Memórias
18 Mudando
Notas iniciais
—Edward? – ouvi a voz de Bella me chamar, mas não tinha forças para levantar o rosto.
Eu estava em casa há algumas horas e desde que cheguei estava aqui, no mesmo lugar, pensando em tudo o que Tanya tinha me dito. Por mais que eu saiba o quanto ela já mentiu para mim e que provavelmente havia muita mentira no que ela acabou de me dizer, não tinha como descartar a hipótese de que havia algo que fosse verdade.
Eu acreditava, por exemplo, que eu não tinha me casado com ela por amor. Nesses meses que passamos juntos, eu não tinha sentido nada por ela, diferente do que foi com a minha família e com Bella já que mesmo que eu não me lembrasse, eles acabaram se tornando muito importantes para mim rápido demais, ao passo de que e eu nunca me senti deveras casado com Tanya. Agora, olhando para trás, eu me arrependendo por não ter dado ouvidos a intuição que tive, de não ter prestado a atenção nesse sentimento que mostrava que ela não era o que ela dizia ser para mim.
Acreditava também que nós tínhamos um relacionamento aberto e que conversávamos muito, isso sim fazia sentido para mim. Desde que acordei, essa é uma necessidade que eu tenho de dizer e falar a verdade, por isso acreditava que devia exigir isso, mas, por outro lado, também era difícil acreditar que ela aceitava assim facilmente que eu tivesse outras mulheres.
Por mais que nós não fossemos compatíveis na cama por ela não gostar das mesmas coisas que eu e por mais que ela entendesse essa minha... necessidade, não era possível que Tanya convivesse com a ideia de que eu mantinha outras mulheres e permitisse que eu passasse o fim de semana inteiro com elas enquanto ela me esperava em casa. Isso não entrava em minha cabeça, era impossível de conceber, mas o fato de que ela sabia sobre Bella já embananava tudo outra vez.
Será mesmo que eu contava tudo a ela, inclusive sobre mim e minha relação com a minha submissa ou ela acabou descobrindo isso tudo enquanto eu estava em coma?
Era desse tipo de coisa que eu estava cansado. Eu não aguentava mais o fato de não ter acesso a essas informações que estavam em algum lugar de minha mente, informações que eu desejava intensamente e que ninguém mais me fornecia, desse jeito, eu ficava no escuro, sem saber o que era verdade e o que era mentira e eu ficava completamente atordoado.
Eu precisava dar um jeito nisso urgentemente.
Precisava de minha memória de volta.
—Senhor? – Bella me chamou outra vez tocando em mim para chamar minha atenção e abri meus olhos. Eu a vi ajoelhada a minha frente, usando seu roupão de sempre, os cabelos soltos e o rosto bem próximo do meu, parecendo preocupado, cheio de perguntas e então segurei suas mãos delicadas com força esperando tranquilizar aqueles belos olhos.
—Está tudo bem, senhor? – ela perguntou baixinho depois de passarmos incontáveis minutos daquela maneira.
—Não me chame assim, por favor.
—Desculpe-me eu... eu me esqueci.
—Tudo bem, não tem problema – permaneci ainda olhando para ela, tentando ganhar força com seu rosto sereno e ela me ajudava, não desviando aqueles lindos olhos dos meus, trazendo a tranquilidade que eu desejava.
—E então, está tudo bem? – Bella perguntou acariciando minha mão – você chegou faz tempo e não foi para o quarto... eu estava esperando por você.
—Já estou indo, só parei aqui para pensar um pouco – tentei sorrir, mas acho que não deu certo e minha tentativa só deixou aqueles olhos ainda mais preocupados.
—Posso perguntar o que aconteceu? Você não parece muito bem e eu nunca te vi assim.
—Não tive uma conversa fácil com Tanya.
—Imagino que não – ela me deu um sorriso bonito para me confortar – contou a ela que sabe que não é mais casado?
—Não. Eu fui apenas pegar as minhas coisas e por mim nem falaria com ela, mas ao ver que eu estava indo embora, Tanya se exaltou e começou a falar sobre o nosso passado e sobre a natureza de nosso relacionamento... e eu não sei se é verdade ou se ela está mentindo para mim mais uma vez – despejei sentindo a necessidade de desabafar.
—Não tem como saber, não é? – Bella suspirou apertando minha mão – eu queria poder ajuda-lo, se tiver algo que eu possa fazer...
—Só me diga, você conheceu Tanya pessoalmente? Você me disse que ela provavelmente sabia sobre você...
—Nós fomos sim apresentadas e por diversas vezes eu a vi, ela me viu, mas nunca conversamos, senhor... Hm... Edward – ela abaixou o rosto envergonhada pelo deslize que eu fingi não perceber.
—E ela sabe que você é minha submissa?
—Quando eu disse que ela provavelmente sabia, estava me referindo a isso, pois na época em que fomos apresentadas, você tinha acabado de pegar a minha guarda e eu não era nada mais que sua protegida.
