Melhor Ano de Nossas Vidas - Prelúdio
1 Capítulo -1
Sorri para o Dot no momento em que chegamos na frente do Diamond Mall, um dos shopping da zona sul de Belo Horizonte. Era longe de onde morávamos, mas Yakko preferiu desse jeito.
Dot retribuiu meu olhar e revirou os olhos, com um meio sorriso. Yakko, mais a frente, carregava uma expressão preocupada no rosto, como se estivesse realmente concentrado no que estávamos fazendo. Para ele, era quase uma questão de vida ou morte. Eu gostaria de julgar, mas tinha como? Nunca havia me apaixonado para saber o que exatamente ele estava sentindo, então, a melhor opção era apoiar.
Meu nome é Gabriel, e os meninos que estavam comigo eram Arthur e Bernardo. Ou, como a maioria das pessoas nos conheciam: Wakko, Yakko e Dot. É, os Animaniacs, Irmãos Warner. Sim, um dos irmãos Warner é uma menina, e como Bernardo entrou na nossa vida muito depois... Claro que sempre o lembrávamos que desse fato.
Era início do ano de 2018 e nós começaríamos o último ano do Ensino Médio. Último ano de escola antes da faculdade.
Muita coisa iria mudar depois desse ano. Nós três havíamos combinado que aproveitaríamos ao máximo tudo que a escola tinha para nos oferecer, e ela tinha muito. Quer dizer, nos éramos populares, muito bem considerados pelas meninas do colégio, adorados pelos professores.
Yakko fazia o tipo índio americano. Cabelos lisos, pretos, na altura dos olhos. Olhos pretos, pele um tanto avermelhada, alto em torno dos um e oitenta e cinco.
Na verdade, nós três tínhamos mais ou menos essa altura, mas eu ainda era o mais alto.
Olhei para Yakko, parado a minha frente, e de Dot, enquanto ele decidia qual escada rolante nos levaria de forma mais rápida para onde havíamos combinado com as meninas. Ele passou a mão pelos cabelos, indeciso, e eu suspirei. Durante todo o caminho para o Shopping ele ficou passando a mão no cabelo. Pois é, Yakko tinha esse tique nervoso.
Ao meu lado, Dot riu pelo nariz e eu dei um meio sorrisinho de lado.
Dot. Ele era o sonho de consumo de qualquer menininha que desejava o príncipe encantado. Ele era quase a versão brasileira dos caras do seriado Vikings: loiro, cabelos cacheados, pele clara, olhos azuis, saradão e aquele complexo de homem correto, apaixonado e honrado da época Vitoriana Inglesa. Ele tinha que ser a menina dos irmãos Warner!
Já eu, bem, eu podia não ser um princípio encantado, mas me considerava um verdadeiro príncipe. Era o primogênito e herdeiro de um império. Não que meus pais gostassem dessa ideia. Mas bem, eles não podiam fazer muita coisa, não é mesmo? E fariam o que? Me deserdar? Eu acho que não.
Fisicamente eu também não era nada ruim. Típico brasileiro de pele morena, cabelos castanhos escuros e crespos (que eu mantinha raspados por ser mais fácil de cuidar), olhos castanhos.
E, no fim das contas, dos três, era eu quem ficava com mais meninas. Yakko desistiu de qualquer rabo de saia que não fosse Alice e o Dot...
Bastava a gente passar para todas as garotas, e não estou exagerando aqui quando falo todas, olhassem para a gente. A grande maioria para o Dot.
Só por isso ai, dá pra entender que a gente poderia aproveitar ao máximo nosso último ano de colégio. Eu estava com expectativas para fechar o Ensino Médio com várias meninas na minha lista de contatinho, muitas festinhas, mas não! O Yakko, tinha que surtar!
Na noite anterior a essa expedição ao shopping eu havia entrado em contato com Eliza, uma das melhores amigas de Alice. Fiquei com mau humor por conta disso, afinal, era interesse do Yakko, não meu, por mais que conhecêssemos as meninas a vida toda, porque nossas famílias era muito amigas, o Yakko quem tinha que resolver a situação dele! Mas, não sei o bem o motivo, acabou sobrando pra mim.
