Meine Shuld
10 Capítulo 10 - Pesadelo 10 - Voltando ao Lar
Olhando o céu azul preso nos orbes deste ser, perco-me nessa imensidão clara sem trivialidades, deixo-me despencar do topo desta clareza e permito fluir para onde o vento me leva, neste imenso céu esférico.
Deito-me confortável na nuvem imensa, ao centro de tudo, permito-me regoar em minhas lágrimas alegres deste males azuis que tanto me perdem quanto me seduz, esqueço-me por um momento que eu estou só, e toda essa imensidão é meu purgatório.
A solidão já não me afeta, estou afetando-a por estar contente por ela estar comigo há tanto tempo, lembro-me de sempre estar só, e no final, a única companhia é a minha estadia solitária.
Solidão é indomável, mesmo em um terreno imenso como o céu, mesmo entre as nuvens, posso ouvir seus risos infelizes, me desacatei com estes sons há muito tempo atrás.
Perdi a noção do tempo enquanto pulava de nuvem e nuvem, minha companhia apenas me seguia, sabiamente apenas rindo e sumindo de minha visão. E logo me recordo...
Estou preso em um mundo dentro dos olhos desta pessoa, perdi-me em meus próprios devaneios, deveria eu ser capaz de me encontrar nas nuvens novamente? Eu não tinha essa resposta, eu não saberia me responder.
Como poderia? Eu não merecia me encontrar em tão belo mundo. Devo viver neste em que me encontro, e rezar a qualquer Deus bondoso, para que me permita entrar naquele mundo dentro de um orbe azul, uma vez mais...
Outrora eu lhe digo, lembro-me de lembrar bem, daqueles risos constantes e infelizes, minha companhia melódica, minha moradia dos céus, a solidão sempre me acompanhará quando eu encarar estes orbes azuis.
Deixar-se perder em uma ilusão de um mundo melhor, não é fraqueza...
Mas também não é um ato de coragem para você mesmo.
(...)
Ela piscou levemente, suavemente, e tentou com todas as forças suprimir um bocejo alto e satisfeito dos lábios quando acordou, ela olhou para o lado, e lá estava ele, totalmente desacordado e com um semblante muito tranquilo, mesmo que ela pudesse ver uma fina marca vermelha nos olhos dele, provavelmente do choro de ontem, ela provavelmente tinhas as mesmas marcas. Ela ainda sim esboçou um sorriso leve, meio abatido, mas compromissado ao menos. Havia sido uma noite nebulosa, mas brilhante para os dois.
Para ela foi um alivio na alma, diga-se de passagem. Poder falar honestamente com a fonte de todos os seus distúrbios, foi revigorante, é claro que ela sabia que ele não havia dito nada, nem a perdoado, e ela certamente não esperava que isso acontecesse tão cedo, mas foi bom, para ambos de certa forma que eles pudesse ter essa conversa, ou na realidade, que ela pudesse se abrir mais pra ele e contar o que ele sempre mereceu saber.
Se virou levemente para o lado, depois de verificar que as ataduras do menino estavam bem firmes, tomando o máximo de cuidado possível, a ruiva trilhou novamente um caminho pelo braço esquerdo dele e colocou grudado em seu corpo, ela olhou ao redor, a janela estava um pouco aberta, provavelmente alguém havia entrado, e decidiu ser bondoso o suficiente para não acordar Shinji para sua fisioterapia ainda, bom coração desta pessoa, diga-se de passagem, Asuka queria poder agradecer essa pessoa realmente, por deixar ela ficar dormindo assim, olhou para a pequena mesa ao lado de Shinji, onde se encontrava o relógio.
Eram onze horas da manhã, em ponto, já fazia dois dias que ela não havia saído do lado de Shinji. Ela voltaria para casa hoje, e prepararia alguma coisa pra quando ele voltasse pra casa, mas havia um problema nisso. Ela não sabia o que Shinji gostava de comer, e nem sabia se ele gostaria de comer algum prato de fora, como lasanha, ou algo do tipo. Shinji sempre foi visto por ela comendo arroz e peixe frito. Era estranho, deveria falar com ele? Deveria acordá-lo? Ela precisaria usar o banheiro dos vestiários femininos, estava ficando apertada.
