Meine Shuld
19 Capítulo 19 - Uma Sombra Nova
— Mais então princesa? A que devo a honra da digníssima presença de vos? — disse Mari deitada em sua cama, os cabelos soltos assim como Asuka havia lhe dito, caíam melhor nela. — Pelo menos você parece estar um pouco melhor do que a última vez, conseguiu se comunicar com ele durante esse tempo?
Asuka estava sentada em um dos bancos, ela assistia a TV com um certo desinteresse bem visível. — Eu consegui falar com ele algumas vezes sem pensar em nada ruim, o que é bom. — ela disse se virando. — Mas talvez eu tenha tomado uma decisão errada, enquanto eu vinha aqui pela primeira vez, eu pedi para Evaline, aquela amiga de infância de Shinji, que por um acaso treinou comigo pra cuidar dele enquanto eu estivesse fora.
— Ela fez alguma coisa ruim pra ele? — perguntou Mari curiosa, não desejando que nada de ruim acontecesse com ele.
Asuka negou com a cabeça. — Não, de completos estranhos se introduzindo, ela dormiu com ele a noite, e ainda fez um café da manhã pra ele, ela deve estar fazendo alguma simulação com aquela Harumi de cabelos rosas, garota energética.
— Nossa, ela fez um movimento sobre o pobre e inocente Shinji. — disse Mari provocativa, arrancando uma carranca da ruiva. — Eu não acho que eles agora sejam completos desconhecidos, veja bem: Eles eram amigos de infância, cresceram um tempo juntos, deve ter muita coisa pra se conversar, e aposto que ela contou coisas para ele se lembrar ou pelo menos entender o que ambos significavam um pro outro, você sabe como Shinji é com essas coisas, ele é muito sentimental.
Asuka sabia disso, Shinji presava o que acontece com as pessoas ao seu redor, ela só não queria deixá-lo sozinho com alguém que não era de confiança, mesmo que agora deliberadamente Shinji confiasse na mais velha, ela ainda não tinha esse passe. Mesmo que ela tivesse ajudado Shinji a banhar-se, a trocar-se, ajudou a dormir e o alimentou, ainda não era o suficiente.
— Eu vou manter os meus olhos sobre ela por um tempo. — Asuka disse se espreguiçando, o vestido antigo e amarelo ainda lhe caia bem ao corpo. — Eu ainda tenho que pensar no que fazer a partir de agora.
— Você diz sobre pilotar? — perguntou Mari com cuidado, em uma de suas visitas ela recebeu Misato, não foi agradável saber o que aconteceu com a mais nova no tempo que estava fora. — Isso é uma escolha sua, assim como é uma escolha do filhote sobre voltar para a sua EVA, vocês dois foram os que mais pagaram caro por pilotar aquilo...
— Shinji não vai voltar para dentro de um EVA, não enquanto eu viver. — ela disse convicta. — Foda-se o que os outros países digam, eu não ligo, eu jamais permitirei nenhum engravatado colocar ele em cima de uma máquina de guerra novamente, ele não merece, ele não precisa passar por isso de novo.
— E quanto a você? — perguntou se sentando a mais velha.
Asuka parou por um momento para olhar para Mari.
— Eu não tenho certeza se eu quero voltar para aquilo, eu sei que era minha vida, era o propósito da minha existência, mas agora eu tenho que concertar o que eu fiz com Shinji, preciso vê-lo recuperado e sorrir como uma criança pra mim de novo. Mas se eu voltar, eu vou me esforçar tanto que aqueles malditos nem ao menos vão se lembrar dele, vou assumir a carga dele, para que ele não se machuque de novo...
Mari lhe entregou um sorriso bondoso. — Assim espero princesa, logo, logo eu receberei alta, e provavelmente serei sua quase vizinha. — ela disse contente. — Vai ser bom poder ficar perto do filhote também, preciso provocar um pouco ele sabe? Pra ver se ele ainda é tão inocente assim.
— Contanto que seja algo saudável, tudo bem, vai ser bom ter alguém de minha confiança perto dele. — Asuka não se importava mais em admitir o quanto uma pessoa era importante ou não em sua vida, e por isso Mari era grata. — Eu estou aqui há um tempinho, eu vou voltar para casa, Shinji ainda deve estar dormindo mas quando ele acordar ele vai querer comer uma zebra, então... Eu vou indo, até outra hora.
Asuka se despediu com um aceno e um pequeno sorriso de sua amiga e saiu de seu quarto hospitalar. Não dando muita atenção para as pessoas que estavam lhe observando, principalmente os garotos acompanhados de suas mães.
