Melancolia, e a arte de amar
4 Capítulo 4
Notas iniciais
POV: Emma
Eram quase nove da noite quando Bob me deixou em casa. Estava silencioso e escuro. Não tenho medo do escuro, sim do que está nele. Não que eu ache que tenha algo lá mas... A minha mente acha.
Meu pai provavelmente estava em algum bar bebendo aos montes. Subi para o meu quarto e me joguei na cama, era a única coisa que eu queria naquele momento. E então dormi. Muito bem por sinal.
POV: Albert
Não fiz praticamente nada o dia inteiro. Emma não deu as caras na internet desde aquela hora. Seiky, meu amigo, me chamou para fazer um lanche, mas eu tinha treino de basquete para ir. Sim, meu treino é bem tarde. Normalmente das nove às onze da noite. Já fui assaltado algumas vezes.
– Você se atrasou hoje hein Larsen! — disse meu treinador, que parecia mais uma parede de tão bombado.
– Sim, é... Me desculpe Sr.Ryan. — disse afastando meus cabelos da testa.
– Vá para o seu lugar.
Ele era um cara orgulhoso e birrento. Chato e sem amigos. Velho e carrancudo. E não. Não era "uma boa pessoa".
Me dirigi aos outros jogadores, que já estavam meio suados devido ao treino. Eu era o mais baixo, perto de caras com mais de dois metros... Eu tinha apenas um e setenta. Estava cansado já, tinha corrido para não chegar muito atrasado — o que não resolveu — Os garotos me olhavam de lado porque eu estava errando todos os movimentos.
Voltei pra casa umas horas depois, o treino foi péssimo, levei muitas broncas do treinador. Minha mãe estava no sofá dormindo, a acordei e ela foi para a cama logo após me dar um beijo na testa.
Subi para o meu quarto e me lembro de ter tomado um banho e capotado na cama.
POV: Emma
O sinal do intervalo no outro dia tocou e eu saí rápido da sala. Fui para atrás da quadra, estava chorando... Demais. Angelina e Bob vieram atrás de mim correndo. Eu não tinha falado com os dois a aula inteira.
– O que houve? — perguntou Angelina preocupada.
– Eu não estou bem... — sentei no chão e coloquei a cabeça entre as pernas.
– Quer falar? Faz bem. — disse Bob.
– Quero... Mas, se não se importa... Só com a Angel. — olhei para Angelina com os olhos cheios de lágrimas, e Bob sorriu pra mim e saiu.
– Pode falar... — ela disse se sentando ao meu lado.
– Eu, passei muito mal ontem.
– Por...? — eu não vou ficar relatando nosso diálogo.
Então eu passei mal porque tinha ficado com um garoto. Seria normal? Não. Eu não estava bem naquela noite, e Bob me levou para "limpar a mente". Não limpou. Só me fez ficar pior. Eu não sei porque sou assim. As férias estão vindo aí, e eu tenho festas marcadas, pessoas pra conhecer... Mas meu mundo está me consumindo. Como é difícil viver. Porra. Por que essas coisas acontecem comigo? Eu não podia ser só... Normal?
O sinal do fim do recreio tocou. Angelina tinha me dado bons conselhos, me abraçado, mas agora tínhamos aula de Português, e a professora me odiava.
Cheguei em casa, me joguei no sofá e olhei para a TV. Estava desligada, mas eu podia ver os programas semanais passando nela. Fui até a cozinha e olhei para o forno, estava desligado, mas podia ver o fogo queimando lá dentro. Me dirigi ao banheiro, o chuveiro estava desligado, mas pude ouvir a água caindo bruscamente no chão.
Eu não acordei bem, acordei querendo desistir de tudo. Mas Angelina me fez abrir os olhos. Ela e Bob me ajudam, mas... Continuam dizendo que preciso me tratar. Mas não quero que ninguém me ache doida. E se eu for ao psicólogo e mandarem me internar? Eu dou conta disso sozinha...
POV: Albert
O maior problema das pessoas é a auto-suficiência, a coisa de acharem que não precisam de ninguém, e que tudo se pode resolver sozinho. Se fosse assim, os amigos não existiriam, os namorados, os pais... Falar em pais, o meu pai chegou de viagem ontem à noite. Ele é representante de uma multinacional, vive viajando.
– Hey pai... Cheguei. — disse o cumprimentando e deixando minha mochila no chão.
– Oi meu filho, que saudade de você! — me deu um forte abraço.
– Então... Fez boa viagem?
– Fiz sim, e ah, isto é pra você. — disse tirando da mala um livro com capa azul.
– Nossa, pai. Obrigado mesmo! Estava para comprar este livro há um tempo. — agradeci foleando as páginas com animação.
– Que bom que gostou. Ah, meu filho... — me chamou quando eu ia subir as escadas. — Vai querer passar as férias na casa de sua avó? Ela ligou hoje de manhã perguntando.
– Vou! Claro que vou! Quando posso ir?
– Amanhã... Não é amanhã que começam suas férias? Então vá amanhã logo. Vi que você está precisando aliviar a mente filho. — sorriu.
Meu pai era um cara foda. Muito bom, não só por me deixar fazer as coisas, mas por ter total confiança em mim. Ser meu maior exemplo de pessoa, ter me ensinado os valores mais importantes.
Então eu iria para a cidade em que Emma estava amanhã. E o que eu deveria sentir? Nada. Eu estava normal, tranquilo. Animado... Um pouco. Mas estava com uma leve sensação de que coisas iriam acontecer, coisas boas, ruins, estranhas. Ela tem muita coisa escondida. Vários segredos, vários problemas. Como eu sei disso? Bom, pelo jeito como ela fala. Como ela é. Dá pra perceber algo errado em tanta rebeldia e inteligência. Chat do Facebook:
Eu: Hey... E aí?
Ela: Fala.
Eu: Nossa... O que houve?
Ela: Ai, me desculpe se fui grossa.
Eu: Você está bem Emma?
Ela: Aham tô sim, e você?
Eu: Também. É, tenho uma notícia!
Ela: Oba! Estou precisando mesmo de uma boa notícia! Manda.
Eu: Estou indo para sua cidade amanhã!
Ela: Sério? Nossa! Que bom... Podíamos marcar de nos encontrar. Me passa seu celular.
Eu dei meu número à Emma, e fiquei feliz com sua reação ao saber que eu estava indo. Amanhã seria um dia totalmente novo e foda, então eu tinha que aproveitar essa última noite na minha cidade com estilo. Chamei meus amigos e fomos para uma balada qualquer.
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