Meine Shuld
20 Capítulo 20 - O Pináculo
Chegando em casa depois de um pequeno dia de ocupações, conversas ela finalmente podia voltar para casa para tomar um banho e conferir como Shinji estava, Asuka realmente estava com algumas gotas de suor em sua testa, maldito tempo infernal e esse sol que literalmente criava uma passarela em volta do caminho que ela tinha que fazer para casa. Enfim, ela pegou as chaves e abriu a porta, não ficando surpresa pelo único som do apartamento ser os suaves sons de Shinji, a respiração dele estava um pouco irregular, talvez Evaline tivesse escutado isso a noite também? Ela não sabia dizer se isso a incomodava? Porém sua nova filosofia de vida a avisou novamente:
Enquanto Shinji não passasse por Evaline o que ela o fez passar, ela não iria se opor a isso, ela só queria poder agora ter um ciclo de amizade com ele, mesmo que ela talvez tenha finalmente entendido os sentimentos dele e ela aceitado os sentimentos dela por ele, não significa que ela poderia tê-lo em sua cama depois do que ela lhe fez passar, ela entendia isso e isso lhe doía porque ela o queria também.
Não adiantava pensar nisso agora, Evaline tem a vantagem por hora. Ela foi em direção ao seu quarto, o antigo quarto que ela basicamente roubou dele, isso há fazia suspirar em pesar, havia feito muitas coisas ruins pra ele que ela achava que era perfeitamente normal para fazer, isso só mostrava o quanto ela tinha que melhorar.
Abrindo a porta encontrou o quarto do jeito que estava, a cama levemente desarrumada, com os lençóis um pouco puxados para os lados, a cabeceira da cama não havia visto muito uso em tempos, o criado mudo repleto de remédios e garrafas de água vazias, algumas caixas permaneceram fechadas há anos e ela não tinha a vontade de abri-las e encontrar os mesmos vestidos que ela já usou antes, ela retirou suas roupas ao chão e preparou sua nova muda de roupas, um pequeno short azul e uma camiseta branca, o mesmo tipo de camiseta neutra que Shinji costuma usar, e é claro suas roupas íntimas, no passado ela provavelmente teria usado algo tentador, mas agora ela procurou as coisas mais simples que tinha no armário, e encontrou apenas um conjunto negro, seria bom o suficiente, pensou.
— Banhar... — ela resmungou para si mesma. — Preciso banhar... — ela abriu a porta e não demonstrou surpresa ao encontrar nada mais e nada menos do quê duas pessoas em seu apartamento, e ela não estava usando nada, automaticamente ela colocou suas vestes frente ao seu corpo. — Mas quê diabos? — ela exclamou um pouco mais alto do que deveria.
Harumi e Evaline estavam diante dela, fazendo o melhor para não olhar o corpo de Asuka, bom pelo menos Evaline parecia não se importar, já haviam dividido banho quando mais novas, nada havia realmente mudado, já a rosada realmente não parecia se importar em ser rude, estava literalmente despindo a mais velha com os olhos, mais do que ela já realmente estava.
— Eu não consegui ver muito da última vez que nos encontramos no banho, porque vocês duas pareciam dois demônios e eu um simples anjo indefenso mas... — Harumi disse soltando o pirulito da boca para mostrar dentes muito afiados e alinhados em traste. — Quando Deus te fez Asuka, ele realmente fez medidas ótimas, benção...
Asuka e Evaline dessa vez encararam Harumi por alguns segundos, e decidiram ambas que essa deveria ser a reação natural das coisas para ela, provavelmente ela tinha tendências bissexuais por agora, nada muito preocupante para elas.
— Bom, eu peço desculpas por ter literalmente vindo sem avisar e te encontrar assim. — ela disse em passos lento em direção ao quarto de Shinji, ainda estava dormindo, apesar de seus ombros estarem se movendo levemente, significava que ele estava quase acordando. — Enfim Asuka eu vim aqui pra te dizer algumas coisas.
Asuka ignorou por um tempo a situação que estava e focou nelas. — Diga.
