Capitulo 2

Mesmo com o olhar baixo, senti sua majestosa presença. Sua aura despendia Poder.

“Geia sas” ele cumprimentou–me. Zeus, sua voz era magnifica, ate as sereias ficariam com inveja.

Fui obrigada a levantar minha cabeça e lhe encarar, deparei-me com seus lindos olhos azuis oceanos que faziam um combate silencioso com meus olhos verdes esmeraldas. Por um momento fiquei ai com a língua presa, incapaz de pensar, dizer algo ou mover-se. Seus olhos tinham capturando minha alma, ele continuava me olhando nos olhos fazendo-me sua prisioneira.

“Draco!” saudou minha mãe fazendo-me despertar piscando os olhos diversas vezes para ter certeza que já não estava em seu domínio, graças aos deuses. Nunca desejei tanto ver ela.

“Vejo que já conheceste minha filha, Métis.”

“Para dizer a verdade ainda não. Não havia me apresentando ainda.” Ele falava com a minha mãe, mas seus olhos estavam fixos em mim.

“Mil desculpas Métis, eu sou Draco. Filho de Danae. Seu antigo vizinho.”

Não, não podia ser, era Draco! Filho de Danae, aquele rapazinho tímido! Bem ele se tornou um homem. Fomos vizinhos sim, mas nunca fomos muito íntimos, nunca lhe dei muita importância, mas agora… estava diferente.

“Draco?! Você realmente esta… diferente.”

“Espero que esteja diferente num bom sentido.”

Sorri timidamente, “C-claro.”

Como de se esperar minha mãe incorporo papel da Afrodite, a deusa do amor.

“Draco, porque você não leva Métis para dançar?”

“Com certeza. Métis?” Ele falou oferecendo sua mão e aceitei-a sem pensar duas vezes. Minha mão estava tremendo, isto nunca tinha me acontecido. Tremer por causa de um homem! Segui-o ao centro da multidão onde todos estavam dançados. Ele parou e começou a dançar, eu segui seus passos.

Quando estávamos exaustos, sem fôlego para continuar a dançar decidimos parar, nunca tinha dançado assim e gostando tanto. Meu par era maravilhoso, um óptimo dançarino. Virei-me com intenção de sair da roda de dança, mas ele segurou-me o braço para que lhe seguisse.

“Vem comigo Métis”

Dito isto saímos em direcção à praia, chegando lá sentamos na areia branca. Por alguns segundos admirado o mar nocturno diante da lua silenciosamente. Draco decidiu quebrar o silêncio.

“Métis, você também esta diferente. Mais crescida, agora já és uma mulher, linda por sinal… quero dizer… você sempre foi linda…”

“Pare Draco!” falei rindo.

“É verdade, eu sempre admirei sua beleza silenciosamente” fiquei seria. Olhei nos seus olhos procurando algum rastro de mentira ou sarcasmo, mas não achei eles proclamavam verdade.

“Jura Draco!” Ele sorriu acariciando minha bochecha com a ponta do seu dedo, fechei os olhos diante da leve carícia, mas embriagadora. Nunca deixei um homem se aproximar tanto de mim.

“Draco…” sussurrei envolvida pela carícia, ele pós meigamente seu dedo no meu lábio em sinal de silêncio me fazendo calar, diminui a distância entre nós e substituiu seu dedo por seus lábios, por instinto fechei meus olhos e deixei-me levar pelo beijo, não sabia como beijar — nunca tinha beijado — mas Draco fez todo trabalho por nós dois. Ele beijava suavemente bem me fazendo esquecer tudo e aprisionando-me neste novo mundo de sensações agradáveis onde só habitavam Draco e Métis.

Valeu a pena ter esperado por este momento, por este beijo. Draco aprofundou mais o beijo, tornando quente e perigoso, despertando sensações desconhecidas por meu corpo, deitou-me na areia, cobriu-me com seu corpo sem quebrar o beijo. Minha mão ganhou vontade própria sem meu consentimento e perdeu-se nos cabelos de Draco, uma das mãos de Draco estava no meu cabelo, outra explorando meu corpo. A consciência pesou. Lembrei-me que boas moças gregas não faziam isto. Era melhor parar agora antes que fosse tarde demais. Falei entre os beijos, suspirando, necessitando de ar.

“Draco, por favor, pare.” Foi mais um suspiro que fala, mas mesmo assim ele parou olhando-me, ruborizei. Consegui fazer com que ele saísse de cima de mim. ‘a que ponto cheguei. O que será que ele ia pensar de mim agora!’

Envergonhada levantei e sai correndo, mas Draco era muito rápido, me alcançou em poucos segundos e derrubou-me na areia da praia fazendo-me cair de costas, mas protegeu-me para que o impacto não fosse forte. Em seguida ele aprisionou-me com seu pesado corpo em cima do meu.

“Métis! Porque que foges?! O que se passou? Você não gostou?”

“Draco não é isto! É que…”

“Fala Métis!” ordenou ele.

“Primeiro de tudo acho que você deve sair de cima de mim, nos soubemos que esta posição é inconveniente e não é apropriada.”

