Memórias
22 Pertencendo
Notas iniciais
O uísque queimava minha garganta, tal qual o sangue queimava minhas veias pela velocidade com que meu coração batia. Bella e eu chegamos em casa nesse minuto depois de uma viajem silenciosa, mas um silencio bem diferente do anterior. Antes eu estava desesperado, com medo da minha recente descoberta mesmo tendo decidido abrir meu coração para ela, sem saber como fazer isso, se deveria fazer ou se seria aceito, mas a parada que fizemos na casa de meu irmão me deixou mais tranquilo em relação a isso, depois das sábias palavras ditas por Emmett. Nossa viagem silenciosa se deu pelo caminho curto demais para estabelecermos alguma conversa, principalmente em um assunto em que tínhamos tanto para falar.
Bella entrou em casa e eu parei no aparador ao lado da porta, me servi de uma dose de uísque e tomei enquanto a observava. Minha senhorita era uma linda menina mulher que já tinha passado por tanta coisa na vida e por mais que eu não me lembrasse dela, eu sabia, sentia dentro de mim que tudo o que mais queria era que ela fosse feliz. Essa era uma questão que me perturbava, uma vez que eu queria e estava pedindo a ela que tivéssemos um relacionamento parecido com o baunilha. Eu queria isso não por não me lembrar de nossos momentos no quarto de jogos, mas por querer a Bella mais solta, sem estar presa a regras e a toda a formalidade que o nosso contrato implicava. Pelo outro lado, minha senhorita gostava tanto disso, ela me disse várias e várias vezes o quanto era feita para o quarto de jogos, o quanto adorava nossas cenas e me parecia injusto tirar isso dela, essa segurança que sentia pelo contrato.
Era difícil chegar a uma conclusão sozinho, por isso deixei o copo de lado e me juntei a ela, sendo recebido com um sorriso lindo. Sem conseguir resistir eu a puxei para mim a beijando com desejo, a cada segundo mais percebendo o quanto ela ficava bem comigo, em meus braços.
Eu me afastei antes que realmente me perdesse nela e tudo mais ficasse de lado. Quando abri meus olhos eu a vi corada, sorrindo, parecendo muito feliz, como jamais tinha visto antes, então a abracei levando comigo para o sofá.
—Você parece estar tão feliz – disse baixinho com minha boca ainda encostada a dela.
—Eu estou sim – Bella abaixou os olhos falando com a voz tão baixa quanto a minha – não tinha como ser diferente com tanta coisa boa acontecendo.
—Seu maior sonho está perto de se tornar realidade, não é? – não me importei e desviar do assunto diante daquele sorriso tão lindo, da paz e alegria que ela estava me transmitindo naquele momento. Toda a tensão e nervosismo que eu sentia ia se esvaindo a cada toque dela, cada palavra doce, cada beijo que eu não conseguia parar de dar.
—Mas não é só por isso. Eu tenho gostado de conviver com a sua família, sua mãe tão doce e tão gentil, seu pai tão atencioso, seus irmãos tão legais, divertidos mesmo, suas cunhadas foram tão incríveis comigo, que eu me sinto mesmo em casa. Isso sem falar é claro de seus sobrinhos – ela riu – Nunca pensei que conviver com crianças seria tão gostoso.
—Elas mexeram com o seu sentido materno? – Bella arregalou os olhos e respondeu parecendo assustada.
—Não, não. Eu nunca pensei nisso.
—Em ser mãe? – assentiu ainda com os olhos arregalados – e por que não?
—Eu... eu não sei... eu só não me vi ainda nesse contexto, nunca me imaginei assim.
—Seria por que o único relacionamento que teve de verdade foi nos moldes do BDSM e isso não te dava nenhuma perspectiva sobre o assunto?
—Talvez seja apenas por eu nunca ter mesmo pensado sobre isso...
—Acha que mesmo em um relacionamento como tínhamos poderíamos ter filhos?
—Se o senhor desejasse – ela deu de ombros e eu franzi o cenho diante de sua resposta.
—Você não questionaria uma ordem dessas mesmo com as mudanças que trariam para a sua vida? Um filho muda... absolutamente tudo.