Evaline suspirou um pouco. — Você não deve ter visto os exames médicos dele, pelo menos não os detalhes então eu vou te contar. — ela exclamou fechando a porta um pouco do quarto do garoto. — Shinji está desnutrido, muito desnutrido, seu estômago está quase fechando, ele só recebeu algumas proteínas disponíveis pelos tubos provavelmente, mas ainda sim não é o suficiente, ele precisará de fisioterapia, e conversando com Misato eu recebi a permissão para tomar conta de algumas rotinas dele...
Harumi dessa vez realmente queria se afundar no concreto por alguns instantes, apesar da cara relativamente neutra das duas, seus poros lhe alertavam para ficar alerta, as duas provavelmente poderiam lhe finalizar sem muita dificuldade, talvez Asuka fosse mais bruta.
— Misato já te deu permissão? — perguntou Asuka.
Evaline confirmou e a ruiva ficou em silêncio.
— Eu só preciso perguntar para Shinji como ele se sentiria sobre isso e eu já posso providenciar algumas coisas pra ele. — Evaline explicou calmamente. — É claro que se ele se recusar a receber minha ajuda, eu não irei forçar o assunto sobre ele, é decisão final dele e somente dele.
Essa frase é algo que Asuka gostaria de poder dizer em voz alta, mas não tinha coragem pra mentir tão abertamente assim.
— Enfim, se ele aceitar eu com certeza não vou me opor a isso. — ela disse abrindo a porta do banheiro. — Controlem-se, e não o acordem até o meio dia, ele pode dormir quase duas horas ainda.
Dito isso ela foi para seu ansioso banho, Evaline imediatamente olhou para as feições suplicantes da mais nova, ela praticamente implorava para vê-lo, talvez não fosse tão mal, afinal ela faria parte da rotina dele futuramente, talvez uma apresentação normal faria bem. Levando a porta para o lado e a encarando seriamente, Harumi percebeu que não poderia gritar.
Colocando o corpo para o lado, Harumi conseguiu ver um garoto com expressões tão suaves que ela o confundiu com uma menina a primeira vista, porém logo ela entendeu que Shinji era assim mesmo, ele estava dormindo, ou tentando voltar ao sono profundo, por hora ele apenas estava deitado de olhos fechados, tentando realmente ir pro mundo dos sonhos.
— Ele é tão igual as gravações, pensei que ele fosse mudar, ao menos um pouco, e ele continua a mesma coisa. — Harumi exclamou para ela. — Isso é legal, provavelmente ele ainda é o mesmo de sempre, se preocupando com o próximo.
Evaline não podia discordar, ele provavelmente ainda era assim. — Você já o viu, quando ele acordar podemos fazer as apresentações, agora vamos arrumar logo algo para fazer... — disse Evaline indo em direção a sala deles, se sentando em um dos cantos do sofá, que por ventura era modesto e grande o suficiente, ela pegou o controle e apenas ligou a TV em um volume bom o suficiente para escutar, Harumi ainda estava com seu pirulito. — Você não cansa de doces?
— Você se cansaria de Shinji? — ela respondeu despreocupada. Evaline sorriu de canto, ela venceu essa.
— Têm alguém em casa? — ambas puderam ouvir uma voz muito fraca porém perfeitamente audível, Evaline e Harumi se levantaram em um pulo e já foram para o quarto de Shinji, para encontra-lo se espreguiçando como ele podia, Harumi viu ele se acordando e queria pular e abraça-lo.
— Shinji, sou eu, e uma... Amiga. — Evaline disse meio incerta, porém se arrependeu no exato momento que viu os olhos surpresos e felizes de Harumi. — Desculpa se nós o acordamos, não vai se repetir.
— Não se preocupe, eu não conseguia dormir muito mesmo. — ele disse calmamente, olhando para a nova presença em seu quarto. — Olá... Quem seria você? — ele tentou dizer o mais educado possível.