Nada era fácil quando se tratava da Alice. E nesse sentido, Sarah e Eliza eram extremamente fiéis a ruiva.
Eliza era a tranquila do grupinho delas. Ela era acessível, prestativa, amigável comigo e com os meninos. Não receberia minhas fajutas tentativas de arrumar o encontro com um "seu verme desprezível!", o que, muito possivelmente ocorreria, se eu resolvesse procurar Sarinha.
Marquei com a Eliza no Mr. Cheney, um café especializado em cookies, no último piso do Diamound. Apesar de morarmos um tanto longe da considerada "zona sul", Yakko preferiu que fosse em algum lugar distante, para não corrermos o risco de Lili passar na rua no exato momento em que estivéssemos confabulando sobre os sentimentos deles.
Eliza aceitou o encontro na hora e se despediu com a seguinte mensagem: "O Art quer ajuda com a Lili, não é? Já tava na hora de pedir. Na verdade, já estava na hora de pararmos de fingir que somos estranhos uns com os outros!". É, não era mistério nenhum, nem segredo: a situação do Yakko era deprimente. Nossa situação, era deprimente.
Qual é, nós nos encontrávamos todos os dias na escola, sempre que nos víamos nas festas dos nossos pais! (Acredite, nossos pais se encontravam todo fim de semana, era só irmos para encontrarmos as meninas!) Era realmente ridículo agirmos como estranhos!
Subimos o último lance de escada rolante e nos viramos para o café, na frente do cinema, onde Liz havia marcado de encontrarmos. Ela e Sarinha já estavam ali, conversando, em uma mesa.
Levantei a sobrancelha, divertido. Era um fato, as três eram o trio de ouro do colégio. Três garotas bonitas, inteligentes, adoradas pelos professores. Estavam longe de serem as populares, mas cada uma tinha sua característica marcante.
Sarah era morena, alta, tinha um corpo com curvas para deixar qualquer um louco. Os cabelos eram novidades! Estavam curtos e cacheados, o oposto do liso e longo da última vez que a vimos, na festa de natal. Mas estava na moda agora, não era? As meninas se aceitarem do jeito que eram e tal. Eu havia gostado, Sarinha estava muito mais natural assim, e, em consequência, muito mais bonita.
Alice era o oposto de Sarah: branca, baixa, ruiva com os cabelos longos e os olhos verdes. Tinha um corpo perfeito para uma bailarina, magra com poucas curvas. Falo isso porque todos nós fazíamos aulas na mesma escola de dança, a escola da mãe do Yakko, e a ruivinha realmente era a melhor bailarina da escola. Uma vez, inclusive, ouvi a Laura falando que o estereótipo de Alice permitiria a ela dançar ballet fora do país se quisesse.
E por último, tinha a Eliza. A Liz estava no meio das duas, pele clara, curvas proporcionais, não tão alta quanto a Sarinha, nem tão baixa quanto a Lili. Os cabelos castanhos e cacheados até a metade das costas e os olhos cor de folha seca, em um tom que eu nunca conseguia decidir se era o castanho que envolvia o verde ou o verde que envolvia o castanho.
Nunca soube entender muito bem o por que, mas pra mim, a Eliza era a mais bonita das três. Apesar da Sarinha ser uma morena e tanto e a Alice ser... Ruiva. Não, não era o senso comum. O senso comum é de que a Eliza era a normal. Ao menos, no quesito beleza.
Fora da caixinha, porque Eliza tinha sua própria forma de ver as coisas. Ela entendia o que acontecia a nossa volta muito antes de qualquer um entender ou perceber. Talvez fosse pelo fato de Bianca ser psicologa, talvez fosse apenas pelo fato de Eliza ser uma pessoa com muita empatia, não sei bem explicar. Além disso, ela tinha uns pensamentos aleatórios, digo, comentava e pensava coisas que, ninguém havia parado para analisar. Isso advinha da criatividade, sem dúvidas. Se existia uma pessoa criativa na face da terra, essa pessoa era Eliza.
