Notas iniciais
Olá, senhoritas, como estão? É eu sei, demorei um pouquinho, mas é que semana passada eu não estava em condiçoes pscicológicas para escrever, mas está tudo bem agora. Eu espero sinceramente que vocês gostem bastante desse capítulo. Boa leitura!

Sai do apartamento de Bella e caminhei alguns metros na chuva tentando clarear a minha mente.

Eu me sentia perdido.

Estava perdido por que descobri uma parte de minha vida, uma parte muito importante que eu não fazia ideia que existia. Essa era a pior parte de não se saber quem é: ir se descobrindo aos poucos e se surpreender com a vida que é sua, com o que está acostumado a fazer com as pessoas que fazem ou deixaram de fazer parte de sua vida.

Eu estava desolado por descobrir que o que Tanya disse sobre eu não me dar bem com a minha família era verdade, principalmente por que a culpa disso tudo era minha, eu me afastei e virei as costas para aquelas pessoas maravilhosas que me amavam mais do que tudo e me doía ainda mais por que, ao que parece, eu fiz isso por causa de Tanya.

Isso não fazia o menor sentido.

Se eu fui capaz de deixar a minha família por causa dessa mulher, como eu não sinto nada por ela? Mesmo que eu não me lembre de minha família eu os amava, mesmo que eu não conhecesse Bella até há algumas horas, eu já estou completamente... encantado por ela, meu peito estava cheio de um sentimento muito forte, arrebatador.

Por Bella.

Como eu poderia ter imaginado tudo que vivi com ela nessas últimas horas? Como lidar com aquilo que descobri, com tudo isso que estou sentindo agora?

Eu sou um dominador.

Nesses oito meses eu nunca tinha ao menos ouvido falar nesse assunto, mas quando eu entrei naquele quarto nada me pareceu estranho, principalmente assim que vi Bella esperando por mim, — nua e ajoelhada — quando ela me contou o que nós somos, o que nós fazemos juntos. Quando ela me falou sobre nosso relacionamento eu... eu fui me reconhecendo em suas palavras, no desejo que eu sentia e que eu via se espelhar no dela — um desejo forte, intenso. De alguma maneira eu sabia que tudo aquilo me pertencia. Que pertencia a nós.

É como se dissessem a um pássaro que sua função é voar. Mesmo que ele nunca tivesse feito isso, faz parte de sua natureza e assim que começasse, ele se sairia bem nessa tarefa e era exatamente assim que eu me sentia agora. Mesmo que não me lembrasse de nada, quando estava em nosso quarto de jogos, eu sentia que poderia fazer isso, poderia dominar Bella, dar prazer a nós dois de uma maneira intensa e deliciosa.

Respirei bem fundo passando as mãos pelos meus cabelos que começavam a ficar muito molhados debaixo da chuva.

Bella é minha submissa. Minha linda, doce, deliciosa submissa, mas muito, muito jovem. Outra razão para que a minha cabeça estivesse muito, muito cheia.

Por mais que ela tenha dito que tudo o que tivemos foi consensual, por mais que ela quis tanto quanto eu como tinha me garantido, eu não conseguia acreditar que tinha feito isso com ela. Se tudo tivesse começado hoje, Bella com dezenove anos, ainda muito jovem, mas quase adulta, ciente do que faz é uma coisa bem diferente de eu ter levado uma menina de dezesseis anos para esse caminho.

Por mais que eu a tenha ajudado com seus traumas e cuidado dela, eu não tinha esse direito, não poderia ter feito isso com ela. Eu não poderia ter deixado o tesão falar mais forte do que o bom senso, por que sem sombras de dúvidas foi isso o que eu fiz não há outra explicação, principalmente dado o acontecido nessas últimas horas. Eu estava ali para conhecê-la, para saber mais de nós dois e não para tomar seu corpo a noite toda, como eu fiz.

Bella me tira completamente o juízo, tanto que eu estou surpreso por não ter levado-a para o quarto de jogos quando tinha apenas quatorze anos.