— Oláaa. — disse Harumi alegremente. — Eu sou uma piloto de EVA em fase de treinamento, meu nome é Harumi, é um prazer muito grande pra mim conhecer você! — ela exclamou, as feições alegres nunca saindo de seu rosto, de imediato Shinji notou que ela era uma pessoa alegre.
— Meu nome é Shinji. — ele disse calmo e dando um pequeno sorriso de lado. — É um prazer conhecer você também Harumi. — ele estendeu a mão, Harumi praticamente saltou em sua direção a o comprimento com suas duas mãos. — Não que eu me importe, mas o que vocês estão fazendo aqui?
— Bom, eu vim pra te perguntar algo, e Harumi veio para te conhecer. — disse Evaline se sentando na borda da cama dele. — Eu fui até NERV e consegui os seus exames médicos Shinji. — o mesmo engoliu um pouco em seco, ele já havia notado que a loira tinha uma preocupação genuína sobre ele, e se ela voltou tão cedo para voltar por causa disso, algo de ruim estava com ele agora.
— Enfim, eu notei que você está seriamente desnutrido, mesmo quando eu abracei você há noite eu já havia notado uma falta de força em você, ver os exames só serviu para comprovar isso. — ela disse pegando na mão dele. — Shinji, Misato me deu permissão para te ajudar com suas refeições, e eu vim para te perguntar se você se importaria se eu te ajudasse a melhorar nisso também...
— Eu não me importo. — disse Shinji de imediato, quase automático, e um pouco alto, sentindo vergonha por isso ele tentou se explicar que não havia problema.
— Não se preocupe, fico feliz de você querer isso também. — disse Evaline se levantando. — Eu vou esperar Asuka sair de seu banho e pegarei sua escova de dentes, ok? — ela saiu do quarto, deixando uma Harumi sorridente com Shinji.
— Sei que isso pode ser repentino de se dizer mas... — começou a rosada quebrando o silêncio. — Eu sempre admirei você, sabia? Desde que você se jogou no vulcão para salvar Asuka e o resto do mundo, eu admirei você pela sua coragem, e ser capaz de agora conviver com você, me faz realmente feliz.
Shinji não sabia como responder, ele honestamente não achava isso dele mesmo, porém as palavras e a certeza que Evaline lhe deu, por algum momento, foi capaz de fazê-lo apenas aceitar o elogio, e não tentar desmentir isso, se sentiu muito bem...
— Qualquer um poderia fazer... — ele tentou dizer, porém ele sabia que realmente não era bem assim, mas não custava tentar se mais humilde, não?
— Acho que só você poderia ter feito. — a certeza que ela disse isso realmente o pegou de jeito, e isso o fez se sentir bem por um momento. — Eu fico contente por você não querer receber as maiores glórias por isso, mostra que você dá valor em coisas que não são apenas fama e poder, isso é muito bom.
— Eu não sei o que dizer, além de agradecer, posso te chamar pelo nome? — Shinji fez um pequeno esforço para ficar mais confortável na cama. — Novamente, é um prazer te conhecer.
— Pode chamar sim, o prazer vai ser todo meu... — a rosada disse em um sorriso que Shinji não soube identificar.
A porta foi aberta e dessa vez Asuka e Evaline entraram no quarto dele.
— Ela já me contou sua situação, rapidamente... — Asuka disse se aproximando dele, ficando feliz internamente por já não vê-lo recuar dela, pelo menos não que ela tivesse conseguido observar as mãos dele se apertando dentro dos cobertores. — Eu deixei passar, contanto que você aceite isso, tudo bem pra você? Isso previamente vai dizer que ela vai ser responsável por você Shinji, muito responsável.
Não que Evaline ligasse pras ameaças veladas da ruiva, não tinha medo dela, era melhor do que ela e tinha certeza disso. Porém ver a reação de Shinji, para com ela enquanto não estava sobre o efeito dos remédios, forçou uma coisa dentro dela a suspeitar que algo estava errado.
