Memórias Perdidas

5 Um encontro indesejado


Notas iniciais
Io mina ( ´ ▽ ` )ノ Prontos pra mais um capítulo? Já vou avisando que este tem um tantinho de palavrões... Também se tiver algum erro absurdo me desculpe, porque não tive muito tempo pra revisar o capítulo.. Espero que gostem.. Boa Leitura!

Havia fogo por todos os lados. Otoya corria desesperado pelos corredores da academia tentando achar algum de seus amigos, mas por mais que procurasse, que gritasse, não recebia resposta alguma. Continuou andando até chegar a uma das salas principais. A fumaça era tanta que ardia em seus pulmões e não o permitia respirar direito, a sensação de asfixia era angustiante e o calor do ambiente parecia queimar sua pele.

Ouviu ao longe o choro de um bebê e dirigiu-se para o lugar de onde o som parecia vir. Ainda que a fumaça e as chamas dificultassem o caminho, se houvesse mais alguém ali ele não sairia sem leva-lo junto. Quando estava já bastante perto de onde provavelmente viria o choro, a cena que Otoya encontrou o deixou horrorizado. Nanami estava em baixo de vários escombros caídos do teto em chamas e Tokyia caído não muito longe com a cabeça ensanguentada. Tentou chegar perto deles, não conseguiu, eram muitas as chamas. Tentou chama-los, não recebeu resposta. No meio de todo o seu desespero ouviu o choro da criança de novo e uma voz com profunda dor, que gritava "Fuja querido...corra...Corra"

–Droga, droga. De novo não! Quando esses pesadelos horríveis vão me deixar em paz. Murmurou Otoya depois de despertar subitamente de um pesadelo, ofegante e todo suado.

Passou as mãos pelo cabelo e pelo rosto húmido tentando se acalmar. Olhou em todos os cantos do quarto sem saber o que procurava. Percebeu que nesse momento o relógio de cabeceira marcava 4 horas da manhã. Continuou a sua avaliação pelo quarto até se fixar na cama do lado oposto. Levantou com cuidado para não fazer nenhum barulho e foi até a cama do amigo, ajoelhou-se e então ficou lá alguns minutos parado, observando enquanto Tokiya dormia tranquilamente. Respirou fundo e suspirou lentamente.

"Ainda bem. Tokiya parece tão calmo dormindo. Tão bonito! Quando vejo seu rosto assim eu realmente sinto vontade de beijá-lo... Qu-quê! Mas o que é que eu estou pensado! Se acalme, se acalme Otoya aquele pesadelo só pode ter mexido com o seu juízo. Sim, foi exatamente isso. Como é que eu posso pensar que seria bom beijar o Tokiya. Nós somos dois garotos, amigos, além disso oTokiya me mata se pelo menos sonhar que eu pensei em uma coisa dessas. Melhor voltar pra cama e ver se consigo ter um sono decente, pelo menos no que ainda resta da noite " E assim Otoya volta para a sua cama confuso e com o rosto quase combinando com o seu cabelo.

XXX

Era mais um dia comum na Acadêmia Saotome. Os garotos do Starish nesse momento estavam terminando o ensaio da nova música do grupo, sob o olhar crítico de seus senpais do Quartet Night.

–Muito bem mina! A nova música está incrível. Elogiou Reiji.

–Arigato, Rei-chan. Respondeu Otoya, com um enorme sorriso.

–Mas não vão ficar convencidos só por se sairem bem em um ensaio, vocês ainda tem muito que aprender se quiserem se tornar verdadeiros ídolos.

–Ah, Ran-Ran não, seja tão mau com eles. Deixa eles relaxarem pelo menos um pouquinho, foi um dia de trabalho duro. Retrucou Reiji tentando fazer o maior baixar um pouco a guarda.

–Tsc. Façam o que quiserem. Responde saindo da sala.

–Ai, ai. Que gênio complicado tem o meu namorado. Coitadinho de mim. Diz Reiji fazendo drama antes de levar um belo tapa de Ai na cabeça.

–Nós também temos assuntos do grupo pra resolver. Anda logo Reiji. Afirma Ai, já saindo da sala.

–Ok, bye, bye mina!

Assim depois do ensaio cada um seguiu para sua próxima tarefa. Otoya que andava as voltas com a letra de uma nova canção, resolveu caminhar um pouco pelo amplo jardim da academia e aproveitar o fim de tarde para ver se conseguia a inspiração necessária para terminar aquela música. Sentou embaixo de uma árvore olhando o céu. Estava lindo, com algumas poucas nuvens dispersas e diferentes tons de laranja combinando em uma harmonia impecável com o azul escuro que começava a aparecer no horizonte. A brisa remexia seus cabelos e ele por um pequeno momento alcançou uma paz que já não possuía a muitos dias. Tantas coisas aconteceram ultimamente. Incidentes nada agradáveis que ele tentava esquecer e ainda por cima estes pesadelos que não o deixavam dormir direito.

