Notas iniciais
Bem vindos ao MCT! Espero que vocês gostem do clima mórbido dos capítulos e das sinceridades da vida que eu vou debater. Boa leitura.

Os raios do sol nascente daquela primavera refletiam sob a pele clara e os fios ruivos da doutora Addison, ela regojizou de prazer ao relaxar enquanto caminhava como em todas as manhãs até o lobby do hospital. Quando seu dever é encarar a morte todos os dias, os prazeres diários se tornar valiosos.

Adentrando o Hospital, Addison sempre ficava espantada. Mesmo com o sol nascendo, a correria nunca parava. Naquele momento trocas de turnos estavam sendo realizadas entre médicos, enfermeiros, paramédicos e familiares que tentavam trabalhar em equipe, para que aqueles que estivessem deitados em camas médicas não precisassem voltar para lá. O horror de se estar doente.

Addison Taylor recebia cumprimentos de todos por onde passava, não somente por ser a dona do Hospital, mas por ser uma boa profissional e uma boa pessoa. Todos no Memorial desenvolviam um papel, não era ao acaso que eles haviam se tornado o Hospital especializado em tratamento de câncer mais desenvolvido e capacitado da década. Por isso, aqueles que faziam parte da equipe do Memorial, sempre seriam os melhores.

O elevador abriu e alguns de seus colegas de trabalho saíram no terceiro andar. Os olhos verdes de Addison se concentraram na imagem do homem de meia-idade que andava de um lado para o outro em seu escritório discutindo com a administração do hospital pela viva-voz enquanto suas mãos nervosas tentavam arrumar a gravata do terno de linho. Vê-lo era semelhante a cometer um erro, você não quer, mas acaba por fazê-lo.

— Bom dia, doutora.

O elevador fechou atrás de Mikhail. Addison pigarreou tirando a imagem do ex-marido da cabeça e sorriu ao ver o enfermeiro de sua equipe. Mike Varshavski, um enfermeiro russo, que havia sido selecionado pela própria Addison para trabalhar no Memorial. Enfermagem não havia sido a primeira escolha de Mike como profissão, por isso muito de seus pacientes ficavam felizes ao reconhecê-lo de seu antigo trabalho, como modelo.

— Bom dia, Mike. Eu já disse que pode me chamar de Addison.

Mikhail suspirou constrangido. Era difícil trabalhar com a dona do hospital, apesar de ser uma benção ter conseguido o melhor emprego do mundo. Sua ética moral de não desrespeitar as autoridades sempre ficava a prova quando se tratava da doutora Addison Taylor, Mike conseguia ser uma bússola moral e tanto.

O quinto andar era o destino do time, o programa de tratamento intensivo para jovens com doenças terminais ficava isolado naquele andar. O único andar onde Addison trabalhava. A ruiva havia dedicado toda a sua carreira acadêmica a estudos sobre a cura e formas de combate ao câncer, aquele andar era como o sonho de uma princesa.

Desde os mais comuns equipamentos até os mais caros e inusitados para tratamentos inimagináveis. Todos ali almejavam viver ou pelo menos morrer tentando ser curados.

A bancada da recepção era sua primeira imagem do andar, um quadro de cirurgias e transplantes ficava fixado logo atrás. Salas de arquivos já não existiam mais, tudo ficava gravado em tablet e computadores. Havia bancos para a sala de espera, cores florescentes foram compradas numa tentativa de dar viva – completo humor negro – ao local.

Olhando desse modo, o quinto andar seria como qualquer outro do hospital. Até você atravessar a cortina de cristais. Os corredores eram desenhados a giz de lousa pelos pacientes, eles podiam se expressar livremente sobre como se sentiam ou o que queriam dizer pelas paredes. Pelo alto número de entradas de pacientes no hospital, os quartos eram compartilhados, mas era cientificamente comprovado que a junção dos doentes fazia bem para eles psicologicamente.

As camas eram padrão, elas precisavam ser praticas para serem removidas, caso necessário, entretanto as cobertas, travesseiros e posters nas paredes eram de seus respectivos donos. Nem mesmo uma república vencia a miscigenação de cultura que aqueles quartos de hospital podiam ter.

As refeições são feitas dentro dos quartos, o que uma vez ou outra ocasionou uma guerra de comida, mas não vem ao caso. A maioria deles podem estar ligados a máquinas ou ter uma disposição menor, mas ainda assim, estão vivos por hora e se existe efeito colateral maior de se estar morrendo, é saber que cada minuto deve ser aproveitado.

As horas de quimioterapia são feitas em grupo, eles podem conversar enquanto recebem uma quantidade massiva de drogas medicinais e toxinas que vão ajudar na contenção do câncer. Muitos precisam passar o restante do dia deitado, pois o corpo precisa descansar enquanto os remédios reagem.

A radioterapia é individual, o paciente entra em uma maquina para receber radiação no corpo todo ou pode receber só em parte dele. Onde quer que seja ele precisa ficar isolado dos outros por um tempo, por isso, a sala de radioterapia vem com uma sala de descanso.

Entretanto, entre tantas formas de tratamento que os pacientes encontram diariamente, eles possuem um dia livre. Os domingos. De acordo com sua avaliação médica, você pode ganhar o direito de sair um grupo de pacientes, acompanhados de um enfermeiro ou em casos extremos, aos domingos, todos podem aproveitar a área verde do hospital. Passar o dia para fora, fazendo o que desejarem.

O Memorial cura doenças, mas por vezes, salva almas perdidas.

Addison colocou o estetoscópio no pescoço e jogou os cabelos para trás do jaleco, Mike a acompanhava vestindo seu uniforme azul bebê que demarcava seus ombros largos e seus braços grandes e definidos.

— E o que a primavera nos trouxe dessa vez? – Addison perguntou pegando seu tablet e passando o olho pelas primeiras fichas.

— Temos alguns novatos no programa. – Mike respondeu. – Nenhuma baixa, mas alguns casos pioraram.

Addison encarou a foto de um rosto feminino que havia visto crescer dentro daquele hospital. Mike percebeu a tristeza no olhar da mentora, era seu único caso insolucionado.

— Não se preocupe, doutora. – Mike tranquilizou. – Vamos ajuda-la, o tempo dela ainda não acabou.

Os olhos verdes correram pela tela, a idade da jovem estava próxima, ela não tinha muito tempo.

— Esse é meu medo, Mike. O tempo dela está acabando... Assim como o dele acabou.

Notas finais
Mistérios serão revelados ao longo do tempo. Espero por vossas fichas, vou adorar conhecer as genialidades que vocês guardam na cabeça. Se tiverem dúvidas, podem chamar por MP. Beijinhos