—Eu sei que sim, mas jamais questionaria uma ordem sua e se desejasse, eu... eu cumpriria... se fosse para lhe deixar feliz – por mais que tentasse passar tranquilidade, pude perceber como Bella estava nervosa em falar nisso, seu sorriso fácil desapareceu, bem como seu tom leve e a descontração, uma vez que voltou a me chamar de senhor. Minha senhorita estava de verdade assustada com o assunto e eu percebi que não poderia ser diferente, já que ela era muito jovem para pensar nisso – é isso o que o senhor quer? – perguntou baixinho me tirando de meus pensamentos.
—Se ainda é cedo demais para você pensar nisso, para mim também. Vamos ver o que acontece e curtir os nossos sobrinhos por enquanto.
—Nossos? – sem conseguir resistir, Bella abriu um lindo sorriso, demostrando seu carinho pelas crianças e eu assenti beijando seus lábios.
—É claro que sim, sabe que eles a consideram tia e adoram você. Eu adoro ver você fazendo parte de minha família, é como se tudo estivesse no lugar certo mesmo que minha cabeça ainda esteja uma bagunça – suspirei sem conseguir evitar a lembrança de toda a confusão que eu ainda tinha para resolver e vendo isso, Bella me beijou sorrindo levemente.
—Tudo vai ficar bem, eu sei que vai. O mais difícil que foi sobreviver ao acidente o senhor já fez, passou por um ano inteiro em coma e está aqui, saudável, bem, como se nada tivesse acontecido. A sua memória vem, de um jeito ou de outro e se não vier, sabe que pode continuar daqui.
—Você é muito otimista – disse depois de dar mais um beijo nela.
—Acredito que pensamentos positivos trazem coisas positivas. Quando estava no hospital eu só pensava que o senhor acordaria e que voltaria para a minha vida, como se nunca tivesse saído.
—Fora a minha família, você deve ter sido a única pessoa que não queria que eu morresse.
—Isso não é verdade...
—Pelo que eu tenho escutado por ai, é verdade sim. Para ser sincero, não imagino o porquê de você me querer vivo, Bella. Na verdade tem muita coisa que eu não entendo a seu respeito.
—Como assim?
—Toda a sua dedicação a mim... essa adoração que eu sei que você sente...
—O senhor sempre foi muito bom comigo... – neguei segurando o queixo dela.
—Por tudo o que eu tenho escutado, pelo que imagino, eu não era um homem bom e o receio que inclusive meus pais e irmãos tinham de mim os afastaram do hospital depois de um tempo, sei que por mais que me amassem a vida continuava, mas para você não. Nada era mais importante do que estar ao meu lado.
—Eu queria estar ao seu lado, ajudando no que fosse preciso, seja nos procedimentos, seja com oração, eu queria fazer alguma coisa pelo senhor... eu precisava retribuir de alguma forma tudo o que fez por mim.
—Então, tudo foi por gratidão?
—É claro que sim, mas também por todo o carinho que eu tenho pelo senhor.
—Você tem?
—É claro que sim, tenho um carinho imenso pelo senhor – ela corou sorrindo, me fazendo sorrir também.
—Isso você não tinha me dito antes quando te perguntei.
—Achei que não precisasse dizer. Não depois de tudo o que passamos juntos e de nossa ligação formada dentro do quarto de jogos, por mais que não se lembre sei que pode sentir, pôde sentir quando estávamos lá, sei disso – eu apenas assenti pensando no assunto.
—Eu entendi muita coisa depois de nossa cena mais recente, entendi muita coisa que você disse. Entendi o que eu sinto por você – Bella mordeu o lábio, desviando seu olhar do meu.
—Foi o que aconteceu comigo, em uma de nossas cenas foi que eu entendi que era aquilo que eu queria para a minha vida para sempre. Ter o senhor como meu mestre, minha vida em suas mãos dentro e fora do quarto de jogos era tudo o que eu sempre quis.
—E isso era tudo? – ainda de olhos baixos, minha senhorita assentiu me deixando intrigado – você ficou do meu lado aquele tempo todo na esperança de continuarmos com o nosso relacionamento BDSM?
—Sim, senhor, não pense que não sei onde é o meu lugar. Se fiquei ao seu lado foi para ajuda-lo de alguma forma – minha senhorita disse rapidamente querendo se explicar e eu beijei seus lábios na esperança de acalma-la.
—Sei disso, não estou recriminando você, só quero entender. Você nunca pensou em ser mais do que minha submissa?