A partir de tudo isso, mais o que Jasper disse ao meu respeito desenhavam para mim meu caráter e mostravam o tipo de homem que eu era. Um homem que dá as costas a sua família, que bate e fode uma criança cheia de traumas e traí, da forma mais vil, sua esposa dedicada.

Eu era um verdadeiro merda.

Esses pensamentos iam e vinham enquanto eu dava alguns passos vacilantes sob a chuva. Eu queria me concentrar nisso, queria muito encontrar uma solução para meus enigmas, mas eu não conseguia.

Eu estava atordoado por Bella.

Desde que acordei eu não conseguia parar de pensar nela, mas desde que eu a encontrei ontem de manhã, cada palavra, cada toque, cada beijo dela me deixaram ainda mais atordoado e agora eu me sentia sem rumo, sem razão sem ela ao meu lado e ao mesmo tempo, se eu ficasse com ela eu só ia conseguir pensar em ter seu corpo mais e mais a minha mercê, no meu quarto de jogos, ajoelhada para mim. Eu tinha que entender tudo o que estava acontecendo, tudo o que a vida estava jogando no meu colo, mesmo que isso significasse deixá-la sozinha por algum tempo, dando espaço para aquele babaca se aproximar dela.

Eu chutei uma lata de lixo enquanto pensava em mais esse problema.

Porra, por que Jacob Black estava rondando a minha senhorita? Era óbvio que estava interessado nela, mas até onde ele sabia? O que ele estava disposto a fazer por ela?

Eu sentia uma raiva imensa só de pensar que ele foi a única pessoa que minha Bella pôde contar enquanto eu estava impossibilitado e que por causa disso ele se sentia no direito de estar sempre ao redor dela, de esconder minha senhorita de mim. Isso não vai ficar assim, eu preciso tomar uma atitude diante de tudo o que ele fez, começando por tirar satisfações, por enfrentá-lo cara a cara.

Eu já estava começando a ficar encharcado e isso estava me incomodando e sem falar que não seria nada bom se eu ficasse doente em um momento desse. Então, peguei um táxi e dei o endereço de minha casa, ansioso por um banho e roupas secas.

Assim que cruzei a porta Tanya veio para cima de mim, tremendo e chorando.

—Graças a Deus, graças a Deus, Edward você está aqui, meu amor, você voltou! — ela me abraçou com força e eu retribui um pouco culpado por encontrá-la naquele estado por minha causa.

Por mais que Tanya não se encaixava na minha vida e que não éramos compatíveis, ela era uma mulher incrível, muito dedicada a mim e parecia me amar de verdade. Eu não poderia traí-la desse jeito, apesar de tudo ela não merecia. Eu deveria ser honesto com ela, dizer que não a amava, que queria outra mulher. Se o que eu sinto agora é forte assim é por que já existia antes, Bella mesmo disse que nossa ligação era muito forte e eu não deixava de pensar no por que eu ainda continuava com Tanya? O que ela tinha que me afastou de minha família, que eu não a deixo para ficar com a mulher que eu realmente quero?

—Por favor, por favor, meu amor me diga que você está bem — ela continuou entre soluços quando eu não disse nada.

—Estou bem, Tanya, fique tranquila.

—Eu estava tão preocupada! Você não estava em lugar nenhum...Você não atendia o telefone, você... Eu te procurei em todos os lugares que eu podia, até na casa de seus pais eu fui e não te encontrei. Estava tão desesperada que eu fui até hospitais e delegacias, eu fui em todos os lugares, Edward, em todos! Eu não sabia mais o que fazer!

—Tanya, fica calma. Eu estou bem — repeti ainda abraçado a ela, tonto demais com meus pensamentos para calcular minhas ações e tentei acalma-la, momentaneamente sem me importar com nossa briga e a raiva que estava sentindo dela quando sai daqui.

—Onde você esteve? — eu franzi o cenho procurando uma resposta que tivesse sentido, mas antes que eu o fizesse minha esposa tocou meu lábio com delicadeza e sorriu — não, não precisa dizer, tudo bem, eu não quero brigar com você de novo. O importante é que você está aqui, só me diga que você está bem.

—Eu não sei muito bem como eu me sinto agora. Não há palavras que eu possa descrever.

