Mel Williams & A Guerra entre o Olimpo

13 Minha professora não larga do meu pé


Notas iniciais
Eu admito que demorei pra postar esse capítulo, mas um dos motivos é que eu estava sem criatividade e quando a encontrei o Nyah não estava abrindo no meu computador. Consegui resolver o problema depois de (pausa pra contar) 8 dias. Boa leitura!

– Ali está! – Travis apontou – O monte frio.

– É, nossa jornada está chegando ao fim, nem foi tão difícil assim! – Jonathan comentou.

– Claro, você não fez quase nada! – Travis provocou.

– Não comecem, vamos logo!

Continuamos a caminhar até chegar no monte. Era um morro alto, sem árvores ou pedras, só neve. Ao topo podia se ver a grama verde e um brilho forte. Meus olhos arderam, levei a mão ao rosto e os esfreguei, era como olhar para o sol. Cada vez que nos aproximávamos sentíamos calor, o poder da águia de ouro de Zeus era inacreditavelmente forte.

Sequei uma gota de suor.

Minha cabeça continuava confusa, eu não sabia distinguir o que era real, mas não dei muita importância. Já meu corpo doía constantemente, minhas costas pesavam e meus pés afundavam na areia coberta de neve, dificultando a subida. Meus ferimentos, todos que eu havia conseguido desde o início da missão, ardiam como nunca, uma dor horrível, eu estava prestes a desmaiar.

– Mel, está tudo bem? – Travis perguntou.

Eu iria mentir novamente, dizer que estava bem e que precisávamos continuar, mas uma hora ou outra ele ia saber, que fosse agora.

– Não, não está tudo bem – eu disse.

– O que foi? .

– Travis, eu fui envenenada no trem, pela Fúria – eu disse sem hesitar.

– Como é? – ele olhou para mim e depois para Jonathan – você sabia disso?

– Olha cara, não queríamos que você se preocupasse.

– Me preocupar? Como acha que eu me sinto agora? – ele gritou – Meus amigos escondendo coisas importantes de mim!

– Eu pedi para que ele não contasse – eu disse tossindo.

– Belos amigos vocês são, eu vim com vocês nessa missão para ajudar, mas vejo que não precisam da minha ajuda, vocês conseguem fazer tudo sozinhos mesmo – apontou pingando sarcasmo.

– Ei cara, não vamos brigar agora – Jonathan tentou acalma-lo.

– Vocês não teriam conseguido sem mim, sabem disso, mas mesmo assim me usam só como o esgrimista, “Vamos deixar o Travis matar os monstros, mas vamos mantê-lo fora das conversas”.

– PARE! – gritei mais alto que pude.

– O que foi Mel? – Jonathan perguntou.

Estávamos quase chegando ao topo do monte frio. Olhei para Travis, ele estava quieto, nada havia acontecido. Alucinações, de novo, pensei.

– Eu só estou um pouco cansada, mas vamos continuar, estamos bem perto – menti.

Tirei minha jaqueta e coloquei na mochila, o calor estava aumentando.

– Como vamos levar a águia para o Olimpo? – Jonathan perguntou.

– Podemos tentar coloca-la em um helicóptero – Travis sugeriu.

– Não podemos viajar pelos céus, além disso, é muito grande para caber dentro de um. – falei.

– Droga, havia me esquecido dessa parte – resmungou.

– Podemos montá-la, é um águia viva, certo? Subiremos em cima e...

– Melhor não!

– Gente, chegamos!

A neve estava totalmente derretida, a grama verde era bem aparente. Meu corpo inteiro estava suando, minha pele ardia e eu mal conseguia enxergar algo. Cerrei os olhos e coloquei minha mão na frente da luz, aos poucos fui me acostumando com a claridade e o objeto foi tomando forma.

– O que? – Jonathan perguntou espantado.

– Zeus só pode estar brincando! – Travis disse.

A lenda estava certa em uma parte: Zeus tinha realmente uma águia de ouro. Mas eu não esperava atravessar toda a Floresta Congelada para levar isso para o Olimpo.

– Cuidado! – Travis advertiu.

– Hã? – perguntei olhando para ele.

Olhei para meus pés, havia um precipício, não sei exatamente a que distancia, dois, três metros talvez.