—Ser sua submissa já é demais para mim. É só o que eu sei ser, é só o que eu posso esperar e desejar do senhor.
—Por que não para de dizer isso? Já te disse muitas vezes que você é tudo para mim, já disse muitas vezes o quanto ter você em minha vida é importante.
—É por que eu sempre soube muito bem qual era o meu lugar.
—Eu me sinto péssimo quando você fala assim, sabia? Imagino o quanto eu deveria ser frio com você, distante – balancei minha cabeça na esperança de clarear ao menos um pouco meus pensamentos – eu sei que era assim com muita gente, mas não poderia ser com você, não sentindo tudo o que eu sinto por você.
—O senhor sempre me deu tudo o que eu sempre precisei, na cama e fora dela...
—Mas eu nunca te mostrei o que sinto de verdade.
—Do que, do que está falando... senhor? Lembrou-se de algo?
—Na verdade isso eu nunca esqueci, essas coisas ficam no coração, não no cérebro – sorri repetindo o que meu irmão disse – eu tenho certeza de que o que eu sinto por você sempre esteve aqui, eu só não consegui te mostrar antes.
—Não estou entendendo, senhor... – segurei o rosto assustado de minha senhorita e toquei seus lábios com a ponta do dedo, acariciando lentamente antes de fazer o mesmo com os meus lábios e sussurrar com a boca encostada a dela.
—Bella, desde que acordei, eu não consigo parar de pensar em você e desde que te encontrei, é vital que você esteja do meu lado, como eu disse é um ponto de sanidade, um ponto de paz em minha vida, mas não é só isso. Não consigo me imaginar longe de você...
—Senhor... – sussurrou assustada.
—Não me chame mais assim, por favor.
—É que eu não estou entendendo nada...
—Mas sabe muito bem do que se trata. Já disse a você que o que eu quero é ter você como minha namorada, quero um relacionamento de verdade...
—Mas nós temos...
—Sei que sim, agora eu sei, mas o que eu quero é mais que uma submissa, quero uma companheira, quero que sejamos íntimos um do outro além das cenas, quero que me conheça que... quero que um dia... que você possa se apaixonar por mim, da mesma maneira que eu estou... estou apaixonado por você.
—O... senhor... você.... o que?
—Sim, eu estou me apaixonando por você, Bella, cada dia mais – ela ofegou fechando os olhos.
—Não sei se isso vai dar certo. O senhor me disse muitas vezes que não era esse tipo de homem que não queria se apaixonar, que jamais se apaixonaria...
—Eu não sou mais esse homem – eu ri sem humor – na verdade acho que nunca fui, uma vez que imagino que sempre estive assim.
—Não sei se...
—Acredite em mim, Bella. Jamais fui tão verdadeiro.
—Eu quero, senhor, mas...
—Mas o que? Do que tem medo?
—E se o senhor recupera a memória e se esquece desse tempo que viveu, se o senhor se lembra de como não gosta disso e queira me deixar por eu não cumprir o que me foi proposto. Não quero perder o senhor.
—Não quer me perder ou perder o que temos no quarto de jogos? Não sei, mas eu sinto que tudo o que você quer é o que eu te proporciono lá dentro.
—Eu sou só a sua submissa, isso é tudo o que eu posso querer, tudo o que eu posso esperar.
—Não. Você pode mais, você pode tudo. Eu quero você de todas as maneiras acredite em mim, por favor vamos tentar, você vai ver. Se por um acaso eu recuperar a memória, duvido que o que eu estou sentindo vai ser esquecido. Sinto que é no meu coração que você está por isso eu não me esqueci de você por isso eu ainda te tenho aqui.
—Senhor Cullen... Edward... eu não sei o que dizer.
—Vê esse anel em seu dedo? – perguntei feliz por ainda encontra-lo ali – eu disse a você que eu o tinha encontrado no cofre e que imaginei que ele pertencia a você, por que se eu lhe fosse comprar um anel, compraria um que fosse como esse, por que combina demais com você, lembra?
—Sim, senhor – Bella respondeu com seu sorriso escondido.