Tomando cuidado máximo pra não chatear os machucados dele, e despertá-lo do que parecia ser um sonho bom, ela saiu da cama, e calçou suas sandálias, seu vestido estava realmente amarrotado, pegou seu boné na mesa e saiu do quarto num click de maçaneta suave. Ela suspirou por fora da porta.
Como eles seriam agora? Estava claro que Shinji levou em consideração o que ela havia lhe dito, mas ela não sabia como agir agora, o que Shinji queria que ela fizesse? O que ele queria que ela fosse em sua vida? Uma amiga? Uma conhecida? Uma pessoa com memórias de um tempo distante? Ela não sabia, mas não adiantava pensar nisso agora, o que ele precisava agora era de cuidado, e ela iria providenciar isso, ela tomaria cuidado com tudo o que fosse ao redor dele a partir de agora, ela jurou isso.
Conforme descia os andares e chegou ao nível subterrâneo, ela podia ouvir uma conversa alta, ou pelo menos uma pessoa no vestiário falando bem alto ao menos, quando ela chegou perto da porta tudo se fez claro.
O vestiário estava sendo usado por duas pessoas. Evaline, sua colega de treinamento, a qual ela ainda teria que puxá-la para um canto e tirar respostas do que infernos ela estava fazendo perto de Shinji nos últimos dias, e uma garota a qual ela nem sabia quem era, mas estava usando plugs em forma de chifre na cabeça, os cabelos rosas dela, no entanto, eram bem bonitos, os olhos verdes também eram bem chamativos.
Ambas pareciam estar conversando sobre o teste que ambas fizeram, e a garota nova parecia realmente feliz, ou simplesmente ela era feliz naturalmente, Asuka não sabia dizer com certeza. A primeira a percebê-la ali, um pouco atrás da porta, foi Evaline.
— Olá Asuka. — disse Evaline, sentada em um dos bancos, retirando o seu plug preto e amarelo de forma lenta, como se os músculos estivessem doloridos para qualquer movimento, provavelmente o treinamento foi intenso. — Por favor, entre.
Asuka franziu a testa com isso, ela não esperava nada de Evaline para falar a verdade, ela tomou espaço e se aproximou das duas, mas antes que ela pudesse enxotar Evaline de perguntas naquele lugar, aquela garota saltou do banco, antes de tirar o seu plug rosa choque e brilhante e pegou suas mãos num sorriso alegre, os olhos verdes chegavam a brilhar, aquela garota parecia uma criança, de qualquer forma.
— SEGUNDA CRIANÇA! — disse Harumi com as mãos de Asuka sobre as suas, apertando-as com força, com medo de que a mesma fosse embora de seu alcance, ela sempre esperou poder conhecer as três crianças desde que soube o que eram EVAS e quem eram os pilotos, uma das crianças estava em sua frente. — É UMA HONRA FINALMENTE PODER FINALMENTE, E FINALMENTE CONHECER VOCÊ! — antes que Harumi pudesse continuar seu estupor de gritos, Asuka a calou colocando a mão em frente a sua boca e lhe dando um sorriso de canto, como se estivesse agradecendo a alegria da menina.
— Certo, tente falar mais baixo comigo, estou em sua frente, e meus ouvidos não estão prontos pra ouvir gritos agora que eu acordei. — explicou Asuka, se soltando de Harumi e dando uns passos para o lado, e desfazendo o vestido de alça sobre os ombros, não se importava que ela tivesse companhia, não tinha vergonha do seu corpo. — Acho que também é bom te conhecer, seja lá quem você for...
Harumi ficou desorientada por um momento, ela esperava que Asuka tivesse uma reação explosiva sobre sua aproximação e invasão ao seu espaço pessoal, em realidade Harumi sempre esperou algumas reações quando ela invadia o espaço pessoal de algumas pessoas.
— Meu nome é Harumi, Houlyeth Harumi. — se curvou levemente e a encarou enquanto Asuka retirava as roupas e ia em direção ao chuveiro, Evaline não dizia mais nada, apenas observava o corpo de Asuka, mesmo naquele lugar, era possível ver uma fina e quase invisível linha de cicatriz sobre o corpo da outra, Harumi também notou isso. — Asuka? Se me permite perguntar, o que são essas cicatrizes?
