Memorias de Guerra - Interativa
12 XII - Perigo Eminente
Notas iniciais

Eu sei o que é dor, você acha que pode suportá-la, mas um dia percebe que não pode.– House
Willian passa a mão no cabelo preto, a preocupação de se estar saindo do objetivo era aparente porém sua curiosidade estava atiçada por conta da história de Savannah.
Willian não era o único que estava preocupado em seguir Savy, eu estava. Minha ideia era me livrar de imediato da prova ganhado da outra equipe. Nós tínhamos capacidade, apesar de não podermos enxergar.
Jake no entanto parecia aprovar a ideia de Savannah, percebi que o mesmo queria se livrar do experimento e ficar dentro da cúpula ou ser testado a inquietação e o estresse constante era perceptível em Jake em poucos momentos ficava a vontade e relaxe com os companheiros.
Encaro Willian esperando sua respostas, cruzo os braços impacientemente e Savannah morde o lábio inferior, Jake esta ao lado de Savannah e iria de qualquer jeito.
– Will não podemos perder tempo, por favor... – Savy fala impacientemente.
– Não sei pessoal, isso foge dos nossos planos. – Willian segura o papel relendo diversas vezes. – Nem sabemos se isso é mesmo real...
– Olha Will, estou relutante assim como você em ir para o hospital... Fugir do objetivo é muito perigoso, mas esse papel pode ser nossa chance de sobreviver lá fora, precisamos descobrir o tipo de coisa que nos vamos enfrentar lá fora. – olho para os olhos relutantes de Willian na tentativa de faze-lo entender. – Se você não for, nós três vamos.
– Esse não é o problema... Devíamos nos preocupar com o que tem aqui nesse teste. Não estamos sozinhos.
Olhamos para Willian, todos com a mesma expressão de medo, ele estava certo.
– Mas se insistem, vamos ao hospital.
Esboço um sorriso para Willian, ele acena para mim, coro um pouco.
Seguimos o caminho em direção ao hospital, Willian sentia dores de cabeça, a cada passo que dava ficava mais difícil esconder sua dor. Notei a expressão de dor tarde demais, Willian caiu no chão com as mãos na cabeça lágrimas desciam de seus olhos. Olhei confusa para Savannah que retribuiu o mesmo olhar, ela correu em direção a Willian e se abaixou ao seu lado, segurou seu rosto forçando-o encara-la.
– Will olha para mim, onde doi? – Savannah colocava Willian deitado em seu colo.
Willian balbuciava algumas palavras, abrir os olhos era insuportável ele respirava com dificuldade.
Andei em direção a Willian, mas Jake me impediu de me aproximar.
– Não Kaori, vamos ficar de olho podem nos atacar. – ele segurava meu pulso.
Olho para sua mão grossa em volta do meu pulso fino, percebo que num simples movimento ele poderia quebra-lo, com a outra mão toco na sua mão para que solte.
– Ok... O que acha que devemos fazer então? Assistir Willian morrer? – falo perdendo o controle. Não aguentava assistir o sofrimento dele. Era...angustiante.
Willian não sabia naquele momento, mas estava acessando sua habilidade da pior forma possível, por meio das dores. Até aprender a controlar seu aperfeiçoamento sentiria os efeitos do experimento em seus olhos.
Jake me encara por alguns segundos antes de tomar alguma decisão.
– Vamos vasculhar atrás de um caminho rapido ao hospital, provavelmente tem alguma coisa que melhore essas dores do Will, se formos agora teremos mais chances de encontra-los vivos na volta.
– Certo, temos que falar com Savannah talvez eles possam se abrigar na casas não esta muito longe. – olho para a direção oposta e consigo ver a casa por entre as arvores.
Jake caminha em direção a Savannah fala-lhe de forma breve e aconselha ela a voltar para casa.
Observo Jake, apesar de explosivo conseguia manter o controle em algumas situações, talvez ser frio é bem útil em algumas situações. Jake retorna até mim, ele segura uma tocha para iluminar o caminho. Jake é bem estranho, mas não deixa de ser alguém interessante, me faz pensar sobre o que ele passou...
