- Muito bem, você disse que se formou em Harvard, é isso mesmo?
- Sim senhora, em música, letras e jornalismo.
- E gostaria de trabalhar aqui, como recepcionista? — Sarah cospe com certo desprezo a última palavra, olhando a pequena moça de cabelo chanel pretíssimo, dos pés a cabeça, com os óculos de leitura na ponta do nariz, e os olhos parecendo devorar cada membro do seu pobre corpo.
- Sim, eu posso começar por aí, depois eu tento um cargo mais importante.
Sarah bufou, virando-se para uma ficha técnica.
- Seu curriculum é bom, já trabalhou na edição de um jornal?
- Sim, mas por pouco tempo.
- Hum.
- Err, o que houve com sua antiga recepcionista?
Sarah levanta os olhos esverdeados reluzentes, parecendo fuzilar a moça por milésimos de segundo.
- Err, sabe, eu preciso saber, talvez ela tenha feito algo que eu não deva fazer, quem sabe, hehe.
- Oh sim, bem ela não fez nada, pelo contrário, era uma excelente profissional, mas infelizmente sua saúde era fraca, acabou falecendo muito jovem.
A moça ergue as sobrancelhas.
- Faleceu? Meus pesames, o que ela tinha?
Sarah novamente a encarou.
- Problemas cardíacos, nada demais.
- Humm, entendo.
- Err... Isso é prata? — ela murmurou apontando com a caneta, para um pingente no peito da moça, fazendo ela se encolher e recuar alguns centímetros.
- Sim, por quê?
- Você vai passar na gráfica também, a tinta usada nos jornais preteia a prata, aconselho que não use.
- Ahh sim, claro.
- Bem, me parece que você é a candidata mais apta que me apareceu até agora.
- Sério? — ela fingiu um ânimo exagerado, batendo palminhas — Estou contratada?
- Sim, você começa segunda-feira.
- Obrigada, não irá se arrepender.
- Esteja aqui segunda de manhã.
- Sim, estarei.

- Como foi? — Geremy perguntou entediado.
A moça se aproximava, entrando no carro, e logo depois arrancando a peruca preta, e a guardando num saco plástico, exibindo o rosto agora conhecido, porém ainda maquiado exageradamente.
- Weeee, consegui um emprego — Susan bateu palminhas, ainda incorporando o personagem, e depois revirou os olhos.
- Ótimo — Gevanny murmurou, no bando de trás do carro — E a recepcionista? Conseguiu informações?
- O que imaginavam? — Susan murmurou, olhando para Geremy que fixava seu olhar na estrada, com o carro já em andamento e depois pra Gevanny, logo atrás — Está morta.
Gevanny e Geremy deram um longo suspiro em uníssono.
- Era o que eu imaginava, ela está fora de controle — Geremy resmungou.
- Mas ainda não podemos avançar, ainda não.
Susan arfou suavemente, afundando-se no banco do passageiro.
- Você está falando como Near?
- Hunpf! Near, Brandon, L... — Geremy resmungou, e Gevanny continuou.
- Estou somente tentando agir como ele, ou como ele faria em situação dessas.
Susan sorriu.
- Eu entendo perfeitamente.
- E o que você pretende fazer então? — Geremy resmungou, abanando a cabeça ainda olhando fixamente para a estrada, Susan abanou a cabeça, reprovando seu sarcasmo.
- Agora com Susan trabalhando pra ela, as coisas podem virar ao nosso favor, por isso, concentre-se em seu disfarce, Susan.
- Confie em mim — ela murmurou, agora séria — Eu irei vingar Near, você pode apostar.
Gevanny suspirou.
- Eu confio nisso.