—Ela nunca te perguntou nada a esse respeito? Nunca te cobrou nada?
—Nós nunca nem nos falamos.
—Eu entendo – disse frustrado por não ter respostas e respirei fundo – e... você por um acaso sabe algo sobre nosso casamento? Já contei a você como era meu relacionamento com minha esposa? – não foi surpresa ao ver Bella negar.
—Nunca falamos sobre isso. Eu sinto muito.
—Tudo bem – beijei suas mãos que ainda estavam entre as minhas – eu sei que se tivesse algo que você pudesse contar a esse respeito, você contaria. Sei que nunca esconderia algo de mim.
—Não mesmo, jamais – sorri tendo certeza de suas palavras e ela me sorriu de volta – eu... eu só vim ver como estava, não queria interromper seus pensamentos...
—Eu não me importo, ao contrário, eu adoro a sua companhia – levei suas mãos aos meus lábios outra vez, tentando demonstrar isso e ficamos nos olhando por alguns instantes, até que o rosto de Bella se iluminou de repente e ela sorriu como se tivesse tido uma grande ideia – o que foi? – perguntei contagiado com seu lindo sorriso.
—É que eu estava pensando, tudo isso passou, não é? Você não vai mais precisar vê-la, pelo menos não enquanto não decidir o que fazer com o que descobriu... – eu dei de ombros.
—Eu nem sei se quero vê-la de novo.
—Então... então, não pense mais nisso – ela sorriu, me deu um beijo rápido nos lábios me pegando completamente de surpresa e se levantou do lugar em que estava ajoelhada – eu já volto.
Fiquei olhando ela se afastar tentando imaginar o que faria. Eu não tinha a menor ideia, ela estava tão diferente que eu não poderia prever suas reações nem imaginar o que estava por vir, foi por isso que me surpreendi ao vê-la voltar, alguns minutos depois, com uma garrafa de vinho e duas taças nas mãos.
—O que é isso? – eu ri pegando a garrafa da mão dela.
—Eu achei que isso aqui poderia ajudar.
—Você sabe que eu prefiro uísque – provoquei divertido olhando as duas taças em suas mãos.
—É que eu não gosto muito de uísque e... e eu pensei que pudesse te fazer companhia... – ela estava toda sem jeito quando se sentou ao meu lado no sofá me deixando ainda mais encantado com seu rosto vermelho.
—Mas você não pode beber, senhorita, ainda é nova demais.
—Não estou querendo me embebedar, é apenas para te fazer companhia, por uma boa causa. O senhor... er... você... você me disse que se fosse assim não teria problema.
—Nós já bebemos juntos antes?
—Algumas vezes e eu sei que isso pode ajudar a te distrair, ajudar a tirar as coisas ruins de sua cabeça – Bella sorriu estendendo as taças para que eu as enchesse.
—Existe tantas maneiras de fazer isso, tem certeza que essa é a melhor que você pôde encontrar? – ela mordeu o lábio e baixou os olhos antes de falar baixinho.
-Na verdade, eu tenho um milhão de melhores maneiras, mas eu achei que você gostaria mais dessa por causa das mudanças que estamos prestes a realizar em nossas vidas.
—O que quer dizer?
—Eu... eu pensei em termos esse tempo para que nos conhecermos um pouco mais. Você... você disse que queria me conhecer e eu achei que seria uma boa ideia, um bom momento – ela parecia um pouco insegura quando terminou de falar, mas eu sorri me aproximando.
—É mesmo uma ótima ideia, eu gostei disso – ela sorriu de volta para mim – E por onde você quer começar?
—Não sei, talvez você tenha alguma pergunta...
—E eu posso perguntar o que quiser?
—É claro, sabe que eu não tenho segredos para você.
—Sei que não tem segredos para o seu Dominador, mas o que eu quero é diferente.
—Diferente como?
—Não quero saber apenas tudo o que acontece em sua vida, saber de seus problemas ou seus desejos. Eu quero conhecer seus sonhos, sua essência. Eu quero conhecer seu coração, Bella, da mesma forma que eu quero que conheça o meu também – pedi olhando para seus olhos arregalados e estava esperando ansioso por sua resposta.
—Tudo... tudo bem – ela finalmente gaguejou e pude perceber o quanto se esforçou para continuar sorrindo e esconder de mim sua insegurança.
—Então eu vou começar – ela assentiu enquanto eu abria a garrafa de vinho e enchia as duas taças – qual é o seu maior sonho?
—Eu quero muito me formar e ser enfermeira – ela soltou depois de tomar um grande gole – nunca pensei que eu pudesse me encaixar tão bem em algum lugar, quanto me encaixei naquele hospital. Como todos pensavam que eu era uma enfermeira, acabei ajudando muito elas no trabalho, as vezes faltava alguém ou precisavam de ajuda elas me pediam e eu adorava aquilo. Descobri que eu gosto de verdade de cuidar das pessoas.