"Me sinto tão cansado. É como se não dormisse a séculos. A minha cabeça tem estado uma bagunça nesses dias. Nem concentrar direito no trabalho eu consigo mais. Se não terminar essa letra de uma vez o Tokiya vai brigar comigo de novo e os senpais não quero nem pensar. Esses pesadelos são completamente confusos, mesmo assim eu sinto que eles querem dizer alguma coisa. Ahh, eu tenho que me concentrar de uma vez, já pedi mais tempo três vezes, eu tenho que terminar isso hoje. Isso mesmo, concentre-se, concentre-se!"

Enquanto estava perdido em seus pensamentos o ruivo mal percebeu as horas passarem e muito menos a sombra que se aproximava de si por traz da árvore. Já estava ficando bem escuro e como não poderia continuar escrevendo, resolveu que era hora de entrar. No momento em que levantou só pôde sentir uma mão fria que de repente tapou sua boca e algo frio e duro que era pressionado com força em sua cabeça. Abriu os olhos assustado e se deparou novamente com aquela visão. O mesmo homem de olhos vermelhos como sangue, frios e vazios que encontrara meses atrás.

–Eu te disse que nos veríamos de novo moleque. Espero que esse tempo tenha sido suficiente pra colocar essa sua cabeça estúpida pra funcionar. Agora você vai ficar bem quietinho e fazer tudo o que eu mandar se não quiser se machucar. Sussurava em seu ouvido lentamente, em um tom ameaçador. -Vai andando quietinho maldito e se alguém perceber a gente é bom estar preparado pra encontrar a vadia da tua mãe mais cedo.

Foram andando em direção a uma das saídas menos utilizadas da academia. Já estava escuro e ninguém se encontrava naquele enorme jardim além do ruivo e aquele homem. Otoya ia se debatendo, tentado se livrar do aperto daquela pessoa, enquanto esse continuava a lhe apontar uma arma e fazer ameaças. O cheiro forte de álcool o deixava tonto, não ajudando em nada aquela situação.

Quando estavam já na saída Ittoki finalmente pôde se soltar. Virou-se e encarou aqueles olhos que tanto assombraram seus sonhos nos últimos meses.

–O que você quer comigo? Pra onde está me levando? Gritou o rapaz, confuso e assustado.

–Cala essa boca, porra! Já te disse pra não chamar atenção. Respondeu o homem em um tom de voz baixo, mas que deixava transparecer ódio em cada uma de suas palavras. -Agora que eu finalmente te encontrei vou fazer você pagar cada um dos anos que eu tive que viver que nem cachorro, me escondendo e comendo lixo, tudo por culpa sua e da desgraçada da tua mãe. Disse agarrando o braço do ruivo e o arrastando para fora.

–Do que você está falando? O que você sabe da minha mãe? Fala de uma vez quem é você? Perguntava Otoya desesperado.

–Se continuar fazendo barulho seu lixo, aqueles teus amiguinhos estúpidos vão acabar aparecendo. É isso que você quer? Talvez eu devesse levar aquela gracinha de cabelo azul com a gente. O que acha? Eu vi você no parte um dia com aquele bando de inúteis. Você ficava o tempo todo rondando aquele outro idiota. Como era mesmo o nome dele? Tokiya? Ha, ha, eu vi você gritando o nove dele. Me deu nojo. E eu que pensei que não podia desprezar você mais do que eu já desprezava. Então vai querer a companhia dele no seu novo destino? Ameaçava o homem com um sorriso insano no rosto.

–Não, por favor, deixa os meus amigos em paz. Por favor, eu não fiz nada pra você. Eu nem sei quem você é. Chorava Otoya.

–Ha, ha. Muito conveniente pra você esquecer do próprio pai não acha? Agora entra ai de uma vez cacete!

Com isso o homem empurra Otoya no banco de traz de um carro e entra logo depois sentando-se do lado deste. Havia mais um homem no carro, que sem dizer uma única palavra deu a partida no automóvel e saiu.

Ittoki ficara tão transtornado com a revelação daquela pessoa que já não possuia reação alguma. Seus olhos permaneciam extremamente abertos, do mesmo modo que ficaram quando ouviu aquele homem dizer que era seu pai. Sua mente estava em branco e o corpo tremia descontrolado. Completamente indefesso e em choque Otoya deixou-se levar por aquela gente sem um único protesto.

