Medo de amar
4 Capítulo 3
Notas iniciais
“Psicólogos tem o costume de analisar os movimentos das mãos e olhos dos pacientes enquanto os mesmos confessam seus problemas.”
Porque meu Senhor eu não consigo gravar essa frase tão fácil? Bem, pode ser porque não estou prestando atenção enquanto leio, pode ser porque minha cabeça está longe ou também pode ser porque AAAAAAH NÃO AGUENTO MAIS A BAGUNÇA DESSE QUARTO!!!!
Respira fundo, Diana respira fundo! Já faz um mês que você está “morando” com esse desleixado e já viu que ele sofre de baguncinite, a doença que você mesma inventou para pessoas com problemas de bagunça excessiva, e você prometeu, PROMETEU que não limparia ou arrumaria mais bagunça alguma dele. Respire!
Mas não é por isso que não consigo me concentrar, completando minha frase anterior: também pode ser porque essa criatura detestável de nome Enzo está me encarando á dez minutos marcado em relógio.
– Perdeu alguma coisa na minha cara? – perguntei já impaciente, odeio que me encarem, na verdade ninguém gosta, a não ser que você goste da pessoa, claro, mas esse não é o caso, não é mesmo.
– O que? – perguntou confuso com sua sobrancelha franzida, quem olha essa carinha pensa até que é inocente. Só Deus sabe o que já flagrei nesse quarto.
– Você perdeu alguma coisa na minha cara? – perguntei calmamente para não estapeá-lo.
E ele não respondeu. Isso mesmo, NÃO RESPONDEU!
Suspirei e desisti dele indo para o banho.
~*~
–Você acha a Christina bonita?
A pergunta me pega completamente de surpresa, tanto que paro de secar meus cabelos com minha toalha e dirijo meu olhar confuso á ele.
– Como é?
– Não só ela. Você acha as meninas que fico gostosas?
– Bem, — digo pegando minha toalha e colocando-a sobre meu colo – falando como a feminista que sou, posso dizer que são bonitas e não gostosas, mas levando em conta a minha opinião, bem... Você quer sinceridade?
– Esquece! – disse virando seu rosto para o outro lado parecendo um pouco decepcionado e chateado.
– Porque você está me fazendo esse tipo de pergunta? – ele deu de ombros e voltou seu olhar pra mim.
– Sei lá, só quis.
– Eu acho que elas são sacos de ossos.
– Como? – levantou-se subitamente se sentando na cama espantado pela resposta.
– Eu acho que elas são muito magrelas e metidas. Você deveria valorizar mais uma carne e humildade. – disse dando-lhe uma piscadela. – Conselho de amiga.
Ele soltou um curto risinho nasalado que devo admitir, me divertiu um pouco, na verdade acho que é a primeira vez que o vejo sorrir, ele é tão fechado e contido que chega á ser enigmático.
– Não pensei que me considera-se seu amigo. – disse ainda com um sorrisinho no rosto. – Na verdade até pensei que me odiasse.
– É, odiava – rimos juntos dessa vez – Mas hoje vi que você pode ser um cara legal.
O celular dele apitou avisando mensagem no whatsapp e ele logo soltou um sorrisinho safado antes de responder a mesma.
– Bem, já que você me achou um cara legal, não vou mudar isso.
– Como assim?
– É melhor avisar a Serena que vai dormir no quarto dela hoje de novo essa semana.
Olhei-o incrédula pela sua cara de pau e logo depois ri de seu cinismo.
– Sendo assim também vou ser legal e arrumar esse quarto pra você passar uma boa impressão. – disse já me levantando e catando as roupas dele que estavam no chão.
– Como se eu não soubesse que você estava louca pra fazer isso. – disse rindo e deitou novamente e voltou pro seu celular.
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