—E o que você está fazendo para realizar esse sonho? – perguntei encantado cada vez mais com seu sorriso sonhador – Já inscreveu para a faculdade?
—Sim – ela abaixou o rosto consternada – os prazos estavam acabando e eu precisei me apressar... você já tinha concordado e eu ia te contar, mas...
—Não faz mal, de verdade, eu fico realmente feliz por você. Já recebeu alguma resposta?
—Ainda não, mas eu estou esperançosa.
—Eu sei que vai conseguir, eu vou estar ao seu lado para garantir isso – ela sorriu agradecendo e eu me aproximei para lhe beijar os lábios tão convidativos, feliz por estar tendo esse momento com ela.
—É a sua vez – sussurrei – pode me perguntar o que quiser.
—O que eu quiser? – ela perguntou parecendo assustada e eu ri.
—É claro. Eu sou um livro aberto – Bella pensou por alguns minutos, bebendo de sua taça enquanto pensava, parecendo não saber o que dizer – vamos lá, não tem nada que você sempre quis saber sobre mim? É a sua chance.
—Qual é o seu maior medo? – ela perguntou baixinho.
—Os de antes eu não sei – eu ri sem humor pensando no assunto – o homem que dizem que eu era parecia uma pessoa destemida, mas eu tenho muitos medos ultimamente. O mais frequente é o de nunca poder recuperar a minha memória e não poder ter o controle da parte que eu perdi da minha vida. É por isso que eu tenho lutado tanto por saber a verdade, para que assim eu possa consertar o que precisa de conserto, retomar o que ficou pela metade e então viver em paz.
—Eu tenho a certeza de que de uma forma ou de outra você vai conseguir isso, não precisa ter medo.
—Estou com medo por que acredito que pode ser que tenha algo em meu cérebro que não vai mais me permitir recuperar a memória.
—Como assim? Quem lhe disse isso?
—Ninguém me disse, mas pense comigo: já faz quase um ano que eu acordei e estou do mesmo jeito, não tive sequer um lampejo, uma lembrança remota, nada. Já era para eu começar a me lembrar, não acha? – Bella me ouvia enchendo sua taça novamente – É por isso que vou ao médico amanhã, quero ver se é possível que eu faça alguma coisa para que eu possa ter minha memória de volta.
—Vai ver Jacob?
—Não – eu ri – ele não.
—E por que?
—Estou seriamente desconfiado de que ele está ajudando Tanya a me manter sem memória.
—Jacob? – perguntou assustada tapando a boca com a mão e eu assenti.
—Eu desconfio que sim e depois de tudo aquilo que ele disse a seu respeito e de todos os nomes que me xingou, eu não consigo mais confiar nele.
—Não é possível, eu tenho certeza de que ele jamais faria uma coisa dessas.
—Por que tem tanta certeza? – perguntei me sentindo um pouco incomodado com a forma com que ela o protegia.
—Jacob é um bom homem, Edward...
—Por mais que ele tenha sido muito bom para você, não quer dizer que ele é um bom homem ou um bom médico. Ele disse que não pode mais fazer nada por mim a não ser me monitorar e eu não concordo com isso, não é possível que não tenha mais nada a ser feito.
—Mas ele já fez muito. O se... você, você está aqui por causa dele.
—Ou por pura sorte.
—Não, eu não acredito nisso! Ele trabalhou bastante para te manter vivo, eu vi!
—Por mais que ele tenha sido seu amigo e que você goste tanto assim dele, eu tenho motivos muito sérios para acreditar que ele pode ter danificado meu cérebro para sempre em uma das muitas cirurgias que ele fez em mim e eu posso nunca mais recuperar a memória.
—O acidente causou danos em seu cérebro, não Jacob. Pense bem, se ele quisesse você morto, você estaria morto agora – Bella falou séria olhando em meus olhos e eu pensei que ela poderia ter razão.
—Eu não sei... Jacob me odeia.
—Mas isso não interfere, ou não poderia interferir no relacionamento médico-paciente que vocês têm – ela respondeu com firmeza defendendo insistentemente seu ponto de vista, que apesar de eu não concordar, me fez sorrir.
—Acabei de descobrir que você é bem teimosa – ela sorriu também.
—Eu só acho que está sendo injusto. Não é só por que ele foi bom comigo que eu acho que deveria confiar nele, mas por ele ter sido bom com você, cuidando de sua saúde, defendendo sua vida...
—A minha vida? – Bella assentiu firmemente.
—Eu ouvi falar que queriam desligar seus aparelhos no aniversário de um ano de seu coma, mas ele defendeu você, defendeu sua vida. Eu ouvi. Deveria dar um credito a ele.
—Tudo bem, mas primeiro eu quero consultar outro médico e saber a opinião dele. Vou fazer isso para que eu fique mais tranquilo. Se o novo médico disser o que está me dizendo passarei a confiar em Jacob outra vez, mas se ele concordar comigo...
