Notas iniciais
Oie, este capítulo está realmente tenso. Espero que gostem ^^

POV: Albert


Acompanhei Emma com os olhos, de costas, ela tinha um andar bonito, diria diferente do das outras garotas. O meu nervoso não tinha passado quando ela foi embora, ele tinha é aumentado. Eu não sei porquê. Nem me pergunte. Meu coração acelera muito mais quando eu lembro do que fiz, do que acabou de acontecer ou do que poderia ter acontecido. Deus, isso é tão estranho.


Saí andando na direção oposta. Dava passos lentos e precisos no chão. Como se eu estivesse com muito medo de cair. A noite já tinha chego, eu me distraía nos meus distantes pensamentos, naquela rua de calçada lisa e sem nenhuma imperfeição, imaginando que minha avó estava assistindo ao programa das sete na TV, e o meu avô no banho quente de sempre, e eu ali, indo.


POV: Emma


Meu coração, ele estava normal. Esperava que eu dissesse que ele estava a mil por hora e que eu ia cair a qualquer momento? Não. Eu não sou assim. Mas a minha mente... Ela estava me matando. Doendo na verdade. Que sensação horrível. Eu fiquei meio nervosa perto do Albert, acho que ele nem percebeu, estava com certeza mais nervoso que eu. Isso estava na cara, não fazia perguntas com sentido.


Cheguei em casa, larguei meu tênis de lado e subi. Estava pouco me fodendo para onde meu pai estaria. Se embebedando de novo provavelmente. Que saco! Me joguei em minha cama e olhei para o teto. O silêncio da tarde virando para noite era muito bom. Ótimo.


Focalizei o meu relógio do lado da mesa do computador, eram quase oito da noite, hora em que Bob, Eduardo e Angelina viriam me buscar, eu ainda não dirigia, apesar de já saber, meu pai nunca me deu um carro, e nunca me deixou tocar no dele. Eu não sei porque os homens tratam carros como pessoas. É tão inútil.


Me levantei da cama e abri o guarda-roupas às pressas, precisava de uma roupa adequada, não que a que eu estivesse fosse ruim, mas agora achava que algo mais apropriado para a ocasião cairia bem. Ia para uma balada, então nada melhor que um vestido um pouco acima dos joelhos, azul cobalto, gosto desta cor. Não quis fazer nada no cabelo, e mesmo se quisesse, nem deu tempo, assim que coloquei o vestido ouvi a buzina do carro de Bob e desci.


– Chegaram bem na hora! — eu disse.


– Queria que chegássemos depois dela? — brincou Angel abrindo a porta do carro para mim.


– Idiota — disse rindo — Como vai ser a noite hoje?


– Isso só depende de você minha querida. — respondeu Bob acelerando o carro.


A cidade estava tão bonita, iluminada com os grandes outdoors brilhando, as casas e suas luzes acesas e os restaurantes com seus letreiros chamando atenção. A música no rádio era boa, apesar de que eu não estava a ouvindo bem, pois Angelina e Eduardo discutiam sobre suas roupas e Bob ria como nunca.


Chegamos, bem na entrada, ficava um segurança enorme que se achava muito machão, mas, já tinha admitido ser gay para Bob. Eles eram amigos acho, e por isso podíamos entrar no clube sem pagar.


Por um motivo muito vago, parei em frente à porta que dava acesso ao clube. Queria que Albert estivesse lá, queria muito. O que era estranho, eu tinha praticamente acabado de conhecê-lo, era como se eu precisasse dele, como se algo forte demais nos ligasse. Eduardo me empurrou para dentro, e saí do meu transe momentâneo. Estava muito escuro lá dentro, poucas luzes e muita fumaça, incluindo as de cigarros, pra mim não era novidade, fumo de vez em quando.


Começamos a dançar e beber como todos os outros, mas de vez em quando me sentia deslocada naquele lugar. Quando finalmente me sentei em um dos bancos perto do bar para descansar, uma mulher alta e morena se aproximou de mim, ela tinha um hálito forte de vodka.


– Está com o Bob? — ela disse aumentando o tom de voz por causa da música alta.


– Sim é, estou... Por que?


– Me acompanhe. — ela disse começando a andar em direção ao banheiro feminino. Fiquei assustada, nunca a tinha visto na minha vida, nunca mesmo, Bob me olhou esperançoso, Angelina e Eduardo confusos, o que me deixou mais aflita. Fomos até o banheiro feminino.


– Então... O que você quer comigo exatamente? — perguntei.


– Sou amiga do Bob, meu nome é Megan. — estendeu sua mão.


– Ah sim, prazer Emma. — hesitei um pouco em apertar mas acabei cedendo.


