Memórias
33 Dizendo
Notas iniciais
Por Bella
Fui direto para a cozinha depois que Emmett me deixou em casa. Esta noite tudo precisava ser perfeito e eu não tinha tempo a perder e enquanto cozinhava algo especial para nós deixei com que meus pensamentos vagassem para os acontecimentos do dia.
Depois que Edward me deixou com sua família, eu ainda fiquei um tempo com Esme tentando acalmá-la. Ela tinha se feito de forte enquanto o filho estava presente, mas foi só ele virar as costas que começou a chorar, rezando implorando a Deus que o guardasse, que o protegesse. Eu procurava conforto nas palavras que dizia a ela sem demonstrar o quanto estava aflita com o que estava sentindo por não parar de pensar no que eu faria se perdesse Edward.
Se… se alguma coisa acontecesse a ele… eu tenho certeza que minha vida terminaria no mesmo instante que a dele e nada no mundo me faria mais infeliz do que nunca ter dito a Edward que eu o amava.
Essa era a principal razão por eu ter tido tanto medo de perde-lo da primeira vez, eu o amava tanto e por causa do nosso relacionamento nunca tive a oportunidade de dizer. Antes eu tinha muito medo de falar sobre o que eu sentia. Se eu dissesse naquela época, eu tenho certeza que Edward terminaria imediatamente nosso relacionamento e mesmo sabendo disso, enquanto eu estive ao seu lado no hospital eu prometia a mim mesma dia após dia que assim que eu visse seus olhos abertos eu diria sem me importar com as consequências.
Não me esqueci da minha promessa quando Edward acordou, mas ele estava sem memória e quando finalmente nos reencontramos havia muita coisa a ser dita, eu tive que contar a ele tudo sobre nossas vidas e diante de como ele reagia a nossa realidade e a intensidade que cada um dos nossos momentos envolvia eu… perdi a coragem de ser tão objetiva quanto queria, não porque o que eu sentia tinha mudado, mas foi tudo muito diferente do que eu esperava que fosse.
Edward depois do acidente se tornou outro homem, muito mais acessível e carinhoso e isso era imprevisível. Por mais calmo que ele estivesse, por mais aberta que ele propunha que fosse a nossa relação, eu jamais poderia esquecer qual era o meu lugar na vida dele nem o que aconteceria se eu abrisse meu coração como eu gostaria de fazer.
Com o passar dos dias em que fomos nos conhecendo novamente, em que eu conhecia um novo lado dele tão atencioso, apaixonado e intenso o meu amor por ele só crescia mais e mais a cada vez que eu olhava para ele, a cada beijo carinhoso que ele me dava. Aquilo tudo era tão diferente, parecia tão irreal – eu ri sem poder me conter – que parecia mais como mais um sonho do que a realidade e eu simplesmente não sabia como agir, o que deveria ou não falar, se poderia mesmo abrir meu coração como ele vinha me pedindo.
Eu me lembro muito bem de quando começamos com as nossas cenas no quarto de jogos e ele me disse que estávamos ali apenas com o intuito de dar prazer um ao outro e que nunca, jamais passaria disso que eu não criasse expectativas por que tudo o que ele queria de mim eram os orgasmos que eu proporcionaria a ele e vice-versa, nada mais do que isso.
Mesmo assim acabei me apaixonando, mesmo assim eu o amava com todas as minhas forças.
Era tão confuso ver meu senhor se tornar meu namorado, com tanta atenção com tanto carinho e isso me deixava sem ação, sem palavras, que por isso, levava algum tempo até eu conseguir processar que tudo aquilo estava mesmo acontecendo, que eu conseguisse me soltar mais, abrir meu coração de verdade. Como foi quando ele me disse estar apaixonado por mim eu queria mais do que tudo mostrar o quanto eu o amava, mas era tão difícil – balancei minha cabeça me odiando por ser tão covarde.
Ontem à noite, parecia ser mais uma noite como todas as outras. Edward tem estado com muita coisa na cabeça e isso o tornava sexualmente faminto, tanto que fazia de mim um objeto para satisfazer sua fome, para desanuviar sua cabeça depois de um dia cheio, como sempre fez. Particularmente eu adorava a impetuosidade que o tomava nessas horas, adorava ser para onde ele corria quando precisava de paz, quando precisava esquecer do mundo e se perder em meus braços, em mim.
Um clima delicioso se instalou entre nós depois de todo o ímpeto sexual ter se dissipado com todas as rodadas do sexo mais quente que se podia haver fora do quarto de jogos, até que ele me pergunta por minha menstruação. Até aquele momento, eu não tinha me dado conta de que ela estava atrasada e foi ai que me lembrei dos remédios que tomei quando estive doente e que deveríamos ter nos protegido depois disso.
Eu fiquei apavorada. O que aconteceria se eu estivesse mesmo grávida? Tive tanto medo de ser verdade e ele me afastar, me detestar que não consegui pensar em mais nada, me concentrar em sua conversa leve, em suas insinuações que nos levariam de volta ao sexo, mas de repente eu fiquei com medo de perder tudo aquilo, de não o ter mais e me entreguei a ele, como em uma despedida.
Lembro-me que passou um arrepio por mim quando me lembrei da sensação de despedida na noite anterior quando Edward foi trabalhar e deixou Esme em prantos. Para tirar o clima ruim e tentar deixa-la mais calma, e de certa forma a mim também que contei a ela sobre minha suspeita de estar grávida.
—Acha que se for mesmo verdade – perguntei a mãe que me abraçava emocionada – Edward vai ficar feliz?
—Quem não ficaria feliz em saber que um pedacinho de nós vai viver em outra pessoa ainda mais se for uma pessoa que você ama? – ofeguei ao ouvir aquelas palavras fazendo Esme sorrir em meio as lágrimas – por que ficou tão surpresa?
—É que isso ainda é... – balancei minha cabeça – inacreditável para mim.