— Talvez um espaguete seja bom hm? — ela ponderou alto para si mesma, indo em direção a estação do metrô. Mas antes que ela começa-se a se dirigir para tal, seus ouvidos captaram um som muito alto, vindo a sua esquerda, de onde havia uma imensa estrada que ligava o aero porto com o Hospital, eram onde as casas estavam sendo construídas para a população. Ela esticou seu pescoço para ver o que vinha naquela direção, e em poucos segundos ela só pode pular para trás, para ver o deslumbre de uma moto vermelha, ou laranja forte passando muito rápido, bem perto dela, em um lugar que não era permitido mais de quarenta quilômetros por hora, e aquela moto, passava muito, mas muito disso, ela nem conseguiu ver direito o que era. Ela tentou ignorar quem quer que fosse o insano que estivesse em uma moto assim, e foi em direção ao metrô.
Segundos depois, quatro carros pretos foram na mesma direção que a moto havia passado, Asuka apertou os olhos sobre isso, naquela direção ficava o terminal atual da NERV japonesa, o que estava acontecendo ali? Bom, ela perguntaria o que estava acontecendo para Misato, quando ela voltasse do trabalho, ela só esperava que isso fosse rápido o suficiente.
Ela entrou em seu vagão, ignorando qualquer cantada idiota que ela recebesse de garotos maltrapilhos. Só havia um em seu coração. E ela com certeza não o merecia, ainda...
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Harumi e Evaline haviam terminado o seu teste em conjunto há poucos minutos, agora ambas estavam na sala de Akagi, para uma pequena avaliação, procedimento padrão toda vez que ela utilizavam suas EVAS, para ver se alguma contaminação do núcleo da EVA havia passado para seus corpos. Ambas estavam apenas com suas roupas íntimas, e com certeza Harumi não deixaria sua boca em silêncio sobre isso.
— Você já viu aquele filme pornô? A infestação da Vacina Masculina? Ou algo do tipo? — Harumi perguntou para ambas, Akagi piscou um pouco confusa, essa foi uma das poucas vezes que ela foi pega de surpresa assim. — Tinha duas mulheres exatamente como nós estamos, e tinha um cara segurando uma imensa seringa, só que não do tipo convencional, era muito engraçado assistir.
A reação de Evaline após ouvir isso foi diferente, ela deu um longo suspiro pesado, como se estivesse lidando com uma criança. — Você acha que nós nos parecemos como duas atrizes pornôs simplesmente por estarmos em uma sala usando sutiã? — Evaline perguntou descrente para a mais nova, ela tinha a idade de Asuka, quase dezessete.
— Não, os seus seios são com certeza muito maiores. — ela apontou para a estatura da loira. — É isso que dizem sobre mulheres crescidas. — ela estendeu o braço para Akagi que fez um pequeno furo para coletar uma amostra de sangue. — Isso é um saco, toda vez temos que tomar uma injeção? Que droga.
Akagi não se deu ao trabalho de responder e pegou outra para tirar uma amostra do sangue de Evaline. — Bom, era só isso que eu precisava por enquanto, como vocês ainda não tiveram uma sincronia acima de cinquenta por cento, não preciso investigar diretamente seus corpos.
Evaline estremeceu com a ideia de uma mulher lhe invadindo. Harumi parecia excitada com a ideia de ser tocada pelas mãos experientes da mais velha. — A hora que precisar. — Harumi começou a botar seu uniforme assim como Evaline. Antes delas saírem Evaline resolveu perguntar o que lhe deixava em dúvida.
— Doutora Akagi, eu tenho uma pergunta sobre os medicamentos que você receitou para Shinji . — Evaline disse para a mulher sentada na cadeira, a mesma se voltou para lhe olhar. — Por que ele precisa de remédio para hormônio e testosterona? Ele não tem nenhum problema hormonal ou alguma disfunção, eu saberia dizer.
— É, Misato me disse que você o ajudou no banho. — Agora Harumi teria mais material de provocação e mais motivo para ficar de boca aberta, maravilhoso, pensou Evaline. — Bom, acho que mal não faz. — ela abriu uma gaveta, com algumas folhas e entregou para Evaline. — Visto que Misato disse que você não tem más intenções com aquele menino, leia isso para você entender.
