não ter mais nenhum traço mágico? – Você abandonou a magia, Granger. Nunca vi relato algum sobre isso, mas faz todo o sentido a partir do momento em que você escolhe viver sem ela.
– Entendi. — Hermione lhe lançou um sorriso, irônica. — Então você acha que... Não é mais do que eu mereci. É, bem feito para mim, mesmo. Hermione virou as costas, decidida a sair dali o mais rápido possível e resolver sozinha todos os seus problemas, já que Malfoy não estava sendo de grande ajuda, mas parou assim que ouviu a voz dele se manifestar.– Está agindo como uma adolescente. — Malfoy tinha a mandíbula apertada, como se estivesse muito irritado, mas não se abalou, sempre haviam levado suas discussões até as últimas consequências e essa não seria diferente. — Quer resolver seus problemas, mas à porta de qualquer adversidade sai por aí chorando e resmungando, como se isso fosse ajudar. E, às vezes, dá a impressão de querer, mais do que tudo, chamar a atenção das pessoas. – Você é... Inacreditável! — Hermione o encarou, incrédula com o que havia acabado de ouvir. — Depois de tudo que aconteceu, acha que eu não tenho o direito de ficar um pouquinho perturbada? Eu não sou como você, Malfoy, eu não... Consigo controlar meus sentimentos, às vezes, apenas às vezes, eu preciso extravasar com eles. Então, me desculpe se isso o irrita, Malfoy, mas é assim que eu sou! Eles ficaram em silêncio por alguns segundos, apenas encarando-se. Hermione encontrava-se ofegante e com os olhos cheios de lágrimas novamente. Estava mentalmente cansada de tudo que estava acontecendo e Malfoy, ao puxar uma discussão, não estava colaborando com seu psicológico abalado. Pelo menos, estava sã o suficiente para perceber isso. – Eu sempre soube que era movida pela emoção, Granger. — Ele começou, em tom neutro, como se estivesse divagando sobre um assunto qualquer e Hermione o deixou continuar. Queria saber até onde ele ia, até onde Malfoy se permitia falar sobre si mesmo. — Mas, ao contrário do que acha, somos bastante parecidos. Ambos orgulhosos, altruístas e prepotentes, você só precisa se lembrar disso. Hermione sempre soube de suas semelhanças com Draco Malfoy, embora odiasse tal fato na adolescência, e sabia que era por isso que brigavam tanto. Entretanto, nos tempos atuais, ambos se esforçavam para agir como os adultos racionais que eram e não deixar suas personalidades difíceis assumirem o controle da situação.– É bem mais fácil falar do que fazer, sabe? — Ela mordeu a língua para segurar o choro, inutilmente. Hermione enxugou as duas lágrimas que desciam por seu rosto e cruzou os braços, continuando com a voz embargada. — O que aconteceu hoje só serviu para me mostar que eu... Estou esgotada. E isso não é apenas sobre o invasor. Estava cansada de ter que guardar aquele segredo sozinha. Era seu, mas era horrível ter que conviver com ele dia e noite, sem poder compartilhar com alguém, sem poder desabafar. Malfoy a segurou pelos ombros, fazendo com que o encarasse diretamente nos olhos. – Granger, nós vamos resolver isso. Eu estarei com você... Até o fim. Entendeu? Em seus tempestuosos olhos cinzas, Hermione não viu nenhum traço de incerteza ou medo e o admirou por isso. Ele não era mais o menino covarde que se escondia atrás do papai rico. Malfoy havia se tornado um homem de verdade, embora não soubesse exatamente quando isso tenha acontecido. – Obrigada, Malfoy. Então, sem pensar muito para não desistir, passou os braços ao redor do pescoço dele e o abraçou. Pode sentir o corpo dele tenso, mas alguns segundos depois, Malfoy a abraçou de volta e pode sentir a respiração quente em seu pescoço, a arrepiando, quando ele falou:– Quer saber por onde anda Rabastan Lestrange?
Notas finais
Olááá!! Gostaram do capítulo? Para quem achava que Hermione ia contar o segredo, não foi dessa vez, mas ainda vai acontecer, I promisse! Então, e esse desabafo dela?!! Eu preciso saber a opinião de vocês e quero comentários tão legais quanto os do capítulo anterior! Muito obrigada mesmo :D
Já repararam que, às vezes, o Malfoy usa de ofensas pra abrir os olhos da Hermione para certas coisas? Em um trecho, ela diz que ele não sabe, ou não tem paciência, para lidar com pessoas, mas esse é o ponto de vista da nossa Herm's, certo? Hahah Eu, em minha humilde opinião, acho que por se tratar dela (ainda mais no estado deplorável em que se encontrava naquele momento) é que Draco fica um pouco confuso. Assim como a Hermione, ele, apesar de querer ter o controle sobre tudo e todos, às vezes também não sabe como agir com ela e usa das ofensas para meio que se proteger. Enfim, eu acho que ele está nesse nível na fic, bem do jeito que eu gosto!! o/
Agora, o spoiler de sempre pra deixar vocês mais curiosos:
- Ora, ora, Malfoy admitindo não ter influência em algum lugar é algo inédito.
- Isso é... Irrelevante. Pois tenho influência sobre coisas muito mais... Interessantes.
- Apenas posso imaginar o que seja.
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P.S¹: Este capítulo também foi escrito sobre o efeito Sia, só digo isso.
P.S²: Estou sentindo falta de uma fic dramione muito boa, alguém poderia me indicar algumas?
Bjão, até o próximo, seus lindos!
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