Asuka demorou alguns segundos para responder enquanto deixava a água cair sobre os seus ombros.
— É uma marca que irá me lembrar para sempre da minha derrota. — explicou a mesma, pegando um pouco de shampoo e passando pelos cabelos vermelhos, ficando em silêncio novamente, mas desta vez a outra alemã estava disposta a quebrar isso, depois dela mesma retirar o seu plug, ela foi em direção ao chuveiro, para retirar o cheiro do LCL de seu corpo, não queria cheirar a sangue o resto do dia.
Você estava no quarto de Shinji? — os ouvidos de Harumi abriram com a menção da terceira criança, ela também queria muito poder conhecê-lo, Asuka apenas a encarou ao lado, apenas uma fina camada de uma placa divisória as separava uma da outra, Harumi rapidamente percebeu que a menção do terceiro era uma discussão quente por ali, isso era divertido de saber de certa forma, e perigoso também.
Asuka tencionou se deveria respondê-la, ela soube por Akagi que Evaline conhecia Shinji há muito tempo, ela queria ter uma conversa com ela agora sobre isso.
— Eu estava dormindo por lá, e resolvi me despertar um pouco antes de mais nada. — explicou a ruiva, retirando o que restava de impureza no corpo e pegando uma toalha em um dos armários assim que ela foi para o piso, Evaline se banhava lentamente agora, nenhuma das duas se olhavam, e Harumi parecia perdida nisso tudo. — Ele está melhorando, lentamente, mas está ficando melhor.
— Ele teve algum pesadelo? — perguntou Evaline, tentando miseravelmente esconder a preocupação e a curiosidade entre sua voz polida e semblante despreocupado, mas isso já não funcionava mais para Asuka.
— Se ele tiver outro, eu irei terminar com ele como fiz da última vez. — deu um basta nesse assunto, Evaline já havia feito perguntas demais. — Agora eu tenho minhas próprias perguntas a fazer pra você, Evaline.
Isso levou a mais velha a encarar a antiga colega por um momento, a mesma parecia bem séria sobre isso, ela deu de ombros.
— Atire. — disse enquanto descia e pegava outra toalha e se sentava no banco para secar os cabelos.
— Eu soube que você conhece Shinji, da época em que Gendou o levou para viver com um tutor e alguns familiares dele. — iniciou o raciocínio, ela queria saber mais sobre isso de qualquer jeito, Harumi ainda se mantinha em silêncio, mas não se incomodava, nunca imaginou que o terceiro filho seria tão popular assim, ela realmente queria conhecê-lo. — E também que você tem uma foto, de quando vocês dois eram pequenos.
Evaline a encarou por um momento, Asuka sentiu que ela havia atingido algum nervo da loira.
— Não fale esse maldito nome tão casualmente, Asuka. — disse ela, se levantando e indo em direção ao seu armário, Asuka recolocava o mini short e o vestido ainda amarrotado, secando os cabelos agora. — Eu odeio esse homem pelo o que ele fez ao seu próprio filho.
— Realmente, ele é bem questionável pelo o que ele fez pela humanidade, mas ele fez isso por amor não é? — Harumi no momento em que terminou a frase recebeu dois olhares distintos nem um pouco contente com o que havia dito. — Que chuveiro legal... — ela dizia enquanto fazia a volta no banco entre as duas e tratou de ficar quieta, mas a curiosidade a manteve escutando toda a conversa, e as duas pareciam não se importar tanto com a presença dela.
— Eu também não tenho nenhum apego por Gendou, e muito menos pela mãe de Shinji. — disse Asuka entre dentes. — Demorei muito tempo pra entender o que ela fez, mas quando eu percebi suas ações, não posso evitar de não odiar os pais dele, são dois doentes. — disse Asuka entre dentes, Evaline parecia concordar com isso. — Mas mesmo assim, eu quero perguntar, se eu posso ver essa foto.
Evaline ergueu a sobrancelha com isso. — Por que você quer ver isso? — perguntou não realmente se negando a mostrar, estava em sua calça, ela sempre pegava essa foto quando saia de casa, era um passa tempo caminhar e ver a foto, e se perder nas memórias antigas.