—É inacreditável que Edward te ame? – perguntou com o cenho franzido segurando a minha mão e riu quando assenti timidamente – ora, eu não sei porque, minha querida, Edward ama muito você, há muito tempo.
—A senhora acha?
—Eu tenho certeza disso, posso ver nos olhos do meu filho o quanto te ama, você sabe o quanto eu o conheço – ela deu um sorriso para me animar, mas a tristeza não saia de seus olhos – e eu sei que ele não poderia ter escolhido alguém melhor para trazer um filho dele a vida.
—Mas... eu ainda não tenho certeza...
—Quando uma mulher suspeita, no fundo ela sabe, essa é a primeira premonição de mãe que a gente tem, saber que o nosso filho está dentro da gente. Vai por mim, mãe sempre sabe – ela suspirou e eu vi seus olhos enchendo de lágrimas novamente e em pouco tempo ela estava soluçando incontrolavelmente.
—O que acha que vai acontecer com ele? – perguntei a abraçando com força.
—Eu não sei, mas eu sinto aqui dentro que alguma coisa vai acontecer ao meu menino.
—Esme, meu amor, não fica assim – Carlisle se aproximou puxando a esposa para seus braços com carinho quando eu chorava tanto quanto ela – Edward está no trabalho, vai voltar logo para casa, vai voltar bem, você vai ver – ele a beijou secando suas lágrimas – Vamos voltar para casa, que tal? Ele prometeu que quando voltaria não se afastaria de você então vamos tirar o dia só para nós, para ficarmos bem juntinhos porque Edward não vai facilitar nada para gente, sabe como ele é – Carlisle finalmente conseguiu arrancar um sorriso da esposa e eles se foram.
Olhei para o molho que eu preparava tentando não pensar no medo que senti daquele pressentimento, do medo de perder a minha vida. Eu chorei muito depois que ela se foi, pensando em tudo o que se passou pela minha cabeça quando Edward disse que me amava. No momento eu estava em meio a contas e suspeita de gravidez que quando ouvi aquelas palavras, senti como se meu coração tivesse parado por um minuto inteiro, me senti sem chão, sem ar.
Naquele momento, enquanto eu olhava para aqueles lindos olhos brilhantes e esperançosos eu não tinha nenhuma resposta para dar. Estava me sentindo sufocada por meus pensamentos, pelo medo de ele me rejeitar ou ficar furioso comigo se estivesse mesmo grávida, medo de que esse amor recém descoberto se transformasse em ódio em um passe de mágica que simplesmente me calei, que não pensei em nada para dizer, mas depois de tudo o que ele me disse essa manhã e que gostaria de formar uma família comigo, pela forma com que ele me tratou no telefone há uma hora, me fizeram pensar em um milhão de modos de dizer a ele o que eu sentia em meu coração.
Eu me lembro bem de seu olhar hoje de manhã, de como ele parecia triste por pensar que eu não o correspondia e ao ver isso eu tive muita vontade de abrir meu coração e finalmente dizer o quanto eu o amava, mas eu me segurei. Sorri pensando em como ele pode não perceber isso? Edward conhecia cada uma das minhas ações e poderia ler muito bem meus pensamentos como ele pode não ver o quanto eu o amo, o quanto eu sempre o amei?
Tenho certeza de que eu passei a ama-lo desde que o conheci melhor, desde que eu vi que ele queria o meu bem, que passou a cuidar de mim e fazia de tudo para me fazer feliz. Era impossivel ficar imune ao homem maravilhoso que ele foi se mostrando ao longo do tempo e acho que isso só me deixava ainda mais encantada. Acho que posso chamar esse encantamento de amor, mas não é o mesmo que eu sinto por ele agora.
No começo, Edward era como um ídolo ou o mocinho de um livro pelo qual você se apaixona loucamente. Era uma paixão por características específicas, como o sorriso torto, o jeito sério de falar ou o cabelo bagunçado. Depois de tudo o que eu passei era bem difícil pensar em sexo e muito mais difícil pensar que sexo estava ligado ao amor entre um homem e uma mulher. Sabia que amava Edward, mas isso nem ao menos havia passado pela minha cabeça… até o dia em que ele me beijou.
Ver que Edward, o homem que mais me respeitou na vida, me desejava foi um choque para mim. Eu me lembro de ver seu corpo nu pela primeira vez, duro, cheio de tesão e pronto para me tomar, me deixou apavorada. Jamais tinha imaginado Edward daquela forma, jamais o tinha imaginado desse jeito, tanto que não pude seguir em frente e pedi, em meio a lágrimas que ele se afastasse de mim.
Ver que ele mais uma vez me respeitou e depois, quando conversamos, entender que seu desejo era forte, real, mas que dependia do meu para que fosse explorado, eu me encantei ainda mais por ele e apenas quando nossa primeira vez finalmente aconteceu essa admiração finalmente se transformou em amor, amor de homem e mulher, um amor carnal.
Eu acredito que foi o sexo que me tornou ainda mais apaixonada por ele. Por mais que sempre houvessem as cenas tão elaboradas com apetrechos, surras e castigos, cada toque vindo de Edward era sempre com tanta intensidade com tanto desejo e algumas vezes eu diria que com um certo carinho me fizeram o desejar e me apaixonar ainda mais.
Muitas noites eu passava em claro pensando em como poderia que no quarto de jogos Edward fosse tão quente e carinhoso e fora dele tão frio e distante. Nós não conversávamos, não nos conhecíamos e por mais que ele cuidasse de mim e se preocupasse eu não tinha esperanças de ser algo mais na vida dele e era por isso que eu vivia colocando em minha cabeça que o meu lugar na vida dele era na cama, era sendo seu objeto de prazer e estava feliz por ter ao menos isso.