De qualquer forma, eu e os meninos paramos atrás da Sarinha, e Eliza me lançou um sorriso discreto. Ela e Sarinha mantinham algum tipo de discussão que Liz não conseguiu cortar e nos aproximamos no exato momento em que Sarinha soltou:
— Percebi as mudanças, mas vamos ser sinceras, bruxinha? Pra ficar com a Lili? Oh senhor! Ele vai ter que mudar muito mais! Talvez... Nascer de novo?
Yakko não havia começado com o pé direito.
Liz tinha um sorriso divertido nos lábios, o que fez com que surgisse o mesmo sorriso nos meus. Meu olhar correu para a direção de Yakko e segurei ao máximo a vontade de rir. Não era a melhor das recepções. A expressão de Arthur murchou por um segundo, mas ele logo recuperou o olhar otimista.
Esse era o Yakko, nunca desistia das coisas até que realmente não tivesse mais como fazer algo a respeito. Ou seja, até que percebesse que era impossível.
— Olha Sarinha, nascer de novo não vai rolar... Mas estou realmente disposto a me comportar e a ser uma pessoa melhor. — Sarah congelou na cadeira. Os ombros perderem o movimento natural e ficarem parados como pedras.
A morena começou a se virar vagarosamente em nossa direção. Apertei mais meus lábios, segurando o riso, em uma expressão de meio pesar. Ao meu lado, Yakko colocou seu semblante mais malandro na face e Dot, bom Dot sussurrou um "foi mal", por termos ouvido a conversa dela com a Liz. Sempre um gentleman, nosso querido Dot.
Do outro lado da mesa Liz não consegui segurar o riso e jogou a cabeça para trás gargalhando. Mesmo depois de ter sido pega de surpresa, Sarinha nos encarou com um sorriso de quem não tinha feito absolutamente nada errado. Beirava a arrogância.
— Você é uma boa pessoa, Art! A Lili só finge que acha o contrário. – Liz largou o cookie que estava comendo na mesa e se levantou para nos cumprimentar.
— Desculpem o atraso. – Yakko se precipitou, resolvendo por ignorar o comentário da Sarinha. Era o mais sensato, realmente. Ele não queria piorar a situação.
Nós sabíamos que a dificuldade seria fazer Sarinha aceitar ajuda-lo. A Liz seria fácil. Ela mesma deu a entender que já teria ajudado antes, se o Yakko a tivesse procurado, então, ela não seria o problema, agora Sarinha...
Sarinha era outra história. Ela era fiel a Lili. Independente do que pensasse sobre o assunto, se Alice "desprezava" o Yakko, Sarah a apoiaria. Para Sarinha o eloquente "você é um ser desprezível" de Alice para Arthur queria dizer: estou te dando um fora, não quero sair com você.
Bom, para mim também queria dizer exatamente isso: um fora.
Mas Yakko achava que não, e por menos lógica que fizesse, o Dot concordava com ele. Ou seja, eu era voto vencido. E, no fim das contas, quem estava apaixonado era o Yakko, não é? Ele que deveria falar quando cansasse de levar fora. Eu só esperava que fosse logo, porque já haviam se passado dois anos.
Yakko se inclinou para frente para dar um beijo no rosto de Sarinha, cumprimentando-a. Puxou a cadeira da mesa do lado, sentando-se com as pernas, uma de cada lado da cadeira, e o encosto apoiado na mesa. Espaçoso, folgado, malandro. Um sorriso safado pronto para tentar derreter o coração de Sarinha.
Só que a morena não cairia na dele tão facilmente. Oh não, a menina era uma muralha! Impenetrável! O Yakko poderia tentar conquista-las com os sorrisinhos, mas convenhamos, nós nos conhecíamos bem demais! Fomos criados juntos. Sarinha seria a última a cair nas táticas do Yakko. Se ela aceitasse ajudar seria por outro motivo, não pelos "encantos" dele.
— Confortável? — Perguntou Sarah acidamente. Yakko lhe lançou um sorriso divertido.
— Extremamente! — Respondeu com bom humor.
Balancei a cabeça, olhando de esguelha para Dot que também sorria. O Yakko não tinha jeito.
— E aí, Sarinha? – Cumprimentei, me curvando, da mesma forma que Yakko havia feito, para beijar o rosto da morena.