— Eu quero ver como Shinji era quando pequeno, eu acho. — disse Asuka um pouco insegura. Evaline deu de ombros novamente e estendeu a foto dentro de sua calça para ela. Asuka a tomou e varreu os olhos sobre a imagem, um Shinji sentado em baixo de uma árvore, com o que parecia uma versão bem feliz de Evaline com os braços sobre os ombros dele, Shinji ostentava um sorriso leve com isso, mas era um sorriso honesto, Asuka não sabia quanto ela pagaria pra Evaline deixar fazer uma cópia dessa foto.
Ela devolveu a foto depois de um suspiro satisfeito, Harumi olhava para aquilo com curiosidade, era bem estranho essa interação mútua de interesses, do pouco que ela conhecia a loira sobre o treinamento, ela parecia bem rígida e pouco falante. Mas parecia que quando o assunto era o menino, ela tinha suas mudanças.
— Certo... — disse Asuka se sentando no banco também, e olhando para o chão por alguns instantes. — Agora, eu quero que me responda outra coisa também. — ela tomou os olhos para o rosto da mais velha. — O que você fazia no quarto dele antes dele surtar? — o tom de voz de Asuka indicava que Evaline não sairia daquele lugar antes de responder essa pergunta.
— Eu queria ver como ele estava, de certa forma. — respondeu Evaline, pegando suas botinas. — Fazia muitos anos que eu não o via, e eu não esperava vê-lo deitado numa cama de hospital! — ao falar isso, a voz de Evaline subiu uma oitava, quase que irritada, Harumi sentiu os pelos de seu braço subirem com a explosão da mais velha. Ela sabiamente não deu nenhum de seus comentários, que com certeza não eram bem vindos no momento.
— E isso me leva a perguntar mais algumas coisas agora pra você. — Evaline se ergueu e marchou em direção da mais nova, parando a sua frente, a diferença de altura era bem visível, Asuka dava mais ou menos na altura da ponta de seu nariz. — E eu realmente quero uma resposta sobre isso, Asuka, estou cansada de vagar sobre essa instalação em busca de uma resposta, e todos estão me negando ela. Por que Shinji está na porra de uma capa de hospital? Por que suas costelas estão quebradas, por que seu braço está destruído? Por que ele parece anêmico? Por que ele parece desnutrido? Por que ele parece ter sofrido agressão? Eu vi os hematomas sobre o corpo dele.
Asuka sentiu uma raiva correr sobre seu ser na última fala. — Os machucados só são visíveis em suas costas Evaline... Como você sabe disso? — perguntou Asuka, o veneno escorrendo sobre sua voz, irritadiça.
Evaline ainda demonstrava estar calma, mesmo que sua voz não indicasse isso. — Simplesmente sei. — ela se aproximou do rosto de Asuka, quase colando com ela. — Agora, eu quero a verdade, por que ele está daquele jeito?
Asuka não sabia o que deveria responder, mas com certeza Evaline não tinha nada a ver com o que os dois passaram, e não deveria ter nada mais a ver com ambos, muito menos com Shinji. Não se importava se eles eram amigos, isso era passado.
Resolveu lhe contar uma mentira, de toda forma.
— Alguns soldados da Seele, conseguiram entrar no sistema de segurança do apartamento de Misato, enquanto eu estava no meu período de testes, e Misato foi convocada para debater o financiamento que iriamos receber dos países estrangeiros para o período de treinamento. — começou Asuka, Evaline parecia estar engolindo tudo até agora. — Shinji estava sozinho, eu iria pegar carona com Akagi pra voltar para casa mais cedo, Misato não queria deixar Shinji sozinho em casa por muito tempo... E quando chegamos, percebemos uma moto parada em frente ao prédio, e conforme nos aproxima-vos, podíamos ver sons de gritos... E o resto você pode imaginar.
Asuka notou uma carranca verdadeiramente raivosa esclarecer no rosto de Evaline, Asuka soube esconder muito bem a surpresa quando Evalien deu um murro em uma prateleira de ferro, amassando completamente. E depois se virou pra ela novamente.
— E onde esses soldados estão? — perguntou Evaline, tentando desfazer a imagem de Shinji sendo machucado.
— Todos estão mortos. — disse Asuka, soando como se isso fosse óbvio. — Muito bem mortos...