Fiz todos os procedimentos da refeição que estava preparando e coloquei no forno antes de subir para o quarto a fim de tomar um banho e me arrumar. Essa noite tinha tudo para ser especial e eu faria de tudo para que realmente fosse, por isso, eu vestia a lingerie que Alice me ajudou a escolher esta tarde e o vestido bonito que escolheu para mim.
Depois que Esme foi embora, continuei ali chorando em silencio apavorada das premonições que ela teve até que senti alguém me abraçando.
—Bella, não fica assim – Alice pediu me olhando com carinho e eu tentei sorrir para a minha mais nova amiga – vai ficar tudo bem.
—Estou com medo, eu não quero perdê-lo!
—Olha, eu sei que Esme parece uma vidente profissional, mas as vezes pode ser exagero. Estamos todos com medo de que alguma coisa aconteça desde que descobriram tudo sobre o primeiro acidente…
—Mas ela nunca ficou assim, não em desespero como estava hoje – ela me olhou e eu vi que pensava como eu, mas queria me deixar tranquila e por isso sorriu.
—Olha, você não precisa ficar assim, que tal se nós duas saíssemos um pouco?
—Mas você precisa trabalhar…
—E você precisa fazer um teste de gravidez – arregalei os olhos e Alice riu – ouvi quando contou a Esme e talvez eu possa ajudar você a ter certeza do bebezinho que pode estar carregando e quando tiver essa certeza vamos pensar numa forma bem especial de contar ao papai.
Alice me arrastou para vários lugares durante o dia todo, me dando diversas ideias e tirando da minha cabeça todos os pensamentos ruins que tinham em minha mente, até que voltamos para casa e peguei meu celular que havia esquecido ali, vendo a enorme quantidade de chamadas do meu tio.
Liguei para ele com o coração na boca, com medo de ouvir notícias ruins, mas ele, como Esme, estava preocupado com Edward. Eu também tentei ligar para ele por muito tempo e fui ficando mais e mais preocupada cada vez que ele não atendia. Muito tempo depois, quando eu estava a beira do desespero, meu amor finalmente ligou para mim dizendo que estava bem e que logo estaria em casa.
Terminei de me arrumar e olhei para o relógio pensando nisso. Tinha pouco mais de uma hora e meia desde que nos falamos e então imagino que ele deve estar quase chegando. Meu coração passou a bater mais forte imaginando qual seria sua reação diante de tudo o que eu tinha para dizer.
Como Edward reagiria?
Eu estava louca para contar minha novidade e depois fazer amor com ele muitas e muitas vezes para mostrar que meu coração era dele e sussurrar mil vezes, gritar finalmente o quanto eu o amava.
Eu me levantei rapidamente quando ouvi um carro parando em frente à casa. Era chegada a hora em que eu tanto esperei, que eu tanto sonhei que aconteceria. Fiquei em pé e caminhei devagar em direção a porta, minhas mãos frias, meu coração acelerado, morrendo de nervosismo e de saudade, louca para ver o sorriso cansado e feliz que meu Edward daria assim que abrisse a porta....
Mas não foi o que aconteceu.
Ao invés da porta ser aberta, eu escuto batidas leves e só depois de ponderar por um instante, eu fui abrir.
—Alice? – me surpreendi quando a vi ali com seu filho.
—Tia Bella, você está maravilhosa! – John se aproximou me abraçando com força.
—Obrigada, meu amor – meu sobrinho continuou me abraçando quando eu olho para sua mãe que parecia bastante sem jeito.
—Você está mesmo muito bonita, eu disse que esse vestido era feito para você – Alice sorriu – sem falar que o cheiro aqui está maravilhoso.
—É uma ocasião especial, você sabe disso – sorri para ela com cumplicidade afinal ela era a única que sabia do segredo que eu carregava.
—Você tem toda a razão. Fiz exatamente assim quando foi a minha vez – ela olhou para o filho, mas não com a leveza que o momento pedia e foi ai que eu percebi que alguma coisa não estava certa.
Por mais que tentasse sorrir o tempo todo e parecer tranquila, Alice parecia inquieta, diferente, tensa. John também estava segurando minha mão com força, me olhando com maneira diferente, como se quisesse me apoiar. Enquanto eu observava todas essas coisas, eu ouvi uma porta bater do lado de fora, mas nenhum carro tinha se aproximado desde que ela parou.
—Quem está lá fora? – pedi sentindo meu coração acelerar novamente.
—Jasper – minha cunhada se apressou a dizer – Jasper está esperando no carro.
—E o que você veio fazer aqui? – perguntei por fim, quase sem conseguir respirar porque, de repente, eu me lembrei de como Esme estava pela manhã e da certeza de que alguma coisa ruim aconteceria.
—É que... aconteceu uma coisa horrível, Bella – ela fez uma pausa muito, muito longa e veio para junto de mim – você precisa ser forte, muito, muito forte.
—Fala de uma vez, Alice, por favor – pedi diante de seu silencio – O que aconteceu?
—Edward levou um tiro – essas palavras ecoaram em meus ouvidos e foram queimando meu peito, me fazendo sentir uma dor tão forte que eu mal podia respirar.
—Ele... ele... – eu não conseguia perguntar, mas precisava saber – por favor, não me diga que... agora não, hoje não, por favor! – minha voz era apenas um murmúrio e eu não tinha certeza se ela podia me ouvir.
—Ele não está bem, Bella, pelo que soubemos, perdeu muito sangue.
—Mas está vivo? Pelo amor de Deus – pedi num sussurro – me diz que Edward está vivo!
—Está, está sim. O Doutor Black está cuidando dele agora – assenti o alívio que senti não foi suficiente para evitar que a dor de saber que ele estava mal outra vez no hospital.
Coloquei minhas mãos no rosto, sentindo que meus pulmões não eram suficientes para respirar, o ar me faltava, as lágrimas me sufocavam, tanto quanto a minha dor, tão forte, tão inesperada que me fez cair sentada, sem acreditar no que estava acontecendo.