Evaline pegou as folhas e sem nenhuma pressa, ela começou a ler, Harumi vendo que isso iria demorar, ela se sentou, não perderia a chance de descobrir algo mais sobre a pessoa que ela admira. Evaline não mudou muito sua expressão, apenas seus olhos pareciam muito focados em cada parte, cada página detalhada ela devorou o conteúdo em instantes, e na última folha ela empacou por alguns segundos, terminando de ler ela entregou as folhas para Akagi silenciosamente.
— Têm alguma maneira de ajudar isso de um jeito melhor? — disse Evaline após alguns segundos, Harumi não havia entendido bulhufas. — Não acho que remédios e remédios forçados vão ajudar isso rapidamente, sabe-se lá quanto tempo ele vai precisar tomar isso até que o organismo dele se recupere.
Akagi ficou em silêncio por alguns instantes, bom de fato havia algumas outras maneiras, porém ela não poderia fazer isso sem a permissão legal de seu guardião, e ela duvidava muito que Misato ia entregar Shinji de braços abertos para um bisturi sem tanta necessidade. — A questão Evaline, é que você já se perguntou se essa é a vontade de Misato? Sua comandante, ou até mesmo a vontade de Shinji?
Evaline mordeu os lábios, muito irritada. — Como você espera que ele tenha uma opinião sobre algo que nem ao menos lhe foi explicado? — ela se virou e saiu dali, Harumi logo atrás.
Percebendo que o humor da mais velha tinha ido pro além, Harumi sabiamente iria deixar para depois a oportunidade de brincar com as descobertas que havia feito, afinal ela não queria levar um murro da loira, ela amassou ferro como se fosse papelão. Ambas estavam nos andares finais da estação da NERV subterrânea, elas tinham que subir algumas estações, Evaline queria chegar em casa, se aprontar e verificar como Shinji estava, já passava do meio dia por alguns minutos, provavelmente Himura havia deixado algo preparado para ela.
As coisas começaram a fazer mais sentido em sua cabeça. Os leucitos dele estavam absurdamente baixos, baixos demais para sequer conseguir ter alguma nutrição, assim como os vasos viriais dele estavam totalmente emperrados, era como se o corpo dele tivesse tentando torná-lo disfuncional. O que não fazia sentido algum. Porém ela descobriu que ele agora precisava mais do que nunca de uma dieta nutritiva, rica em sódio e carboidratos. Ela teria isso em mãos em breve. Harumi estava cantarolando para si, não que Evaline se importasse.
Harumi cumprimentava qualquer funcionário da NERV que passava nos corredores. Evaline nem um olhar direcionava, ela andava olhando para frente como um robô. Embora o objetivo delas agora fosse ir para casa, Evaline iria dar uma última parada no Gabinete da Comandante Misato, ela não pegou o elevador, e tomou um corredor para a direita, era no mesmo andar que a ala médica.
Novamente não se importando com nenhuma pessoa que lhe acenava, ela cautelosamente bateu na porta de vidro fume da sala de Misato.
— Pode entrar. — a voz da mais velha se fez presente e as duas entraram, estava óbvio que Misato não esperava que fossem elas. — O que estão fazendo aqui meninas? Vocês já poderiam ter ido para a casa a essas horas.
— Eu iria normalmente, já estaria no quarto do seu protegido zelando pelo sono dele, mas eu preciso vir aqui para pedir permissão para algumas coisas. — Evaline disse sem se importar com a expressão antes curiosa da mais velha se tornar uma expressão calculista.
— Permissão para quê? — a mais velha perguntou enquanto colocava as mãos em frente ao rosto, se escorando.
— Você já deve ter visto há algum tempo os resultados das análises médicas, Akagi deve ter mostrado previamente. — ela começou. — Shinji está mais do que desnutrido, então eu gostaria de ter sua permissão para servir as refeições de Shinji até que ele se recupere.
Misato estava pensativa, ela já não tinha mais motivos para duvidar da garota, ela provou agora pela manhã que sua preocupação com o menino era genuína, e Shinji merecia alguém como ela por perto, depois do que Asuka havia lhe feito, talvez Evaline pudesse ajudá-lo de outras formas também...
Ela suspirou pesadamente. — Bom, por mim eu não vejo problemas, apenas avise Asuka, e pergunte a opinião de Shinji sobre o assunto, certo? — ela dispensou as duas.
— Muito obrigada Comandante! — a loira se curvou levemente, Harumi estava sentada em um dos bancos. — Vamos para casa. — Evaline disse olhando para Harumi. E quando sua mão chegou na maçaneta, ela foi forçada a dar alguns passos para trás, pois uma silhueta abriu bruscamente a porta.