— Shinji está em um estado grave mesmo agora? — quem lhe perguntou foi Harumi, que terminava de se secar.
Asuka tencionou se devia conversar com a garota, antipática ela não parecia ao menos.
— Ele está se recuperando rápido, talvez receba alta hoje, ou amanhã. — explicou ela, fazendo menção de sair. — De qualquer forma Evaline, eu e você ainda teremos mais coisas pra conversar... — e antes da porta se fechar ela se voltou para encará-la novamente. — E não pense que eu vou permitir você estar perto dele enquanto eu não estiver por lá.
Harumi encarou Evaline por um momento antes de falar.
— Shinji parece ser bem popular entre as garotas. — Evaline se virou e encarou com o canto dos olhos. — Estou apenas brincando... Eu não vou tentar nada com ele, ele é apenas um tipo de ídolo... Que eu tenho, sabe? Eu não sou louca de puxar competição de quem consegue fazer isso com a mão. — ela apontou para a barra de ferro amassada. — Não muito louca eu acho. — Harumi de um sorriso malicioso, indicando que nem tudo o que havia dito era verdade, em realidade ouvir essa conversa só fazia crescer ainda mais o interesse de conhecê-lo. Mas ela saiu do vestiário antes de mais nada.
Evaline se manteve em silêncio nesse meio tempo. Tencionando com ela mesma o que ela havia acabado de descobrir. Ela ainda estava com dificuldades de tirar agora a péssima imagem de algum homem fazendo mal a Shinji, pelo o que ela conseguiu entender, suas costelas foram quebradas com muita brutalidade, e feito de uma forma que não iria se recuperar rapidamente. Ela não queria nem imaginar o que haviam feito com ele, mas isso a irritava, pessoas que eram cruéis sempre a irritavam, e pessoas que faziam mal para a pessoa mais importante na vida dela, mereciam mais do que apenas sua irritação.
Ela vestiu sua blusa e tratou de sair dali, não adiantava nada ficar pensando nisso agora, quando Shinji voltasse para casa, ela teria seu tempo com ele, e faria novamente a sua apresentação. Mas depois disso, o que Shinji decidisse, ela iria acatar.
Ela não tinha o direito de cobrar mais nada dele. E além do mais, ele havia se esquecido dela, completamente. Ela não sabia se deveria estar feliz por isso, ou triste. Não sabia mesmo. Mas agora ela tinha mais o que fazer, ela queria voltar para casa, conversar com Himura, um dos seus únicos amigos e o único homem que ela permitira por perto além de Shinji. Essa conversa foi coisa demais pra sua cabeça.
Ela olhou pra mão, os ossos doloridos e a irritação na pele nem sequer a incomodavam.
— O que fizeram com você, Shinji? — ela disse para si mesma, saindo dali. — Me perdoe... Eu não estava com você... — uma carranca se formou em seu rosto, ela nem ao menos se indagou a dar um olá aos funcionários que passavam, mesmo eles achavam estranho, a garota era conhecida por estar sempre tranquila e fria.
Evaline saiu dali, e foi em direção a estação de metro, depois de ter passado pela guarita da estação da NERV.
Em um completo e mórbido silêncio. Harumi havia recebido carona da irmã até a sua casa. Asuka ainda estava dentro do território da NERV, respectivamente, ela estava na cantina, buscando algo pra Shinji comer. Ela levava nos braços uma bandeja com dois pratos de ensopado e um pequeno prato com algumas fatias de pão cortado, com maionese, a pedido de Shinji. Shinji ainda havia deixado suco o suficiente do outro dia.
Ela passou pelas pessoas que aguardavam na recepção calmamente, e foi para os elevadores agora, Misato já havia avisado que ela tinha permissão agora. Ela não viu Misato desde ontem, provavelmente muito ocupada agora. Felizmente Shinji já estava acordado, e seus olhos foram diretos pra ela. Ela tentou esconder a satisfação ao ver que o medo antes sempre polido no horizonte dos olhos dele parecia ter diminuído, mas ainda havia muito trabalho a ser feito.