—Quem... quem foi que deu a notícia? – perguntei na esperança de ser um alarme falso, algum mal entendido – Como foi que souberam?
—Foi o seu tio, parece que Charlie chegou ao local a tempo para socorre-lo...
—Meu Deus, eu não acredito que isso seja verdade, não pode ser, de novo não!
—Não precisa ficar com medo, tia Bella – John me abraçou com força – eu vou cuidar de você como o tio Edward me pediu.
—Ele te pediu isso?
—Eu prometi a ele que se ficasse doente de novo, eu ia proteger você e eu vou cumprir a minha promessa – me deixei ser abraçada, lembrando de quando eu o vi falando com o sobrinho tão ternamente e do quanto aquela cena tinha tocado meu coração, agora ainda mais por saber sobre o que estavam falando. Abracei o menino de volta com força, desejando poder abraçar seu tio.
—Obrigada, John, muito obrigada – eu o abracei por mais um segundo e olhei para a sua mãe – vamos para o hospital agora? Eu preciso...
—Sim, vamos, vamos sim – fui para a cozinha e desliguei o forno com a massa que eu tinha preparado e abraçada ao meu sobrinho carinhoso fomos juntos para fora encontrando Jasper sentado ao lado da caminhonete. Antes mesmo de alcança-lo, podíamos escutar o choro alto e doído dele, que deixava meu coração ainda menor, ainda mais dolorido.
—Meu amor! – Alice correu para abraça-lo e meu sobrinho permaneceu abraçado a mim enquanto observávamos os dois conversando baixinho.
Meus olhos permaneciam secos enquanto eu olhava para a família que estava em desespero, com medo da perda, o mesmo medo que me machucava por dentro cada instante mais e por mais que doesse, eu não tinha forças para chorar, não conseguia acreditar que isso estava de novo acontecendo, que meu Edward, o amor da minha vida, está outra vez entre a vida e a morte. Esses pensamentos me fizeram estremecer, ansiosa por notícias, ansiosa por vê-lo.
—Bella, vamos – Alice me chamou de volta de meus pensamentos – vamos deixar John com Rosalie e as outras crianças antes de irmos para o hospital.
—E Esme? – perguntei a Jasper quando, não muito tempo depois, paramos em frente a casa deles e Alice levou o filho para dentro.
—Ela correu para o hospital assim que soube, ou melhor, que teve a certeza do que aconteceu – respondeu ainda secando seus olhos – desde ontem ela sabia que ia acontecer alguma coisa, mas nada prepara a gente para uma notícia dessas.
—E como ela está?
—É difícil dizer. A mãe sempre se faz de forte, mas ela não é o coração dela... – ele balançou a cabeça quando sua voz foi morrendo.
—Podemos ir? – pedi quando mais uma vez o medo da perda me fez estremecer – por favor...
—Sim, sim – Alice chegou nesse momento tomando a direção.
Por todo o caminho até o hospital de Forks eu fui rezando para que tudo não passasse de um mal entendido, que Edward estivesse bem, que estivesse me esperando. Foi uma viagem extremamente longa e quando chegamos eu mal pude descer sozinha do carro por causa do tremor em meu corpo e quando entramos, logo vimos Carlisle e Emmett andando de um lado para o outro, chorando em desespero. Pai e filho choravam tanto quanto o irmão recem-chegado, mas Esme sentada no canto, mesmo com os olhos secos, era a que parecia sofrer mais.
Eu me aproximei e nós nos olhamos por um longo minuto enquanto eu via a minha dor refletida na dela, uma dor paralisante, aterrorizadora que lágrima nenhuma seria capaz de nem ao menos suavizar.
Nos abraçamos, uma sustentando o corpo tremulo da outra e mesmo em silencio, oferecendo a outra a força que ainda restava em nós para seguirmos a diante nesse momento tão difícil.
—Vocês já o viram? – ouvi Jasper perguntar ainda abraçada a Esme – tem alguma notícia dele?
—Nada ainda, filho. O médico está tomando conta dele ainda, parece que foi muito grave… – Carlisle ainda falava quando foi interrompido por uma voz bastante conhecida a mim.
—Família Cullen, Bella – Jacob nos cumprimentou e eu o olhei segurando firme a mão de Esme – Eu sinto muito por vê-los aqui novamente nessa situação.
—Como ele está, doutor?
—Nada bem, Edward perdeu muito sangue…
—Mas o tiro não foi no braço? Como isso pode ser tão ruim?
—É que ele atingiu uma de suas principais artérias e receio que ele precisará de uma transfusão.
—Eu quero doar – falei rapidamente – sei que temos o mesmo tipo sanguíneo, quero fazer algo por ele, quero ajudar.
—Bella, acho melhor não – Esme tocou minha barriga e me deu um leve sorriso – você precisa de todo o sangue possível agora.
—Mas Edward precisa de mim…
—Ele precisa de sangue e sei que Emmett pode doar novamente.
—É claro que sim – ele logo se prontificou – eu faço qualquer coisa pelo meu irmão.
—Ótimo, então vamos.
—Espere – Carlisle chamou antes que eles se afastassem e perguntou ao médico sem tirar os olhos da esposa – Charlie nos disse algo sobre uma pancada forte na cabeça… o que pode nos dizer sobre isso?
—Edward teve um traumatismo craniano, a pancada causou uma rachadura no cranio e o cérebro também foi atingido – Esme estava amparada ao marido e sua outra mão segurava firme a minha, mas naquele momento, era impossível dizer qual das duas estavam tremendo.
-Ele vai precisar de uma cirurgia? – Alice perguntou amparando Jasper.
—Até o momento ainda não é necessário, o fato foi há apenas três horas e precisamos observar até que se passe o perigo das quarenta e oito horas, por isso, estaremos atentos a qualquer coisa que nos faça agir.