—O que vai fazer?
—Vou denuncia-lo a polícia...
—Edward...
—Se aquele açougueiro disfarçado de médico se atreveu a me prejudicar ele vai pagar por isso, não tenha dúvidas.
—Eu tenho certeza de que Jacob não fez nada disso.
—Mesmo assim, eu preciso fazer isso. Não posso apenas me deixar levar pelo julgamento de uma pessoa grata a ele.
—Se isso vai te fazer sentir melhor – ela deu de ombros e tomou de sua taça me fazendo imitá-la – mas você vai ver que eu tenho razão.
—Você defendeu ele demais – disse segurando sua mão – gosta mesmo dele.
-Gosto por ele ter cuidado muito bem de você e por ter te trazido de volta para mim. Gosto por ele ter me deixado ficar ao seu lado aquele tempo todo e acredito que nos tornamos amigos nesse meio tempo e que ele se sinta assim em relação a mim também.
—Não, não é. Jacob quer tirar você de mim – ela me olhou franzindo o cenho.
—Nós somos apenas amigos... ou melhor, éramos, quando estava em coma...
—É isso o que você sente por ele. Jacob te deseja, eu posso ver isso – ela riu.
—Não posso acreditar nisso!
—Eu estou falando muito sério. É por isso que brigamos, é por isso que quero você longe dele. Tudo o que Jacob fez, a maneira com que ele te ajudou, que ele te escondeu de mim, foi na tentativa de levar você para a cama.
—Acho que está vendo coisas demais.
—Não estou. Está escrito na cara dele o quanto te quer, não sei como você não viu isso.
—Jamais pensei nisso. Eu... eu só consigo pensar em sexo com o senhor... com você. É como se os outros homens não existissem para mim – Bella olhou para mim, me hipnotizando com seus belos olhos – isso é por que eu pertenço a você.
Sem que eu pudesse evitar, puxei minha linda senhorita para os meus braços beijando seus lábios com paixão, mas logo me afastei. Por mais que eu quisesse entrar naquele pequeno roupão que me deixava louco, eu estava adorando a oportunidade de entrar em sua mente.
Bella parecia frustrada quando me afastei me fazendo rir de seu biquinho contrariado.
—Não acha que já bebeu demais? – perguntei quando ela encheu a taça outra vez e bebeu boa parte dela em um só gole.
—Eu acho que nunca bebo e por isso devo aproveitar a oportunidade.
—Você é tão geniosa, tem uma personalidade atrevida e bem difícil – eu ri divertido fazendo com que ela mordesse o lábio segurando um sorriso – como foi que se transformou naquela moça quieta que só dizia sim senhor ou não senhor?
—Eu não sei – Bella arregalou os olhos deixando de sorrir – essa é a primeira vez, em tanto tempo, que estou sendo eu mesma que nem me lembro como foi que cheguei até aqui. Por favor, me desculpe se eu passei dos limites...
—Eu estou adorando – eu a interrompi colocando um dedo em seus lábios – estou adorando de verdade conhecer quem você é.
—Não posso dizer que sou assim – ela desviou o olhar dando de ombros antes de explicar– eu era assim quando criança e me lembro bem quando minha avó dizia que esse atrevimento poderia me trazer problemas um dia, por que eu não era fácil quando criança – ela riu de cabeça baixa por um instante antes de ficar séria outra vez e tomar um pouco do seu vinho antes de continuar.
—Quando vovó morreu, eu acabei me esquecendo de quem era por que vivia tentando me tornar invisível na casa de minha mãe, principalmente depois da primeira vez que ela me... você sabe – Bella fez mais uma pausa para beber – eu fui me afundando em mim mesma cada vez mais até que fui resgatada pelo senhor e mesmo quando estava livre, não sabia como voltar a ser o que eu era por que estava muito machucada com o que aconteceu, estava muito enterrada dentro de mim.
Segurei seu queixo para que ela olhasse em meus olhos, me sentindo culpado ao ver uma pontinha de tristeza naquela imensidão de chocolate.
—E eu só fiz você ficar ainda mais introspectiva, fiz você sumir ainda mais, não foi?
—Não, de jeito nenhum. Eu estava mesmo suprimida, mas não conseguia deixar de estar, não conseguia voltar à tona e tomar as rédeas da minha vida e o senhor... você... você me ajudou a fazer isso no quarto de jogos.
—Como se você apenas obedecia as minhas ordens?
—Eu passei muito tempo sem ter que lidar com meus problemas, me concentrado em apenas agrada-lo, em obedecer suas ordens e cumprir minha parte no contrato, tanto que eu me esqueci de todo o resto. Só quando fiquei por conta própria depois do acidente foi que consegui pensar mais em mim e passei a descobrir quem eu era de novo, lembrar do que eu gosto... tanto que pela primeira vez eu pude olhar em volta e encontrar a minha vocação. Foi como se depois do quarto de jogos, a dor que tapava meus olhos e escondia meus sonhos tivesse sido retirada, como uma cortina que é afastada da frente da janela para deixar a luz do sol entrar – Bella sorriu para mim e depois de hesitar por um momento, tocou meu rosto como eu fazia com o dela.