—Mas você me perdoou? Estamos bem novamente?

—Não tenho nada que perdoar você Tanya. Eu só precisava de um tempo. Como eu disse não é fácil não saber quem é, não ter nada em sua cabeça e ter que levar a vida a diante.

—Sim. Eu imagino e sinto muito por não ajudar você... Eu... eu prometo te ajudar mais com isso, só não se afaste de mim mais.

—A única coisa que eu quero agora é um banho e roupas secas — respondi me desvencilhando dela, sem paciência nenhuma para aguentar suas ladainhas que de dignas de pena passaram a ser pedantes demais.

—Eu vou com você — ela sorriu me olhando — acho que depois desses dias fora, você vai precisar de um carinho, um incentivo para poder descansar melhor.

—Vou sozinho — respondi simplesmente e dei as costas a ela.

Tranquei a porta e tomei um longo banho relaxando meus músculos e tentando guardar a deliciosa sensação de estar com Bella todo esse tempo, tentando me esquecer de que era Tanya quem estava lá fora esperando por mim.

Ao mesmo tempo que eu precisava colocar minha vida em ordem novamente, eu precisava de Bella, ao menos poucas doses diárias enquanto os fins de semana não chegavam e eu não soubesse o que fazer em relação ao meu casamento. Eu já tinha me decidido que meus fins de semana seriam dela, como sempre foram, mas antes disso, eu precisava tê-la um pouquinho, conhecer um pouquinho mais dela fora do quarto de jogos.

Foi por isso que eu decidi que voltaria sim ao trabalho. Era uma decisão que eu já tinha tomado e preferi seguir com ela, afinal quem sabe assim eu trabalhando com a parte adormecida de meu cérebro as memórias perdidas pudessem voltar com alguma atividade extra.

Sai do banho e Tanya estava me esperando em nosso quarto, sorrindo para mim, como eu já esperava. Eu fingi que não a vi e me vesti depressa no closet dando graças por ela não ter me acompanhado.

—Eu mandei preparar um lanche para nós — ela disse quando retornei ao quarto — Acho que você deve estar faminto e então pedi que fizessem muitas coisas que você gosta...

—Não precisa de nada disso, eu vou ver minha mãe.

—O que? — perguntou parecendo triste — mas você acabou de chegar.

—Você disse que foi me procurar por lá, Esme deve estar preocupada com isso e eu não posso deixar que ela se preocupe sem motivos.

—Ligue para ela. Tenho certeza que resolve.

—Eu estou com saudade também, quero vê-la

—Edward, mas e eu?

—Não me demoro — respondi tentando melhorar um pouco sua expressão completamente desolada — Talvez eu volte a tempo de jantar com você, tudo bem?

—Tudo — ela suspirou olhando em meus olhos depois de pensar bastante — só volte para mim, por favor — assenti e sai sem dizer mais nada.

Eu não tinha por que me sentir mal por deixar Tanya sozinha, até por que não ficar com ela era o menor de todos os males que em rondavam, principalmente por que para mim, ela era a pessoa que menos importava, mas mesmo assim eu não me sentia bem com todas essas mentiras. Eu sei que há muita coisa que ela esconde de mim, como eu estou fazendo agora, no fundo é por isso que eu não bato de frente de uma vez e peço para colocar todas as cartas na mesa. Alguma coisa me diz que eu devo pagar para ver e esperar pelo que está escondido.

Sai de casa ainda com a cabeça fervendo, mas que eu não melhoraria enquanto eu não fosse procurar por Jacob. Eu precisava saber o que ele que ele queria com a minha Bella e precisava hoje.

—Boa tarde, senhor Cullen — a recepcionista me recebeu sorridente quando adentrei o hospital.

—Boa tarde, por favor eu preciso falar com Jacob... O Doutor Black.

—Sinto muito, mas ele deu plantão esta noite e vai atender as consultas apenas amanhã. O senhor está precisando de alguma coisa? Se for urgente eu posso telefonar...

—Sim é muito urgente, mas eu posso esperar até amanhã. Disse que ele estará aqui, não é?

—Sim, senhor. Posso agendar uma consulta, se quiser.