—Mas ele está bem? O trauma que ele já tinha na cabeça…
—Por meio dos exames é bem claro que a parte danificada do cérebro de Edward foi sim afetada com a nova concussão, mas ainda é cedo demais para termos certeza de como e quanto isso o prejudica, se realmente o prejudica – o médico balançou a cabeça – nunca se sabe o que pode ter acontecido. Seja como for, preciso fazer urgentemente a transfusão antes que seu quadro piore, essa é a nossa maior preocupação no momento.
—Então vamos doutor – Emmett pediu já se encaminhando para o local por onde Jacob tinha vindo, mas antes de ir o médico me olhou.
—Fiquem calmos. Depois da transfusão só nos resta esperar para entender o que aconteceu e fazer o que estiver ao alcance para ajudá-lo.
—Por favor, Jacob, salve-o – pedi sentindo meu corpo estremecer mais uma vez.
—Sabe que eu farei de tudo para isso, Bella, tem a minha palavra – ele sorriu para mim e seguiu Emmett.
Permanecemos por horas ali, esperando por notícias. Quando Emmett voltou para junto de nós depois da doação de sangue, já era quase de manhã e Carlisle conseguiu levar a esposa para descansar um pouco depois que Jacob disse que se tudo corresse bem poderíamos vê-lo apenas no fim da manhã.
Alice me lembrou que eu precisava comer, que precisava de forças para que estivesse ao lado dele quando finalmente permitissem e também por agora eu tinha uma força maior para ser prudente e cuidar de mim mesma, maior ainda do que agradar ao meu senhor. Mesmo minha garganta estando fechada, meu estômago revirando eu comi pensando nele e no quanto se orgulharia do meu gesto.
Esme voltou lá pelas dez da manhã parecendo ainda mais cansada de quando tinha ido, seu rosto marcado pela dor e preocupação que tenho certeza que refletiam o meu. Ela veio diretamente para junto de mim e me abraçou perguntando baixinho.
—Alguma notícia? – neguei com a cabeça.
—Jacob nem sequer voltou aqui, não temos ideia de como ele está.
—Você precisa manter a calma, Bella.
—Como? Como eu posso ficar calma se eu nem ao menos sei se vou… — eu não conseguia nem pensar no medo que eu tinha de perdê-lo, muito mais dizer em voz alta.
—Acho que seria melhor você ir para a casa, dormir um pouco, descansar…
—Não, eu não poderia. Não vou conseguir fechar meus olhos, eu mal consigo parar nessa cadeira o que dirá em uma cama e se não posso descansar eu prefiro ficar aqui, com meu Edward.
—Minha filha, agora mais do que nunca você tem Edward com você, dentro de você, não se esqueça disso – assenti e coloquei a mão no meu ventre fechando os olhos e, pelo meu bebê, tentando me acalmar.
Antes que eu pudesse dizer algo, ouvimos alguém se aproximar e meu coração voltou a acelerar quando vi Jacob.
—E então, doutor? – Jasper se adiantou – como ele está?
—A transfusão de sangue foi realizada com sucesso, mas Edward ainda não reagiu de maneira nenhuma.
—Então ele ainda não está em um quarto normal? Não poderemos vê-lo?
—Eu prefiro mantê-lo mais algumas horas ou dias na UTI, até eu ter a certeza de que seu caso é mesmo estável.
—O que você está querendo dizer? Ele vai outra vez ficar em coma…
—Não, Edward está apenas desacordado, pela quantidade de sangue que perdeu, pela pancada na cabeça ou ambas as coisas. Só quero garantir que ele esteja bem antes de ir para o quarto.
—E podemos vê-lo? – reuni todas as minhas forças para perguntar e Jacob sorriu para mim.
—Eu sinto muito, mas tudo o que eu posso fazer por vocês no momento é permitir que o vejam pela vidraça. Tudo é muito recente ainda e não quero arriscar.
—Para nós está ótimo – Esme segurou minha mão dando um passo a frente comigo – só queremos olhar para ele.
—Então venham comigo.
Seguimos devagar pelo longo corredor a caminho da UTI.
A cada passo, eu me lembrava dos longos dias que passei andando por ali, sozinha, do medo, da dor que senti. A cada passo que eu dava, sentia meu corpo tremer o medo de vê-lo naquela situação mais uma vez, de finalmente olhar e ter a certeza de que ele estava ali, mais uma vez.
Nos aproximamos da vidraça e eu o vi.
As minhas lágrimas inundaram meus olhos enquanto eu olhava meu amor, meu homem, a minha força ali, tão pálido, inerte e indefeso, deitado naquela cama, mantido por aparelhos que o monitoravam e o ajudavam a respirar. Até aquele momento, por mais que eu soubesse o que tinha acontecido, eu ainda tinha esperança de que tudo não passasse de um engano, que não fosse tão ruim quanto diziam, mas agora, eu estou vendo que era.
—Meu filho… de novo não, não! – Esme chorou ao meu lado e eu tinha certeza de que ela se sentia da mesma forma que eu não podia ficar imune a dor que aquela cena causava.
—Esme, meu amor, não fique assim, ele vai ficar bem. Olhe para ele, está muito melhor do que da outra vez.
Realmente Edward parecia melhor. Não havia hematomas como na outra vez, mas seu braço estava enfaixado bem como a sua cabeça e eu tive tanto medo de que ele ficasse ali por mais tempo…
—Ele logo vai sair daí, querida – Carlisle disse a esposa na esperança de que ela se acalmasse – você vai ver, Edward vai logo voltar para nós.
—Deus te ouça, Carl… eu não mereço ver meu filho ali mais uma vez… não sei se vou suportar… — Esme chorava e suas palavras eram cada vez menos inteligíveis até que ela ofegou.
—Esme? Esme? – de repente Carlisle a tinha nos braços e ela estava praticamente desmaiada – alguém me ajude!