— Gabriel, Bernardo... Tudo bem, meninos? – Sarinha nos cumprimentou, quase que nos ignorando.
A morena passou a mão, distraidamente, sobre as franjas da blusa e lançou um olhar de superioridade para nós.
Me aproximei de Eliza e a abracei, de lado, dando-lhe um beijo no rosto. Um perfume maravilhoso soltou-se de seus cabelos e entraram pelo meu nariz, me fazendo arrepiar. Afastei, franzindo a testa, mas com um sorrisinho de lado, para só então reparar na forma que ela estava vestida.
Era um vestido que ia de um tom escuro de azul para o claro e lhe emoldurava o corpo até a cintura, se abria nos quadris em uma saia longa, rodada até os tornozelos. Eliza havia colocado rasteirinhas de couro marrom, que sem dúvida eram as que ela usava no forró. Levava no pescoço um colar de ponta de cristal, brincos que pareciam ponto de luz, uma pequena flor branca ao lado esquerdo da cabeça, e, no lugar da blusa de frio uma echarpe branca.
Fato: Eliza era única. Desde pequena ela tinha aquele estilo hippie mais moderno, que me lembrava uma fada. Estava tentando me decidi em qual época medieval ela se enquadraria melhor quando senti Dot me dar um pequeno empurrão para o lado e me tirar do devaneio.
Balançando a cabeça, sentei na cadeira ao lado de Eliza. Sarinha me analisava com os olhos estreitos, como se procurasse alguma coisa. Franzi a testa e ela apertou mais os olhos em um sinal de desafio. Suspirei, sem entender bulhufas do que ela estava fazendo.
— Vai sentar, Liz? — Perguntou Dot gentilmente, indicando a cadeira ao meu lado, após se acomodar ao lado de Sarinha.
Eliza também havia se perdido em seus pensamentos. Puxei a cadeira para que ela se acomodasse e Liz sentou, com um sorriso agradecido.
— E então? Como foram as férias? – Sarinha tentou puxar, educadamente, o assunto e nós três rimos. Ela não iria conseguir desviar a atenção do Yakko tão facilmente. Ele estava comprometido.
— Ahhhh não, Sarinha! Não desconverse, minha cara! Pedimos por essa reunião porque temos um foco.
As meninas se entreolhamos. Sarinha não conseguiu esconder o sorriso de deboche que fez Liz rir.
— Huuuum... E vocês três têm um foco? – Perguntou com ironia.
A morena se virou na direção de Yakko, colocando as mãos, com os dedos entrelaçados, sobre a mesa. O corpo ficou ereto, como se o assunto fosse de extrema importância.
— Na verdade, só o Yakko aqui tem. – Me intrometi, fielmente.
Me estiquei em cima de Eliza para dar uma batidinha no ombro do Yakko, em sinal de companheirismo, mas ganhei chute na canela, por debaixo da mesa, vindo de Sarinha, que estava sentada à minha frente, para que me afastasse de Eliza.
Olha-a encolhida, ao meu lado, com um sorrisinho divertido.
— Foi mal, Liz! — sussurrei, me afastando -Enfim, um foco, digo... De qualquer forma, ele precisa de apoio moral. – Resmunguei, me ajeitando novamente na cadeira.
— Vocês, por acaso, fazem alguma coisa separadamente? Tão parecendo um bando de menininhas! – Sarinha comentou entediada.
Do nada, Liz começou a gargalhar. Olhei-a um pouco assustado sem saber o motivo da gargalhada. Ok, chamar a gente de menininha tinha sido uma tirada inteligente da Sarinha, mas dai ao ataque de riso de Liz, eu não conseguia ver muita ligação.
Me virei para Sarinha que tinha a sobrancelha erguida e fitava Eliza de forma cética.
— Piada interna que só ela entende. – Explicou a morena, ignorando a amiga.
— Então... – Dot voltou-se para Sarinha, achando melhor ignorar também.
Só então minha ficha caiu: Juntos! Se a gente não fazia nada separado, então ela devia ter pensado na gente fazendo o mesmo tipo de coisa que ela e as amigas faziam. Ela deve ter imaginado a gente, sei lá, pintando as unhas uns do outro...