“Você não vai fugir de novo?” ele perguntou meio desconfiado.

“Claro que não. Por favor, pode me libertar!” mostrei-lhe firmeza na minha voz.

Sem mais uma palavra Draco libertou meu corpo, sentei-me na areia e ele fez o mesmo.

“Draco… eu adorei cada sensação que você me proporcionou, mas não é correcto o que estávamos a fazer, eu sou uma mulher solteira e não posso…”

“Casa comigo Métis”

“O QUE?” minha resposta foi súbita, saiu assim sem aviso prévio. Esta com certeza não era a resposta certa para quem acabava de ser pedida em casamento, mas eu estava muito surpresa pelo pedido inesperado.

“Métis, ‘o que’ significa que você quer ou não?”

“Não!” esta também foi súbita.

“Eu quero dizer… nada disso, a verdade é que estou surpresa, me surpreendeste, não esperava por isto. Pegaste–me de surpresa.”

“Uma surpresa boa ou má?”

“Eu, eu… não sei Draco! Isto tudo esta indo rápido de mais, eu não te conheço realmente e nem você me conhece, além de que não me amas para querer casar comigo assim do nada, de repente!”

“Métis não é do nada ou de repente, nós já nos conhecemos a bastante tempo, desde que éramos crianças. Há tempos que gosto de te, tenho certeza que é amor, te conheço bastante para te amar, o resto vem com o tempo. Convenhamos que os casais casam-se sem nunca terem visto a cara do seu par. Eu sei que você não me ama Métis, mas casa comigo, eu prometo que vou te fazer a mulher, mas felizes da Grécia ate as deusas terão inveja da sua felicidade. Eu só preciso de uma e única oportunidade para provar o meu amor e esperar pelo seu, eu vou saber esperar Métis. Por favor, não me negue isto me de uma oportunidade.”

Draco levantou da areia e ofereceu-me sua mão “Venha comigo, aceite minha mão”

“Draco…”

“Não tenha medo, tente, eu só peço que tentes.”

Ainda estava um pouco assustada, mas meu coração falou mais alto que meu raciocínio. Peguei na sua mão sabendo exactamente o que eu acabava de fazer — aceitar seu pedido de casamento — ele sorrio segurando minha mão fazendo-me levantar da areia. Buscou pela outra mão e juntou-as a suas entrelaçando nossos dedos, seus olhos vaguearam pela natureza em nosso redor e em seguinte voltou toda sua intenção a mim sorrindo alegremente.

“Diante dos Deuses, e a natureza prometo amar, respeitar, honrar e proteger Métis com todas minhas forças ate aos restos dos meus dias e nunca abandonar ela por nada. A partir de agora estamos unidos pela lei dos Deuses e entrelaçando nossos destinos.”

Sem pensar e levada pelo romantismo falei “Eu Métis prometo diante dos Deuses, a natureza amar, respeitar, honrar e proteger Draco com todas minhas forças ate os restos dos meus dias.”

Ele tirou uma adaga que estava presa na sua cintura. Olhou para mim, perguntando silenciosamente se estava preparada para fazer do nosso casamento um facto, na forma mais antiga do mundo — o ritual sagrado dos Deuses, desenhado para casamentos, unindo nosso sangue e alma — abanei a cabeça em sinal afirmativo. Peguei na adaga, respirei fundo, cortei-lhe a mão direita, Draco fez o mesmo comigo, engoli saliva e mascarar a dor provocada pelo corte. Unimos nossas mãos juntando o sangue que fluía dizendo em simultâneo.

“A partir de agora, nos unimos espiritualmente através das nossas almas e carnalmente pelo sangue. Que se tornem uníssono nossos destinos, forças, alegrias, tristezas e junte nossas vidas diante da força do amor e com a graça da Deusa Afrodite. Fazemos de nos um só ser, uma só alma. Que meu sangue corra no seu e misture os nossos corpos para sempre.”

Agora já não havia mais volta, éramos um e único. Mal acabamos de pronunciar s aquelas palavras magicas e misteriosas. Uma luz forte branca brilhante começava a nos rodear, começado pelos pés e subindo em forma espiral isolando nossos corpos do mundo exterior tornando-nos uma só alma. Agora se uma alma morresse outra seria só um rascunho em um corpo vazio, porque ela também morreria junto com seu verdadeiro companheiro. Era a magia e poder da Afrodite nos unindo e abençoado. Naquele momento mágico tive certeza que não tinha feito uma maluquice e que ele era meu verdadeiro amor. Poucos tinham a sorte de serem abençoados por Afrodite, ela só dava sua bênção a casais muitos especiais.

“Agora sim Métis. Somos marido e mulher perante os Deuses, só falta na lei humana para te ter completa só para mim. Eu te amo Métis.”

Quando ele falou aquilo uma lágrima escorregou traçando seu caminho pelo meu rosto, mas ele limpou-a beijando seu percurso. Depois tomou minha boca nos seus lábios e deu-me o melhor presente de casamento que uma esposa poderia esperar do seu marido.

Um beijo inesquecível.