A linguagem corporal de ambos, Shinji sempre foi muito tenso, mas dessa vez ele realmente estava assustado, mesmo que a expressão dele continuasse a mesma, ela notou a movimentação dos ombros e antebraço em baixo da cama, ele estava segurando as cobertas conforme Asuka se aproximou, como se segurasse pra receber algum impacto, como se já soubesse que algo ruim ia lhe acontecer, e além disso os olhos dele estalaram levemente quando Asuka entrou com ela, ela notou isso no mesmo instante, talvez porque ela sempre notasse quais queres mudanças nele. E ela realmente queria entender isso, talvez fosse apenas um mal entendido?
Não, ele continuava tenso conforme olhava para ela, e desviava os olhares para Asuka, Harumi notou um estranho silêncio, quando a antigo número 2 entrou na sala, o garoto mudou seu jeito, mesmo que tentasse esconder isso, a presença dela o fez agir diferente, e ela não sabia o motivo, ela trocou por um segundo olhares com a loira, a mesma também havia sentido isso, estranho...
— Eu entendo... E eu não vejo problema, está... Bem? — ele disse meio incerto para a ruiva, olhando não para seus olhos, mas alternando em seu rosto, como se não quisesse fazer contato visual direto.
— Então tudo bem... — Asuka disse se afastando. — Já está quase na hora do almoço, querem comer aqui? — foi uma surpresa ela ter oferecido um lugar.
— Bom, eu com certeza aceito. — Harumi disse sem pudor. — Precisa de ajuda em alguma coisa na cozinha? Deixe os dois se acertarem de como vão fazer isso. — Asuka olhou para os dois, Evaline já havia se sentando na cama dele novamente, quase como se já não precisasse de convite, doeu dentro dela.
Evaline olhou para a coberta e agradeceu por Harumi deixa-la quase fechada, ela notou que Shinji ainda estava um pouco tenso, e ela realmente queria saber o porquê, seria rude se ela perguntasse? Seria estranho? Não sabia dizer, porém algo estava errado, teria ela analisado sua situação de forma errada? Talvez Shinji a odiaria por perguntar isso, mas aqui vai nada.
— Shinji, eu vou te fazer uma pergunta, e eu não quero que nada mude entre nós depois que eu fazer essa pergunta, se você quiser mentir pra mim, ou se você não quiser me contar, eu vou entender que é algo muito delicado pra você me dizer, então você se importa? — Evaline foi direta, Shinji obviamente não esperava por isso logo agora, ele não sabia o que ela poderia perguntar, a curiosidade o atiçou.
— Eu acho que podemos tentar, já que é uma pergunta tão séria. — ele disse meio incerto, mas com certeza interessado no que poderia vir disso.
— Aconteceu alguma coisa entre você e a Asuka? — perguntou a loira não desviando do rosto dele, se algo estivesse escrito ali, ela logo saberia, e a confusão se formou em primeiro lugar, logo em seguida um pouco de incerteza, depois nostalgia brilharam nos olhos dele, e logo depois disso, uma tristeza longa foi vista no horizonte dos olhos dele.
Ela realmente queria saber mais, mas tendo visto tantas respostas ao mesmo tempo ela não iria instigar as informações com ele, ela iria dar seus jeitos para descobrir.
— Ah bom, talvez ela esteja um pouco ansiosa nos últimos tempos, sabe? Ela não me falou sobre isso embora. — ele pelo menos mentiu bem, mas Evaline sabia que aquilo não era verdade, na realidade os dois sabiam que ele havia acabado de dizer uma mentira muito bruta. — Me desculpe, mas eu não quero responder isso... — ele achou melhor apenas negar do que mentir, e por isso Evaline foi grata.
— Você estava com medo dela, agora há pouco, um medo muito contido, mas eu consegui ver... — ela mencionou, a linguagem corporal do menino mudou rapidamente, se encolhendo ligeiramente. — Eu estaria mentindo que isso não está me preocupando, por que você está com medo de alguém que você é amigo e que vive com você? Até onde eu sei Asuka tem um gênio forte, mas não é uma pessoa ruim.