Susan se estica, pendurando a jaqueta no cabideiro, ela usava uma blusa branca com rendas e babados, que ao esticar o braço, pressionavam seus seios contra a costura, destacando singelamente o desenho de um mamilo discretamente escondido, Matt apreciava a cena, como um connoisseur veria uma obra de arte da qual o fizesse delirar, e fazia questão de não esconder tal vislumbre.
- Ela disse que a recepcionista tinha problemas cardíacos?
- Exatamente — Susan afirmou.
\"Você viu isso?\" Mello sibilou, ameaçando roer as unhas.
\"Sim, vi, são lindos! Firmes, redondos, uma maravilha, sem dúvida\"
Mello revira os olhos, ainda incrédulo com o que acabara de ouvir.
\"Estou dizendo sobre o que eles acabaram de falar\"
\"Eles falaram? Ihh....\"
\"Matt?\" Mello fez uma pausa, chamando a atenção do companheiro que tragava um cigarro inerte.
\"O que foi?\"
Antes que pudesse responder com clareza, foi atingido em cheio no maxilar por um soco certeiro de Mello, que usava um soco-inglês que envolvia seus dedos com um metal pesado.
\"Maldito!\" Matt murmura, reposicionando o maxilar que tinha se aberto expondo a arcada dentária, e o montou novamente, como se nada tivesse acontecido.
\"Isso pra você levar à sério algumas coisas\"
\"Falou!\" Matt resmungou, ainda esfregando o rosto.

- Você parece preocupado, Gevanny — Susan observou.
- Não, talvez eu esteja somente um pouco cansado, mas você diz então que Sarah comentou sobre sua recepcionista ter tido um ataque do coração.
- Absolutamente.
- Vocês já devem saber o motivo disso não é?
- Ela provavelmente sabia de alguma coisa.
- Sim, provavelmente — Geremy murmurou, depois de alguns segundos em silêncio, logo depois escorregando os olhos para Susan — Mas por enquanto não é necessário que fique preocupado, Gevanny.
- Talvez, ou talvez eu esteja com medo de ficar estagnado, logo agora que estamos sem Near.
- O nome dele era Near? Não era Brandon? — Geremy sussurrou pra Susan, incomodado, ela fez um chiado com a língua entre os dentes, o fazendo se calar.

O cheiro de cravo azul e outros tipos de rosáceas misturado com o cheiro de terra, era tão forte, tão agressor nas narinas de Susan, que ela esforçava-se pra não inalar tanto o ar daquele ambiente.
Ela tinha um buquê de margaridas na mão, o soltando em cima de um túmulo à sua frente.
\"Meu túmulo que é bom ninguém visita!]\"Matt resmungou.
\"Shhhhh!\"
- Oi Near — Susan murmurou, se curvando, sentando sobre os joelhos na frente do túmulo — Eu ainda não consigo acreditar que você teve a coragem de me deixar sozinha.
\"Você não está sozinha, baby\" Matt sussurrou no ouvido de Susan, agarrando sua cintura.
\"Matt, seu idiota!\"
\"Qual é? Ela nem sente nada\"
- Que arrepio! — Susan murmurou, abraçando-se e esfregando os braços.
\"É, ela quase não sente nada\" Matt corrigiu.
- Eu sinto sua falta — ela sussurrou para o túmulo — Não é justo eu ficar aqui e assistir você me deixar dessa forma, não é justo.
Ela pisca algumas vezes, expulsando as lágrimas que vinham teimosas.
- Não se preocupe, Gevanny está agindo muito bem em seu lugar, e eu o ajudarei no que for preciso...Near — ela se abaixou, passando o pulso sobre o rosto, limpando outra lágrima que escorria — Eu...Eu...Te amo... Você não devia ter ido, não tão cedo — os soluços a impedia de falar uma frase inteira.
\"Você o viu?\" Mello perguntou.
\"Não, mas é bom que continue assim, aí sobra mais Susan pra mim, hehe\"
Mello apenas revirou os olhos.
\"Ele deve estar no inferno\"
\"Não diga bobagens, Matt\"
\"Talvez não seja bobagem...