– Eu vou primeiro – o sátiro exclamou.

Jonathan pegou uma pequena distancia, correu e pulou. Para ele era fácil. Travis pegou uma distancia um pouco maior e pulou, seu pé escorregou e raspou nas farpas do buraco, mas ele não caiu. Agora eu.

Era difícil manter o foco, eu podia sentir cada vez mais forte o veneno percorrendo minhas veias e me deixando tonta, com náuseas. Mesmo tendo tomado néctar, minha perna machucada ainda doía, eu estava exausta e não conseguia nem manter meu próprio peso, e é claro que os meninos também estavam, mas o meu lado pessimista e fraco dizia que eu estava passando pela pior coisa do mundo.

Balancei a cabeça tentando manter o foco, peguei a maior distancia possível, respirei fundo, o ar com cheiro de morte não ajudava. Corri cambaleando, mas o mais rápido que pude, tentando ignorar tudo. Eu nunca fui boa em salto em distancia, não é agora que vou me sair melhor. Mesmo assim, pulei.

Pude ver os meninos do outro lado me esperando, eles estavam ficando mais altos, ou eu que estava ficando mais baixa. Passei os olhos nos seus sapatos/cascos e cai. Ergui meus braços tentando me segurar, as farpas enormes entraram para dentro do meu braço esquerdo, causando mais dor a medida que rasgavam-no.

Um frio na minha barriga me consumiu, o medo. Senti uma mão fria me tocar, segurou-me firme, fazendo com que as farpas afundassem no meu braço, não que eu ligasse no momento. Olhei para cima e vi seu rosto. Os cabelos lisos, mas emaranhados, seu rosto branco e pálido com alguns arranhões e sujeira, suor escorria seu rosto até sua boca. Ele abriu um sorriso bobo e brincalhão, o mesmo de sempre, mostrando seus perfeitos e alinhados dentes, mas por que ele estaria sorrindo em um momento desses? Percebi que eu estava com um sorriso bobo no rosto, era difícil de compreender e admitir, mas, eu gostava dele, mais do que como amigo, eu o amava.

Jonathan apoiou seu queixo em cima dos braços cruzados e ficou mudando o olhar de Travis para mim várias vezes.

– Hm – ele disse insinuando – sem querer estragar o momento romântico do casal, mas você está pendurada em um precipício em uma floresta cheia de monstros enquanto o tempo passa e Meg e Jake continuam presos por Zeus, então...

– Claro – eu disse, segurando a mão de Travis com a minha direita.

Ele me puxou e os dois me ajudaram a subir. O travesso filho de Hermes segurou minha mão firme enquanto Jonathan arrancava as farpas, eu fazia caretas e cerrava cada vez mais o punho, apertando a mão de Travis.

Retirada todas, ele enrolou meu pulso com um lenço e amarrou firme.

Levantamos e encaramos a águia de Zeus, cheguei mais perto e peguei a águia na mão. Ela tinha cerca de 4 centímetro e pesava no máximo 100 gramas.

– Um chaveiro? – perguntei.

– Acho que estou aliviado – Travis disse.

– Eu ainda não, preciso ir ao banheiro – Jonathan completou.

Revirei os olhos.

– Então, vamos voltar? – perguntei.

– Não acharam que iriam conseguir tão fácil assim, não é? – uma voz familiar disse atrás de mim.

Me virei rapidamente. Srta.Clarke em sua forma de Górgona estava parada há poucos metros de nós.

Não sei como aconteceu ao certo, mas ela rapidamente arrancou a águia de Zeus de minhas mãos e a engoliu.

– Delicioso, quem quer ser a sobremesa? – rosnou.

– Ah cara, qual o problema em guarda-la no bolso? – Jonathan reclamou – Assim, quando matarmos você, vai estar cheia de vísceras nojentas!

– Está antecipando sua vitória jovem sátiro – sibilou novamente – assim como minutos atrás!

– Não acredito que você já teve uma queda por ela! – disse.

– Isso nunca aconteceu! – Jonathan disse corando.

– O papo está legal mas acho que você podiam tentar manter o foco – Travis alertou.