Por sorte havia um par de enfermeiros por ali que logo trataram de levar Esme para receber os socorros e, por mais que eu me solidarizasse com a dor dela, por mais que eu me preocupasse com aquela mulher tão bondosa, eu não conseguia desviar os olhos por muito tempo de meu amor.
Edward, meu Edward, mais uma vez naquela situação.
Eu me abracei finalmente deixando que a minha dor se transformasse em lágrimas para finalmente deixar de sufocar meu coração tão dolorido. Meu choro só aumentava enquanto eu pensava em tudo o que eu não disse a ele, enquanto eu pensava na criança recém descoberta aqui no meu ventre, no quanto precisávamos dele conosco, vivo e bem.
—Bella – olhei para o lado e vi meu tio ali abrindo os braços para mim. Eu já estava chorando e foi impossível conter as minhas lágrimas mesmo nos braços dele.
—Olha para ele, tio – voltei o rosto para a vidraça que o envolvia – Não dá para acreditar que ele está ali de novo.... meu Deus... eu não vou aguentar.
—Eu sinto muito, me perdoe, Bella.
—A culpa não é sua.
—É sim, prometi a ele que nada aconteceria, prometi que não permitiria que ninguém o machucasse e olha para ele agora.
—Mas foi você que o trouxe para cá, não foi? – meu tio parecia perturbado quando negou.
—Eu cheguei tarde demais… se eu tivesse chegado cinco minutos antes, teria impedido.
—Sabia o que aconteceria?
—Suspeitava. No começo do mês, consegui uma ordem sigilosa para grampear a sala de Quill e ouvi que eles vinham planejando agir há muito tempo, só não tinham se decidido o que fazer – ele balançou a cabeça – precisava ver, Bells, era um plano mais maluco que o outro e em todos eles, Edward acabava morto pelas mãos de Tanya.
—Mas ela dizia para todo mundo que o amava.
—Acredito que tenha amado um dia, mas a moça não estava em seu estado normal, pelo que ouvimos ela estava sobre efeito de remédios que devem ter mudado sua personalidade e obrigado a fazer o que fez.
—Foi ela quem atirou nele?
—Tanya atirou e quando ela viu Edward desacordado pela pancada, caído emu ma poça de seu próprio sangue, no desespero atirou em si mesma…
—Ela está morta? – olhei para meu tio a tempo de vê-lo negar.
—Ainda não, mas os médicos não têm muita esperança – funguei mais uma vez olhando para meu Edward e meu tio me abraçou mais forte quando um arrepio passou pelo meu corpo – eu achei mesmo que conseguiria impedir que isso acontecesse.
—Do que você está falando?
—Eu tive uma semana daquelas por conta do assassinato do Chefe de policia do condado vizinho. Eu trabalhei para caramba no caso e por isso mal tive tempo de ouvir as gravações, apenas hoje pela manhã quando eu tive uma folga. Ao que parece, foram eles que planejaram o crime para me manter bem longe daqui e conseguirem agir. Corri para cá o mais rápido que eu pude e quando ouvi que planejavam colocar o plano em prática hoje. Edward estava incomunicável e tudo me impedia de chegar… não consegui impedir o tiro que ele levou e estava tão focado em impedir algo mais grave que não vi quando Atera o atingiu na cabeça.
—E o que aconteceu com aquelas pessoas? – perguntei com raiva.
—A fim de neutraliza-lo, eu dei um tiro no ombro e outro no pé de Quill que agora está internado para cuidar de seus ferimentos e quanto a Aro, já está preso aguardando julgamento. Tenho certeza que Edward vai querer cuidar disso pessoalmente.
—Acha que ele vai ficar bom?
—É claro que vou. Sei que meu amigo é muito forte e se sobreviveu a um acidente da magnitude, um tiro não vai derruba-lo. Edward tem muita coisa pela frente, inclusive construir uma vida ao seu lado.
—É tudo o que eu mais quero, tio.
.
Charlie precisou ir para cuidar do caso não muito tempo depois, mas não fiquei sozinha, Alice ficou ao meu lado por muito tempo e quando precisou ir Emmett se juntou a mim. Horas já tinham se passado e eu não conseguia me afastar, não conseguia acreditar que aquele pesadelo estava de volta.
—Eu preciso ir para a casa, Bella – Emmett disse baixinho me tirando de mais uma oração.
—Vai sim, você precisa descansar depois de ter doado tanto sangue.
—Por que você não vem comigo? Dorme lá em casa e quando estiver descansada eu te trago de volta.
—Não posso. Eu não vou conseguir sair daqui, não posso sair do lado dele.
—O doutor disse que ele não vai acordar agora, você pode ir tranquila e ainda estar aqui quando ele acordar.
—Eu vou mais tarde, Emmett. Eu só, preciso de mais um tempo aqui com ele…
—Tudo bem – ele beijou minha cabeça – Só não se esqueça que você não está mais sozinha, cuide-se para estar bem quando ele acordar, para vocês viverem o melhor momento da vida de vocês.
Olhei para ele, mas sem verdadeiramente enxergar por minhas lágrimas que logo se tornaram um choro cheio de dor e ainda mais medo da perda. Eu me sinto em pedaços a cada minuto mais e antes que eu pudesse desmoronar, braços enormes me seguram com força.
—Ei, Bella. Fica calma, tenha fé.
—Eu nem tive tempo de contar a ele, Emm. Eu não posso perdê-lo, não vou aguentar.
—Nós não vamos perdê-lo. Edward já passou por coisas piores, ele vai sair dessa e você vai ter muito tempo com ele, nós vamos ter, acredite em mim.
Emmett ficou comigo até que eu me acalmasse, ou melhor, até que eu parasse de chorar porque era impossível ficar calma olhando Edward lutar pela vida novamente. Quando ele se foi, passei a andar um lado para o outro, sempre com os olhos fixos na vidraça como se fosse o meu olhar que o mantivesse estável.
