Memórias
34 Vivendo
Notas iniciais
Eu estava deitado confortavelmente, tanto que por algum tempo pensei mesmo estar dormindo em meu quarto, em minha cama, mas essa sensação não durou muito por que logo percebi que havia algo de errado.
Minha cabeça estava leve do mesmo jeito que eu me sentiria se estivesse dormindo demais, só que meus olhos estavam pesados tanto que por muitas vezes eu tentei abri-los e não conseguia de jeito nenhum. Tudo isso me remetia a um sonho ruim daqueles que você sabe que está sonhando, mas que não consegue acordar.
Hora ou outra eu ouvia algo sendo dito, mas não tinha certeza se era parte do sonho ou se realmente tinha alguém ali por perto falando comigo ou de mim. Essa era a única coisa que eu conseguia captar: vozes. Elas eram difusas, com palavras indistintas e eu não sabia nem o espaço de tempo entre uma e outra ou quem estava falando. Não sabia onde estava nem quem era... tudo o que eu sabia era que eu queria me levantar dali e sair daquela situação incômoda, responder as vozes que não paravam de falar ao meu redor e entender de uma vez por todas o que estava acontecendo comigo.
E em meio a todas aquelas inconstâncias apenas de uma coisa eu estava certo: eu ainda estava ali porque tinha algo que me prendia, que me queria por perto ou que precisava de mim. Eu podia sentir cada vez que a consciência me atingia e de algum jeito parecia que alguém chamava, que pedia por mim e era por esse clamor que cada vez mais eu tentava acordar, tinha necessidade de atender a esse pedido. Permaneci nessa luta não sei precisar por quanto tempo até que eu escuto um nome que me fez reagir: Bella.
Não sei ao certo o motivo, mas esse nome me deixou inquieto louco para me levantar dali e depois de ouvi-lo eu estava mais consciente do que já estive em todo esse tempo, me sentia alerta e mesmo sem entender o que esse nome era para mim fiquei ainda mais desesperado para sair daquela situação, ansioso para melhorar. Por isso, dentro de minha cabeça eu ia repetindo esse nome, como em uma oração, pedindo e ganhando forças até que ela chegou em forma de uma deliciosa pressão em meus lábios.
Eu a senti de novo e de novo, como se me incentivasse a fazer o mesmo e reunindo todas as minhas forças eu o fiz. Com aquele gesto, foi como se eu tivesse sido libertado do que quer que me prendia e eu finalmente consegui abrir meus olhos e dizer por mim mesmo o nome que minha mente há muito ecoava:
—Bella...
Pisquei algumas vezes para me acostumar com a claridade do local. Eu estava me sentindo muito confuso e era mesmo como se eu tivesse acabado de acordar de uma noite muito longa, talvez depois de ter bebido muito e por isso não me lembrava do que tinha acontecido ou de onde estava. A dor da minha cabeça era atordoante, mas a única coisa que eu conseguia pensar era no nome que me deu forças para acordar e por isso eu o repeti mais uma vez:
—Bella – minha garganta estava seca, minha voz soava estranha para meus próprios ouvidos, mas isso não me impediu de dizer mais uma vez como se para ter a certeza que estava mesmo livre do sonho ruim – Bella.
—Aqui, meu senhor, eu estou aqui – antes que eu pudesse compreender qualquer coisa olho para o lado e vejo uma linda moça. Era tão jovem, tão bonita que me deixava ainda mais atordoado. Ela estava em pé ao lado da cama longe demais para que eu pudesse tocá-la, mas perto o bastante para perceber que chorava demais.
—Ei... – sussurrei estendendo a mão para ela me sentindo mal por vê-la naquele estado – ei, não chore, olhe para mim.
Imediatamente ela me obedeceu e quando pude ver melhor seu lindo rosto, olhei para aqueles olhos senti como se o ar tivesse sido arrancado de meus pulmões e meu coração fosse obrigado a parar de bater. E foi em meio a essa profusão de sentimentos que a moça se aproximou e segurou a minha mão.
Eu me senti como se estivesse colocando a mão diretamente em um fio desencapado e estivesse recebendo uma carga de eletricidade que percorria meu corpo com força violenta.
Era muita coisa para assimilar, para entender e sentir, mas nada entrava em minha cabeça eu só conseguia pensar em como eu tinha sentido falta daquela mulher, do quanto eu amava a doce senhorita de olhos cor de chocolate.
E foi olhando para aqueles lindos olhos eu me lembrei, que enfim me lembrei de tudo.
De repente detalhes da minha vida encheram a minha mente. Lembranças de minha infância, da minha família, dos meus anos de faculdade, do meu envolvimento no BDSM, do meu casamento e o quanto toda aquela trama tinha interferido em minha vida e, como não poderia deixar de ser, olhando para aquela imensidão que parecia ser feita de chocolate, eu me lembrei de Bella, da minha senhorita, minha Isabella.
Naquele momento, lembrei a quem meu coração pertencia.