—Quero no primeiro horário — acertei com ela todos os detalhes da “consulta” e sai de lá muito frustrado por ter meus planos adiados para o dia seguinte e fui direto para a casa de minha mãe.

Apesar de ter sido isso que disse a Tanya, eu realmente precisava ver Esme, preocupado por ela ter se assustado com a visita dela, sem falar que eu doido por um abraço dela.

—Edward, cara! — Emmett veio correndo em minha direção assim que meu carro entrou em sua linha de visão, falando comigo antes mesmo que eu descesse do carro. Quando pude me aproximar ele segurou em meus ombros, me avaliando — você está bem?

—Sim, eu estou.

—Estávamos muito preocupados com você! Tanya veio te procurar aqui por que não conseguia te encontrar, ela disse que não estava em lugar nenhum e que estava com medo. Nós também ficamos, afinal, da última vez que não te achavam você tinha sofrido aquele acidente horrível...

—Não se preocupe, irmãozão, eu estou bem.

—Que bom — ele riu e socou meu ombro como gostava de fazer — agora me diga, onde é que você estava?

—Tanya estava me deixando doido então eu precisava respirar um pouco, encontrar um lugar onde eu poderia estar em paz bem longe dela.

—Eu imagino que sim, por que não deve ser nada fácil ser casado com aquela mulher. Por mais linda que ela seja, não deve ser fácil.

—Você não faz ideia — eu ri de como Emmett parecia estar consternado socando seu ombro também — E o pessoal, como está?

—O pai está bem nervoso. Ele e Jasper estão traçando planos para começarmos uma busca, para o caso de você ter se perdido na floresta tentando chegar aqui e Jaz está se sentindo culpado por que disse que teve uma conversa... Difícil com você, que pode ter te deixado transtornado.

—E a mãe?

—Aquela mulher tem um sexto sentido impressionante, cara. No dia que você sofreu o acidente ela passou mal o dia todo e chorou muito por você, tanto que quando Tanya chegou aqui ela já sabia que algo muito ruim tinha acontecido. E hoje não. Ela disse que você estava bem e começou a cozinhar para você com as coisas que trouxe por que sabia que logo você ia chegar.

—E ela não conseguiu acalmar os outros com isso?

—Apenas o suficiente para que eles ainda não estejam no meio da floresta procurando por você.

—Então é melhor entrarmos logo, antes que eles saiam — entramos juntos na pequena casa de madeira e encontramos todos do jeitinho que Emmett tinha dito, minha mãe ao fogão, e meu pai e Jasper debruçados sobre mapas na mesinha da sala.

—Ei! Olha só o que os bons ventos trouxeram!

—Edward! — eles vieram ao meu encontro e foi os braços de meu pai que eu senti em primeiro lugar — filho que bom que você está bem! — eu vi o quanto ele estava preocupado e por isso eu o abracei de volta.

—Não se preocupe, pai, outro susto como aquele não vai haver.

—Isso é muito bom.

—Onde você estava cara? — Jasper perguntou visivelmente aliviado.

—Eu fugi de Tanya por algumas horas, não imaginei que ela viesse até aqui importunar vocês, não precisavam ter se preocupado.

—Foi o que eu disse a eles — minha mãe se aproximou me puxando para os seus braços — oi, meu querido.

Depois de todo mundo estar bem mais calmo com a minha presença, Emmett foi avisar a esposa e Alice para ficarmos todos juntos e aproveitar um almoço tardio, já que eram quase três da tarde e ninguém tinha comido. Terminado de comer cada um foi cuidar de suas tarefas e ficamos apenas minha mãe e eu esparramados no sofá.

—Tudo bem, querido, fale tudo o que quiser falar — minha mãe pediu um tempo depois. Eu estava deitado no colo dela recebendo um carinho gostoso em meu cabelo bagunçado enquanto a olhava.

—Eu mudei muito, mãe? — fui direto fazendo-a sorrir.

—Todos nós mudamos e isso é muito bom. Imagina se você continuasse a ser o menino que queria a todo custo fugir de suas obrigações para se divertir? Você nunca teria conseguido tudo o que conseguiu.

