Memorias de Guerra - Interativa
13 XIII - Perigo Eminente
Notas iniciais

"O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte". — F. Nietzsche
Espero o barulho do tiro...
Talvez a morte seja silenciosa... Ou talvez eu não tenha morrido.
Abro os olhos lentamente e Willian me encara de forma reprovadora, ele toma a arma de minha mão e guarda no cinto.
– O que pensa que esta fazendo!? – Savannah me abraça com força fazendo com que eu sinta mais dor.
– E...eu vou ser um p...peso. – falo colocando a mão no ferimento.
Willian me coloca em seus braços num movimento rápido.
– Somos uma equipe ok? Se você tentar fazer isso novamente eu mesmo irei te matar.
Savannah se levanta limpando a calça preta, Willian para um pouco a frente ainda me carregando para observar a criatura ele da um pequeno chute e a criatura solta um grunhido.
Indico o caminho para Willian e Savannah com dificuldade. Willian para e noto que seus olhos mudaram de cor, ele havia aprendido a acessar sua habilidade, ele via tudo, toda a área e sua extensão em forma de uma maquete que somente ele teria acesso, ele piscou algumas vezes e voltou a caminhar.
O hospital era sujo e estava deteriorada, as paredes rachadas prestes a cair e os corredores sujos de sangue, dava-se uma aparência de filme de terror, Willian abre uma porta de um dos quarto e me coloca na maca.
– Eu vou buscar algumas coisas para te curar, a Savannah fica com você. – ele segura minha mão, sinto meu estomago ficar gelado.
– Willian, é melhor eu ir. Você não sabe o que tem que pegar... Eu sou mais rápida, já andei por aqui posso achar e trazer. Aproveito para encontrar o Jake, ele esta por aqui.
Willian encara Savannah por alguns segundos e depois concorda.
Savannah desaparece pela escuridão do hospital em pedaços.
Angel se apoiava na porta da sala de emergência do hospital, enquanto Mattew observava Jessica cuidar de Rose.
Jessica aplicava um medicamento na veia da garota deitada na cama, mesmo sabendo pouco algo em seu subconsciente a guiava para o lugar certo e as coisas certas. Mattew trocava olhares amigáveis com Jessica e a mesma por vezes corava o que fazia Angel revirar os olhos, talvez ciúmes.
Angel olhou para os lados e respirou fundo sentindo um aroma diferente não era o mesmo que o dos seus colegas, era um aroma adocicado, Angel descruzou os braços e se concentrou no cheiro que invadia suas narinas. Aos poucos conseguiu ver formas e se concentrasse mais um pouco poderia ver o que aconteceu no hospital.
Eu diria que sua habilidade foi acessada por conta da criatura nas suas costas que enganou a mesma usando do ambiente, Angel deixou Mattew, Rose e Jessica e foi atrás do cheiro.
Seguiu a trilha de uma criança que acenava e ria para ela, a silhueta da garota era branca e o cheiro era adocicado, ela dançava por entre as macas e aos poucos ela podia ver o hospital se reerguendo, fascinada se deixou levar e perdeu-se no labirinto de escombros. Ela podia ouvir as risadinhas da garota, a criatura havia se despregado de suas costas e agora brincava com seus sentidos.
Era hora da caça...
Angel olha em volta acende a lanterna em direção a criatura, os cabelos loiros e longos davam uma aparência angelical a criatura que dava risinhos e segurava um objeto que reluzia no escuro.
– Ei você! – Angel apontou para a criatura que colocou a mãozinha no olho. – Como entrou na cúpula?
A criatura caminhou até Angel e mostrou o objeto pontiagudo, o pedaço de pedra cintilante emitia uma luz própria, mas parecia ser doloroso para a menina segura-lo.
– O que é isso? – Angel se aproximou e a menina ofereceu a pedra. – É para mim?
A garota concordou.
Os olhos amarelados da garota faiscavam em sua direção.
– Não encoste um dedo na garota! – Savannah gritou.
A garotinha jogou a pedra atingindo o ombro de Savannah ficando alojado em seu lado esquerdo. Savannah retira jogando no chão. O objeto se espatifa em vários pedaços liberando uma fumaça tóxica.
Savannah puxa a arma e atira em direção a garota que é atingida e cai no chão sangrando.