—Bella? – pedi quando consegui respirar novamente, sentindo meu coração se acalmar o suficiente para que eu falasse, para que eu tentasse me levantar da cama em direção a ela – minha... minha Bella?
—Sim, senhor, sou eu. O senhor se lembra... lembra de mim?
—Eu me lembro... Bella eu me lembro de você, me lembro de tudo – eu finalmente consegui arrancar o lençol que me cobria do meu caminho e estava prestes a descer da cama para ter Bella em meus braços finalmente, mas antes que eu o fizesse, ela me parou.
—Não... o senhor não pode se mexer muito, por favor. Seu braço ainda tem o ferimento do tiro e levou uma pancada muito forte na cabeça... o senhor precisa fica deitado, por favor... – depois de mencionado foi que eu olhei para meu braço envolto em curativos e imobilizado, foi só então que senti dor e percebi o quanto me incomodava e franzi o cenho pensando.
—Quanto tempo eu fiquei aqui? Não posso ter perdido outro ano inteiro...
—Não... não, meu senhor, ficou desacordado por uma semana. Perdeu muito sangue e levou uma pancada muito forte na cabeça que afetou o trauma que o senhor já tinha... por isso é melhor que fique deitado, por favor. Ainda tem os pontos da remoção da bala, a ferida é bem recente – assenti voltando a me deitar, mas segurando a mão pequena e tremula entre a minha.
—Então não se afaste de mim, não quero estar nenhum centímetro longe de você nunca mais – minha Bella assentiu chegando mais perto e eu pude mais uma vez olhar para aqueles lindos olhos que eu tanto amava observando o quanto eles estavam repletos de felicidade mesmo que imersos em lágrimas.
—Eu estou tão feliz em ter o senhor de volta, mais uma vez – sussurrou depois de nos encararmos por longos minutos até que não pude mais suportar a vontade de tomar aqueles lábios que eram meus de direito, de matar a saudade tranquilizando ambos os corações.
Era como se nossas vontades estivessem sincronizadas ou que nossa saudade fosse tanta e tamanha que fazia com que nossos corpos a obedecessem e não ao contrário. Nossos olhos não se desgrudaram enquanto nossas bocas se aproximavam e não demorou para que finalmente estivéssemos novamente unidos daquela maneira.
Gemi de prazer quando os lábios dela tocaram os meus. Foi o mesmo tipo de prazer que se sente quando se reencontra alguém de quem se sentia muita falta o que não deixava de ser verdade, uma vez que por mais que eu estive com ela nos meses em que estava sem memória, só agora eu sabia exatamente quem ela era e o que significava para mim.
Mais do que nunca, naquela hora eu senti a força do meu amor por Bella. Era muito intensa a lembrança de tudo o que passamos juntos e que vinha a tona por meio daquele beijo tão simples e contido, mas ao mesmo tempo tão cheio de saudade e apaixonado, tanto que meu coração disparou a tal modo que o aparelho que estava ligado a mim disparou fazendo Bella se afastar e me olhar assustada.
—Eu não deveria estar fazendo isso – minha senhorita disse preocupada, mas nenhum pouco arrependida – acho que não está forte o bastante para isso.
—Tenho forças para beijar você e muito mais, isso é o meu coração que talvez não tenha tanta força para suportar todo o amor que eu sinto por você – Bella ofegou me olhando, seus olhos outra vez vertendo lágrimas insistentes.
—Meu Deus... – sussurrou – isso é demais para mim – aquelas palavras fizeram meu coração bater ainda mais forte, mas dessa vez de medo. Eu sempre soube da possibilidade de ela não corresponder meus sentimentos, mas veio a certeza também de que eu não desistiria dela.
—Não precisa ficar assim... – pedi preocupado por ver sua postura curvada e a mão sobre o ventre com medo de que ela acabasse passando mal. Bella nunca me pareceu mais frágil.
—É que é tão difícil acreditar que isso é real – ela sorriu me tranquilizando – mal posso acreditar que te tenho aqui, vivo, bem comigo. Oh meu Deus eu tenho tanta coisa para te explicar, para te contar...
—Isso não importa agora, Bella – falei puxando ela com meu braço bom num abraço cheio de saudades – nós teremos muito, muito tempo depois porque agora eu só quero você, aqui, no lugar aonde só a você pertence.
Abracei seu corpo tremulo e não demorou muito para ela me abraçar de volta chorando tanto quanto antes. Muito tempo se passou e ela não se acalmava então eu segurei seu queixo a fim de ver seu rosto. Bella estava muito abatida e de longe se via o quanto estava cansada o quanto tinha sofrido. Acariciei aquele lindo rosto secando algumas de suas lágrimas e suspirei.
—Eu te amo tanto, Bella – soltei sem conseguir mais me segurar ainda olhando para aqueles olhos incríveis antes que ela os fechasse em meio a um sorriso.
—Isso soa como se você lembrasse... lembrasse de nós.
—E eu me lembro consigo me lembrar de tudo agora, meu amor, eu me lembro de você e... e me lembro do quanto eu te amo.