Evaline quase riu dela mesma, os olhos dele praticamente escureceram com a sentença, quase como se Shinji estivesse zombando dela com os olhos, como se desafiasse ela a repetir tal coisa, e por isso ela se sentiu curiosa e preocupada em primeiro lugar, porque era ele que estava com medo, e veja sua situação, defesa pessoal não era uma opção, gritar era sua única chance, e uma toalha ou um pano, ou até mesmo mãos firmes resolviam isso.
Ela sentiu um arrepio muito forte em seu corpo, se os homens da SEELE o pegassem novamente, e ela não estivesse por perto, o que aconteceria? Foi pura sorte que Misato e Asuka conseguiram voltar a tempo para casa, e se não tivessem? Ela mordeu os lábios em preocupação.
— Nós tivemos uma discussão. — Evaline realmente comprou isso, Shinji não falava isso desde pequeno, para ele dizer que teve uma discussão era porque provavelmente havia tido gritos, berros e maldições. — E bom, eu só estou tentando não deixar as coisas tão estranhas com a gente, sabe? Levando calmamente.
— Bom, eu vou ficar com isso. — ela disse dando um meio sorriso. — Embora eu saiba que tenha mais coisas do que isso, eu não tenho o direito de te fazer algo que não quer.
E lá estava, o tipo de expressão que fazia ele zombar dela, como se estivesse rindo de sua inocência, isso mexia com ela, o que ela não sabia? Ela logo teria que descobrir isso de um jeito ou de outro.
Ela ficou em silêncio por alguns instantes, e Shinji também.
Mas ela não era realmente boa em ficar em silêncio profundo com ele, com certeza não. — Eu posso me deitar com você? — ela perguntou como se estivesse querendo saber sobre o dia. Shinji sentiu a coloração de suas bochechas mudarem um pouco, Evaline riu com isso.
Vendo que ele deu espaço para ela no canto, ela tirou seu coturno, e sua jaqueta para o lado, fez o mais calmamente possível um caminho pro lado dele, Shinji não sabia o que fazer, Evaline estava ao seu lado agora, alternando os olhares para o travesseiro, e para o peitoral dele, se ele estivesse se sentindo realmente bem, ela deitaria nele.
Shinji inclinou um pouco suas costas para frente, para que ela pudesse tirar um travesseiro, então ambos ficaram lado a lado por um segundo, até Shinji soltar um pequeno sorriso.
— O que foi? — perguntou a loira curiosa, era muito difícil ele rir assim. — Lembrou de algo engraçado?
— Mais ou menos isso. — ele disse olhando para ela. — Me lembrando das coisas que você me contou e tentando imaginar elas.
Ela ficou um pouco pensativa sobre o quê isso queria dizer agora, mas deu de ombros, não é como se ela pudesse entender ele completamente. O cheio da cozinha estava ficando bom.
— Lembrando da parte em que eu te beijei? — ela perguntou obviamente com segundas intenções.
E para sua surpresa...
— Sim, muitas vezes quando eu acordo eu tento imaginar isso na minha cabeça, as vezes fica bom.
Ela não esperava tamanha sinceridade e honestidade se tratando disso, ele parecia realmente mais maduro.
— Nós podemos fazer com quê não seja só mais uma lembrança perdida... — Shinji a olhou nos olhos e naquele momento ela não conseguiu encontrar nenhum traço de alguém envergonhado ou inocente como ela pensava que Shinji fosse, ela encontrou os olhos de alguém que sabia para onde isso ia ir e estava bem com isso, e isso a incomodou... Ela não sabia o porquê. — Só se você quiser, eu não vou te forçar a nada.
— Eu fico admirado quando pessoas me dizem isso. — ele suspirou com pesar, e a tristeza se agarrou nele, e Evaline viu isso, ela sentiu isso. — Não me forçar a fazer algo, eu gosto dessa frase.
A distância que se abriu entre eles, a perfurou realmente, era como se tivesse se passado milênios e ela não pudesse mais entender ele completamente, como se tivesse perdido algo que o mudou e algo que o fez crescer, algo ruim.
Ela odiou isso de verdade.
— Eu suponho que se eu te perguntar o motivo eu não vou obter uma resposta, certo? — os olhos dele dessa vez estavam vidrados nela, e ela não sabia se isso era bom ou ruim. — Eu imaginei...