Angel olha para Savannah confusa, elas eram times opostos... Porque Savannah ajudou ela?
– Porque? – Angel perguntou olhando para a criatura no chão.
– Acho que se começa com um obrigado. – Savannah se abaixa e começa a revistar a criatura a procura de algo útil.
– Desculpa... Obrigado.
– Bom, eu te ajudei porque você será da mesma equipe que eu lá fora... E eu preciso unir as equipes aqui dentro.
Savannah se levanta com a mão no ombro machucado.
– Certo... Por onde começamos? – Angel pergunta.
– Precisamos achar suprimentos médicos, tem uma pessoa machucada que eu quero ajudar.
– Fácil. Eu sei um lugar que tem. – Angel abre um sorriso.
Angel e Savannah caminham em silencio, as lanternas sempre iluminando os cômodos e sempre que podiam vasculhavam as salas em busca de arquivos. A bolsa cuja Savannah carregava estava com papeis, remédios, ataduras e agua oxigenada, Angel fazia questão de segurar a única arma que haviam encontrado pelo caminho.
Pararam em frente ao quarto e abriram lentamente iluminando o comodo. Mattew colocava a mão no rosto para proteger a visão, ele estava distante de Jessica que parecia irritada.
– Onde estava? – Mattew cruzou os braços e encarou Angel com raiva.
– Não é de sua conta onde eu estava. – Angel respondeu se aproximando e Rose, que estava consciente na cama já. – Fico feliz que tenha se recuperado.
Rose acenou para Angel.
– Isso era para ser um trabalho em equipe, não você simplesmente sair por ai dando uma de heroína. – Jessica se aproximou de Angel sem notar a presença de Savannah.
– Olá... – Rose falou com Jessica com a voz fraca.
– Quem é essa? Ela é da outra equipe Angel, porque a trouxe? – Jessica lançou um olhar ameaçador para Savannah.
– Ei, ei, ei, calma ai! Eu não tô afim de machucar ninguém... Só preciso de alguns remédios!
– Vocês ainda... nã...não perceberam, não foi? – Rose falou com a voz entre cortada.
Savannah olhou para Rose e caminhou em sua direção.
– O teste só acaba quando os grupos se u...unirem. – Rose encarou Jessica por alguns instantes.
– O que...?
Jessica olha confusa para Rose e em seguida para Matt, que apenas da de ombros.
– Faz sentido... o primeiro grupo não recebeu o resultado. – Matt fala pensativo.
– Temos que achar o outro grupo. Vocês tem melhorias genéticas, algum de vocês conseguiu acessar, além do Matt? – Rose se senta com dificuldade.
O grupo trocou olhares rápidos.
– Eu... – Angel deu um passo para frente.
Todos ficaram em silencio esperando que ela continue a falar.
– Meu olfato... eu não sei como explicar, eu posso sentir o cheiro do que passou... e criar formas a partir disso. Foi assim que eu achei a criatura, mas ela me confundiu e a Savannah me salvou.
– Que criatura? – Matt perguntou preocupado.
– Não importa agora, o meu grupo esta na ala da emergência. Quer dizer... parte dele, pelo menos. Perdemos o Jake de vista... – Savannah passa a mão no cabelo e olha para o lado com culpa.
– O que? O Jake? – Jessica indaga.
– Ele já deve esta morto uma hora dessas... Não adianta mais. – Matt fala com um sorriso torto.
– Porque você tá sorrindo? – Jessica empurra Matt e coloca o dedo indicador contra o tórax dele – Qual a graça? Um colega nosso morreu!
– Ei! Qual é, ele era totalmente instável iria por a gente em perigo. – Matt segura a mão de Jessica. – Eu só estou pensando no grupo!
– Isso eu tenho que concordar com o bonitão. – Angel abriu um sorriso.
Rose olhou para a situação, estava tudo caindo junto com o hospital.
– Seu namorado é doido. – Angel completa.
– Para com isso Angel, não tem graça, querendo ou não temos que acha-lo. – Savannah cruza os braços com raiva. – Vamos todos nos acalmar porque ficar gritando uns com os outros não vai resolver nada.
Jess puxa o braço para si e se afasta de Matt.
– Qual é o plano Savannah? – Rose pergunta.
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