Eu me abracei tentando não entrar em desespero ao pensar em tudo o que eu queria ter dito a ele e não disse, mas a minha cabeça não parava de jeito nenhum. Eu não parava de pensar em como ele me disse, antes de sair para o trabalho, que queria ter uma família. Se… eu pudesse voltar atrás, eu teria contado sobre a minha suspeita, eu o teria levado para a cama e dito o quanto eu o amava.
Esses pensamentos me levaram novamente ao choro desesperado e quando eu mal podia me manter em pé pelo choro e o tremor que percorria meu corpo, Jasper se aproximou, sem dizer nada, ele só me abraçou bem forte me deixando chorar em seus braços por longos minutos e quando minhas lágrimas finalmente deixaram de cair, Jasper sussurrou para mim:
—O que você acha que vai acontecer quando ele acordar?
—Eu não sei – funguei secando meus olhos – só quero que ele acorde.
—Acha que ele vai recuperar a memória?
—Nem pensei nisso ainda. Acha que é possível?
—Talvez sim, não sei realmente. O meu único medo é que ele recupere a memória e volte a ser o cara que era antes do acidente, que nem se lembre de nós e de como estamos próximos. Tenho medo principalmente que ele volte a desprezar a mãe e as crianças que se apegaram de verdade a ele – depois de algum tempo em silencio ele perguntou – não tem medo disso?
—Eu só o quero de volta, Jasper, do jeito que for.
—Ia gostar que ele fosse do jeito que era antes do acidente?
—Eu o amo mais do que consigo dizer. Tudo o que eu quero é que Edward viva – àquela altura, não me importava em ter novamente o dominador distante, não me importava em deixar de ser sua namorada e voltar a ser importante apenas no quarto de jogos. Eu só o queria de volta.
—Você o ama de verdade – assenti sentindo minha garganta fechada pelas lágrimas novamente – por isso é importante que esteja bem quando ele acordar. Por que não descansa um pouco, durma por algumas horas.
—Eu estou bem.
—Bella, você deve estar acordada há pelo menos tinta horas, precisa descansar.
—É que eu não quero me afastar… — antes que eu pudesse terminar Jasper aponta para a cama que tinha improvisado esticando uma manta e reclinando ao máximo uma poltrona que havia ali.
—Descanse, vai ser melhor para você – sem palavras para recusar e sem realmente acreditar que em algum momento eu realmente conseguiria fechar meus olhos, me deixei ser conduzida para a cama improvisada e me deitei.
—Muito obrigada – Jasper sorriu me ajudando a ficar o mais acomodada possível.
—John me fez prometer que ficaria de olho em você. Não posso deixar de tomar conta de uma nora em potencial, não é? – Jasper deu um pequeno sorriso, mas eu não pude lhe sorrir de volta. De onde estava, ainda conseguia olhar pela vidraça e ver Edward em meio a curativos e bipes, ainda sentia uma dor insuportável que me paralisava. Quando voltei a olhar para onde Jasper estaria, ele já tinha ido embora.
Eu me acomodei o melhor que pude naquela poltrona e foi só então que percebi o quanto estava cansada, tanto que nem percebi quando dormi.
.
.
Eu me levantei e fui direto para junto da vidraça como fazia todos os dias.
Hoje, completava uma semana que meu amor levou um tiro e estava na UTI. Segundo Jacob o caso dele estava estável e o único motivo para Edward ainda não estar em um quarto comum é a febre insistente que vira e mexe aparecia, mas depois de vinte e quarto horas de trégua, eu imagino que ele possa ser levado para um quarto, que eu possa finalmente me aproximar, depois de uma semana.
—Você nunca vai embora não é? – ouvi a voz de Jacob e o vi se aproximando com um grande sorriso. Na outra vez, eu sentia grande conforto em seus sorrisos, em sua presença, mas agora não era a mesma coisa.
—Não enquanto ele estiver aqui. Eu só posso estar onde meu coração estiver, não é?
—Você o ama mesmo? É sério isso?
—Sim, Jacob, eu o amo com toda a minha vida, se pudesse eu daria a ele sem ao menos pensar duas vezes.
—Mesmo depois de tudo o que ele te fez? – perguntou me olhando intrigado e eu me lembrei que o médico sabia do nosso quarto de jogos e provavelmente o julgava mal, por isso eu respirei fundo antes de responder.
—Tudo o que Edward fez foi para o meu bem, foi por que me ama – suspirei e tirei os olhos da vidraça por um momento – Eu sei que você soube de coisas bem particulares sobre nós e que provavelmente julga o que fazemos de maneira errada…
—E tem maneira certa de ver o que ele faz com você? Isso é errado!
—Seria errado se não fosse consensual, se eu não quisesse e muito tudo o que temos.
—Mas você era apenas uma criança…
—Você não sabe nada da minha vida, não conhece a nossa história e não tem o direito de julgar.
—Sei que Edward era um homem casado e você uma criança, o que mais eu precisaria saber?
—Que eu o amo e que ele me ama também.
—Por que você o ama? Pelo que eu sei ele te trata como um mero objeto sexual enquanto você devota a sua vida inteira a ele.
—Não sabe mesmo de nada – respondo com muita raiva e olho para Edward desejando que ele entendesse que eu não queria continuar com a conversa, mas ao que parece Jacob não entendeu.
—Bella, é sério, eu gostaria de verdade de entender o que você ganha nessa relação se é que ganha alguma coisa.
—Edward foi a pessoa que mais me respeitou minha vida inteira – o médico bufou ao meu lado e eu continuei – muito mais do que você inclusive.
—É impossível!
—Não é. Você me escondeu de Edward por quase um ano! Eu não tive muito tempo com ele, eu mal consegui matar a saudade e agora ele está… Por que fez isso, Jacob?
—Porque eu queria te proteger – eu balancei a cabeça secando uma lágrima.
—Você só me fez sofrer muito, cada minuto que eu perdi longe dele e que nunca vou recuperar.