—Mas foi por que eu cresci e isso é normal. Eu quero saber se eu mudei em relação a você e a forma com que a gente se relaciona desde que sai de casa para estudar.

—Se é em relação a isso então sim, você mudou muito — eu fiz uma careta por ter tudo o que Jasper tinha me dito confirmado nos olhos tristes dela e minha mãe deu um sorriso tranquilizador — mas era por que você estava longe, era um homem ocupado, não tinha como você estar ao meu lado o tempo todo. Toda mãe sabe que um dia seu filho vai ter a própria vida e foi isso que você fez.

—Mas isso não era motivo para ter tirado você de perto de mim.

—Isso não importa mais, querido. Você está aqui de novo, em meus braços, são e a salvo. O que mais eu posso querer?

—Nunca mais eu vou ficar longe de você — prometi olhando nos olhos dela — vou dar um jeito em tudo, eu ainda só não sei muito bem como...

—Está tudo bem, meu querido, tudo bem — ela beijou meu rosto provavelmente vendo meu desespero, sentindo que eu realmente gostaria de consertar as coisas.

—Eu te amo muito, mãe. Eu sou muito feliz por ter você em minha vida.

—Eu sei filho e eu amo muito você também — ela beijou minha testa e seguiu com o carinho gostoso em meus cabelos me fazendo relaxar e senti que era exatamente disso que eu precisava. Eu estava prestes a pegar no sono quando eu a escuto perguntar baixinho — Agora eu fiquei curiosa, Edward, onde você estava escondido que Tanya não te encontrava?

—Estava bem perto daqui — respondi olhando para ela — Acredita que eu tenho uma casa a poucos metros?

—Eu sei. Então era lá que você estava? — eu assenti com o cenho franzido.

—Então você sabe da minha casa?

—É claro que sei, quem você acha que cuida de tudo para você? — engoli em seco olhando para os olhos dela.

—Você?

—Sim. Você ficou distante de mim desde que saiu de casa e conheceu sua esposa, mas em um determinado momento voltou a me ligar de vez em quando e um dia me disse que estava construindo uma casa aqui, bem perto de mim. Eu achei que era por que finalmente você voltaria para cá, mas quando eu perguntei, soube que a casa era para outra pessoa. Para a Bella.

—Você a conhece? — perguntei surpreso.

—Não. Ela ia se mudar, mas você sofreu o acidente e ninguém veio.

—E o que você sabe sobre ela?

—Sei que deve ser alguém muito importante para você. Eu nunca te vi tão feliz com alguma coisa desde que conseguiu aquela bolsa de estudos. Eu não te vi feliz assim em sua formatura ou em seu casamento. Só por causa dela — mamãe sorriu para mim — você se lembrou dela? Sabe quem é?

—Sim, eu a encontrei por um acaso, graças a Deus — sorrir sem conseguir me conter — Quando eu acordei ela estava lá, ao meu lado de mãos dadas comigo, me esperando acordar. Eu não sabia quem era ela, mas, de alguma maneira eu sentia falta dela...

—Eu nunca a vi no hospital quando eu ia ficar com você.

—É por que ela nunca mais voltou... Quer dizer, ela voltava, mas não se deixava ser vista. Ela não tinha me dito seu nome nem onde poderia encontrá-la e eu fiquei procurando por ela esse tempo todo.

—Como a encontrou?

—Foi por um acaso, como eu disse. Ela estava sentada em uma cafeteira bem perto do meu trabalho e eu a vi. Pensei tanto nela, mãe, mesmo sem saber quem era e foi como um milagre vê-la ali.

—Você gosta mesmo dela, não é? — franzi o cenho pensando nisso antes de responder.

—Eu não sei ao certo, mas sinto que devo protegê-la, cuidar dela, sabe?

—É assim que você ama as pessoas, se preocupa e tenta cuidar delas da melhor maneira possível — ela sorriu cheia de lembranças — como quando era criança e não deixava que eu carregasse nada pesado perto de você ou agora que traz todas essas coisas para nós enchendo nossa dispensa — eu ia dizer algo para me defender, mas ela não deixou — não pense que engana a sua velha mãe.