—Eu o encontrei dentro do envelope em que estavam os papéis de meu divórcio. Não tinha entendido o que isso significava, mas quando você disse que o acidente interrompeu alguma surpresa que eu estava te preparando, que era o seu aniversário de dezoito anos, quando finalmente poderíamos parar de nos esconder, que eu estava livre, divorciado para estar só com você... – suspirei sentindo meu coração bater mais forte, sem palavras para continuar – Sabe o que isso significa?
—Não...
—Significa que eu já queria, antes mesmo do acidente, tudo o que quero com você hoje. Eu queria mais, sempre quis mais, te queria, te quero além de minha submissa, te queria e quero como a minha mulher – a proximidade que meu corpo estava do de Bella me permitiu sentir quando ela começou a tremer diante de minhas palavras. Segurei seu queixo a fim de ver seus lindos olhos, percebendo as lágrimas contidas nele e não pude deixar de pedir mais uma vez – seja a minha mulher, Bella, por favor.
Ainda sem reação nenhuma, Bella apenas olhava para mim, respirando com dificuldade parecendo abalada demais, desacreditada demais e então, eu a beijei, tentando dar a ela uma amostra de meu sentimento, mostrar que aquele pedido era real e que eu queria de verdade. O beijo apaixonado que dei nela, foi correspondido a altura, mesmo que um pouco contido, pude sentir que continha a mesma força e desejo que eu colocava no meu.
Sem ser capaz de colocar distancia alguma entre nós depois disso, eu abracei Bella deixando junto ao meu corpo antes de falar baixinho.
—Ontem eu pedi que pensasse no assunto e hoje pela manhã, você disse que já tinha uma resposta para mim. Converse comigo, conte o que tem em mente o que você decidiu.
—Quero ser sincera com o senhor, mas... não sei se...
—Não tenha medo, abra seu coração para mim, da mesma maneira que estou fazendo.
—Desde que te conheci – ela começou a dizer ainda em meus braços, sem olhar para mim – eu senti grande admiração pelo senhor, pelo poder que emanava, pela confiança que me fez sentir pelo senhor, pela bondade que reservou a mim, mas... o que principalmente me chamou a atenção foi sua beleza. A primeira vez que me levou ao apartamento e eu pensei que fosse abusar de mim como tantos outros já tinham feito, dentro de mim, por mais que houvesse medo, estava um pouco aliviada por pelo menos o senhor não ser alguém asqueroso – ela se abraçou como costumava fazer quando falava dessa época e eu a abracei mais forte tentando protege-la de suas lembranças – e quando percebi que não era nada daquilo, quando o senhor começou a cuidar de mim e me tratar como uma filha... eu fui ficando cada vez mais encantada pelo senhor, pela sua bondade, cuidando de minhas necessidades, pelo carinho que demostrava quando estávamos juntos.
—Tudo ganhou uma proporção gigante quando, depois de dois anos, o senhor passou a me presentear mais com a sua presença, com suas conversas e eu estava... deslumbrada pelo senhor, como uma adolescente por seu ídolo, louca de uma paixão sonhadora que guardava em segredo, debaixo de sete chaves em meu coração...
—Mas? – pedi quando parou de falar.
—Mas nós começamos com as cenas no quarto de jogos...
—E você desencantou?
—Não, é claro que não, como o senhor mesmo disse, eu tenho uma adoração pelo senhor, mas sempre deixou muito claro que o nosso relacionamento era puramente dentro das regras, que ficaríamos juntos só enquanto eu as obedecesse e que sempre seria assim, pelo tempo que durasse nosso contrato. É claro que tudo o que sentia pelo senhor continuava igual, mas eu aprendi qual era meu lugar e que isso era tudo o que conseguiria do senhor – o tom de voz de Bella mudou ao dizer isso, pude claramente perceber o quanto ela realmente era resignada quanto a isso, coisa que me feriu muito.
—Seja sincera comigo, por favor.
—Eu estou sendo...
—Então responda: como eu tratava você? Pelo que me disse a gente não conversava, a não ser quando relatava de sua vida ou quando eu te dava ordens. Eu era muito rude? Eu batia em você sem motivos?
—O senhor não era rude – Bella respondeu com os olhos baixos – na verdade esse era o jeito com que tratava todo mundo, suas ordens, seu jeito de falar era parte do senhor.
—Eu era assim até com você? O tempo todo?
—Não era quando nos conhecemos, nem quando começamos com as regras que nos levaram ao BDSM, mas depois que me tornei sua submissa, no começo, eu nem conseguia fazer uma ponte entre o senhor e o homem que salvou minha vida.