— A sua amiga cozinheira, Rose. — começou Asuka retirando as sandálias e sentando-se na cama com Shinji. — Ela me deu umas fatias extras de pão, pra você comer, ela disse que era pra você engordar, e ficar rolando e rolando por ai. — disse num tom bem humorado, entregando um prato de ensopado para Shinji, Shinji ainda tinha uma ligeira dificuldade de comer, Asuka deixou o seu prato de lado antes de mais nada.
— Você não... — antes que Shinji pudesse dizer qualquer coisa, Asuka já havia levado seu prato nas mãos e oferecido uma colherada generosa pra ele. — Obrigado... — ele disse suavemente, aceitando o oferecido.
Shinji abriu a boca um pouquinho, ele devia estar achando bem quente.
— Está muito quente pra você? — perguntou Asuka, pegando uma colherada do ensopado de Shinji pra ela mesma. — Hm... Não está tão quente assim, o que foi?
— Eu... Não gosto de coisas quentes, me trás lembranças ruins. — disse Shinji um pouco envergonhado. — Desde o vulcão, eu evito coisas quentes, e prefiro tomar banho frio.
Asuka estalou a mente com isso, era verdade, Shinji havia pulado no vulcão pra salvá-la contra as ordens de Misato e sem equipamentos.
— Eu vou esfriar um pouco então. — disse Asuka, soprando o suficiente pra não derramar da colher. — Tente agora. — estendeu, satisfeita que Shinji conseguiu aceitar melhor isso. — Você quer que eu coloque um pouco de pão dentro da sopa pra você? — se ofereceu, pegando uma fatia cortada pra ele.
— Eu agradeço... — disse Shinji baixo, mas sua voz estava melhorando com o tempo. — Pão de trigo seco é tão bom. — continuou, Asuka o ajudou a comer, e agora estava tendo sua própria parte. Shinji não conseguiu comer tanto assim, havia sobrado pelo menos três fatias de pão, Asuka devorou tudo. — Você está com fome mesmo...
— Eu estou a dias com você, e nós estávamos dormindo bastante nesse tempo Shinji. — explicou Asuka, recolhendo a bandeja e colocando na mesinha ao lado, e se deitou ao lado dele novamente. — Como estão seus sonhos? Teve algum pesadelo? — ela disse enquanto se escorava com o corpo sobre o braço de Shinji, tomando cuidado para não pressionar o osso fraturado.
— Não... — explicou Shinji. — Desde que você falou comigo enquanto eu sonhava, eu não tive nenhum pesadelo, nem um sonho ruim, eu estou simplesmente dormindo, parece que eu entro em coma. — ele fez menção de se deitar também, Asuka o ajudou e pegou o controle da televisão, particularmente ela só ligou por ligar, não estava muito interessada no melodrama que passava, Shinji parecia estar perdido em pensamentos.
— Logo você irá receber alta Shinji. — explicou Asuka. — Normalmente você teria que ficar aqui por pelo menos mais cinco meses, mas você está quase recuperado dentro de um mês e meio. — ela se espreguiçou e se deitou, puxando o braço dele pra mais perto. — Eu vou falar com a Akagi depois, pra ver se minha estimativa está certa, talvez amanhã você receba alta.
Shinji ficou em silêncio por um momento, até dar um meio sorriso enquanto olhava pro teto.
— Eu devo ter perdido um monte de coisas... — refletiu o garoto. — Como estão nossos amigos? — perguntou Shinji
Asuka deu de ombros. — Sinceramente, eu não sei nada sobre aqueles dois, e Hikari também sumiu, provavelmente iremos voltar a vê-los quando formos para escola. — explicou. — Hoje eu vou sair, preciso organizar algumas coisas pra quando você voltar pra casa, o que você gosta de comer? Eu nunca perguntei isso.
— Eu não acho que precise disso, de verdade Asuka. — disse Shinji. — Não me sentiria bem com isso, eu prefiro.. .Deixas as coisas seguirem um fluxo normal... Pode ser?
Asuka já imaginava que Shinji não aceitaria algo diferente de bom grado, de qualquer forma, ela deu de ombros com isso.
— Tudo bem Shinji, não farei nada demais então. — murmurou a ruiva. — Mas, pelo menos me diga se você come coisas além de peixe e arroz, as únicas coisas estrangeiras que já vi você comendo foram ovos mexidos e bacon, honestamente.