—Eu acho que não engano mesmo — eu ri e ela me acompanhou.

—Você deve mesmo gostar dessa moça — ela voltou ao assunto — principalmente pela casa maravilhosa que deu a ela.

—Você conhece a casa? Todos os comodos?

—Não. Não todos. Você mantém alguns trancado a chave e eu cuido apenas dos outros — respirei aliviado por ter uma chance de minha mãe não conhecer o quarto de jogos, mas eu teria que verificar isso, afinal não seria nada bonito minha mãe vendo o meu quarto de jogos.

—Obrigado por cuidar de tudo para mim, mãe. Estava tudo em ordem.

—É um prazer, filho. Antes não deu certo, mas agora você pode trazê-la para vir morar aqui.

—Bella disse que eu não a trouxe antes por não queria que ficasse tão longe de tudo e assim tão sozinha.

—Mas ela está perto de mim, eu posso muito bem ficar de olho nela — sorri ao imaginar minha mãe e Bella juntas, duas mulheres muito importantes para mim.

—Eu já tinha te pedido isso antes?

—Não, mas é uma boa ideia, não acha?

—Eu acho que sim — fechei meus olhos aproveitando mais um pouco dos carinhos que minha mãe me dava esperando que ela perguntasse mais sobre Bella, o que ela não fez. Eu estava prestes a contar a ela uma parte do que eu tinha descoberto, mas fui interrompido pelas crianças que chegavam da escola e fizeram festa por nos ver ali.

Passei uma tarde gostosa com a minha família, como sempre foi, sendo muito bem cuidado por minha mãe e sai de lá me sentindo muito melhor por ter tido esse tempo com ela e por saber que mesmo que eu não tivesse muito contato, eu ainda confiava muito em minha mãe — Tanya não tinha me tirado isso — tanto que confiei a ela a minha casa, contei a ela sobre Bella e pelo visto deixei que ela soubesse o quanto eu estava... Envolvido com ela.

Ali, naquela tarde eu percebi minha mãe ficou muito magoada com minha ausência, mas não estava presa a isso, tudo o que ela queria é que esse nosso contato perdurasse e era o que importava.

—Amor, você voltou — Tanya se aproximou de mansinho me fazendo perceber que eu já estava em casa.

—Eu sinto muito pelo jantar, mas minha mãe não me deixou sair de lá antes que eu comesse — respondi vendo que ela parecia abalada.

—Não tem problema — ela deu um sorriso fraco — quer dizer, estou feliz por estar de volta, por que... Eu estava...

—Preocupada? — perguntei vendo ela se engasgar com as palavras e ela deu de ombros.

—Também, mas eu ia dizer com saudade — ela veio para junto de mim tocando meu peito.

—Tanya... — eu me afastei desconfortável com o toque dela.

—Meu amor, eu sinto a sua falta — ela não se abalou com a minha atitude e se aproximou novamente — eu sinto falta de quando estudávamos juntos, de nossas saídas, nossos jantares como o casal que somos, como uma família de verdade — Tanya se aproximou de mim, olhando em meus olhos antes de sussurrar — eu estou com saudade de fazer amor com você.

—Isso não vai acontecer...

—É por causa do outro dia? Edward, eu já me esqueci disso — respirei fundo para me acalmar — Sei que você deve estar chateado comigo por que eu fugi de você ao invés de conversarmos, como você gosta de fazer, mas...

—Isso já passou Tanya eu nem me importo mais — dei de ombros.

—Então, se você já se esqueceu daquilo, vai fazer amor comigo de novo, não vai?

—Tudo o que eu quero agora é dormir um pouco.

—Edward... Por favor...

—Eu já disse não, Tanya. Por favor, me deixe em paz, não quero brigar com você outra vez — respirei bem fundo para gravar isso em minha cabeça — olha, eu decidi ir para o fórum amanhã, depois de uma consulta bem cedo com o Dr. Black. Eu preciso dormir, principalmente depois de um dia tão cheio.

—Edward, eu sou sua esposa! — ela se afastou levantando a voz — Que droga, eu estou cansada de você fugindo de mim quando tudo o que eu quero é estar com você. Isso não é justo!

