Notas iniciais
Essa capítulo veio rápido por que o anterior foi muito curto. Espero que gostem, boa leitura! Aliás, quero agradecer a minha linda beta Lay por me ajudar em todos os capítulos, te amo sua chata!

Abri os olhos, minha visão estava embaçada, mesmo assim, forcei-me a sentar. Estava no sofá daquele chalé, o cheiro de mofo misturado com o de biscoitos estava me deixando enjoada.

Olhei para meu braço, estava enfaixado com gaze e esparadrapos. Então me lembrei. Lembrei da luta com grifo e o corte que ele havia deixado em mim. Minha cabeça voltou a doer.

Além de mim, não havia mais ninguém na sala. Isso fez com que se tornasse um pouco assustadora, mesmo com a luz forte invadindo o local pelas janelas da frente.

Me levantei, minhas pernas bambearam e eu senti minha energia se esvair, me apoiei no braço do sofá e continuei a andar.

– Travis? Jonathan? — chamei.

Ouvi passos se aproximarem e logo uma figura saiu do corredor escuro.

– O que pensa que está fazendo em pé mocinha? — Jonathan disse, mas eu não tinha tanta certeza de que era realmente ele.

Em uma de suas mãos estava uma luva de cozinha e na outra uma colher. Envolto ao seu corpo estava um avental rosa de flores e em sua cabeça um lenço azul.

– Por que está usando as roupas da minha avó? — perguntei segurando o riso.

– É bom saber que depois de tudo não perdeu o senso de humor.

– Obrigada! — respondi — O que está cozinhando?

– Nada de especial, é simplesmente a Torta de Limão com Abacaxi e Frango Especial da Tia Nanda, ganhou três vezes seguidas no campeonato de Tortas de Limão com Abacaxi e Frango Especial, tem até um feriado para ela, mas como eu disse, nada de especial.

– Nossa, parece delicioso — fiz uma careta.

– E é! Você vai adorar!

– Ta sentindo cheiro de queimado? — perguntei.

– Deuses! A torta! — ele saiu correndo de volta para a cozinha.

Atrás de mim a porta se abriu. Travis entrou carregando alguns gravetos.

– Olá!

– Oi, quer ajuda com isso? — eu disse meio tossindo.

– Acho que você tem que se ajudar primeiro, não é?

Ele colocou no canto da porta e fui até mim.

– Vem, você precisa descansar.

– Ei, eu estou bem, juro que estou.

– Não minta para mim, odeio que faça isso — seu tom mudou.

– Do que está falando?

– Agora vai me dizer que você não sabe, não se faça Mel! – ele exaltou um pouco a voz.

– Está me chamando de falsa? – comecei a gritar, mas quanto mais alto falava, mais rouca saia o som.

– Não, estou dizendo que você esconde as coisas de mim, como se eu não pudesse fazer nada! — ele gritou — Eu sei sobre o veneno Mel, eu sei de tudo.

– Jonathan de contou não é? Aquele sátiro fofoqueiro.

– Não, eu descobri sozinho. Sua pele não deveria ficar daquele jeito, isso é culpa do veneno!

– Olha, eu sei me cuidar sozinha, não preciso da sua ajuda!

– Claro que precisa, você não consegue nem ficar em pé direito, olha pra você! Já faz três dias, Mel. O prazo está acabando!

– Pera, como você...?

Algo estranho aconteceu. Travis simplesmente desapareceu como se nunca estivesse ali. A porta se abriu novamente. De lá, Travis e Jonathan apareceram.

– Como vocês fizeram isso? — perguntei.

– Isso o que? – Jonathan se pronunciou primeiro.

– Jonathan, você não estava preparando a “Torta de Limão com Abacaxi e Frango Especial da Tia Nanda”?

– Eu nem tenho uma tia com esse nome!

– Pensei que todos os sátiros fossem parentes — Travis disse.

– Bom, a maioria, mas tem alguns que são parentes muitos distantes e...

– Ei! — gritei — o que está acontecendo? Jonathan estava aqui dentro e Travis estava discutindo comigo, de repente tudo sumiu.

Os dois se entre olharam e me colocaram sentada no sofá.

– Olha Mel, você tem, bom... como posso dizer...? – Travis começou.

– Você tem alucinado Mel, enquanto dorme principalmente, não sabemos o que fazer — Jonathan foi direto.

Fiquei confusa, parecia tão real, como eu poderia distinguir as coisas agora?

– Isso é uma alucinação? — perguntei.

– Não! Estamos aqui.

– Mas como? Como vou saber se vocês são reais ou não? — comecei a exaltar a voz. O desespero se abatendo sobre mim

– Só se acalme, okay? — Travis disse.

– Me acalmar? Isso é impossível — levantei e comecei a gritar.

– Mel, você vai ficar bem!

– Não diga isso se você não tem certeza Travis! — continuei gritando, cada vez mais alto.

Tudo se dissolveu em segundos. Não havia mais cabana e sim a floresta, árvores, neve, Jonathan e Travis andando na minha frente.

– O que foi? — o sátiro perguntou, olhando para trás na minha direção.

– Nada. — menti — Só achei ter visto algo.

– Vamos ter que apressar o passo, se não nunca chegaremos ao nosso destino em tempo.

– Há quanto tempo estamos caminhando?

– Há umas 5 horas eu acho.

– O que aconteceu depois do grifo? — perguntei.

– Te levamos pra cabana, enfaixamos seu braço, você acordou, disse que estava bem e começamos a caminhar. Por quê?

– Por nada.

– Então, você ainda não explicou como conseguiu matar aquele grifo — Travis sorriu.

– Nem eu sei — sorrimos.

– Vamos, estamos perto do monte frio, onde a águia de Zeus está. — Jonathan disse.

– É. É agora ou nunca.