Quando retornou a realidade Otoya estava sendo arrastado pelo pai para dentro de um hotel muito mal conservado, fora da cidade e com um cartaz estranho e chamativo na frente.

–Se chamar atenção o mínimo que seja já sabe o que te acontece.

Passaram rapidamente em direção as escadas, enquanto o homem que os acompanhava conversava alguma coisa com um outro na recepção. Entraram em um dos quartos e Ittoki foi jogado com violência no chão.

O lugar se quer poderia ser chamado de quarto. Era um verdadeiro lixão. Sujo e mal conservado, paredes desbotadas e com infiltrações, garrafas de bebidas e embalagens com resto de comida por todo o piso, sem falar no cheiro insuportável de mofo, poeira e urina.

Otoya sentiu uma enorme vontade de vomitar quando observou aquele lugar. Recobrou finalmente algum sentido do próprio corpo e então tentou sentar-se. O ombro e o braço doiam muito devido a forma brusca com que tinham sido puxados no caminho e o joelho também estava ferido e dolorido por causa dos cacos de vidor que haviam no chão, dos quais ele tinha caído em cima quando foi jogado. Sentou com um pouco de esforço e ainda encarando o chão tomou coragem para perguntar.

–Se você é mesmo o meu pai então por que está fazendo isso? A voz saiu baixa e entrecortada devido ao choro e ao enorme nó que sentia na garganta.

–Por que? ha. Perguntou com indignação. Porque você seu bastardo e aquela puta desgraçaram a minha vida. Primeiro aquela maldita inventou de engravidar de você. Depois veio pra mim que nem uma cadela pedindo abrigo e ai mesmo eu tendo de bancar você e ela o tempo todo sozinho, ainda tinha a coragem de viver reclamando da minha bebida, dos meus amigos, do que eu fumava ou deixava de fumar em casa. E depois não sabia porque apanhava. Gritavam o homem enfurecido. -Tem ideia do que era trabalhar todos os dias só pra chegar e ter que ouvir aquela mulherzinha gritar por qualquer merda e ainda ter você e o outro chorando no meu ouvido o tempo todo. Vocês foram a maior desgraça que já me aconteceu. E se só isso não bastasse ainda teve o maldito daquele incêndio, que a polícia botou toda a culpa em cima de mim e por isso eu fiquei todos esses anos fugindo e me escondendo. A culpa daquele incêndio foi sua! Foi você o culpado de tudo maldito desgraçado. Bradou enfureci, chutando Otoya no estômago.

–N-Não... Cof... Cof.. Você... Você está mentindo... não.. Chorava o ruivo descontroladamente, deitado no chão e segurando o estômago dolorido.

–Pense o que quiser bastardo..Diz o homem segurando Otoya pelos cabelos e fazendo-o encara-lo. -Se acreditar ou não é problema seu. Mas você vai me pagar por todos esses anos que a polícia ficou me perseguindo. Pelos menos você virou um garoto bonitinho e bem cuidado, famoso... Sabe que tem uns caras que pagam muito bem pra ter uma bonequinha como você de estimação, ham? Já está tudo arranjado. Com o dinheiro que eles vão me dar por você garoto eu sumo dessa merda de país pra sempre. E você vai sumir do mapa também moleque, pode esquecer aquele lixo que você chama de amigos e comece a se acostumar com sua nova vida. Logo, logo eles vem tem buscar. Afirmava tudo isso com um sorriso distorcido e insano no rosto, enquanto com a mão livre acariciava a bochecha do ruivo enxugando as lágrimas. Um olhar fixo e cheio de rancor.

Ainda segurando o garoto pelos cabelos o arrastou até o banheiro imundo daquele quarto e trancou o menor lá.

–Se você se atrever a fazer o menor ruido, mercadoria ou não eu acabo com você peste. Vivo ou morto você me paga esse anos. Então se gostar de viver é melhor ficar quietinho. Gritou o homem do outro lado da porta.

Otoya completamente dolorido e emocionalmente destroçado deitou-se naquele chão frio e sujo do banheiro onde havia sido preso.

–Não fui eu... Não fui... Chorava e repetia para si mesmo, enquanto as memórias perdidas de um passado distante, o qual ele tinha usado todas as suas forças para esquecer, voltavam a sua mente tão vivas como se o tempo nunca houvesse passado.

Notas finais
Bom eu sei que disse que terminava essa parte da estória nesse cap. Mas como ele ia ficar muito grande resolvi dividir. Pelo menos vocês já descobriram uma parte do mistério do passado do ruivinho (^_^)☆.. Luna vou te dizer que chute menina.. Ou fui eu que deixei obvio demais? Bem, provavelmente os dois né.. É isso até o próximo fds mina.. Xoxoxo d(^_^o)