—Então se lembra de tudo antes de levar o tiro? Lembra-se do nosso namoro, de tudo o que me disse antes de tudo isso acontecer?
—Eu me lembro ainda mais que isso, Bella. Consigo me lembrar de toda a nossa história, eu me lembro de tudo o que eu tinha esquecido.
—Mas... mas disse que me amava... – ela me olhava parecendo incrédula e confusa como se questionasse a minha sanidade. Eu sorri imaginando o quanto eu precisaria lutar para convencê-la dos meus sentimentos e antes que eu pudesse pensar em algum jeito ou de começar Bella arregala os olhos e se afasta de mim – E o que eu faço? Devo chamar Jacob ou alguém para cuidar do senhor?
—Você deve ficar aqui comigo – e a puxei para mais perto – onde é o seu lugar.
—Mas acabou de acordar, precisa de cuidados...
—Eu preciso de você, tenho tanta coisa para te dizer e isso não pode mais esperar nenhum segundo.
—Eu também... eu tenho muita coisa para te falar... Edward... Senhor Cullen, eu – toquei os lábios dela com carinho e disse olhando para seus olhos.
—Mas vai me ouvir primeiro, vai deixar com que eu diga tudo o que eu sinto desde a primeira vez que eu coloquei meus olhos em você, lá no fórum, na minha última audiência na vara de família.
—Há tanto tempo? – assenti beijando seu rosto.
—Eu me sentia muito mal pelo que você me contou de nossa história quando estava sem memória. Eu realmente achava que tinha feito mal a você pela maneira com que te levei para o quarto de jogos e te mergulhei nesse mundo cheio de sexo sujo e delicioso. Achei que tinha feito isso por puro egoísmo só para alimentar meu tesão, mas não foi assim, nunca.
—Eu sei que não – ela me olhou por um instante antes de abaixar os olhos e sussurrar – meu senhor – segurei seu queixo e a fiz olhar para meus olhos para abrir meu coração.
—Eu me apaixonei por você no instante em que te vi, Bella, no mesmo segundo. Assim que te vi entrar na sala de audiência, eu senti meu coração bater mais forte e não consegui desviar meus olhos de você. Era uma menina linda mesmo com os olhos tristes, retraída e assustada depois de tudo o que passou você mexeu comigo e não foi por que senti pena ou por estar sensibilizado com todo o horror de sua história, mas sim porque você tocou verdadeiramente meu coração.
—To...toquei? – senti Bella tremer e lhe apertei em meus braços.
—Sim... na época eu não entendi muito bem o que significava ou até entendi, mas fingi que não.. sei lá... Tudo o que eu tinha certeza naquele momento é de que não deixaria ninguém te fazer mal nunca mais e ali mesmo eu jurei que sempre estaria com você e te protegeria para sempre. Quando o julgamento terminou eu não queria sair do seu lado, mas... – hesitei pensando em como dizer aquilo e Bella interpretou a sua maneira baixando os olhos para me perguntar.
—O senhor tinha a Tanya?
—Não foi por causa dela, sabe que eu nunca a amei, Tanya nunca foi nada para mim. Nosso casamento sempre foi uma farsa e já não me importava com nada mais a esse respeito e a única razão para eu não ficar com você o tempo todo era que eu estava assustado com tudo o que estava sentindo e não queria te assustar também, não depois de tudo o que passou.
—Então... então quis mesmo me levar para seu quarto de jogos assim que me conheceu?
—Não. Não estava pensando em tomar você para mim de imediato e te levar para meu quarto de jogos assim que te vi, mas eu queria cuidar de você, te encher do carinho que nunca teve e que eu estava disposto a te dar e foi o que eu fiz no começo. Eu adorava mimar você, adorava conversar e fazer de tudo para te ver bem para só então abrir meu coração e tentar te conquistar, mas não importava o que eu fizesse não conseguia tirar a tristeza de seus olhos, não conseguia te devolver a vida. Foi então que decidi que era hora de tomar as rédeas e tornar tudo mais fácil para você.
—E conseguiu – sorri acariciando seu rosto.
—Sei que não deveria ser nada fácil para você pensar nessas coisas depois de tudo, sabia que estava machucada e que precisava trazer a paz de volta para a sua vida, curar não só seu corpo, mas a sua mente e o seu coração. Eu tinha planos de me aproximar de você e entrar no seu coração como você tinha feito com o meu, mas enquanto eu tentava, você tomou conta de mim por completo e quando percebi eu já não conseguia me imaginar sem você.
Nós nos encaramos por um momento, ambos respirando com dificuldade lembrando daquela época, eu mais uma vez me sentindo amedrontado diante da força do meu amor por ela, mas dessa vez, escolhendo um caminho completamente diferente.
—Jamais poderia imaginar uma coisa dessas...
—Eu sei – acariciei seu rosto lentamente enquanto falava – jamais demonstrei nenhum terço do quanto você é importante para mim, do quanto eu preciso de você.
