A luz batia irritantemente iluminando o rosto de Near, ainda não passava das 6 horas da manhã, mas o Sol já brilhava indicando um dia longo.
Inconsequentemente, ao ser acordado pelo raio brilhante do sol, Near viu a imagem conselheira que lhe segue em todos os lugares, assistindo o espetáculo do amanhecer pelo janela, sentado de cócoras no encosto da cadeira, e um dedo em frente ao lábio inferior.
\"Bom dia\" ele murmurou sem olhar para Near, que só dormira apenas duas horas, olheiras profundas e arroxeadas feito hematomas já faziam parte da sua anatomia.
- Bom dia — ele murmurou em resposta, se levantando, e balançando o cabelo alvo, eliminando algumas penugens da coberta.
\"Depois que você conhece a escuridão dos braços da morte, você se esquece o quão bonita é a luz do Sol\"
Ele ainda admirava o amanhecer, a luz que entrava pela janela, atravessava pela sua imagem, como se ele fosse apenas um holograma, ele não tinha sombra, a luz não lhe afetava.
- Virou poeta depois de morto, é?
Ele não reagiu, apenas esticava um dos braços em frente ao Sol, avaliando a própria mão, que parecia transparente onde a luz tocava.
- Vai continuar se admirando, ou vai ir comigo até a Florida?
As malas de Near já estavam prontas, já que ele nem as desfizera ao chegar lá, L, moveu a cabeça lentamente assistindo abotoando a camisa.
\"Você sabe que eu não posso ficar aqui pra sempre não é?
- Do que está falando?
\"Quero dizer, que vai chegar um momento que você terá que resolver o caso sozinho, o meu lugar não é mais aqui, Near\"
- Mas você não vai agora não é?
Ele virou o rosto, os cabelos escuros e desfiados caindo numa franja espessa em frente aos olhos.
\"Não, não agora\"
- Você está mais estranho do do que nos outros dias.
\"Maior parte das coisas que eu digo as vezes não fazem muito sentido\"
Near deu de ombros e rascunhou um sorriso sutil no canto dos lábios, ele respondeu o mesmo sorriso.

- Está pronto? — Gevanni perguntou entrando no quarto ansioso.
Near olhou para a janela, e não havia mais imagem nenhuma.
- Sim, estou.
- Seu vôo está marcado daqui uma hora, é melhor irmos para o aeroporto já.
- É, eu já imaginei.
E então saiu devagar e depois de Gevanni, olhando nostalgicamente para a janela, que iluminava com raios espalhados o quarto vazio.
- Tem certeza que não quer que eu lhe acompanhe?
- Eu já disse Gevanni, preciso que vocês fiquem aqui pra qualquer comando de última hora, vai ser bom não é? afinal vocês estão perto dos familiares.
- É, é sim — Gevanni concordou sorrindo.
- É o meu avião — Near murmurou, olhando o avião chegar.
- Ah sim, boa sorte, entre em contato conosco assim que chegar.
Near encarou o chão por um segundo, enrolando os cabelos.
- Não se preocupe quanto a isso, irei avisá-los de qualquer maneira.
- Você ainda está suspeitando de uma criança?
Near sorriu.
- Ele é sobrinho de Raito Yagami, ponto.
Gevanni abanou a cabeça e sorriu.
- Já que insiste.
- E além do mais eu devo agir rápido, ainda há criminosos morrendo, eu não posso simplesmente desperdiçar mais vidas, mesmo sendo elas de criminosos.
- Você tem razão, está na hora de embarcar.
- É — Near murmurou, olhando para o avião, um tanto aflito.
- Boa viagem.
- Obrigado Gevanni — disse Near, caminhando em direção a porta do avião.
\"Aviões são seguros, aviões são seguros, aviões são seguros...\"

\"A Florida é um lugar magnífico, nunca tive a oportunidade de vir pra cá, isso é tão empolgante\"
- Você ainda está aí é? — Near sussurrou, com um fio de voz que estava presa devido a tensão da viagem.
\"Hunpf, olhe pra você, com medinho de avião, parecendo uma mulherzinha!\"
- Hunpf, eu ignoro você — Near murmurou andando em frente, pegando a bagagem e saindo do aeroporto e a imagem lhe seguindo, ambos andando no mesmo ritmo e estranhamente iguais.
Minutos andando atrás de Near, L, começa a estalar a língua, fazendo um barulho irritante, enquanto seguia Near.
- Argh! — ele murmurou erguendo as mãos, já longe do aeroporto depois de muitos minutos com um fantasma na sua cola.
\"Eu sabia que você não conseguiria me ignorar\" ele lhe disse numa voz sem vida.
- Preste atenção — Near sussurrou, olhando para os lados, e avaliando se ninguém o olhava — Para os olhos alheios, eu sou um maluco que fala sozinho, porque diferente de você, eu posso ser ouvido, não sei se você se lembra, mais eu ainda estou vivo.
\"Está me fazendo inveja, Near?\" ele sussurrou entre risos.
- Pode ser que sim — Near respondeu num sussurro quase inaudível, enquanto caminhava por algumas ruas.
\"Pois saiba que eu não me importo\"
Near parou em frente a um hotel menos luxuoso que o de Nova Yorque, que ficava a poucos metros do aeroporto, mas não deixava de ter requinte, e uma boa localização, um lugar que soava totalmente diferente com o anterior.
\"Pelo menos aqui tem geladeira nos quartos
Near não respondia.
\"Soube que a Paris Hilton está hospedada nesse hotel\"
Silêncio.

