Memórias Perdidas
3 Um pesadelo de sangue e fogo - Capítulo 3
Notas iniciais
O passeio dos membros do Starish terminou por volta das 3h da tarde. Todo o pessoal se diriguiu de volta para a academia, exceto um certo ruivo que decidiu aproveitar o resto do dia de folga e fazer uma visitinha ao orfanato onde cresceu. Como fazia muito tempo que as crianças não viam o seu Oto-nii ficaram extremamente felizes com a visita de Otoya e monopolizaram o garoto o quanto puderam. No momento em que finalmente se deu conta dá hora Itokki percebeu que já estava ficando bastante tarde, por isso, despediu-se das crianças e da diretora do orfanato e começou o caminho de volta para a academia.
Já estava bem escuro e nas ruas a essa hora não havia mais tanto movimento. Otoya apressava o passo o máximo que podia, sem que isso o fizesse parecer algum maluco ou um bandido fugindo da polícia. Não é que ele tivesse medo de andar nas ruas a essa hora, porque a cidade era na verdade bastante tranquila, porém, aquela sombra que virá no parque nesse momento não saia da sua cabeça e a lembrança o deixava um tanto inquieto, ainda mais por estar sozinho no meio da rua a essa hora da noite. Tokiya sempre reclamava com ele e dizia que por ser agora um ídolo ele deveria começar a ter mais cuidado consigo mesmo, mas ele sempre achou um pouco de exagero do outro. Só que desta vez Ittoki achava que provavelmente mereceria a bronca que iria levar do maior por ser tão descuidado.
Quando estava a poucas ruas da academia, Otoya esbarrou em um homem. Era um homem alto, magro, porém musculoso, cabelos castanhos, talvez passando dos trinta anos. Ele estava tão apressado e tão concentrado em seus pensamentos que não tinha visto aquela pessoa se aproximar.
– Gomenasai, senhor. Desculpou-se educadamente enquanto se curvava. Virou-se para continuar o seu caminho e então sentiu uma mão segurar seu braço com muita força o impedindo de caminhar.
– Onde você pensa que vai garoto? Perguntou o homem friamente.
– E-eu sinto muito por ter esbara... Não conseguiu terminar a frase. No momento em que seus olhos encontraram os daquele homem o ruivo congelou. Eram olhos de um vermelho sangue intenso e extremamente frios, vazios, assustadores. Um calafrio percorreu a sua espinha e a sensação de pânico começou a tomar conta dele. Naquele momento Otoya só conseguia pensar uma coisa: " Kowai... esse homen?... Por que?... Me dá medo... Medo... Alguém...".
– O que foi? Está tão assustado que nem consegue falar. Perguntou o homem com um tom sarcástico e de nojo. – Está tremendo como um idiota. Você costumava ser mais corajoso?
– D-Do que .. Do que você está f-falando.. Quem é você? Gritou o garoto tentando desvencilhar-se do aperto daquele homem.
– Hum, então você não se lembra é isso? Patético, você sempre foi um inútil, agora vejo que mais do que antes. Vou te dar um tempo então pra colocar essa cabecinha pra funcionar. Nos veremos logo garoto, pode ter certeza disso. O tom de ameaça empregado nestas palavras fez o ruivo tremer novamente da cabeça aos pés.
O homem soltou o braço de Otoya e voltou a caminhar pela calçada como se nada houve-se acontecido. O garoto por sua vez continuou petrificado no meio da rua vendo aquele homem se afastar.
Depois do que pareceu ser uma eternidade o ruivo finalmente reagiu e voltou a caminhar em direção a academia. De repente ele já não andava, corria como se sua vida depende-se disso. Não se dera conta de quando começou a correr e muito menos onde estava indo. Quando deu por si já estava de frente a academia, suado e ofegante. Respirou fundo tentando acalmar a respiração e recuperar o folego. Depois que estava mais calmo finalmente entrou e dirigiu-se diretamente para o quarto.
" Não entendo... Quem é aquele homem? Eu senti tanto medo só de olhar nos olhos dele. Aqueles olhos... Por que?... Ele falou... Falou como se me conhecesse há muito tempo. Será que é verdade?... Não, não provavelmente ele falou aquilo pra me assustar. Aquele tipo de pessoa, definitivamente eu lembraria se o conhecesse, mas..." Esses e outros pensamentos ferviam na mente de Ittoki.
– Vai ficar parado ai na porta a noite toda, ou vai entrar. Perguntou Tokyia de mau humor.
– Ham, ah, gomen. Falou Otoya percebendo que já havia chega ao quarto que compartilhava com Tokiya e o seu senpai.
– Chegou bem tarde hoje Otoyan. Disse Reiji casualmente.
– É que eu fui visitar o orfanato e acabei perdendo a hora, Rei-chan. Riu como sempre costuma fazer, tentando parecer o mais natural possível, como se nada tivesse acontecido.
– Do que você pensa que está rindo. Já te disse pra não ser tão descuidado. Ficar andando a essa hora sozinho na rua. Pare de causar problemas Otoya. Censurou Tokiya.
– Vamos lá Toki. Você não precisa ficar bravo com ele. Só foi um pouco de distração. Tentou acalmar Reiji.
– Esse é exatamente o problema... Falou Tokiya.