Sendo isso ou não, engasguei, segurando o riso, discretamente. Era uma visão do inferno, realmente boa para um ataque de riso. Foi o suficiente para Liz estreitar os olhos para mim e sorrir assentindo.
— Vamos ser sinceros, meninos... – Eliza interrompeu-os com alguma coisa que tinham falado e eu havia perdido.
Ela ainda estava se recuperando da gargalhada e passou o indicador sobre os olhos, limpando as pequenas lágrimas que haviam se formado ali.
— Desde quando o Art precisa de apoio moral para fazer alguma coisa?
O garçom se aproximou para fazermos os pedidos e Sarinha e Liz aproveitaram para pedir outro cookie.
— Apoio moral sempre vai bem, Liz, e voltando ao ponto principal, — me manifestei novamente – o Yakko quer ajuda pra conquistar a Lili.
— Direto. – Constatou Eliza com um aceno da cabeça, como se concordasse com a forma que coloquei a situação. Dei de ombros e ela sorriu. – Não, não, é bom isso. Direto é melhor e mais rápido.
— É que o Wakko e o Dot cansaram de me ver sofrer pelos cantos, desesperado, enquanto cada negativa-não-negativa de Lili estraçalha meu pobre coração sofredor... – Yakko levou a mão à testa, como se aquilo fosse o fim do mundo.
Dramático.
— Tá, não é tão assim... – Interviu Dot, antes que Yakko continuasse a aumentar algo que era bem simples, na realidade – Ele anda se lamentando pelos cantos e, já que não é capaz de partir pra outra menina, por que...
— Porque o Yakko é um puta de um otimista que só aceita a derrota quando fez tudo que estava ao alcance dele. – Completei, depois de um suspiro. Sarinha e Liz me deram um sorriso incentivador. — Ah sim, é tá apaixonado. — Completei como se fosse uma informação um pouco menos importante. — Então resolvemos usar do último recurso que temos: vocês duas. Talvez, assim a Lili mude de ideia. Acho meio loucura porque a gente se conhece desde que entende por gente, e a Lili...
— Primeiro, vamos resolver uma coisa: Lili, para vocês é ALICE! — Frisou Sarinha com uma sobrancelha erguida.
Fiquei olhando para ela sem saber bem o que dizer. Se fôssemos ficar naquela picuinha, não conseguiríamos andar para lugar nenhum.
— Sah, sempre leal. – Eliza se manifestou, mexendo distraidamente no guardanapo do cookie a sua frente. Ela levantou a cabeça e sorriu para Sarinha. — Vamos parar com isso, ok?! Eu to cansada de me manter afastada dos meninos por uma coisa tão boba! Isso foi há anos! Anos, Sah! E mesmo assim, eles vieram primeiro que a Lili.
— Mas a Lili é nossa melhor amiga! – Retrucou Sarah, um pouco irritada. Eliza mordeu o lábio inferior e assentiu, com um suspiro. — E o "problemão" só parou no meio do ano passado.
Me encolhi, instantaneamente na cadeira, por reflexo. Esse "problemão" que Sarah comentou era de arruinar qualquer pessoa mesmo.
— Eu sei, mas a gente conhece o Gabs e o Art desde o berço, Sah... E, é pura implicância da Lili... Hoje. Você sabe que é! Eu cansei de me manter afastada deles! Tá na hora de crescer. Eles já não são problema desde o meio do ano passado! E nunca foram problema com a gente! – Sarinha soltou um moxuxo e suspirou, olhando para mim e para Arthur por um tempo. Então, com um sorriso de lado ela assentiu.
Eliza deu um pulo na cadeira, animada, e segurou as mãos da morena.
— A gente não vai se arrepender! Tenho certeza! — Ela se virou para Yakko com uma expressão de cumplicidade no rosto. – A gente vai te ajudar, Art. Quer dizer, falo por mim.
— Mesmo? — Perguntou Yakko, animado. Eliza e Sarinha se entreolharam por um tempo, até que a morena soltou um longo suspiro e assentiu.
— Mesmo. — Confirmou Eliza.
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