\"Você não pode estar chateado comigo, eu sou seu mentor, se lembra?
Near pegou um bloco de papel que havia em cima do criado mudo, e rascunhou algo rapidamente, e logo depois colocando o bloco novamente em cima do criado mudo, com a parte escrita virada pra cima, L, se aproximou, com um dedo na frente dos lábios.
\"Acho que há câmeras por aqui\"
L, olhou para Near, que então pegou o bloco novamente e escreveu algo rapidamente, deixando o bloco virado pra cima em cima do criado mudo novamente.
\"E mais... acho que estavam me observando...\"
L arregalou os olhos negros e assustadores, ainda mais depois de morto.
\"Entendo, acho justo eu ficar em silêncio\"
Near assentiu milimetricamente com a cabeça, logo depois revirando a mala buscando o notebook, acessando sobre os dados que Gevanni lhe enviara sobre o aluno Soichiro Matsuda.
Coincidentemente em anexo com os dados havia uma foto e endereço do jovem Matsuda.
Os olhos, o cabelo e o formato do rosto eram de Sayu, e automaticamente lembrava de uma forma absurda, Raito Yagami, até mesmo pelo olhar sereno e a boca levemente fina e rosada.
\"Não há dúvida nenhuma de que ele seja mesmo sobrinho de Yagami, a semelhança é monstruosa, chega a ser assustadora\"
L, tossiu um sorriso abafado, dando um sinal de vida em seu silêncio.
Near pegou novamente o bloco de notas e escreveu algo, fingindo que anotava algum dado extraído do computador.
L se esticou curioso, após Near terminar de escrever.
\"Amanhã iremos fazer uma visita a uma pessoa muito especial...\"
L deu uma gargalhada gutural, os olhos brilhavam misteriosamente, antes de sumir em meio a névoa que o envolvia.

A lua no alto da imensidão escura brilhava misteriosamente, parecendo gritar que amanhã seria um dia longo, Near andava de um lado pro outro no quarto, inquieto, ansioso, e claro, insone.
\"É amanhã...\" a palavra e a ideia girava repetidas vezes na mente de Near, era ao mesmo tempo estimulante e assustador, era um absurdo, afinal, ele era apenas uma criança, só uma criança...
- Alô? — Near atende ao telefone entediado, já era de manhã e ele estava posicionado exatamente ao lado do telefone.
- Near, é Gevanni, como estão indo as coisas por aí? Você não nos ligou.
- Não achei muito apropriado.
- Como assim?
- Eu estou bem seguro aqui, bem seguro.
- Seguro? Há alguma escuta? Câmeras?
Near olhou para a porta, onde suspeitava ter uma câmera.
- Sim, estou bem seguro, a seguranças que nos vigiam por aqui, a vigilância é excelente.
- Entendo, ligarei depois em seu celular.
- Não se preocupe, eu irei ligar, prometo, até mais.
E desliga o telefone, saindo do quarto.
\"Rua Doutor Rosearden, próximo ao Dickson Azalea Park, parece que é esse o endereço...\"
\"Então é aí que mora o garoto?\" ele aparece de repente, lambendo uma maçã do amor, sem surpreender Near em nada.
Near somente move a cabeça, fazendo que sim.
\"Não estamos sendo observados, Near, agora concentre-se\"
Near solta um suspiro longo e depois retoma a voz, que há tanto não usara.
- É uma loja, talvez eles estejam hospedados em alguma casa nos fundos, talvez — Near sussurra brevemente.
L apenas dá de ombros, terminando de devorar a maçã caramelada.
- Não sei por que você ainda está curioso, você pode chegar a hora que quiser, ir pra onde quiser, você já podia tê-lo visto, sem ter que fazer essa cerimônia.
Ele sorriu, lambendo a ponta dos dedos.
\"Eu gosto de surpresas.\"