—Foi você quem começou, pensasse nisso antes — me afastei e fui direto para o meu quarto, tomei um banho rápido para deixar meu corpo relaxar e conseguir dormir depressa. Quando sai do closet já vestido com moletom e camiseta, ainda não me sentindo bem o suficiente para vestir aqueles pijamas de seda que estavam a minha disposição, vejo Tanya sentada na cama, visivelmente esperando por mim. Ela sorriu, como se nada tivesse acontecido e puxou o edredom do lado que eu costumo dormir, como fazia todas as noites.

—Não se incomode — falei sem emoção nenhuma na voz — eu vou para um quarto de hospedes.

—Edward, por favor, não. Não faça isso! — ela correu até mim parando em minha frente — você não precisa se afastar de mim, até por que já esteve longe por muito tempo e eu...

—Pelo amor de Deus!

—Amor, me desculpe, eu prometo que não falo mais nada, aquilo foi só um ato desesperado para ter você de novo. Eu sei que você está com a cabeça cheia, eu entendo isso, só não quero ficar longe de você.

—Boa noite, Tanya!

—Não, olha nós não precisamos falar sobre isso agora, eu vou ficar em silencio, não vou tocar em você se não é o que quer, só... Só fique comigo, meu amor, por favor — revirei os olhos e bufei, cansado demais para reclamar ou procurar um quarto, mas sabendo que no fundo ainda estava me um sentindo um pouco culpado pela traição.

Tanya respirou aliviada quando me viu indo para a cama e tirou o robe antes de se deitar expondo sua camisola curta e transparente, testando minha reação enquanto fazia isso, eu apenas a ignorei me acomodando o melhor que pude naquela cama que, agora eu agradecia por isso, era tão grande que eu poderia dormir sem problema algum.

Essa cena de Tanya só me fez pensar mais em Bella e em como ela ela estava desesperada por um toque meu depois de quase dois anos sem nada, sem nem um toque de si própria por que estava guardando seu prazer só para mim, o que me deixou extremamente lisonjeado e, agora, curioso a respeito de minha esposa.

Olhei para ela, já deitada ao meu lado e mesmo depois de tudo parecendo ter esperanças. Era impossível desencorajá-la

—Você ainda quer fazer sexo — afirmei sem deixar de olhar para seus olhos quentes.

—Você não sabe o quanto — ela praticamente gemeu baixinho em sua resposta — não me leve a mal, mas estou louca de saudade, louca por você, para te sentir de novo. Tanto que eu mal posso aguentar.

—O que você fez durante o tempo em que passei em coma? Se duas semanas é tempo demais para você, deve ter enlouquecido depois de mais de um ano.

—Eu realmente quase enlouqueci — disse bem baixinho — mas por sorte eu tenho o meu vibrador.

—Ah... Você tem um vibrador? — ela assentiu com um pequeno sorriso me vendo franzir o cenho, sem conseguir deixar de comparar mais uma vez, afinal Bella tinha uma coleção deles — você usava ele?

—Você não precisa ficar com ciumes, até por que cada um dos orgasmos que ele me proporcionou eu dediquei a você.

—Sei...

—É verdade, isso sem falar que você adora quando ele participa com a gente de uma boa rodada de sexo. Eu posso pegar se você quiser...

—Eu já disse não — respondi antes que ela se levantasse — eu só estava curioso.

—E não tem mais nada que você queira saber? Pode sempre perguntar o que quiser a sua esposa — ofereceu com um sorriso e resolvi aproveitar a oportunidade.

—Nós já fizemos anal? — os olhos dela arregalaram um pouco e ela parecia surpresa com a pergunta. Tanya passou alguns minutos olhando para mim, tanto que achei que não fosse responder.

—Er... Não.

—Você nunca quis?

—Na verdade, foi você quem nunca tocou nesse assunto comigo.

—Nos conhecemos há mais de dez anos e eu nunca falei sobre sexo anal com você? — eu ri — É um pouco difícil de acreditar.

—É um pouco complicado de explicar isso... Eu sei que é um pouco estranho, mas...