—Por que?
—Era muito diferente, era como se eu não mais tivesse importância que tinha antes – ela riu baixinho – não que eu tivesse alguma importância antes, mas pela forma com que o senhor conversava comigo, com que se preocupava com meu bem estar eu sentia que era importante para o senhor de alguma forma, mas depois que começamos com as cenas tudo mudou, mudou muito.
—Como assim?
—O senhor se irritava muito fácil, não se interessava mais pelo que eu tinha para falar ou por mim. Era por isso que eu mal podia esperar pelo fim de semana, era quando o senhor voltava a ter a atenção que tinha comigo, me tratava com o mesmo carinho, a mesma importância de antes, mesmo em meio as surras e castigos – ela suspirou deixando de sorrir antes de terminar – Era como se eu só servisse para o senhor quando estávamos no quarto de jogos.
—Eu sinto muito...
—Não sinta. Eu não menti quando disse que gostava e gosto de tudo aquilo, eu me descobri lá dentro como disse ao senhor e o contato que tínhamos era o que eu queria, o que me fazia feliz.
—Percebi isso. E para mim, você gosta mais do que te proporciono lá dentro do que de estar em minha companhia.
—Não é bem assim, eu já lhe disse, adoro tudo o que vem do senhor, mas eu me acostumei com o que tínhamos e se era tudo o que eu teria do senhor estava bom para mim, estava feliz por isso, por conseguir agradar o senhor, faze-lo satisfeito de alguma forma e é por isso que tenho me mostrado tão resistente, tenho medo de não saber agir, de não te agradar.
—E eu já disse que me agrada de qualquer jeito, Bella. Não seria diferente uma vez que estou assim, considerando o que tenho sentido por você. Então, por favor, tente comigo, aceite ser minha namorada, deixe para trás o contrato e tudo aquilo que nos afastava. Deixe-me conquista-la, deixe que eu seja conquistado por você ainda mais, prometo que farei de tudo para te fazer feliz.
—Sempre fui feliz com o senhor – fiz uma careta com o tratamento e ela sorriu – desculpe, sempre fui feliz com você, Edward, sempre.
—Sei que o quarto de jogos é importante para você, eu percebi que é importante para mim também e não vamos ficar longe, ele sempre vai estar aberto para nós. O que eu quero, Bella, é ir além, mais do que já fomos...
—Eu... eu quero isso também – ela sussurrou baixinho fazendo meu coração disparar cheio de esperanças.
—Então seja a minha mulher, por favor...
—Isso eu também sempre fui, Edward, e serei enquanto me quiser.
—Bella.... – sussurrei antes de tomar sua boca com a minha, colocando naquele beijo toda a minha esperança de que tudo daria certo e que nossa felicidade seria plena – minha Bella – sussurrei ofegante entre um beijo e outro.
—Sim, sempre sua – ela respondeu entregue e não resisti em puxa-la para meus braços.
—Vem, vamos para a cama comigo, deixe-me fazer de você a minha mulher – Bella me beijou apaixonadamente envolvendo meu pescoço com seus braços. O beijo foi se intensificando, deixando que nossa paixão falasse mais alto, tanto que eu a peguei levando para nosso quarto, o mais rápido que podia, sem conseguir me afastar um centímetro dela até que eu a coloquei em nossa cama. Tentando recuperar o folego, nós nos abraçamos ainda incapaz de deixar alguma distância entre nós, enquanto nos acariciávamos.
—Você quer isso? Quer que eu te faça minha mulher, aqui, esta noite? – perguntei em seu ouvido, baixinho e ofegante pelo beijo e pelo esforço, sentindo o quanto ela estava arrepiada, me deliciando com isso.
—Sim, Edward. Eu quero muito.
—Pois eu quero me tornar seu homem, seu namorado, seu, mais do que eu já fui e menos do que serei – prometi olhando para seus incríveis olhos que tanto mexiam comigo e ali eu vi que ela me prometia o mesmo.
Passamos incontáveis minutos apenas nos olhando e percebi o quanto Bella estava ansiosa para começarmos me fazendo sorrir ao perceber que, como sempre, ela esperava e eu não queria isso, não mais. Se estávamos em um relacionamento ela deveria tomar as rédeas tanto quanto eu e era isso que eu queria, estar nas mãos dela.