Caminhamos em silencio por algum tempo, Jake esta com uma expressão tensa, tento puxar assunto algumas vezes mas ele prefere ficar em silencio.
– Você sabe para onde estamos indo? – pergunto na tentativa de quebrar o silencio.
Jake me olha de canto e levanta a sobrancelha.
– Ok... Você não quer conversar.
– Não... Olha Kaori precisamos ficar em silencio. Caso houver alguém aqui podemos atacar em silencio.
– Você não ta pensando em matar...
Ele me encara e fica em silencio por alguns minutos. Engulo em seco e fico parada por uns instantes observando Jake caminhar, por um minuto torci para que algo batesse em sua cabeça e ele desmaiasse.
Adianto os passos em sua direção, ele esta abaixado atrás das ruinas de uma casa, ele me puxa para o seu lado e coloca a mão em minha boca para eu não falar nada.
– Olhe... – ele sussurra próximo ao meu ouvido.
Vejo o outro grupo entrando no hospital com cuidado, a garota de cabelos curtos esta desmaiada no colo do que parece ser o chefe da equipe, Jessica caminha ao lado do rapaz e conversa com ele discutindo estratégias. Jake me solta lentamente segura minha mão com força.
– Kaori, preciso que você vá atrás do Willian e da Savannah tragam eles para cá, eu irei na frente e diminuirei o numero de participantes.
– Espera Jake... não mate ninguém e tome cuidado. – abraço-o rapidamente e vou em direção a casa.
O retorno estava silencioso, só era possível ouvir o som do farfalhar das arvores, olho para os lados confusa, sinto a brisa gelada em minhas costas e em poucos segundos unhas pousam em meu ombro.
“Droga! Droga! Droga!” – penso.
Não, isso não estava acontecendo, paro de caminhar e fecho os olhos desejando que tenha sido tudo do meu subconsciente, aos poucos paro de sentir as unhas em meu ombro. Abro os olhos lentamente e me assusto caindo no chão de pavor. A criatura na minha frente tinha aparência humana, mas sua pele era deteriorada parecendo um queijo velho, o odor de cadáver me dava náuseas. Coloco a mão no nariz e na boca, começo a me afastar da mulher ela bate as unhas umas nas outras fazendo estalos, ela vira a cabeça de lado e começa a cuspir uma gosma preta de sua boca.
A mulher – criatura – tinha cabelos longos esbranquiçados, seus olhos pareciam bolas de vidros, o vestido molhado e rasgado mostrava o seio dilacerado, proveniente da mordida de algum animal aquático, suas unhas estavam sujas de sangue, havia agua ao seu redor e lama.
Me arrasto para longe, ela me observa parece esta se divertindo, ela pisa em minha canela quebrando-a solto um grito alto e lágrimas começam a descer pelos meus olhos. Sinto meu corpo inteiro tremer de raiva, minha visão fica vermelha, consigo ver os pontos fracos da criatura, o pescoço e o coração. Consigo ver como ela era, uma mulher como qualquer outra, foi exposta a radiação no fundo do lago, ela é totalmente... adaptável.
Ela vem até mim e me segura pelo pescoço, fico erguida a alguns centímetros do chão, começo a sentir dores fortes, olho para seus olhos de vidro e enfio a mão em seu peito aberto, ela me joga para longe e eu bato as costas na arvore seca e sinto uma dor enorme, olho para baixo e percebo o motivo da dor, um pedaço de galho havia atravessado o lado esquerdo da minha barriga. Entro em desespero esperando a morte, fecho os olhos...
Espero...
E então escuto o bum!
A criatura cai no chão. Vejo Willian segurando uma arma, ele corre em minha direção Savannah vem atrás, ela se ajoelha ao meu lado junto a ele.
– Sav...y... Doi... – falo com a voz entrecortada.
Willian passa a mão no meu cabelo fazendo carinho na tentativa de me acalmar, enquanto Savannah segura minha mão.
– Vai ficar tudo bem Kaori. – ela me olhou com dó, soube naquele momento que minha vida estava por um fio e que eu estava morrendo.
Olho para a criatura morta no chão e em seguida olho para meus colegas, procuro a arma largada ao lado de Willian e levo até minha cabeça.
Aperto o gatilho.
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