Susan digitava algumas coisas em um notebook atrás do balcão pouco antes de Near e Soichiro chegarem, ela usava óculos e os cabelos presos, ao ver Near se aproximando ela secretamente solta os cabelos e retira os óculos, os guardando em uma caixa de veludo.
- Hei Susan, já conhece meu novo amigo?
Ela olha instintivamente pra Near, que enrolava uma mecha de cabelo, totalmente curvado e sorria sem graça olhando pra Susan.
- Sim — ela respondeu sorrindo — Já tive o prazer de conhecê-lo, já que ele fez inscrição comigo.
Soichiro levantou as sobrancelhas, sorrindo iluminado, as bochechas coradas apertadinhas e os olhinhos brilhando ao olhar diretamente pra Near.
- Legal, então você pode esgrimir comigo.
Near coçou a nuca, espiando pelo canto do olho a reação de Susan.
- Vai ser divertido.
- Você deve ter ciência que Soichiro é um dos nossos melhores competidores — Susan murmurou, sorrindo timidamente pra Near.
- É, eu sei disso.
Soichiro desviava o olhar entre Susan, e depois Near, e depois Susan e novamente Near.
- Então vamos — ele murmurou com um sorriso adorável no rosto, puxando Near pelo cotovelo.
- Até mais — Susan sussurrou.
- Até mais — Near respondeu.
- Susan era minha professora — Soichiro sussurra.
- Hã?.. O que?
ele dá um sorriso.
- Ela parece estar interessada em você.
Near esfrega a nuca, desgrenhando o cabelo alvo.
- Não diga bobagem Soichiro.
Ela coloca as mãozinhas atrás das costas, se inclinando pra frente e pra trás.
- Tudo bem, eu não digo, mas que está, está.

Near sorriu e abanou a cabeça.
- Near...
- Sim?
- Bem, chegamos um pouco cedo, e alguns competidores ainda estão almoçando, então...
Near sorriu.
- Então?
- Bom, err... quer? Competir comigo?
Near estreitou os olhos.
- Espere, eu vou colocar as vestimentas.
Soichiro comemorou, dando socos no ar.
- Yes legal!
***
- Está bom?
- Sim, coloque a máscara — Soichiro pediu, enquanto girava a espada.
Near atendeu, colocando a máscara, o ginásio ainda estava vazio, apenas alguns alunos estavam sentados.
- Está pronto? — Near perguntou, a voz abafada pela máscara.
- E você? Está? — Soichiro desafiou, com um sorriso abafado.
Ambos se cumprimentam, e iniciam o combate...

- Quem perder aqui, paga o próximo sorvete — Near murmurou debaixo do capacete.
- Pode crer.
Soichiro então avançou cinco passos em linha reta rapidamente em cima de Near, que andou os mesmos passos pra trás.
O barulho do metal das espadas entrando em atrito se tornava cada vez mais alto.
Near avança em Soichiro, que anda novamente pra trás, e ao chegar no final do ginásio, abre um espacate perfeito no chão, sem deixar de mover a espada habilmente contra Near.
Ele então se levanta, e flexiona a espada próxima a Near, que defendeu o peito com a própria espada.
- Espero que sua avó te dê uma boa mesada — Near sussurrou.
Soichiro tossiu uma risada abafada pela máscara.
- Espero que seu salário de detetive seja razoável.
Near sorriu, e flexionou mais a espada, depois empurrando Soichiro contra o chão.
- Atenção! O primeiro a deixar a espada cair, será eliminado — o homem grisalho do torneio falava em um minimegafone.
- Ouviu isso não é? — Soichiro murmurou, se erguendo em um salto.
- Sim, ouvi.
\"Vai ser muita humilhação se você perder de um garoto de apenas 7 anos\"
Near bufou e se moveu contra o fantasma que estava ao seu lado, que sumiu em uma névoa clara e espessa.
Soichiro deu mais uma investida funda com a espada, Near se curvou, uma espada mais afiada que navalha pura, passando rente ao seu pescoço.
- Soichiro! Falta 1 — o treinador gritou.
Near abanou a cabeça e ergueu os braços, indicando que estava tudo bem, Soichiro havia parado alguns segundos, parecendo analisar como Near estava, e então novamente continuou.
\"É melhor não fazer feio na frente da namoradinha \" L debochou, e mais uma vez sumindo em meio a uma névoa ao toque proposital de Near.
Near espiou rapidamente, Susan, no canto do ginásio, roendo as unhas, ao lado de um banco que antes estava vazio e que agora tinha alunos em pé, torcendo.