—Eu não vou dar nenhuma ordem a você – falei baixinho olhando para ela.
—Sei que não.
—Sabe mesmo? – sorri beijando sua boca com carinho – quero que nós dois sejamos cumplices, parceiros, que você tenha tanta liberdade para tomar meu corpo quanto eu tenho para com o seu. Entende isso? Somos um do outro agora.
—Sim – Bella sussurrou envolvendo meu pescoço em seus braços antes de sussurrar timidamente – você... você é meu – gemi diante de suas palavras e ataquei seus lábios os tomando quase com fúria, tomado de desejo por aquela mulher que abria minha camisa com dedos ágeis tanto que não demorou para eu estar sem ela, me afastando ofegante para poder olhar para minha senhorita.
Seu olhar naquele momento era muito diferente do que eu veria em minha submissa, ela me olhava sedenta, faminta, como se estivesse pronta para me devorar, fazendo com que meu pau latejasse dolorosamente ansioso por isso.
—Vem, Bella, tome o que é seu, ame o seu homem – sem perder tempo, Bella tirou sua blusa e ficou em pé para tirar as calças o mais rápido que pode e eu a imitei voltando para a cama ao mesmo tempo que ela vinha para cima de mim, sentando em meu colo, esfregando sua boceta molhadinha no meu pau cada vez mais duro.
—Você é tão gostosa, está sempre tão prontinha para mim.
—Você é que é gostoso — Bella disse me surpreendendo – me deixa louquinha por você, com um beijo, me faz delirar com essa delicia aqui – sem que eu esperasse ela enfiou sua mão dentro de minha cueca e apertou meu pau me fazendo gemer – eu quero tanto você.
Bella me beijou infiltrando a mão em meu cabelo e me puxando cada vez mais para si enquanto a outra trabalhava sem descanso em meu pau. Quando precisamos respirar ela seguiu dando beijos por meu peito, minha barriga até que logo estava abocanhando meu pau, com sua boca gostosa, me enlouquecendo com sua língua. Sem resistir eu a segurei pelos braços e coloquei sentada em meu colo. Abracei seu corpo nu, apertando-a contra mim, sentindo seus mamilos durinhos contra meu peito enquanto ela rebolava me apertando também, me beijando, gemendo para mim.
Aquele contato estava me deixando maluco, mas pelo visto Bella estava tão louca quanto eu, tanto que ela segurou meu pau e o levou para dentro dela. Antes que eu pudesse me recuperar daquela sensação maravilhosa e começar a foder, minha senhorita me empurrou, fazendo com que eu me deitasse e se inclinou apoiada em meu peito antes de começar a se mover em cima de mim fodendo deliciosamente.
Eu quase gozei em vê-la subindo e descendo em meu pau, gemendo, olhando para mim, me devorando com o seu olha tanto quanto a sua boceta gulosa devorava meu pau. Agarrei sua cintura e passei a meter nela ao mesmo tempo em que ela descia e subia em mim, me enlouquecendo. Não demorou muito para que ela gozasse praticamente esmagando meu pau dentro de si, mas sem deixar de rebolar para mim de gemer o meu nome.
Adorava quando minha senhorita me chamava pelo nome, principalmente se ela o gemesse enquanto gozava e era o que ela estava fazendo, me chamando me instigando e eu fui, joguei Bella na cama segurando seus braços acima da cabeça depois de enganchar suas pernas em torno de minha cintura. Enquanto eu metia nela rápido e forte, louco com o rebolar dela para mim, eu não parava de dar beijos por todo o seu corpo querendo que ela gozasse mais uma vez, perseguindo seu prazer enquanto alcançava o meu, até que gozamos juntos.
Cai de costas na cama puxando Bella para cima de mim depois da intensidade daquele orgasmo maravilhoso. Quando nossos corpos pararam de tremer eu a abracei com mais força, beijando seu rosto depois a sua boca, mais feliz impossível.
—Eu achei que nada fosse mais bonito do que ter você ajoelhada para mim, a minha mercê, me chupando com essa boca maravilhosa... isso até que eu te vi em cima de mim rebolando com meu pau metido bem fundo nessa bocetinha apertada, fodidamete gostosa.
