Meia Volta ao Mundo
16 Capítulo 16
Era evidente a Pedro e Domitila que conforme sua conversa ia se estendendo, eles não queriam deixar a companhia um do outro. Acabou que no final da conversa, ela foi a primeira a se levantar, mesmo relutante.
—Foi ótimo passar esse tempo com você, Pedro, mas eu realmente preciso ir — ela contou.
—Mesmo? Bom, eu também tenho, na verdade, meu pai daqui a pouco deve me ligar procurando por mim, mas a gente podia fazer isso mais vezes — sugeriu o rapaz.
—Como exatamente? Quer dizer, eu moro em Santos e você no Rio, tem uma certa distância a ser considerada aí — ela apontou.
—Ora, não deixe a distância te intimidar Domitila — ele lhe deu uma piscadela junto com a resposta — estamos no século 21, você pode me ligar quando quiser, e eu posso dar um jeito de te visitar, ou quem sabe, melhor ainda.
—Como assim, melhor ainda? — ela estranhou aquela conversa, mas sabia exatamente onde ele queria chegar.
Em vez de respondê-la com palavras, ele a beijou sem hesitação, dando a ela a sensação de ter os pés tirados do chão por um breve momento.
—Isso realmente foi bom... — ela respondeu, ainda meio tonta.
—Vem comigo pro Rio, Domitila, você vai amar! — prometeu Pedro, animado.
—Calma, calma aí, acabamos de nos conhecer e eu acho o senhor apressadinho demais — ela disse, pensando com mais calma.
—Mas você gostou de mim, não foi? E do meu beijo? — ele deu um sorriso brincalhão, mas depois ficou mais sério — olha, eu também gostei de você, e queria te conhecer melhor, a viagem vai ser a ocasião perfeita pra isso, então, topa essa aventura?
—Bem, promete que não vai me fazer mal algum? Que você não é nenhum sequestrador ou algo do tipo? — ela brincou, mas Pedro podia notar certa seriedade e preocupação real na voz dela.
—Prometo que vou te tratar como uma verdadeira rainha — ele beijou a mão dela, assegurando isso.
—Bom, a vida seria muito chata sem pequenos riscos aqui e ali, não é? — ela deu de ombros — além disso, eu sou adulta e sei tomar conta de mim.
—É muito bom ouvir isso — Pedro comentou, e dessa vez foi Domitila que o beijou primeiro.
Era como eles tivessem um acordo silencioso, não precisaram dizer muita coisa, entendiam que queriam ficar juntos e era isso que fariam. É claro, Domitila teria que ao menos avisar o irmão para onde estava indo. Ela prometeu a Pedro que logo o encontraria novamente depois de falar com seu irmão. Quando Francisco a viu novamente, tentou não demonstrar sua irritação, mas foi uma tarefa bem complicada.
—Onde foi que você se meteu esse tempo todo? E por que não me avisou pra onde ia? — ele exigiu.
—Ei, não precisa se estressar, tá tudo bem comigo, não tá? Eu voltei afinal — ela deu de ombros, meio despreocupada.
—Eu fiquei preocupado porque você não conhece a cidade o suficiente pra ficar andando por aí sozinha — Francisco falou os motivos para estar exaltado.
—E quem disse que eu estava sozinha? — debateu Domitila.
—Ah Titília, o que você andou aprontando? — seu irmão já ficou desconfiado.
—Eu não aprontei nada — ela deixou claro — eu só tive a grande sorte de conhecer um cara bem legal e ele é quem estava me fazendo companhia.
—Um cara legal? Nós sabemos que a sua definição de legal, não é exatamente legal — comentou Francisco.
—Calma, ele não é um carinha qualquer que eu conheci por aí, ele é filho do embaixador de Portugal, tipo, a família dele é super importante — ela disse com empolgação, não conseguindo esconder o entusiasmo.
—E isso é o suficiente pra você confiar nele? Só porque ele é rico? — perguntou o irmão, a achando sem juízo.
—Claro que não, olha Francisco, eu gostei dele, tá bom? E ele gosta de mim e nós meio que estamos... — ela não sabia exatamente como definir o status do relacionamento dos dois.
—Namorando? — seu irmão demonstrou indignação.
—Ficando, tá mais pra ficando, enfim, eu confio no Pedro e é por isso que eu vim te avisar que eu tô indo pro Rio de Janeiro a convite dele — Domitila falou, com certeza de que a situação estava resolvida.
—O que? Não, você não pode ir saindo assim com um cara que acabou de conhecer — Francisco ficou transtornado.
—Eu posso e eu vou, ele me garantiu que não vai me sequestrar ou me fazer mal nem nada do tipo — ela rebateu — e ele foi sincero nisso.
—Olha eu não sei o que faço com você, o que eu vou dizer pros nossos pais? — Francisco pensou na família — eles vão ficar preocupadíssimos quando verem que você não voltou comigo.
—Ah diz que eu prolonguei a viagem e que eu tô bem, é sério, não tem porque você se preocupar — ela insistiu de novo — agora, se quer ficar mais tranquilo, fala com o Pedro e vê o que você acha dele.
—Mas é isso mesmo que eu vou fazer! — declarou ele, num gesto enérgico, pedindo o celular da irmã.
Ele discou para o número de Pedro e falou com ele, explicando toda a situação. Pedro por sua vez, garantiu a Francisco que realmente gostava da sua irmã e ela teria tudo do bom e do melhor enquanto estivesse hospedada na sua casa.
—Tá certo, eu espero que cumpra suas promessas — afirmou Francisco.
—Sim, eu vou, pode deixar — Pedro afirmou.
Assim, Domitila se despediu do irmão desconfiado e foi diretamente ao encontro do namorado repentino, ele estava só à espera dela para voltar ao Rio de Janeiro.
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