—Isso eu pude ver quando estávamos no quarto de jogos, sempre senti que tinha alguma importância em cada toque seu, mesmo que às vezes fossem bastante doloridos.
—Juro que não queria nada disso, Bella, nunca quis você como minha submissa.
—Não?
—Essa nunca foi a minha intenção – balancei a cabeça pensando nisso – tenho certeza de que se lembra do que Kate disse naquele dia em que a encontramos e era exatamente assim, eu tinha minhas submissas exatamente daquele jeito como um objeto, um meio de conseguir prazer, em explorar coisas que me agradavam, nada mais que isso.
—Mas você gosta de tudo aquilo, não é? Não acreditaria se me dissesse que não pertence a esse mundo.
—Eu realmente gosto, sabe que dominar faz parte de mim, de quem sou. Quando encontrei esse mundo eu me descobri, descobri de onde vinha o meu prazer e para onde ele me levaria e para mim era só isso. Minhas relações eram apenas em busca do prazer e só, nunca, jamais pensei em me envolver com ninguém e muito menos com uma de minhas submissas e esse, ao mesmo tempo era o principal motivo para eu não te levar e para te levar para lá.
—Do que está falando?
—Quando percebi que você estava pronta para mim, a cabeça mais leve, o coração mais puro eu percebo o quanto te amo – Bella segurou a respiração e me olhou os olhos como tinha feito todas as vezes que declarei meu amor e esperei que respirasse novamente para continuar – eu queria mais do que tudo me entregar a esse sentimento, mas não sabia como. Não só pelo fato de isso ser totalmente novo para mim, mas também por que você era apenas uma menina, quase uma criança – balancei minha cabeça me lembrando.
—Eu decidi que te tornaria minha submissa por que meu desejo era imenso, tanto quanto o meu amor por você e o medo que tinha disso tudo, uma vez que jamais tinha me imaginado nessa situação. Então achei que se tivesse você em meu quarto de jogos, eu conseguiria cortar a relação que tinha com você e te transformar em meu objeto de prazer, mas não foi isso que aconteceu. Cada vez que fomos para o quarto de jogos, a cada toque, cada olhar só me aproximaram de você e me fizeram ainda mais apaixonado.
—Edward...
—Lembra da primeira surra que eu te dei? – perguntei baixinho – você me contou sobre ela quando estava sem memória. Eu perdi a paciência quando derrubou todo aquele chocolate em cima dos meus papeis depois de ter dito meu nome tantas vezes – ela arregalou os olhos assentindo.
—Sim, senhor, eu me lembro.
—Aquele não foi o verdadeiro motivo pelo qual apanhou de mim. Eu te bati daquele jeito porque eu estava com raiva por ter pensado em você cada segundo daquele dia, por ter contado os minutos para ter você e por estar ansioso para te levar para a cama – eu sorri me lembrando – mas assim que descontei toda a minha raiva, eu me senti culpado e quis te recompensar com todos aqueles orgasmos e, para ser sincero, todas as vezes que eu te castiguei tem mais a ver comigo do que com você ou seu comportamento. Eu te castigava por pequenas razões porque eu te amava e tinha medo de saber que não sentia o mesmo.
—Mas eu... – Bella tentou me interromper e eu toquei seus lábios para continuar.
—Eu tentava a todo custo me afastar de você e não me apaixonar ainda mais pelo seu sorriso, por seus olhos e por todas as outras pequenas coisas em você que eu ia descobrindo ao longo dos dias que passava ao seu lado e por isso era tão frio quando estávamos fora do quarto de jogos, mas lá dentro, era impossível disfarçar meu desejo e meu amor por você – Bella ofegou outra vez e eu sorri acariciando seu rosto antes de continuar.
—Depois de quase dois anos tentando te afastar de mim, eu percebi que não conseguiria fazer isso, você estava tão cravada em mim dentro do meu coração que eu não poderia mais fingir que não. Então eu decidi que já era hora de abrir meu coração para você e contar toda a verdade, tinha planejado tudo eu ia conversar com você no dia de seu aniversário, queria pedir a sua mão e rezava para que me dissesse sim, mas o acidente acabou por interromper meus planos – ela suspirou e eu beijei seus lábios delicadamente.
—O acidente interrompeu meus planos, mas não o mudaram. Eu me apaixonei por você outra vez assim que acordei e te vi ao meu lado e acho que isso sempre vai acontecer e quer saber? É só o que eu quero para a minha vida, quero todos os dias me apaixonar por minha senhorita obediente e por minha Bella geniosa e sonhadora. Quero te amar todos os dias de minha vida, meu amor, meu coração é todo seu desde que coloquei meus olhos em você e sempre será, mesmo que não sinta o mesmo...
—Não fala isso...
—É verdade. Eu aceito o que temos, mas de jeito nenhum eu vou desistir de você, ainda vou te conquistar, de um jeito ou de outro.
—Não precisa fazer isso, senhor Cullen...
—É claro que preciso. Quero você para mim e vou lutar para isso com tudo o que eu tiver...