—Edward... – Bella gemeu chegando ainda mais perto e eu me apossei de seus peitos, me deliciando com seus mamilos durinhos demonstrando o quanto ela já estava excitada.
—Eu adoro você, Bella – sussurrei em seu ouvido, minha voz rouca de desejo – sempre estive louco por cada parte de você, seus olhos, seu sorriso, mas esta noite, em especial, o seu corpo me fascinou. Era como se eu tivesse você pela primeira vez – Bella abriu seus olhos e me encarou por alguns instantes antes de dizer com a voz tão rouca quanto a minha.
—Foi tudo tão deliciosamente diferente. Nós já fizemos baunilha antes, mas nada se compara.
—É por que agora, mais do que nunca, pertencemos um ao outro – Bella segurou minha mão entrelaçando nossos dedos, sorrindo para mim.
—Nunca pensei que eu fosse ficar ainda mais encantada por você, que eu fosse ter mais prazer com você do que já tive. Nunca pensei que me sentiria assim um dia.
—E como você está se sentindo?
—Mais do que nunca eu me sinto sua companheira e não poderia estar mais feliz – aquelas palavras mexeram comigo, mais do que qualquer coisa, já que era tudo o que eu queria.
Sem que eu me desse conta do como, eu já estava por cima de Bella beijando cada cantinho de seu corpo dando prazer a ela e ao mesmo tempo que eu quase delirava com seu cheiro, com o doce sabor de sua excitação, com seus gemidos, com o seu corpo junto ao meu.
Foi praticamente impossível parar, nós estivemos daquele jeito a noite toda e, pela primeira vez, desde que acordei, estava fazendo amor com a mulher que eu estava cada dia mais apaixonado.
Pensando nisso, quando a noite já estava no fim, foi que eu dormi ao lado daquela mulher que, mais do que nunca, me pertencia.
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Acordei percebendo que a luz do dia já invadia o quarto através da cortina fina. Quando abri meus olhos, Bella estava deitada de bruços, seus cabelos escuros estavam espalhados pelo travesseiro, a luz do sol iluminando sua pele alva, o rosto levemente corado, com um sorriso leve, mesmo em sono profundo.
Era a coisa mais linda que eu já vi!
Eu me levantei o mais rápido que pude e fui para o banho antes que eu a acordasse para fazermos amor novamente. Por mais que fosse o que eu mais queria naquele momento, ela precisava descansar e eu precisava dar um jeito em minha vida.
Antes de sair do banheiro eu vi o frasco sem rotulo com o remédio que o médico me deu deixado e esquecido em cima da pia. Eu o segurei olhando para ele por alguns instantes. Ontem eu acreditava que aquela era a minha única esperança de conseguir recuperar a memória, mas depois do encontro com o irmão de meu médico eu não sabia mais o que pensar.
Eu não confiei naquele delegado e não gostei do fato de ele ter conversado sobre mim com o irmão. Esse fato deixou meu médico um pouco menos confiável no meu ponto de vista, uma vez que a descrição era essencial, mas o que realmente me incomodou foi o jeito com que o delegado falou sobre isso. Se aquele homem folgado estava metido no meu acidente, seu irmão também estaria? Era algo que eu deveria investigar.
Bella questionou a respeito desses medicamentos, sobre a qualidade deles e agora, olhando mais atentamente para o frasco sem rotulo como se eu pudesse enxergar algo ali, sem saber o que fazer. E se eu tomasse e algo ruim me acontecesse? E se eu não tomasse e algo pior acontecesse? E se eu nunca me lembrasse de minha vida e de todas as pendencias que ficaram?
Suspirei mais uma vez abrindo o frasco decidindo que tomaria o remédio. Não tenho tempo para pensar, eu preciso agir!
Eu precisava da minha memória de volta e precisava tentar o que nunca foi tentado. Era preciso confiar em alguém, e eu preferia confiar em quem estava fazendo alguma coisa em prol de minha memória do que no cara que queria a minha mulher. Por mais que houvesse a possibilidade dos irmãos Alistair estarem envolvidos em meu acidente, era apenas uma possibilidade. Eu não conseguia mais confiar em Jacob depois de tudo o que ouvi dele, mesmo Bella dizendo que eu deveria, acho que era cedo demais ainda estava fervendo de raiva diante de todas as palavras que ouvi dele diante do fato de ele ter escondido minha senhorita de mim.