—E agora que está aqui eu posso colocar tudo em prática, principalmente depois dessas mudanças que colocou em nosso... nosso relacionamento e de todas as vezes que disse que gostaria de me conhecer por inteiro, que não queria que eu fosse alguém pela metade – ela riu – não foi apenas por que eu queria agradar você, apesar que esse foi o meu primeiro pensamento, mas também por que eu quero muita coisa que antes eu nem sabia que queria...
—E o que você quer, Bella?
—Quero crescer, quero estudar, trabalhar e... o que mais quero é continuar a ser sua submissa.
—Por que? – perguntei verdadeiramente sem entender o que a levava a isso.
—Quero isso por que esse é o meu mundo. Eu gosto de ser submissa, de ser a sua submissa— eu sentia que era verdade o que ela estava dizendo, sentia em seu tom de voz contido, mas animado, em seus olhos brilhando, em seu sorriso – gosto de tudo o que fazemos naquele quarto e eu... eu gosto de você.
Bella não deixou de olhar para mim, sorrindo com timidez, me fazendo ter que respirar fundo para recuperar o folego que perdi por culpa de seu sorriso e de suas palavras.
—E eu de você, Bella – respondi verdadeiramente, sentindo que essas palavras saíram do mais profundo de mim. Aquilo era mesmo verdade mesmo que eu ainda estivesse muito magoado por me lembrar que o sentimento que ela tinha por mim não passava de carinho, respeito e gratidão – eu gosto de você muito mais do que você gosta de mim.
Desabafei olhando para o anel brilhante em sua mão.
Eu não tinha entendido quando eu o encontrei no cofre, mas agora, depois de muito refletir sobre o que minha mãe disse sobre eu ser muito ligado a ela antes do acidente, depois de tudo o que eu senti por ela desde que abri meus olhos, a falta que ela me fez quando estivemos longe e eu sentia que era como se me faltasse um pedaço.
O anel estava ali, no dedo dela naquele momento, por tudo o que eu sinto. Eu estava encantado por ela ser essa mulher tão frágil e forte ao mesmo tempo, por me agradar tanto em nosso quarto de jogos e fora dele também. Estava ali por eu ser viciado no brilho de seus olhos, por eu amar seu sorriso.
Aquele anel estava ali por que eu já não conseguia mais viver sem ela e por que eu sentia, com todo o meu ser, que Bella deveria ser minha, muito mais do que já era.
—Eu não sei se isso é verdade – ela disse corando e se afastando de mim para terminar de tomar mais uma taça de vinho. Quando Bella a repousou sobre a mesa, ela fechou os olhos com força e encostou no sofá me deixando preocupado.
—Ei, Bella, você está bem?
—Eu estou meio tonta...
—Não está acostumada a beber e tomou quase toda a garrafa sozinha. Eu deveria imaginar que isso não daria certo – ela mantinha os olhos fechados e estava cada vez mais pálida – que droga! Eu preciso levar você para a cama.
—Sim, eu estou esperando por isso a noite toda – ela me abraçou quando levantei seu corpo do sofá.
—Se queria isso deveria ter falado mais e bebido menos, você vai desmaiar daqui a pouquinho.
—Não vou não. Disse que era para eu dar atenção ao senhor e eu ainda não fiz isso...
—Temos muito tempo para isso – eu ri colocando ela na cama – você pode me dar atenção mais tarde, agora você precisa descansar.
—Tem certeza? Você não vai se arrepender, Senhor Cullen.
—Não está em condições para isso agora, a bebida vai fazer você dormir daqui a pouquinho e eu prefiro quando você está bem acordada. Por isso, senhorita Swan – falei baixinho em seu ouvido – eu ordeno que durma agora.
—Sim, senhor – ela sorriu antes de fechar os olhos quando eu beijei seu rosto. Rapidamente eu me despi antes de deitar ao lado dela usando apenas uma boxer.
Fiquei olhando para ela, para aquela linda senhorita, agradecido por tudo o que ela tinha feito por mim, a forma com que ela lidou com as minhas sobrinhas na festa de aniversário, como ela me fez feliz com sua companhia de manhã e agora, que ela fez meus problemas desaparecerem por hora enquanto me deixava conhece-la.
Eu não poderia estar mais feliz.
—Você é uma mulher fascinante – sussurrei abraçando o corpo embriagado e adormecido de minha senhorita para dormir também.
.
—Bom dia – sorri para Bella com seu corpo abraçado ao meu, do mesmo jeito que estávamos ao adormecer.
