Meet the Huntar'z
1 P R Ó L O G O
Notas iniciais
Essa não é uma história que eu pretendia que fosse algo mais do que apenas um pequeno projetinho. Ainda não é muito mais do que isso.
É necessário que entendam que esse é o resultado de um esforço coletivo para minha melhora pessoal. Um esforço coletivo de todos aqueles que resolveram participar de minhas pequenas entrevistas, na direção de uma saúde mental estável para a pessoa que vos fala, também conhecida como eu.
Talvez eu devesse me apresentar rapidamente, para que ficasse mais fácil compreender o que está para rolar nas próximas páginas.
Eu sou Lolline. Esse foi o nome que escolheram para mim.
Já me disseram uma vez que significa “Pequena Criadora”.
Eu não sabia até pouco tempo o que esperavam verdadeiramente de mim quando me puseram um nome que sempre me soou tão… pretensioso, no final das contas. Até pouco tempo, minha depressão nunca me permitiu ver o que era isso que eu deveria criar, mesmo quando tudo já estava balançando na minha frente tal como os átomos dançantes em minha visão.
Pelo que construí para mim mesma durante meus trilhões de anos, eu virei Lolline, a Caçadora. Um tempo depois, apenas adotei o título como um sobrenome. Agora sou Lolline Huntar’z (sendo esse o termo para Caçadora na língua do lugar de onde eu vim). Talvez você veja variações disso por aí.
Talvez não seja interessante eu tratar de todos os meus aspectos nesse início, mas vou dizer algumas coisas rápidas, como quem eu sou, de onde venho. Mais tarde, quando terminar esse projeto, acredito que poderei descrever muito melhor sobre mim e meus sentimentos do que fazendo isso agora.
Eu sou a segunda filha de Lúcifer e Lilith, Rei e Rainha do Inferno. Fui pupila e protegida da mão direita deles, o ser diplomático, Sammael. Você deve conhecer meu pai como Capeta e meu tutor como Satã (sim, desculpe-me te quebrar a fantasia, eles são pessoas diferentes).
Eu digo tutor porque ele não era meu mestre ou algo assim; bem… não apenas isso, pelo menos. Na família dos mais fortes demônios que já existiram no Universo, embora eu tenha nascido imortal, eu vim humana e cega. Sendo a primeira mulher a nascer que não fosse gêmea do primeiro homem, eu acabei sendo destinada, desde o princípio, a ser a futura Rainha do Inferno, quando, por alguma razão de força maior (sempre imaginei que seria meu pai se cansando, simplesmente), Lúcifer e Lilith não pudessem mais ser Rei e Rainha.
Então, imagine comigo: em uma família de seres mágicos superpoderosos, eu vim sem poder algum, sem conseguir ao menos enxergar o mundo em que eu vivia, desde o início compreendida como uma pessoa fraca que deveria ser vigiada e tutorada cem por cento do tempo, mas, ao mesmo tempo, destinada a ser a Rainha de um reinado que cobre um sistema planetário inteiro, com tantos círculos infernais e regras de hierarquia do mais forte que eu nunca conseguiria acompanhar. Se isso já não fosse ruim o suficiente, a forma como me ensinaram sobre basicamente tudo o que eu deveria saber para ser uma “boa Rainha” também não foi a das melhores.
Como ainda não expliquei o que aconteceu, não dá para você entender de primeira os reais motivos para eu ter mergulhado em uma depressão crônica e aguda desde muito nova. Uma que se prolongou por bastante tempo, me seguindo por todos esses trilhões de anos que eu disse aí em cima que tenho. Todavia, isso não é assim tão importante no momento.
Hoje em dia, não me considero cem por cento curada, mas, depois de ter passado por dezenas de planetas, vivenciado diferentes encarnações e experiências, me aventurado em universos que eu nem ao menos poderia imaginar que existiriam da forma que existem, ter amado, odiado e perdoado, eu me sinto finalmente bem. E se não totalmente bem, pelo menos no caminho certo para a minha melhora.
O atual caminho certo para a minha melhora é me reconhecer como deusa, me reconhecer como capaz, me entender como pessoa. Esse projeto, que eu chamei carinhosamente de “Conheça os Huntar’z”, é um dos passinhos que venho dando nessa direção. Um dos primeiros de muitos que planejo para o futuro.
E quando digo que tenho de me reconhecer como deusa, é porque… sendo parte dos Huntar’z, eu também sou uma divindade. Para quesito informativo, sou Lolline Huntar’z, Deusa Infernal da Maternidade, da Fertilidade, da Criação e da Destruição. Mãe de vinte um, filha e futura Rainha do reinado do Inferno, aspirante ao poder da Voz Divina, Pequena Criadora.
Reconhecer todas essas minhas características é uma tarefa que passa por pequenos objetivos; o primeiro deles é conhecer minha criação. Tanto a minha criação material, a que fiz unicamente com meus poderes, quanto a minha criação materna, que acabam por ser esses vinte e um filhos que eu acabei de mencionar.
Para começar isso, tive a ideia de um projeto de entrevistas com cada um dos meus filhos, tentando entender melhor como eles são, como agem, como pensam, ouvindo deles o que eles poderiam me falar sobre si mesmos. As próximas páginas contém cada uma delas separada por capítulos para cada um. Algumas são maiores do que as outras, mas todas cumprem seu propósito: me ensinar sobre eles e sobre mim mesma, em um aprendizado que é contínuo.
Cada entrevista tem seu toque especial, cada uma trata das coisas de forma diferente; mas assim que uma coisa é aprendida, ela é apenas trabalhada e evoluída. Existem tópicos que podem parecer controversos primeiramente, mas que depois vão começar a se encaixar com o restante das entrevistas.
Existe sim uma linha temporal, mas é importante dizer que as entrevistas foram feitas na ordem e toda entrevista foi feita em um dia diferente. Também parece relevante apontar que, quando colocamos seres imortais e superpoderosos, de todas as espécies, dentro de um mesmo ambiente, as coisas tendem a ser bastante intensas; então tudo muda constantemente, de uma forma até mesmo caótica, mas vou tentar manter as coisas com sentido para melhor entendimento.
Pessoalmente, eu acredito que esse projeto não será de teor positivo apenas para mim, que o escrevo, mas também para aqueles que se propuserem a lê-lo. Isso porque, durante meus anos de experiência de vida na Terra, eu percebi que existe uma falha no mundo literário (no mundo, em geral), em que faltam representações de diversidade para algumas pessoas em específico. Como a nossa família é talvez a mais diversa das famílias divinas de todos os panteões que eu conheço, talvez seja justo apresentar a vocês um pouquinho sobre ela; acredito que vá ter espaço para todo mundo em algum momento por aqui, nos braços de nossas divindades.
Como sou eu quem faço o projeto, sou eu quem o narro durante todo o percurso e, infelizmente, eu também sou falha; algumas coisas podem parecer erradas, mas, se me derem uma chance, eu posso melhorá-las e aperfeiçoá-las o suficiente para serem aceitáveis. Esse também é um projeto para aprender a identificar melhor onde estou errando e o que fazer em relação a isso.
Eu espero que esse projeto me ajude a entender algumas coisas, e que você, leitor/leitora/leitore, possa se identificar com alguns e aprender a amar os outros. Você com certeza nunca vai amar tanto os membros de minha família como eu, mas essa é talvez a única forma de você aprender a amá-los, nem que seja só um pouquinho. Sendo assim, seja bem-vindo/bem-vinda/bem-vinde. Esse é com certeza um mundo mágico feito para você.
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