Ela investiu para cima do sátiro, com as garras esticadas e os dentes a mostra, eu teria ficado com medo corrido, mas Jonathan provou novamente que não é medroso. Ele se virou, apoiou seus braços no chão e lhe deu um coice em sua cabeça. A Górgona voou para longe, ainda em pé, arranhando o chão. Na mesma velocidade de antes, atacou, dessa vez veio para cima de mim.

De alguma forma meu consciente não estava preparado para isso, mas meus instintos sim, desviei para o lado e estendi minha perna para que Srta. Clarke tropeçasse. Suas costas se curvaram, mas ela não caiu. Aproveitei a oportunidade e com o cabo de minha espada acertei com força em sua nuca. Ela caiu com a cara enterrada na areia, imóvel.

Levantei minha espada e a abaixei com rapidez antes que ela pudesse atacar novamente. Minha espada simplesmente afundou na neve fofa, a Górgona não estava mais ali. Teria sido uma alucinação?

Sinto uma forte dor no abdômen direito, olho para o lado e lá esta o monstro, com as enormes e afiadas garras fincadas no meu corpo. Minha cabeça latejava e minha ferida ardia, mas não só essa, meu braço também estava queimando.

A Gorgona se afasta.

Eu caio de joelhos. Levanto minha blusa, só consigo ver sangue. Pelo canto do olho vejo Jonathan já no chão e a besta jogando Travis para longe quando ele tenta ataca-la. Ele bate com a cabeça no mármore e cai desacordado.

Ela se vira para mim novamente. Eu sei que agora eu sou o alvo e preciso fazer algo. Forço-me a levantar, mas meu tornozelo doí e minhas pernas bambeiam. Pontos pretos surgem na minha visão, até que vou perdendo a noção de tudo o que está a minha volta.

Não seja fraca. Isso é patético, vamos, levante.

Uma voz em minha mente fala severamente.

Não faça eu me arrepender de tudo o que eu fiz.

Minha mãe, Hera.

Coloco a mão na neve fria, respiro fundo o ar gelado da floresta. Eu não tenho forças o bastante para matar a Górgona, tenho que ser inteligente.

Lembro-me de Thalia, uma menina forte e inteligente, caçadora de Ártemis. Ela disse que eu tinha potencial. Bom, se ela disse isso, deve significar algo.

A faca. A garota me dera uma faca de caça quando nos despedimos. Ela ainda está na minha cintura.

Levanto meu rosto, a Górgona está a poucos metros de distancia. Apoio um joelho no chão e a encaro, ela se aproxima rápido, logo, está na minha frente.

Retiro a faca com rapidez da minha cintura e finco em seu pé, o único lugar que consegui alcançar. Ela uiva de dor, em seguida olho para minha espada que está atrás dela.

Vamos, você consegue Mel, você já fez isso antes.

Estendo minha mão o máximo que posso para alcança-la, imagino-a se arrastando pelo chão e vindo para na minha mão, como antes fizera.

Nada acontece.

Talvez a dor que eu esteja sentindo esteja bloqueando minhas habilidades, seja lá o que isso signifique.

Tente de novo, não desista. Eu não coloquei uma covarde no mundo. Mexa-se.

Eu poderia gritar para ela que eu não era covarde, mas eu não realmente acredito nisso. Eu estava com medo, como em todos os momentos de minha vida. Eu estava com medo quando meu pai me deixou no internato, quando a Górgona apareceu, quando não fui reclamada, quando beijei Jake. Eu sempre tive medo de tudo, mas isso nunca fez com que eu desistisse de algo.

Agora, eu só queria desistir, fugir dali, abandonar a missão.

Não, Jake e Meg precisam de mim.

Olhei para frente, estendi minha mão novamente, dessa vez mais confiante. Eu não sabia exatamente o que fazer, mas tentei.

Nada aconteceu.

– Não importa o quando você tente, nunca irá conseguir – o bicho continuava a me atormentar.

Vamos Melissa, faça algo!

– Que tal você parar de gritar comigo e tentar me ajudar? – gritei em resposta.

Seja inteligente, pense.

Tudo bem, eu preciso de um plano B, e rápido.

Algo começou a se formar em minha mente, uma ideia.

Notas finais
Gostaram?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.