Guardei o frasco e sai do banheiro deixando para pensar nisso depois. Voltei para o quarto e Bella não estava mais lá, então eu me vesti e fui procurar por ela a encontrando na cozinha mexendo em algumas panelas. Sorri ao vê-la usar a camisa que eu usei noite passada, seu cabelo bagunçado e os pés descalços. Fui até ela a abraçando pela cintura e puxando seu corpo para junto do meu e beijei seu pescoço cheiroso, gemendo de satisfação.
—Bom dia, minha gostosa – minha mão desceu por se corpo apertando sua coxa, fazendo-a gemer e se esfregar em mim.
—Bom, dia! – mesmo sem ver seu rosto direito, eu soube que ela estava corada pela temperatura, tão quente quanto o seu corpo. Sem resistir ao seu gemido eu a virei para mim beijando sua boca com gula, como se eu não a beijasse há dias. Antes que eu a colocasse em cima do balcão e arrancasse a camisa de seu corpo, eu me afastei olhando para ela, sorrindo enormemente ao lembrar de nossas peripécias.
—O que foi? – perguntou sorrindo comigo.
—Eu estou muito feliz por você ter aceitado.
—Não poderia ser diferente, sempre adorei estar com você e estou feliz demais – Bella envolveu meu pescoço com os braços e me beijou.
—É melhor você parar com isso ou eu te levo para a cama e não te solto mais.
—Sabe que é tudo o que eu gostaria, passar o dia todo com você na cama, te amando como fizemos ontem – ela acariciou meu rosto antes de beijar meus lábios rapidamente – por que não tomamos café e voltamos para a cama?
—Por que eu preciso trabalhar – lamentei apertando seu corpo contra o meu – mas teremos muito tempo pela frente, eu prometo.
—Eu sei que sim – ela suspirou antes de me beijar novamente e se afastar – Sente-se, já está quase pronto – fiz como ela disse e em pouco tempo estávamos comendo e conversando. Bella me falava de suas expectativas acerca da faculdade e eu a ouvia adorando aquele sorriso, adorando estar assim junto dela.
Depois de comermos voltamos para o quarto a fim de nos arrumarmos para sair, ainda cheios da cumplicidade que nosso novo relacionamento proporcionava e se não tivesse tanto que resolver em minha vida, eu ficaria o tempo todo junto com ela. Espero que seja questão de tempo até eu resolver tudo isso, de ter minha memória de volta e poder seguir minha vida sem mistério algum.
Mesmo sem estar muito feliz em me separar de Bella eu a deixei na casa de meus pais, eu ia para o trabalho, mas o pensamento que tive sobre descobrir logo os mistérios de meu passado, me fizeram colocar o carro em outra direção e seguir para a delegacia. Algo me dizia que aquele policial não desistiu do inquérito atoa e não iria retoma-lo, pelo menos não com o intuito de descobrir o que realmente houve, por isso resolvi procurar o delegado de Forks. Port Angeles era longe de minha área de atuação, mas eu deveria conhecer alguém aqui de Forks que poderia me ajudar, de um jeito ou de outro.
—Preciso falar com o delegado – pedi a atendente que lixava a unha despreocupadamente. Ela suspirou e olhou par mim. Suponho que tenha me reconhecido uma vez que arregalou os olhos e arrumou sua postura imediatamente.
—É claro, claro... por que o senhor não vem comigo, o chefe não está na sala dele, mas virá até o senhor em breve – eu acompanhei os passos rápidos da moça imaginando que eu deveria ser conhecido aqui por ter acesso tão livre a esse lugar e pelo jeito com que ela me tratava, parecido e muito com a forma com que as meninas do fórum. A moça me deixou na sala e saiu rapidamente sem que eu pudesse dizer nada.
Com as mãos no bolso passei a caminhar pela sala quando vejo em cima da mesa Atordoado olho em volta e vejo uma placa com seu nome e mal consigo acreditar.
-Edward Cullen! – antes que eu pudesse me recuperar da surpresa ou entender a coincidência, entra na sala quem imagino ser o delegado – Quem diria que um dia eu o veria vivo novamente! – eu não sabia o que dizer enquanto ele se aproximava – que cabeça a minha, me esqueci que você não se lembra, eu sou o Chefe Charlie Swan.
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