—O senhor não precisa lutar por isso – ela me interrompeu tocando meu rosto – porque não precisa lutar pelo que já tem.
—O que isso quer dizer? – pedi quando ela parou de falar sentindo meu coração bater mais forte.
—Quer dizer que o senhor já conquistou meu coração – ela sorriu quando franzi o cenho – eu tive tanto medo de te perder e não conseguir dizer o que eu sinto, o que eu sempre senti pelo senhor.
—Bella... – tentei falar, mas ela me interrompeu.
—Deixe-me falar, senhor, por favor... eu esperei muito tempo para isso, mais tempo do que deveria – Bella mordeu o lábio inferior parecendo nervosa e olhou para nossas mãos entrelaçadas – Prometi a mim mesma que diria assim que o visse acordado depois do acidente, que não perderia a oportunidade, mas acordou sem memória e ficamos tanto tempo separados que quando finalmente nos encontramos estava tudo tão diferente... eu não sabia como agir. Queria ter aberto meu coração antes de levar o tiro, mas naquela hora eu não era capaz de pensar em nada...
—O que está querendo me dizer? Não tenha medo de abrir seu coração para mim – pedi depois que ela hesitou mais uma vez – estou pronto para o que for.
—Eu quero dizer que amo você, Edward – sua voz mal passava de um sussurro, tanto que eu só pude entender de verdade o que disse graças aos seus olhos que gritavam, cravados nos meus transmitindo a mesma mensagem. Mesmo certo do que ela queria dizer, não hesitei em pedir que ela repetisse e para o meu completo deleite ela repetiu com todas as letras – eu te amo.
—Mas você me ama como eu amo você... ou ama que eu te ame? – pedi inseguro – O que você ama, Bella, o que temos juntos ou ama o fato de eu ter te ajudado tanto?
—Quando eu te conheci era algo próximo a admiração e gratidão realmente, era um fascínio como eu lhe disse, mas do mesmo jeito que disse que entrei em seu coração, o senhor entrou no meu e tudo se fortaleceu quando estabelecemos nosso relacionamento no quarto de jogos, foi quando eu passei a te amar como meu homem e senhor.
Podia ouvir o som do aparelho anunciando o quanto meu coração estava acelerado, mas a única coisa que eu conseguia me concentrar era no fato de que eu realmente tinha renascido naquele momento e mais do que qualquer coisa que eu tenha me lembrado ou de ter acordado depois de todo o que me aconteceu, saber daquilo era o que me devolvia a vida.
Não consegui dizer nada diante daquelas palavras. Eu só queria apreciá-las mais um pouco enquanto olhava para a mulher que eu tanto amo e que me amava também. Nós nos olhamos por um longo momento até que sorrimos um para o outro e Bella abaixou os olhos.
—O senhor parece surpreso e eu não sei realmente o porquê. Sei que me conhece mais que eu mesma e não sei como não viu o quanto te amo.
—Sei ler o que seu corpo diz para mim, mas o que está em seu coração eu nunca consegui ver.
—Gostaria muito de ter te contado antes, nunca tive dúvida do que sinto apenas medo de dizer e as coisas ficarem diferentes. Sempre deixou muito claro o que queria de mim e até onde chegaríamos e por isso guardei tudo só para mim.
—Então por que se esquivava toda vez que eu te perguntava quando estava sem memória? Sempre disse que queria que fosse diferente, sempre pedi para que abrisse seu coração para mim.
—Eu sei – sussurrou com os olhos baixos – mas eu fui covarde demais, sempre quis dizer, mas por algum motivo achei que o senhor não gostaria de ouvir...
— Eu amo você, Bella sempre te amei e sempre vou amar. O que eu sinto por você foi mais forte do que o trauma em minha cabeça, mais forte do que a distancia ou que nós podemos entender. Acho que se tivesse me dito, talvez eu não teria tanto medo de resolver nossa situação e isso me ajudaria a tomar uma atitude.
—Verdade?
—Eu sempre quis escutar isso, Bella, não sabe o quanto é importante para mim, de verdade. Eu te amo – com a máquina ainda bipando cada vez mais alto, eu beijei meu amor feliz demais por saber que era correspondido.
—Eu te amo, meu senhor – sussurrou com a boca ainda na minha depois de trocarmos inúmeros beijos que não conseguíamos parar de dar – de todo o meu coração.
—Ei... não precisa me tratar assim, ainda sou eu, Edward o seu namorado, o homem que vai se casar com você assim que tiver alta desse maldito hospital...
—Casar?
—Sim, se você me disser que sim a gente se casa na porta do hospital, assim que me deixarem ir. Estou louco para que você seja minha oficialmente e começar uma família com você.
—É tudo o que eu quero também meu amor – ela colocou a mão sobre o ventre e sorriu para mim – e por falar nisso, lembra que eu te disse ter uma surpresa? – pensei por um instante e me lembrei da última vez que nos falamos quando eu ainda estava no fórum.
—Você disse que era algo importante – assenti me lembrando do quanto eu tinha ficado curioso para saber do que se tratava.