Adentrou um garoto com uma expressão alegre, os cabelos eram caídos, ovais, era quase uma forma na cabeça. O menino vestia uma jaleco laranja e vermelho, ostentando orgulhosamente um símbolo europeu. Mas seus traços não diziam que ele era da Europa. Ele tinha uma postura confiante, quase confundida com arrogância.
— Preste atenção todos. — ele apontou para si. — Está diante de vocês o melhor piloto de EVA já feito na história da humanidade, para todo o sempre! — ele fez uma postura estranha, se curvando para frente e voltando com o peito estufado de ar, como se tentasse aumentar o seu tamanho. — Lembrem-se desse nome! Akira Hashina!
O menino com certeza esperava ser recebido por nada menos do que ovações e aplausos, mas vendo melhor, só havia três pessoas naquela sala. E vendo melhor, nada mal, nada mal mesmo! Até que elas eram bonitinhas, dignas de serem abatidas pelo seu charme!
— Ei você! — Akira disse com um sorriso prepotente no rosto apontando para Harumi que estava mais preocupada em se divertir com a expressão irritada de Evaline do que olhar para o menino escandaloso. — Me diga o seu nome.
Harumi não tinha prestado muita atenção nisso. — Bom, comandante Misato, estamos de saída, aproveite o resto de dia com a sua papelada. — ela disse se levantando e indo em direção a Evaline, que não estava nem um pouco contente com aquele garoto estranho barrando sua passagem para casa, ela tinha que verificar como Shinji estava ainda, e ele estava no caminho disso.
— Ei você! Não me ignore! — ele disse um pouco mais alto, Harumi piscou desinteressada, estava na cara que o garoto tinha um gênio forte, ela não era muito fã de pessoas assim. Ambas fizeram menção de contorná-lo e passar por ele, e antes que ele pudesse replicar qualquer coisa, as duas saíram da sala, deixando agora três homens que estavam atrás do garoto e a Comandante Misato na sala.
— Comandante Misato, espero que o relatório tenha chegado a sua mesa antes de nós. — disse o guardião de Akira, Misato o conhecia apenas por fotos, era Hanzo, era um antigo engenheiro de EVAS, e agora estava em outra função.
— Bom, receio que não tive a chance de estar a par da situação. — disse Misato com dor de cabeça a essa altura. — Sentem-se, vamos discutir sobre o que está acontecendo.
Seriam mais algumas boas horas para ela conseguir oficializar mais um possível piloto em suas instalações. E pelo visto esse garoto lembrava muito de como Asuka era no passado, e ela ainda tinha que visitar Mari para verificar com ela se ela queria ficar no mesmo andar que Shinji e Asuka, e agora isso.
Longo dia.
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— Aquele menino era bem irritante né? — disse Harumi já no elevador, não se preocupando em manter o silêncio. Evaline apenas assentiu com a cabeça, já tinha visto garotos mais comportados. — Vai ser um saco se ele for morar no nosso prédio, sabe? Não quero nem imaginar esse garoto na minha porta perguntando '' Ei você, qual é o seu nome? ''
Essa piada sem graça não fez efeito na expressão pensativa de Evaline. Que só queria chegar em casa, tomar um banho, comer, e depois ela iria fazer algo para Shinji comer, e é claro que ela teria que conversar com Asuka sobre algumas coisas.
Harumi ficou em silêncio, brincando com seus cabelos rosas, retirando um pirulito do bolso, ela não se importou com mais nada além do doce, e com certa satisfação, Evaline apreciou o silêncio. Não demorou muito para que elas voltassem para a superfície. Novamente, mostraram suas identificações para todos os guardas, colocaram suas digitais no painel, e enfim estavam liberadas para sair. Ambas foram em direção a estação de metrô, que a essa hora estava lotado de pessoas saindo para almoçar. Com sorte ambas acharam uma vagão no final onde não havia muitas pessoas, só mulheres e crianças.
Se deitando quietamente, tomando novamente mais do que apenas um lugar no trem, Evaline relaxaria por uns dez minutos, Harumi ainda estava com seu doce e em silêncio, não estava sendo um mal dia. Mas ainda não havia acabado, e tudo o que ela queria era ir para sua bela casa.
Ela continuou pensando no que ela poderia fazer par ajudar o garoto. Mas não tinha muita certeza quanto desejaria, não adiantava pensar nisso agora de qualquer forma.
Aquele garoto no entanto, lhe passou algumas vibrações muito negativas, que ela não soube lidar.
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