—Eu já entendi, você não vai falar sobre isso — deduzi ao vê-la gaguejar e me virei de costas voltando a me irritar com as respostas evasivas dela. Não sei o que é que ela tanto esconde — eu ainda vou entender — disse mais para mim mesmo, sem esperar a resposta que logo veio:

—Não é que eu não queira te contar, amor... É só um pouco...

—Tudo bem, eu só quero dormir agora — eu a interrompi dando esse assunto por encerrado — Boa noite.

.

Acordei pela manhã e me levantei depressa.

Como em todas as noites desde que acordei do coma, eu sonhei com Bella e a única diferença de lá para cá é que agora meus sonhos eram mais reais, vindos de sensações que tive com ela e de tudo o que ainda podemos ter juntos. Acordar depois daquela intensidade toda foi horrível, principalmente por que acordei em uma cama onde ela não estava e esse foi o motivo por querer me levantar o mais rápido que pude e sem falar que ainda havia um assunto para eu resolver e que por mais que eu o tenha deixado de lado, eu não conseguia parar de pensar.

Estava na hora de falar com Black.

—Edward, amor, você já está pronto para sair? — Tanya me perguntou surpresa quando voltei ao quarto usado um de meus ternos caríssimos — deveria ter me acordado. Se me der dez minutos eu...

—Não precisa. Não quero que vá comigo.

—O que? — ela perguntou aturdida — Edward, nós combinamos que eu iria com você e te ajudaria em seus primeiros dias, lembra?

—Não precisa. Eu tenho certeza que vai ter alguém para me ajudar caso eu precise de alguma coisa.

—Mas...

—Eu já disse que tudo bem, Tanya. Não se preocupe — ela assentiu e se levantou me acompanhando em silencio enquanto eu descia para a sala de jantar a fim de tomar o meu café da manhã que foi um evento muito silencioso, com Tanya acompanhando de perto cada um dos meus movimentos.

—O que você quer? — perguntei quando já não aguentava mais seu olhar inquisidor — Fale de uma vez.

—Eu estou tentando imaginar o que foi que mudou. Há alguns dias você era o meu marido amoroso, que conversava comigo e dividia seus problemas. Agora você é só um homem morrendo de raiva o tempo todo.

—Não estou morrendo de raiva.

—O que aconteceu, Edward? Fale comigo.

—Eu tentei falar com você, Tanya, mas você fugiu por dias...

—Eu não estou fugindo agora. Sei que fui infantil, mas eu fiquei com medo de te ver tão decepcionado comigo. Em outros tempos eu sabia exatamente como você iria agir, mas agora...

—Agora o que? — insisti quando ela hesitou.

—Você está completamente diferente, não sei mais como lidar com você.

—Quer dizer que não consegue mais me manipular?

—Eu nunca manipulei você, isso é impossível — ela riu — não tem ideia do quanto controla as coisas ao seu redor e eu acho que é disso que eu sinto falta, da forma com que você deixava nossas vidas muito mais fácil.

—A culpa não é minha. Eu não me lembro de nada e você não está me ajudando.

—Eu sei e estou disposta a mudar isso. Posso começar indo com você para o trabalho, mostrar que eu sempre fui sua companheira e te ajudar nessa fase nova de sua vida.

—Eu não quero que você vá. Estou bem sozinho — ela respirou fundo.

—Tudo bem, Edward, eu só quero que saiba que estou aqui para você, sempre que precisar, tudo bem?

—Eu já vou — respondi me levantando e murmurando uma despedida qualquer sem esperar a resposta deixando minha casa no volvo como o que tinha na casa de Bella.

Dirigi depressa mais uma vez, acelerando mais e mais debaixo de chuva, mal podendo segurar minha ansiedade de resolver minhas contas com Black.

Notas finais
E então? O que vocês acharam? Contem para mim. Falem sobre Tanya, falem sobre Esme, falaem sobre Jacob, falem sobre Edward, Falem! Adoro demais cada comentário de vocês e o carinho que tem pela história me emociona. Obrigada por estarem aqui. Bem vindas novas leitoras! Vejo voces em breve. Mil beijos