—E era... é. Edward, eu não quero cometer o mesmo erro e esconder de você algo tão importante e que vai te fazer tão feliz quanto eu estou. Tive tanto medo de não conseguir te contar que agora tudo o que eu quero é dizer de uma vez.
—Então diga – pedi quando ela hesitou e sorrindo, Bella segurou minha mão, olhando para os meus olhos, mas antes que pudesse prosseguir ouvimos a porta abrir.
—Eu acabei esquecendo o meu... – Jacob entrou olhando para alguns papéis e só quando se aproximou levantando a cabeça foi que me viu acordado e me olhou atônito – Edward? Você está mesmo acordado?
—Acho que sim, por mais que pareça que estou sonhando – sorri para Bella e só depois voltei a observar o médico nos olhando incrédulo.
-Isso é fascinante, como é bom te ver de olhos abertos! – Sem perder tempo, o médico veio para perto puxando seu estetoscópio olhou para Bella – Por que não me chamou?
—Eu pedi que ela não o fizesse – respondi segurando mais firme a mão delicada – não queria que Bella saísse do meu lado.
—Bella? Vocês já tiveram tempo para conversar ou...
—Eu me lembro, Jacob. Agora eu me lembro de tudo – o médico tirou os olhos de seu trabalho antes de perguntar.
—Tudo o que? Antes do acidente ou depois?
—De tudo antes e depois. Posso me lembrar de detalhes dos fatos de minha infância bem como tudo o que aconteceu para eu vir parar aqui – franzi o cenho percebendo que não tinha pensado nisso até então, mas logo percebi que não precisava me preocupar com aquilo agora. Tenho certeza que Charlie estava cuidando de tudo e em breve eu saberia com detalhes o que tinha acontecido com aquelas pessoas e depois lidaria com isso.
Enquanto pensava, em silencio, o doutor assentiu enquanto verificava meus batimentos cardíacos e ascendeu uma lanterna em meus olhos antes de sorrir.
—Não tem meia hora que tiramos você dos aparelhos que te ajudavam a respirar, que te colocamos nesse quarto e que eu te deixei completamente desacordado na companhia de Bella. Agora volto aqui e me deparo com seus olhos abertos! Eu me pergunto como foi que isso aconteceu? – pediu olhando nossas mãos entrelaçadas – o que foi que fez, Bella?
—Eu só pedi que ele voltasse para mim... e ele voltou.
—Uau. Se eu soubesse que era só deixar que Bella se aproximasse, eu teria feito isso antes. Preciso ver se as salas de exames estão desocupadas, tenho que ver o que está se passando no seu cérebro agora mesmo, mas antes, diga-me, como está se sentindo?
—A minha cabeça dói um pouco, mas estou muito bem.
—Como da outra vez, parece que você acabou de acordar de um sono revigorante, nem parece que teve mais um trauma no cérebro. Precisarei fazer alguns exames para ter certeza, mas aparentemente está tudo certo. Você é um enigma para a medicina. Como recuperou a memória?
—Foi quando eu olhei nos olhos de Bella. Eu vi minha vida toda quando olhei para eles, quando vi outra vez o amor de minha vida – Bella e eu sorrimos um para o outro e Jacob bufou baixinho ao meu lado e foi então que eu me lembrei de como ele era babaca – algum problema, Black?
—Se realmente se lembra de tudo sabe qual é o meu problema.
—Está assim por que Bella e eu temos um relacionamento? – cerrei meus olhos para ele que sorriu.
—Jura que tem coragem de chamar o que faz com ela de relacionamento? – Jacob riu e aquilo me deixou morrendo de raiva.
—Olha aqui, seu filho da puta, presta bem atenção no que eu vou te falar: se continuar com essas insinuações eu meto um processo em você e acabo com a sua raça. O que eu e a minha mulher fazemos dentro do nosso quarto é problema nosso e de mais ninguém, entendeu?
—Não precisa se exaltar...
—Não preciso o caralho! Eu estou cansado de você achar que pode nos julgar pelo que você ouviu sobre a nossa vida pessoal sem nem saber se é ou não verdade.
—Minhas informações vieram de fontes seguras e eu tenho olhos e ouvidos para tirar minhas próprias conclusões. Mas como bem se lembra já discutimos sobre e isso vai além das minhas competências médicas.
—Com certeza vai. Olha, Jacob, agradeço muito tudo o que fez por minha saúde, mas se continuar assim não respondo por mim e vai finalmente conhecer quem é Edward Cullen.
—Tudo bem, podemos deixar isso para lá por enquanto. Bella, pode nos dar licença enquanto eu o examino? – ela assentiu se afastando, mas eu a impedi.
—Ah... não mesmo, meu amigo. Ela não vai a lugar nenhum, não vou deixar que me afaste dela dessa vez.
—Acho que não teria problemas em encontra-la agora que sabe quem ela é.
—Mesmo assim, quero a minha mulher ao meu lado e é aqui que ela vai ficar – puxei Bella para junto de mim enquanto o médico bufava para conferir o aparelho que me monitorava. Logo algumas enfermeiras entraram no quarto e se organizavam para que eu realizasse os exames.