—Bom dia, Edward – ela abriu os olhos ao ouvir a minha voz e ficou olhando para mim, me fazendo sorrir como um idiota, amando estar ao lado dela mais uma manhã – no que você está pensando? – perguntou quando eu não parei de sorrir enquanto a admirava.
—Estava pensando em ontem à noite e em como tudo foi muito bom. Não tive oportunidade de dizer depois de seu quase desmaio, mas eu fiquei muito feliz em poder estar em sua mente, em conhecer você. Obrigado por isso – eu beijei seu rosto ainda sonolento vendo ela dar um sorriso preguiçoso.
—Eu acho que aquele vinho não foi uma boa ideia... desculpe-me por isso... – eu ri.
—Não tem problema, pelo menos agora eu sei o que acontece com você se beber demais – acariciei seu rosto bonito fazendo com que ela abrisse os olhos para mim – está se sentindo bem? Está sentindo alguma dor? – ela balançou a cabeça devagar.
—Não estou sentindo nada, está tudo bem.
—Tem certeza? – me aproximei e toquei seus lábios com os meus rapidamente.
—Eu tenho, parece que nada aconteceu.
—Isso é muito bom – aprofundei nosso beijo e logo eu estava em cima dela, cobrindo meu corpo com o seu.
—Sim, muito bom – ela gemeu baixinho enquanto eu esfregava minha ereção matinal em seu corpo quente mostrando a ela o que eu queria.
—Vamos finalmente poder terminar um assunto que ficou pendente...
—Sim, finalmente – Bella agarrou meus cabelos enquanto a eu beijava, recebendo e retribuindo-os de bom grado.
Eu passei a beijar seu corpo cheiroso e tirando aquele roupão da frente e, como imaginei, ela não usava nada por debaixo dele facilitando e muito o meu trabalho. Quando eu a tinha nua, inteiramente a minha disposição eu me afastei, sentando na cama para poder admirar melhor.
Bella é sem dúvidas uma mulher linda demais, mas hoje, nesse momento, ela parecia ainda mais linda, a verdadeira perfeição, muito mais do que sempre foi. Talvez isso se devesse a nossa conversa de ontem à noite em que eu fiquei ainda mais encantado ao conhecer mais de sua personalidade, mais dela. Talvez seja apenas por que hoje ela realmente acordou radiante, tanto que apenas esse momento que passei olhando para ela, me deixou completamente pronto para tê-la por inteiro.
Levei minha mão ao meu pau o apertando para que ele se acalmasse antes de encher Bella de beijos, me deliciando com sua pele sensível ao meu toque, com seu cheiro e principalmente com sua boceta, tão encharcada, tão pronta para me receber.
Sem resistir eu segurei suas coxas e as passei em torno de minha cintura, fazendo com que Bella me montasse, esfregando sua boceta molhadinha em mim. Ela estava tão quente, tão pronta que o tecido que nos separava, não me impedia de senti-la por inteiro. Sem perder tempo, louco de tesão, eu me apossei de seus seios deliciosos enquanto ela colocava a mão pequena dentro de minha cueca, deixando meu pau ainda mais doido para estar dentro dela.
Gemendo bem alto, joguei Bella de volta a cama antes de arrancar a peça de meu corpo e finalmente me unir a ela. Agarrado a sua cintura, meti nela com força, olhando para aquele ponto em que estávamos unidos, hipnotizado, louco querendo mais. Fui tirando do tranze quando Bella gemeu e eu olhei para ela, subindo minhas mãos por seu corpo gostoso, segurando seus seios com firmeza, beliscando os mamilos durinhos enquanto investia com força, fazendo com que ela praticamente dançasse de prazer em baixo de mim.
Olhei para seu rosto, tomado pelo prazer, seus olhos cor de chocolate derretido pelo desejo, me atraindo mais para ela, tanto que encostei nossas testas, nossas bocas, sentindo ela me abraçar, me puxar para junto dela, sentindo Bella gozar para mim.
Deitei ao lado dela, zonzo com toda essa intensidade, quando ela olhou para mim, naquele instante eu fiquei sabendo que sempre seria assim, tudo sempre seria intenso entre nós dois, cada vez mais.
—Eu preciso ir agora – sussurrei algum tempo depois precisando levantar, mesmo estando deliciosamente bem enganchado a minha senhorita nua.
—Tem certeza? – ela perguntou me abraçando – está muito bom aqui – sorri beijando seu pescoço.
—Eu tenho uma consulta com o meu novo médico, eu estou ansioso para isso.
—Sim, eu sei – sorri para ela e dei um beijo em sua boca linda.
—Venha, vamos nos levantar.
—Eu não preciso me levantar agora, não tenho nada para fazer e posso dormir um pouco mais.
—Mas eu quero que você venha comigo.
—Eu vou com você a consulta? – neguei vendo seu sorriso se desfazer.
—Não, mas eu pensei que poderia ficar com a minha mãe enquanto eu estou lá, não quero te deixar sozinha.