—Pensei que ele fosse uma pessoa ruim e que estava te ajudando mantendo-o longe de você.
—Você me ajuda trazendo ele de volta, fazendo meu Edward ficar bem outra vez, por que eu juro que não sei se vou suportar se…
—Não diga isso – Jacob me abraçou com força quando comecei a soluçar e falou baixinho enquanto acariciava meus cabelos – não tem ideia do que eu faria por você, Bella. Tenho certeza que, se você quiser, eu posso te dar uma vida tão boa quanto tem com ele, posso te fazer tão feliz do que jamais foi ao lado dele, só me deixe tentar.
—Não posso…
—Se você me escolher não vai ter nada que ele possa fazer para mudar isso.
—Jacob, você não tem que me salvar de nada – falei dando um passo para trás – não preciso de sua ajuda porque eu estou exatamente onde quero estar com quem quero estar.
—Lembra do que eu te disse? – o médico perguntou depois de me deixar pensar por um tempo – Edward pode muito bem acordar com a memória recuperada e não mais se lembrar do tempo que passou.
—Isso não mudaria nada.
—Tem certeza? Ele era casado e te mantinha em segredo.
—Nada vai nos separar Jacob. Temos uma ligação que nem você e nem ninguém entenderia e ela só está ainda mais forte agora com tudo o que vivemos – suspirei levando minha mão ao meu ventre – e por tudo o que ainda vamos viver.
—Tudo bem. Acho que depois dessa o que me resta é dar o melhor de mim para salvar a vida dele.
—Por favor – Jacob me deu um beijo na testa e se afastou.
Permaneci ali, diante da vidraça como fiz nessa última semana observando o médio e as enfermeiras tomarem conta de Edward. Não vi mais Esme, desde que passou mal ela estava internada nesse mesmo hospital, uma vez que o choque da terrível notícia fez com que tivesse uma recaída, seu coração fraquejou outra vez e não conseguia se recuperar tão facilmente com toda essa tragédia envolvida.
Todos os dias, Jasper vinha com notícias dela e Emm me falava das crianças e de Rose quando me levava para comer. Eles vinham aqui sempre, todos os dias passavam alguns minutos comigo ali, torcendo pela recuperação de Edward. Tio Charlie também tem aparecido. Ele fica comigo sempre que pode, uma vez que está cuidando de descobrir os detalhes de tudo o que havia por trás dos ataques que meu Edward sofreu.
Meu coração bateu mais forte, ali observando os procedimentos diários, quando percebi que finalmente o estavam levando para um quarto. Eu os segui de perto e observei enquanto o acomodavam e ligavam os aparelhos para monitora-lo.
—Como ele está? – perguntei baixinho a Jacob emocionada por finalmente tê-lo tão perto.
—Estável. Sabemos que a transfusão foi muito bem aceita por seu corpo e a febre já passou por completo, mas não sabemos por que ele não acorda, por isso, vamos observar como reage longe dos aparelhos por algumas horas, mas eu tenho esperança que ele acorde em breve.
—E eu posso ficar aqui com ele? – o médico riu.
—Como se desse para te afastar – eu dei alguns passos em direção a cama sentindo meus olhos se enchendo de lágrimas mais uma vez enquanto eu olhava para seus curativos.
—E eu posso toca-lo?
—Fique a vontade – Jacob saiu e eu finalmente toquei em Edward.
Meu corpo inteiro tremia pelo contato. Eu sentia tanta saudade, queria muito poder ouvir sua voz de novo, ver seus lindos olhos, o sorriso torto que derretia meu coração. Tudo o que eu desejava no momento era um abraço bem longo e apertado, do tamanho da minha saudade, queria tanto um beijo…
—Eu queria tanto que você soubesse tantas coisas que ficaram presas em minha garganta esse tempo todo, desde que conheci você, mas que eu nunca consegui dizer, por ser uma boba e não aproveitar o dia. Sempre quis que você soubesse que – falei em voz alta, torcendo para que Edward pudesse me ouvir abrindo meu coração dizendo tudo o que ele tanto queria que eu dissesse – o quarto de jogos foi o meio pelo qual eu tive você, por isso ele é tão importante para mim, é como uma lembrança dos primeiros tempos, como uma lembrança de como eu consegui a melhor coisa que já me aconteceu na vida. Você, meu senhor.
—Eu adoro te agradar, adoro todo o sexo delicioso que fazemos lá dentro, mas o que eu realmente gosto é de ter você e do fato de lá ter sido onde construímos nossa relação. O que eu mais quero nessa vida é você, não importa se no quarto de jogos ou em qualquer outro lugar, eu quero você do jeito que você me quiser, sua submissa, sua namorada, sua senhorita, só quero ser sua pelo resto da minha vida, só quero ser sua para todo o sempre – eu funguei tentando controlar os soluços do meu choro que mal permitiam que eu falasse, mas não poderia parar agora, eu queria continuar.
—Volta para mim, Edward, por favor, por favor, por favor – pedi segurando a mão dele com força e me aproximei com o rosto junto ao dele. Toquei sua pele mais pálida que o normal e enxuguei uma de minhas lágrimas que pingaram em sua bochecha – Acorda logo, meu amor – sussurrei me aproximando ainda mais – acorde para que eu possa te dizer o quanto eu te amo.
Beijei seus lábios sem conseguir resistir, implorando em silencio que ele me beijasse de volta, implorando para que ele voltasse para mim, mas quando meu choro se fez ainda mais desesperado, eu lhe dei um último beijo, prestes a me afastar, quanto sinto sua boca pressionar a minha.
Ofeguei e me afastei imaginando ser uma ilusão de meu desespero, mesmo assim, meu coração batia tão rápido que eu não conseguia pensar direito e antes mesmo que eu pudesse me recuperar e dizer a mim mesma que foi apenas uma ilusão, Edward abriu os olhos e sussurrou com a voz fraca:
—Bella...
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