Respondi milhares de perguntas, fui colocado em diversas máquinas diferentes e furado por inúmeras agulhas, sendo arrastado para baixo e para cima naquela maca aguentando firme até que a bateria de exames finalmente acabou, fui levado para o quarto e fiquei aliviado ao ver Bella ali esperando por mim. Sem resistir, eu a puxei para meus braços e a beijei. Minha senhorita ainda parecia preocupada e abatida e por isso eu senti a necessidade de abraçá-la mais contra mim. Assim que nos separamos ela me olhou por um instante antes de suspirar.
-O que foi? – perguntei estranhando.
-É que eu tenho uma coisa importante para te dizer que não pode esperar.
—É só me dizer, Bella.
—Bella, terá que vir comigo – Jacob interrompeu saindo sabe-se lá de onde colocando a mão em seu ombro e me deixando com raiva.
—De novo com isso, Black? Já falei que ela não vai a lugar algum. Por que quer tanto tira-la daqui?
—Sua família quer ver você e não posso permitir muita gente a sua volta assim de uma vez, por mais que pareça bem é tudo muito recente ainda.
—E está todo mundo lá fora? – Jacob e Bella se olharam por um instante antes de ele desconversar.
—Se ela não vai sair, vou pedir para que entrem aos poucos – o médico saiu e eu gostaria de questionar Bella sobre o que tinha a dizer, mas estava ansioso demais para ver a minha família e a única coisa que fiz foi ficar olhando para a porta como um garotinho até que ela finalmente foi aberta.
—Então são vocês? – perguntei um pouco desapontado por não ser quem eu realmente queria ver.
—Qual é, até parece que não está feliz em ver a gente – eu ri.
—É claro que eu estou, como não estaria? Obrigado por estarem aqui, Emm e Jaz.
—É claro que a gente viria – Emmett riu esquecendo-se de imediato da decepção que antes parecia sentir – Olha só para o nosso irmãozinho, Jaz, parece quando a gente tinha que ficar de olho para que ele não se metesse em encrenca e a gente se distraia por dois segundos.
—Quem você está querendo enganar, Emm? Nunca conseguimos tomar conta de Edward, muito menos você que sempre o deixou fazer o que quisesse.
—Ei... ele não precisa saber do que não lembra – eu ri.
—Pois fiquem vocês sabendo que agora eu me lembro, não só disso como de muitas histórias de nossa infância – eles se olharam antes de Emmett perguntar.
—E do que mais se lembra?
—De tudo. A minha memória voltou por completo, mas vocês não precisam ficar cheio de dedos comigo – pedi quando eles se entreolharam mais uma vez parecendo nervosos – eu me lembro de ter sido um babaca com vocês, mas também me lembro de como estávamos próximos antes de eu vir parar aqui e do quanto eu estava feliz com isso.
—Nós também, irmão, mais ainda agora que está de volta conosco – Jasper sorriu parecendo mesmo aliviado e Emmett deu um soco no meu braço bom.
—E queremos te ver longe desse hospital o mais rápido possível.
—É o que eu mais quero também – Bella apertou minha mão concordando e eu suspirei – e então, cadê a mãe? Achei que ela estaria por aqui – eles novamente trocaram olhares entre si e entre a Bella antes de Jasper suspirar.
—Olha, não queremos preocupar você, mas merece saber.
—Saber o que?
—A mãe passou mal quando te viu aqui de novo. Sabe que ela tem o coração fraco e ela não aguentou o tranco muito bem.
—Que merda! – passei as mãos pelos cabelos tentando controlar meu nervosismo – tive tanto medo disso acontecer, droga! Como ela está?
—Teve momentos bem ruins nas primeiras horas... ela até ficou um tempo desacordada, mas agora está melhorando e vai ficar ainda melhor quando vir você.
—E onde ela está?
—No andar de baixo, mas o pai tá tentando transferi-la...
—E por quê?
—Bom, a conta desse hospital não vai ser nada baixa e pode colocá-los em dificuldade.
—Uma ova que vai! A mãe vai ficar aqui mesmo.
—Eles não têm dinheiro para pagar a conta, Edward, ela precisa ir.
—Isso não importa, tenho dinheiro o suficiente para comprar esse hospital inteiro e quero que a mãe seja muito bem cuidada – enquanto falava eu me sentava na cama e tentava me levantar me apoiando no braço bom para sair dali.
—O que está fazendo? – Bella perguntou tentando me ajudar.
—Eu vou ver a mãe.
—Mas não pode sair daqui assim ... acabou de acordar e...
—Quero só ver quem é que vai me impedir de sair daqui – falei em alto e bom som encarando cada um que estava ali e assenti quando ninguém se manifestou – ótimo. Agora me ajudem – quando eu consegui ficar em pé, Jacob entrou novamente no quarto.
—O que pensa que está fazendo?
—Estou indo ver minha mãe no andar de baixo.
