Medo de amar
5 Capítulo 4
Notas iniciais
– Argh! – o garoto se levanta em um sobressalto passando a mão na testa para ver se estava suado como nas outras noites. Respira fundo e joga sua cabeça para trás ao ver que realmente está no mesmo estado que á duas noites atrás: suado, respirando pesado e duro. – Mais um sonho erótico com ela. – fala passando a mão pesadamente em todo o rosto e vira seu rosto pesarosamente para a garota dormindo ao seu lado, tranquila e serena. Completamente diferente de quando está acordada. O garoto dá uma leve risada com esse pensamento que o pegou subitamente.
Ele levanta e vai ao banho aonde os mesmos pensamentos o atingem, lembranças do sonho, a última conversa com ela naquela tarde a qual ele havia perguntado sobre as garotas que costuma pegar... Mas todos os seus pensamentos se dirigem insistentemente á uma pergunta:
PORQUE ELA?
Ele passa as mãos sobre os cabelos e sai do banho vestindo apenas uma cueca que achou e voltando a se deitar, desta vez, virado para a cama do lado observando aquela garota que ele tinha certeza, ficava mais bonita sem seus óculos gigantes.
~*~
– E aí Enzo, conta aí, quem são as novas esparradas?
– Eu não sei do que você está falando. – disse sem mudar sua expressão bebericando seu suco de morango.
– Ah cara, fala logo quem foi que você pegou essa semana. – falou o garoto de cabelos totalmente bagunçados, notou Enzo, jogando seu braço sem qualquer cuidado sobre o encosto da cadeira a qual estava sentado.
– Ok, mas... – levantou seu olhar e o canto da boca em um sorriso sacana enquanto balançava seu suco em uma mão – porque eu abriria minha vida pessoal para uma pessoa a qual não sei nem mesmo o nome?
Enzo pode perceber que o garoto loiro ficou envergonhado e talvez um pouco constrangido com o olhar dele.
– Ah cara, foi mal! É que tipo, somos da mesma classe então pensei que tivéssemos sabe... somos Brothers cara! – falou dando um soco de leve no braço do menino que logo olhou carrancudo para o lugar aonde levou “o soquinho de amigo”.
– Olha, — falou limpando aonde fora tocado – eu vou falar uma vez e espero que fique claro: não somos amigos!
– Ah, foi mal aí cara! – levantou e se retirou completamente constrangido percebeu o garoto que havia terminado o seu lanche.
– E você? Vai ficar prendendo esse riso até quando? – perguntou o menino já incomodado com o amigo que parecia prestes a ter uma explosão de risos internos, que, após a pergunta, caiu numa gargalhada alta e profunda fazendo Enzo revirar os olhos. – Gabriel, já te falaram que você é um idiota?
– A Serena me diz isso direto, já não é mais novidade. – falou assim que conseguiu se acalmar. – Eu ainda não acredito que esse cara pensou que era só chegar aqui falando de mulher que já era seu amigo.
Riram juntos pela primeira vez naquela tarde.
– É, realmente existe gente mais insignificante do que a garota do meu quarto.
– Nem tão insignificante assim né? – falou lançando-lhe um olhar malicioso. – afinal, eu não tenho sonhos eróticos com a Serena, e olha que ela é minha namorada.
– Cala a boca! – riram. – Será que dá pra você me ajudar ao invés de brincar com meu problema.
– Seu problema é simples meu caro, você está gostando da Diana.
– Acho pouco provave...
– Por quê? – o interrompeu – Porque você nunca dormiu com ela? Meu caro, não é preciso que isso aconteça para se apaixonar.
Enzo encarou o colega ao seu lado como se tentasse absorver e entender o que o amigo acabou de falar.
Será? Pensou. De todas as meninas que ele podia se apaixonar, ele se apaixonaria logo por aquela insuportável psicótica que vive o importunando só por não arrumar o cabelo assim que acorda? Logo pela menina que ele considera completamente sem graça, sem o que oferecer? Logo por ela? Não, não iria! Concluiu mentalmente.
– Sabe o que eu acho? – perguntou Enzo.
– O quê? – perguntou realmente demonstrando interesse.
– Bate logo seu cartão aqui que eu preciso resolver uma coisa. – falou o menino mais novo ignorando o amigo que saiu da mesa, enquanto apoiava sua cabeça em sua mão mantendo os olhos no asfalto fora da lanchonete e a cabeça no que pretendia fazer.
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