—Não precisa, Edward, eu vou ficar bem.
—Eu prefiro que fique lá, você vai ter companhia e Rosalie também já que ela não pode trabalhar e todos os outros precisam ir. E eu vou ficar bem mais tranquilo em saber que você não está desprotegida aqui sozinha.
—Tudo bem, vai ser mesmo muito bom ficar por lá.
—Imaginei que seria. Vem, eu não posso me atrasar.
.
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Deixei Bella na porta da casa de meu irmão e depois segui para o consultório. O que ela tinha me dito a respeito de Jacob ainda estava rondando minha cabeça, mas de verdade, eu precisava dessa certeza por que por mais que ela tenha me feito pensar no assunto, eu ainda não tinha sido totalmente removido da ideia de que Jacob poderia ter feito alguma coisa para me prejudicar.
Foi pensando nisso que cheguei ao elegante consultório do Dr. Alistair e logo fui conduzido para a sala médica.
—Como vai, doutor, eu sou Edward Cullen – cumprimentei assim que o vi, loiro, baixo, barbudo e circunspecto. Aparentando ser de meia idade com seus tinta e muitos ou quarenta e poucos anos.
—Eu estou bem surpreso por ter você aqui – o médico disse apertando com força a minha mão – é claro que sei quem você é.
—Sabe?
—Sim. Além de ser um juiz famoso, seu caso foi muito repercutido na época do acidente.
—Então imagina o que eu vim fazer aqui.
—Na verdade não, esse é o motivo de minha surpresa. Você já tem um neurologista, não é?
—Sim, mas eu quero uma segunda opinião.
—Tudo bem, sente-se – fiz como ele disse me acomodando a sua frente – me conte em que posso ajudá-lo?
—É que eu estou do mesmíssimo jeito que estava desde que acordei, há oito meses e imagino que a essa altura eu já deveria ter alguma melhora ou indicio de que isso aconteceria em breve e até agora nada.
—Por favor, seja mais claro, qual é a sua queixa?
—Eu perdi a memória. O acidente afetou a parte do meu cérebro que guarda os fatos anteriores ao acidente e eu não consigo me lembrar de nada. Por mais que o tempo passe, nada ainda aconteceu e eu estou preocupado que isso seja permanente – Dr. Alistair ia anotando tudo em um prontuário com o meu nome.
—Qual é a primeira lembrança que você tem?
—É a do dia em que acordei no hospital, nada antes disso.
—Tem problemas para arquivar informações novas?
—Não. Consigo me lembrar de tudo o que aconteceu desde então, com detalhes até.
—Não se lembra de nada, mas teve alguns lampejos do passado? Reconheceu alguém ou algum lugar?
—Não exatamente. Algumas vezes eu sinto que algum lugar é familiar, ou alguém que é importante para mim, mas se não me disserem quem é, se não descobrir onde estou, não saberia por mim mesmo – ele passou alguns minutos escrevendo e ansioso, eu quebrei o silencio.
—Eu trouxe aqui alguns exames que fiz desde que acordei para que possa me dizer o que acha que pode ter acontecido.
—São exames bem recente.
—Sim, eu os repetia constantemente – ele assentiu olhando um depois o outro, mas sem falar nada, me deixando impaciente, até que finalmente eu perguntei – e então?
—É difícil dizer algo concreto e que não tenha escutado antes. Você sofreu um grande trauma que está bem visível aqui – ele apontou no primeiro exame – ele diminuiu com a cirurgia, mas continuou aqui, nos outros exames – ele apontava enquanto falava – isso é realmente impressionante, não sei nem como você acordou se o trauma está do mesmo jeito. Você sente dores? Tem desmaios?
—Não, nenhuma coisa nem outra.
—Isso deve ser estável então.
—O que isso quer dizer?
—Que talvez isso seja permanente e você não possa mais recuperar sua memória.
—Não! Ah isso não doutor, eu não posso permitir isso, não suporto mais viver dessa maneira, o senhor precisa me ajudar!
—Podemos fazer mais exames para verificar o que está acontecendo, verificar a medicação para ver por que não está ocorrendo melhora.
—Medicação? Eu nunca tomei remédio algum.
—Não? – ele perguntou com o cenho franzido e eu neguei – bem, talvez ai esteja o erro. Vou pedir que tome os remédios que vou receitar a você e depois quero que repita os exames para sabermos se haverá alguma mudança.
—O que você acha do fato de eu não ter tomado remédio algum até agora? – perguntei desconfiado vendo-o escrever – foi negligencia do médico?
—Eu estaria sendo antético se dissesse isso, mas talvez uma medicação pudesse ter te ajudado e você já tivesse a sua memória de volta.
—Acha mesmo?
—Não posso ter completa certeza, o cérebro ainda é uma caixinha de surpresas para a medicina, a sombria massa cinzenta – ele suspirou dando de ombros – mas a medicação ajuda muito em casos como esse, é claro que retomar a rotina e o convívio com as pessoas que fazem parte da sua vida é essencial, mas a medicação é muito importante – eu assenti.