— Não quero essas memórias de novo. — ele disse mais para si do que para ela, e ela sabia disso, mas não entendia o que ele estava dizendo, memórias que ele não queria repetir? O que havia acontecido com ele? — Eu não quero sofrer, realmente não...
Nada além de um sussurro, que ela conseguiu ouvir, um pequeno e único rio de lágrimas começou a desabar dele, e ela realmente queria que isso parasse, tomando uma coragem que ela não sabia de onde era, ela o pegou nos ombros e o fez o encarar seriamente.
— Eu não sei o que te fez ficar assim, tão receoso e assustado com as pessoas. — ela começou se aproximando do rosto dele. — Mas eu juro a você, que eu nunca vou te dar motivo para ter medo de mim, e nunca vou te obrigar a fazer nada que você não quer fazer, eu juro por tudo o que nós já fomos e somos agora...
Shinji a encarou espantando com a sentença, ela realmente estava seria. Teria algum problema se ele fosse adiante com ela? O medo estava dentro dele...
Mas o rosto dela, a seriedade, a bondade e o carinho que ela sempre lhe mostrou lhe deu uma confiança que ele achou que havia perdido. Ele não recuou, e Evaline viu isso e sorriu abertamente para ele, ele poderia ficar cego com a refluência dela, realmente...
— Eu vou te dar umas memórias antigas e novas com isso. — ela disse tão sedutora perto do rosto dele, olhando nos olhos dele que ele sentiu suas forças se esvaírem por completo, ele não fugiria, pois não havia nada de errado em tentar ser feliz.
Ela aproveitou a menor abertura nos lábios do mais novo e os tomou para si mesma, as memórias de suas infâncias voltando a tona com isso, e por isso ela era grata por ter tido a coragem de fazer isso, e grata por ele não ter recuado.
Com uma extrema delicadeza ela colocou as mãos ao redor do pescoço dele, o puxando suavemente mais perto, enquanto se afastava de sua boca e retornava após uma lufada de ar, Shinji olhou para sua boca e ela sabia que ele queria mais dela, e ela estaria mais do que disposta a lhe oferecer.
Ela o tomou nos braços e o deixou se esbaldar no conforto que ela sempre lhe ofereceria, ela o sentiu se mover para perto dela, sentiu seus braços passarem por sua cintura, e isso a fez suspirar entre os beijos, por quanto tempo ela esperou por isso? E agora ele estava ali, querendo mais...
Evaline se afastou após um longo e demorado beijo, os olhos de Shinji estavam cheios de expectativa, e uma suavidade que alegrou seu coração. Ela o abraçou como podia, ele lhe retribuiu como podia, e por isso estava tudo bem.
Naquele singelo e puro momento, Shinji pensou que não havia problema algum em ser feliz, com ela não teria problema...
Se olhando nos olhos, nada precisava ser realmente dito, Evaline ostentava um sorriso feliz e satisfeito.
— Eu devia ter tomado a atitude mais cedo, se eu soubesse que seria recebida com as boas vindas desse jeito. — ela disse com um pouco de humor na voz, o que fez Shinji se sentir grato por ele ser da confiança dela para lhe ser mostrado isso.
— Eu acho que você tomou na hora certa. — ele disse com um sorriso pequeno nos lábios. — Obrigado por ser gentil comigo...
Ela novamente não entendia o que ele queria dizer com isso, essa insegurança, ela jurou dessa vez para si mesma, ela iria destruir esses medos dentro dele.
E para sua surpresa Shinji tomou seus lábios com carinho, mas com uma fome que ela não se importou realmente. Separando após alguns segundos, ele sorriu para ela.
— Fica comigo essa noite? — ele perguntou olhando em seus olhos.
Ela se pendurou nele o mais gentilmente que podia, e perigosamente perto de seu rosto, ela lhe respondeu.
— Eu posso ficar todas a partir de agora... — ela o beijou novamente.
Por hora, tudo estava bem com o mundo.
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