—Ficou louco? Não pode simplesmente sair andando por ai assim. Não está forte o suficiente e o trauma que sofreu pode causar tonturas e desmaios. Quer ficar desacordado de novo?
-Isso não me intimida, já estou decidido e de um jeito ou de outro eu vou ver minha mãe, se não for andando que me arranjem uma cadeira de rodas e não percam tempo – meus irmãos olharam para o médico que também não teve reação a não ser assentir para a enfermeira que o acompanhava e felizmente não demorou até que me trouxessem uma cadeira de rodas e eu me coloquei a caminho do quarto onde minha mãe estava.
Bella vinha comigo segurando minha mão enquanto Emmett empurrava a cadeira tentando melhorar o clima com conversas aleatórias falando sem parar mesmo que não houvesse resposta de minha parte até que finalmente chegamos.
—Edward! – meu pai se surpreendeu quando adentrei o quarto – meu filho, você acordou! Você está bem?
—Eu estou sim, muito bem.
—Graças a Deus, estávamos tão preocupados – retribui o abraço carinhoso de meu pai e quando o olhei de volta, percebo o quanto.
-Especialmente a mãe, não é? – pedi me aproximando da cama onde Esme dormia – como ela está?
—Se recuperando bem e eu tenho certeza que vai ser ainda mais rápido quando vir você aqui e bem.
—Não queria que nada disso tivesse acontecido, não queria vê-la assim por minha causa.
—A culpa não é sua, filho.
—É claro que é. A primeira vez que ela teve isso foi porque estive ausente por muito tempo e agora foi por que ela não aguentou me ver mal. Por mais que a culpa não seja totalmente minha, eu tenho a minha parcela.
—Não pense assim, filho. Esme é muito sensível e tudo isso foi muito duro, para todos nós, mas agora que você está bem tudo também vai ficar.
—Ela está dormindo? – ele assentiu.
—Sua mãe vai ser transferida no final da tarde e precisa estar descansada para isso.
-Pai, não precisa fazer isso. Deixe ela aqui perto de mim, deixe que nós nos recuperemos juntos.
-Filho...
—Deixe que eu cuide do resto pai – ela ia negar, mas eu o interrompi – dessa vez não estou te oferecendo algo que eu não tenho ou que vou me sacrificar para conseguir. Estou oferecendo o que eu tenho, deixe-me cuidar da mãe.
Meu pai me encarou por um momento. Ele parecia ter envelhecido anos nessa semana e como Bella tinha o rosto cheio de cansaço e preocupação, até que ele expira assentindo.
—Eu te agradeço, Edward.
—É o mínimo que eu poderia fazer – segurei a mão de minha mãe e apertei sussurrando para ela – fica boa logo, por favor.
—Edward? –Bella tocou meu ombro alguns minutos depois – você precisa voltar para o quarto, não pode abusar muito, meu amor.
—É... eu já estou me sentindo muito cansado. Pai, me avisa quando a mãe acordar? Quero me certificar que ela está bem, quero que me veja, quero dar um beijo nela.
—Eu prometo, pode fica tranquilo e descanse também você precisa se recuperar tanto quanto ela, os dois precisam ficar bons.
—Obrigado. Vejo você mais tarde, pai – assenti aceitando seu conselho e me deixando ser levado de volta para o meu quarto. Assim que cheguei eu me deitei grato por poder descansar depois de tanta agitação.
—Você parece cansado – Bella falou baixinho me cobrindo.
—Você também. Vem, deita aqui comigo – sem hesitar, minha namorada deitou junto comigo bem aconchegada no meu braço bom. Depois de algum tempo olhando para o rosto que eu tanto amo perguntei – por um acaso você dormiu ou comeu nesse tempo todo?
—Sim – ela sorriu olhando para baixo – não foi por vontade própria, mas fui convencida a me manter em pé para quando acordasse – Bella tocou meu rosto – não tenho palavras para dizer o quanto estou feliz por te ter de volta.
—Nós temos uma vida inteira pela frente e não vou deixar que nada nos impeça de vive-la, eu juro para você, meu amor – nós nos beijamos matando a saudade, mas o cansaço logo me fez abraça-la pronto para me entregar ao sono, mas ao que parece ela ainda tinha algo a me dizer.
—Há dois anos, nesse mesmo dia, eu recebia a pior noticia da minha vida – sussurrou e depois deu um pequeno sorriso – e hoje, tenho você de volta, meu maior presente – arregalei meus olhos me lembrando.
—Hoje é o seu aniversário – Bella assentiu e eu toquei o rosto dela apreciando sua beleza.
—E apesar disso eu tenho um presente para você – segurando minha mão, ela a levou para o seu ventre e voltou a sussurrar – você disse que queria começar uma família e que mal podia esperar por isso e bem, agora não precisa mais esperar. Nossa família já está formada.
Minha mão tremia enquanto eu acariciava seu ventre plano absorvendo aquelas palavras enquanto agradecia em silencio pela maravilha que era estar novamente vivendo.
Fale com o autor