— Pra falar a verdade, eu só cozinho coisas de fora, eu nunca parei pra comê-las. — explicou Shinji. — Lembra de quando achamos uma lasanha em conserva em uma loja? Eu não comi nada dela.
Asuka franziu o cenho com isso. — E por que não comeu? Eu perguntei pra você se você tinha comido a sua parte antes de entregar pra mim. — Asuka tomou cuidado com o que dizia, ela não estava irritada, só estava surpresa com isso. — Você não estava comendo direito no tempo em que estávamos sozinhos?
— Pra ser sincero com você, eu só comia as bolachas integrais, e bebia água, eu não tinha mais ânimo pra comer. — explicou Shinji. — Na época, eu estava mais ocupado com você, e com a descoberta de que Rei era minha meia irmã, esse tempo todo, era coisa demais na minha cabeça.
Ela apertou a mão dele suavemente. — Não precisa lembrar se não quiser, pode falar sobre isso quando se sentir a vontade de me falar, certo?
Ele agradeceu silenciosamente, e a porta foi aberta, Asuka varreu os olhos pro maldito ser que havia interrompido.
Mas era Misato, lhe entregando um sorriso bandido quando viu os dois tão próximos.
— Ohh... O que temos aqui? — perguntou Misato, ela nunca se cansaria de provocá-los, principalmente Shinji. Mas nada aconteceu, Asuka assim que a viu pareceu ignorá-la completamente, ela se concentrou e pegar a coberta que estava nos joelhos de Shinji e levou até a barriga o cobrindo, quase maternalmente lhe deu um beijo na testa e se despediu. — Mas o que...
Asuka deu um aceno final com um meio sorriso pro menino que retribuiu erguendo a mão, ambas saíram do quarto.
Antes que qualquer coisa fosse feita, Misato pegou Asuka pelo braço e a prensou pela parede, não de uma maneira agressiva, mas isso havia a pego com a guarda baixa.
— Eu fico um dia sem te ver, e você já parece uma irmã protegendo o irmão que nem sabe andar. — disse Misato com um meio sorriso no rosto. — De onde veio toda essa aproximação? — questionou curiosa, e pelo tom ela não a largaria até responder, bom, era Misato de qualquer forma, não havia mal em respondê-la.
— Ontem a noite, tivemos uma discussão pequena. — Misato apertou mais forte. — Eu não fiz nada com ele, nem ao menos levantei a voz, na verdade foi ao contrário. — explicou-se. — E depois disso, eu contei algumas coisas que eu nunca contaria antes, e Shinji pareceu feliz por eu ter admitido essas coisas pra ele, nós dois choramos um tempo, então eu coloquei ele pra dormir... E essa manhã ele parecia um pouco mais suscetível a minha aproximação, mas eu ainda tenho que fazer muitas coisas antes.
Misato a soltou. — Entendo. — ela deu um sorriso caloroso. — Fico feliz por você estar mudando Asuka. — ela fez a mais nova a seguir. — Bom, já que você me deu boas notícias, também lhe darei as suas. — ela apertou um andar a baixo, e foi em direção a um quarto de hospital. — Encontramos uma pessoa, perto da praia, e ela me pediu pra ver você.
Asuka franziu o cenho quando ouviu isso, tomando passos ligeiros adiante, quarto 122 em cima, ela abriu a porta, e deu um sorriso alegre quando viu a figura conhecida em sua frente.
— Vaso ruim não quebra, não é como dizem? — disse Asuka quando entrou. — Bem vinda de volta, Mari.
A garota mencionada estava devorando pratos atrás de pratos, e pareceu engasgar quando a ouviu, mas conseguiu lhe entregar um sorriso alegre de volta, cheio de pedaços de pão nos dentes.
— É bom ter coragem de voltar pro mundo, princesa.
Misato trancou a porta antes de Asuka entrar no quarto e tomar uma cadeira pra se sentar com a amiga. Mari havia vencido a própria ilusão, e decidiu voltar... Isso era bom, muito bom pra falar a verdade.
— Bem vinda de volta. — disse Misato, enquanto se dirigia para a sala de Akagi, era hora de falar sobre a situação de Shinji, ela o levaria de volta ao lar.
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