– Eu sou psicóloga, tenho uma clínica no centro da cidade. — se olhou no espelho.


– E daí?


– Bob me contou que você está com alguns problemas e que precisa de ajuda de um especialista.


– O Bob mandou você vir me procurar!? — cruzei os braços.


– Sim, ele queria que eu te ajudasse, e acredite, eu posso.


– Eu não preciso de ajuda de alguém que fede a vodka e vem procurar um paciente numa balada como esta. Você deve ter mais problemas que eu. — saí e bati a porta do banheiro. As pessoas dançavam à minha volta e eu só queria achar aquele viado do Bob e prestar contas com ele. Eu estava começando a me incomodar de estar ali, e queria chorar. Ouvia zumbidos fortes no meu ouvido, e algo fazia minha cabeça girar.


Angelina e Eduardo dançavam num canto, Bob bebia algum drink no bar, o que me fez pensar que ele provavelmente ficaria bêbado em pouco tempo. Puxei ele do banco e o virei para mim. Ele riu e olhou para mim um pouco sonso.


– Você ficou maluco? — perguntei.


– Ei, relaxa, do que você está falando?


– Da psicóloga idiota que você mandou me procurar!


– Eu achei que ela iria te ajudar.


– Pela última vez Bob, — olhei fundo em seus olhos — Eu não quero ajuda de um psicólogo, ou outro especialista qualquer! Você me entendeu? Que saco! Eu vim pra cá porque achei que iria melhorar, achei que iria me divertir, mas você estragou tudo, para de ser assim! Eu te contei sobre as coisas porque achei que você não iria compartilhar com ninguém. Eu quero mais é que você se foda! Eu vou embora! — dei as costas e saí depressa. Ouvi um "espere Em" de longe, passei por Angelina que tentou me segurar mas me soltei bruscamente e segui em frente.


Lá fora estava frio, já era tarde e o bairro em que ficava o clube era mal habitado. Como eu iria para casa? Estava num beco sem saída agora. Lembrei de uma pessoa.


– Alô, Albert? Você sabe dirigir?


– É sei, por que?


– Pode vir me buscar?

– O que houve? Onde você está?


– Você só... Pode vir?


– Posso, mas estou preocupado, onde você está Emma?


Passei o endereço do lugar para ele, desligou na minha cara e pressenti que provavelmente estaria vindo para cá desesperado. Albert era assim, preocupado demais com as pessoas. Apesar de eu não estar nada bem, não queria ninguém com pena de mim.


POV: Albert


Emma me ligou e fiquei preocupado, sua voz estava nervosa, tive a leve impressão de que ela estava chorando. Peguei o carro do meu avô e parti para o endereço que ela havia me passado.


Tão pouco prestei atenção no caminho em que eu estava passando, eu só estava começando a ficar desesperado por ela, pode parecer exagero, mas eu já tinha ouvido a fama do bairro em que ela estava, lá se localizavam as melhores baladas e casas de show da cidade. Mas, apesar disso, esses lugares eram muito mal frequentados, e o bairro tinha fama de ser foco de criminosos perigosos e que estariam se escondendo lá da polícia. Meu avô me contava essas coisas, nunca acreditei, até eu visitar o bairro com ele e ver um homem ser assassinado, eu tinha apenas dez anos, mas me lembro até hoje.


Cheguei ao lugar e Emma entrou rápido no carro, me mandou sair dali logo, não olhou nos meus olhos provavelmente para não me deixar ver suas lágrimas.


– Você pode me contar o que houve? — eu disse já acelerando o carro por uma das avenidas.


– O Bob, meu amigo, foi idiota comigo. — disse esfregando o rosto.


– E o que ele fez?


– Eu não posso te falar, me desculpe.


– Sério? Você me pede pra vir te buscar, me coloca super preocupado e não me diz o que houve? Você está chorando Em, me acostumei com você rindo e sendo irônica, não neste estado. — freiei o carro e paramos, olhei fundo os seus olhos.


– Perdão se deixei você nervoso ou preocupado, mas não fique, por favor. Só queria sair daqui mas não tinha a quem recorrer. Muito obrigado por ter vindo e se preocupado. Mas é cedo demais para você saber, e não quero que tome conclusões erradas de mim...


– Tudo bem, eu acho que entendo isso. Fiz isso porque me importo, e gosto de ajudar as pessoas. Mas... Por que não ligou para seu pai?


– Nem sei onde anda meu pai Bert, ele não liga pra mim tá? Ele é um bostão. — seguimos o resto do caminho calados. Eu estava com medo. Não sei se era a palavra certa, mas estava.

Notas finais
Bom, foi isso. Prometo não demorar a postar o próximo, deixem seus comentários, e é isso aí! Tchau bjs.