Enquanto ouvia uma exaustiva palestra de Tokiya sobre o que é ser um ídolo e os seus deveres para com o seu trabalho Ittoki só pensava em uma coisa: "Tokiya tem razão. É melhor não contar pra ninguém o que houve. Só traria problemas pra eles. Aliás tenho certeza que se eu tomar um pouco mais de cuidado não vou mais encontrar aquela pessoa. É isso ai, vou resolver os meus problemas eu mesmo, sozinho." Depois disso o ruivo decidiu que o melhor a fazer era esquecer o que tinha acontecido e ir dormir.
XXX
Vários meses haviam se passado e agora poucas vezes o ruivinho lembrava do encontro que teve com aquele homem misterioso e assustador. E como não ocorreu mais nenhum incidente como aquele Otoya pensou que aquela pessoa não voltaria e o melhor seria esquecer tudo.
Estava no final de um dia de trabalho. Otoya participava de um filme de ação junto com Syo e Tokiya. Faltavam poucas cenas a serem filmadas e logo o longa estrearia. Todos os garotos recebiam grandes elogios do diretor pelo seu desempenho e os outros atores, principalmente os mais experientes, eram muito legais e algumas vezes até mesmo davam conselhos para os rapazes.
–Muito bem pessoal, por hoje terminamos. Amanhã lembre-se que é um dia muito importante. Vamos filmar as cenas do clímax do filme então, por favor, esforcem-se. Falava o diretor.
– Hi. Respondia todo o pessoal do set animadamente.
– Ittoki-kun, Kurusu-kun, Ichinose-kun, amanhã filmaremos a cena do incêndio. É uma sequência difícil então descansem bem.
–Hi. Responderam Syo e Tokiya sérios.
– Cena de incêndio? Né, diretor, nós temos que fazer mesmo essa cena? Eu não me sinto muito bem perto do fogo. Questionou o ruivo tímido.
– O que você pensa que está falando Otoya? É seu trabalho. Gomen, diretor, amanhã estaremos prontos. Afirmou o garoto de cabelos azuis com firmeza.
Enquanto os garotos caminhavam de volta para casa Syo pergunta.
– Então Ittoki você tem medo de fogo?
– Acho que você poderia dizer que sim. Fala pensativo
– Ham, não esperava que você fosse admitir isso tão facilmente. Diz o baixinho surpreso. — Não se preocupe, eu superei o meu medo de altura, tenho certeza que você pode superar o seu. Nós iremos te ajudar! Né, Tokiya?
–Hum. Responde simplesmente o maior.
XXX
– Não se preocupe Ikki, este lugar é perfeito para você treinar a cena de amanhã.
– Ok, mas como você conseguiu esse cenário tão rápido, Ren? Perguntou Ittoki distraído enquanto olhava o lugar.
– Isso foi fácil, só precisei pedir ao diretor. E ele tirou o lugar da cartola. Nunca vou entender como aquele homem faz aparecer algumas coisas. Disse Ren fazendo uma cara confusa.
– Tem certeza que é seguro colocar fogo nisso? Perguntou Nanami preocupada.
– Não se preocupe. O técnico que toma de conta é quem vai fazer o fogo começar. É tudo controlado então não tem nenhum perigo, amanhã durante as filmagens vai ser igual. Falou Masato de maneira muito calma.
– Ok Itokki, ele vai colocar fogo neste lugar aqui e naquele ali. Você fica um pouco atrás e depois passa correndo pelo meio deles. Se você se concentrar vai dar tudo certo é bem simples. Instruiu Syo muito animado.
– T-T-Tá bom... Aqui certo. Perguntou o ruivo um pouco assustado.
– Isso mesmo.
Estavam todos os membros do Starish presentes para dar apoio ao ruivo e também o seu senpai Reiji. O técnico então começou a colocar fogo nos locais adequados e todos ficaram esperando, observando Otoya e o incentivando a passar pelo lugar indicado por Syo. No momento em que o fogo já estava bem alto Otoya já não conseguia ouvir o seus amigos. Ele apenas ficou congelado naquele lugar olhando fixamente para as chamas, com uma expressão horrorizada no rosto. Ele ouvia gritos, gritos desesperados ecoando em sua mente, era a voz de uma mulher que chorava, mas ele não conseguia reconhecer quem, também não conseguia se fixar no significado dos gritos, ele só sabia que eram desesperados e continham muita dor. " Por favor não... Meu filho... Salve o meu filho...Fuja querido... Corra... CORRA... " Era o que passava por sua cabeça naquele momento, sendo a imagem dos olhos vermelhos que lhe causaram tanto medo o último pensamento que lhe veio a mente.
Seus amigos pararam os gritos de incentivo no momento que perceberam a expressão de puro horror no rosto do ruivo.
–Ele tem tanto medo assim? Parece totalmente paralisado. Indagou Reiji preocupado.
– Desse jeito não vai conseguir, ele parece muito assustado. Falou Syo.
– Por favor, mina, alguém tira ele dali. Ittoki-kun está apavorado. Gritou Nanami, já muito assustada pela reação do ruivo.
–Otoya. Foi tudo que Tokiya conseguiu sussurrar antes de correr em direção ao ruivo.
–Otoya, Otoya. Gritava sacudindo o garoto. — Olha pra mim, sou eu Tokiya, vai ficar tudo bem, vem... vem. Falou abraçando Otoya e o arrastando para longe do fogo, para onde os outros se encontravam. Enquanto isso o técnico já havia pegado um extintor e apagava o fogo.
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