- Touchê!!! — Soichiro gritou, ao armar um ataque perfeito com a espada, pronto pra arrancá-la da mão de Near.
- Não, ainda não — Near murmurou, empurrando a espada de Soichiro, sem a arrancá-la.
Soichiro soltou uma gargalhada deliciosa por trás da máscara, voltando a investir repetidamente a espada em direção a Near, que defendia e atacava.
L agora estava sentado de cócoras na \"arquibancada\" improvisada, com um dedo em frente ao lábio, sorrindo, e observando.

\"Não devo sucumbir, não agora\" Near gritava várias vezes em sua mente.
Os braços já doíam, de tanto forçar a espada, Soichiro também sentia as pernas amolecerem e os músculos doloridos, mas ambos não paravam um segundo sequer.
Os barulhos repetidos de metal entrando em atrito se tornavam mais alto e estridentes.
Soichiro se distanciou por um momento, o peito subindo e descendo conforme a respiração se acalmava, e logo depois voltou novamente a atacar, Susan, no outro lado do ginásio, quase devorava os dedos de nervosismo.
- Soichiro, abaixe o sabre — o treinador ordenou, vendo que Soichiro avançava com muita sede em Near.
A disputa para os olhos e leigos, pareciam assustadoramente desproporcional e covarde, Near, tinha mais que o dobro de idade e tamanho que Soichiro, porém este possuía tal desenvoltura de um adulto, e habilidade quase superior a um.
Mais de vinte e cinco minutos de tensão, de combate físico e psicológico um contra o outro, até que enfim, Soichiro envolve a mão de Near com a ponta do sabre, obrigando o a soltar a espada bruscamente.
Tlim-Tlim, o barulho suave de metal leve caindo ao chão.
Near sorri, torcendo o pulso e o verificando se estava tudo bem, Soichiro se aproxima ofegante, movendo os ombros e o pescoço, logo depois tirando a máscara e expondo as bochechas coradas e o cabelo grudado na testa pelo suor.
- Foi a melhor competição que eu já participei — ele sussurrou entre arquejos.
Near sorriu e tirou o capacete, balançando o cabelo claríssimo.
- Ainda bem que Near não se machucou — Susan sussurrava aliviada noutro lado do ginásio.
- O nome do albino estranho é Near? — um dos alunos perguntou.
Susan apenas moveu a cabeça, fazendo que sim.
- Foi a melhor competição pra mim também — Near admitiu.
Soichiro se inclinou, fazendo uma reverência, e logo depois caminhando em direção ao banco.
L ainda estava sentado, e ria escancaradamente da derrota de Near.

- Eu tentei te avisar, ele é muito profissional — Susan murmurou, um pouco tímida, ao ver Near se aproximando.
Ele deu de ombros, os alunos o olhando de lado e com receio.
\"Eu nunca enfrentei Soichiro por tanto tempo\" \"Nem eu, o cara treina quase 24 horas por dia\" a maioria dos comentários gerados eram parecidos.
- Eu gosto de desafios — Near murmurou, enquanto tirava o colete protetor.
Ela somente abanou a cabeça, logo depois olhando para o chão, abraçando a própria cintura.
- Até mais.
- Até mais.
- Near? — Soichiro gritou — Você vai voltar amanhã, não vai?
Near sorriu.
- Sim, como eu disse, agora nos veremos com frequência.
Soichiro assentiu, sorrindo.
Near resolveu observar Soichiro, alguns minutos antes de sair.
Ele arrumava as coisas numa mochila, isolado, e sem conversar muito com outros alunos, sendo que estes o olhavam estranho, talvez por ele ser o melhor da turma, ou indícios de uma inveja perigosa, e logo depois ele saía, sozinho, novamente sem cumprimentar ninguém, ou sem que ninguém o cumprimente.
***
\"Você está estranho\" L observou, Near estava sentado na beirada da cama, um pé em cima dela, a mão inteira afundava nos cabelos, os olhos petrificados no nada.
Alguém bate na porta, já certo de quem deveria ser, Near vai abri-la.
- Olá — a mulher baixa diz, meio hesitante e olhando para os lados.
- Olá, e então?
Ela olha para os lados novamente e entrega um cartão para Near.
- Encontrei isso em um dos paletós jogados em cima da cama, me parece que esse tal homem não é muito organizado.
\"Freddie\'s bar\"
- Isso pode ser útil, se ele freqüenta bares, quer dizer que ele não é a incógnita que pensamos.
Near estava prestes a retirar mais um maço de dinheiro do bolso, mas a camareira o impede.
- Não precisa me pagar toda vez que eu lhe fizer um favor.
- Se for assim.
Near guarda o cartão e pela primeira vez se despede da camareira, antes de fechar a porta.