—Isso quer dizer que eu já poderia ter recuperado a minha memória?
—Não exatamente, mas provavelmente você teria alguns lapsos de memória pelo menos ou se recordaria de algumas situações.
—E que remédio é esse? O que ele faz?
—Ele é um agente de regeneração, vai ajudar a tratar do trauma que é o que te impede de recuperar sua memória, quanto mais chances de ele diminuir, mais chances de ficar saudável outra vez – eu assenti mais uma vez cheio de esperanças de poder me recuperar.
—Doutor, sei que não quer ser antiético, mas eu preciso te fazer uma pergunta. As lesões que vê nesse exame podem ter sido provocadas de outra maneira que não acidental?
—O que quer dizer? – Alistair me perguntou com o cenho franzido.
—Acha que a cirurgia poderia ter dado errado e eu ter ficado assim? – ele arregalou os olhos e voltou a analisar o exame.
—De onde tirou isso?
—É só uma hipótese. Estou desesperado e só quero saber o que aconteceu comigo.
—Eu não sei dizer de onde essas lesões podem ter vindo...
—Mas saberia diferenciar se ela fosse feita por um trauma ou por outro meio? – ele pareceu um pouco sem jeito ao dar de ombros.
—Vamos descobrir isso com o tempo. Eu tenho aqui algumas amostras do remédio, quero que tome todos os dias no mesmo horário e quando acabar, quero que venha para repetirmos esse exame e assim saberemos mais sobre o trauma, que tal assim?
Deixei o consultório depois de pegar os remédios e agendar o retorno. Eu achei que essa consulta me deixaria mais tranquilo, mas não foi bem o que aconteceu. Ainda não tinha as respostas que queria, apenas mais hipóteses: pode ser que Jacob tenha sido negligente, pode ser que eu já poderia estar melhor, pode ser que eu recupere minha memória ou não.
Aquele médico não me disse nada, mas eu percebi que havia algo que ele estava escondendo de mim, principalmente depois que eu perguntei sobre a causa do meu trauma. Será que ele realmente não sabia ou tinha dúvidas? Não sei se posso confiar no que Bella disse a respeito de Jacob, principalmente depois de falar com Dr. Alistair, ele me pareceu sério e ético demais para dizer a verdade, me deixando frustrado demais!
Essa frustração vinha sendo provocada por tanta gente que simplesmente não me conta o que aconteceu, não abre o jogo comigo e fala sobre o meu passado, sobre a minha vida! Não é justo e eu não aguento mais, por isso, já que não consegui resolver muita coisa no consultório e receber as respostas que eu estava esperando, resolvi que iria atrás de outra coisa que me preocupava bastante: minha família.
Por mais que fosse segunda feira e o trabalho me esperasse no fórum e que trabalhar me fizesse muito bem, eu não estava com cabeça para isso hoje, até por que, eu não terei sossego enquanto não puder descobrir o que foi que aconteceu, o que nos afastou daquele jeito.
Jasper me disse que tinha sido algo muito feio, minha mãe pareceu muito abalada ao falar sobre Tanya da mesma forma que Tanya ficou abalada ao falar de minha mãe. Algo de muito grave estava sendo escondido de mim e se meus pais eram a única fonte para resolver esse mistério eu iria atrás disso e eu só iria para casa depois que tudo estivesse resolvido, depois que eu entendesse o que estava acontecendo.
Decidido, eu me dirigi para lá. Poucas horas tinham se passado desde que deixei Bella aqui e não sabia ao certo se encontraria alguém em casa, mas mesmo assim, parei o carro em frente à casa de meus pais e me dirigi para lá.
Estava tudo no mais absoluto silencio do lado de dentro, tanto que eu pude ouvir o barulho do chuveiro ao entrar e vi minha mãe sentada na mesa, olhando para o nada.
—Oi, mãe – saudei beijando seu rosto – você está bem?
—Tudo bem, meu filho, e você?
—Eu estou legal. Onde está Bella?
—Está com Rosalie, elas estão cuidando das crianças.
—Isso é bom e é bom que esteja aqui também por que eu queria conversar com você – eu disse e ela continuou a me olhar estranhamente séria – eu queria falar sobre aquele assunto de ontem.
—Imaginei que quisesse, filho – ela deu um sorriso fraco para mim – você ainda é o mesmo menino que sempre foi, muito ansioso para ter informações, para descobrir as coisas.
—Eu preciso disso, mãe. É a minha vida.
—Tudo bem, eu entendo você, não é nada fácil falar sobre isso, mas seu pai e eu estamos, aqui prontos para contar tudo o que quiser saber. Vamos apenas esperar que ele termine seu banho e se junte a nós – com um sorriso ela me convidou a sentar ao seu lado, segurando minha mão enquanto aguardávamos em silencio.
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