Medo de amar
16 Capítulo 15
Notas iniciais
Diana fica olhando ao redor do banheiro para não ter que olhar para aquela coisa nojenta que Serena despeja em seu vaso sanitário, ela aperta mais a mão ao redor do cabelo da amiga e passa a outra mão sobre as costas da garota que está ajoelhada no chão botando tudo pra fora.
Serena termina de vomitar e vai lavar a boca na pia, enquanto isso Diana dá descarga fazendo de tudo para não olhar para o vaso. Tem nojo de vômito desde os seus 10 anos quando sua avó vomitou grande parte da sala e ela teve que limpar, e logo após sua avó vomitou novamente, mas dessa vez não foi no chão, e sim na pobre faxineira, na pobre Diana. A morena quase vomita ao se lembrar do ocorrido e sai logo do banheiro indo se sentar na cama com a amiga que deita em seu colo.
– Di. – choraminga – Por que você não me levou embora com você?
– Porque quando fui te procurar para ir embora você estava rebolando que nem uma lombriga – as duas riram – e ficava gritando: Não me tire daqui! Minha vida agora é aqui! Meu lugar é aqui! E começou a cantar uma música em português que se não me engano falava assim:
‘É aqui que eu amo
É aqui que eu quero ficar
Pois não há lugar melhor que BH!’
As duas deram boas gargalhadas com o “ótimo” português de Diana, e com sua tentativa falha de imitar Serena na festa.
– Mas que diabo é BH?
– E eu que sei? Você que estava cantando. – e mais risadas vieram.
– E no final fiz tudo isso pra nada. – agora a garota estava cabisbaixa. – Ele nem mesmo foi.
– Talvez esteja mal por vocês terem terminado.
– Será, Di?
Diana pode ver uma faísca de esperança saltar dos olhos da amiga que agora a encarava.
– É. Claro! Quem sabe né? – deu seu sorriso forçado por não ter certeza disso, ele nem mesmo veio atrás dela, ou quis saber o porquê de terem terminado. – Vou comprar um remédio pra você parar de vomitar, já volto.
– Ok.
Diana se levantou e foi em direção a porta, mas antes de abri-la Serena lhe informou com uma voz metade triste e metade divertida.
– Você é uma péssima mentirosa Di.
A mesma nem se deu ao trabalho de olhar para trás, só seguiu seu caminho rumo à farmácia.
~*~
Diana espera impacientemente em frente ao balcão da farmácia que aparentemente só tem um atendente que no momento está atendendo um cara que parece querer comprar toda a farmácia.
– Oh senhor, eu só quero um simples remédio, será que você pode me atender rapidamente e depois passa pra esse outro senhor que parece querer comprar toda a farmácia. – Olha desafiadora ao atendente que pareceu assustado com a atitude da garota. Ela que antes esperava apenas encarando o balcão agora possuía um olhar enfurecido e batia seus dedos freneticamente no balcão do estabelecimento.
– Será que você poderia falar mais baixo criatura?
Diana se vira espantada para o lado e ver que o suposto “comprador da farmácia” nada mais é que seu colega de quarto, que possuía um olhar mortal nos olhos que abalam um pouco a estrutura da garota, mas que logo se impôs como sempre.
– Só podia ser você mesmo. Será que dá pra andar logo aí querido, eu tenho pressa! – o mesmo olha pra ela e bufa.
– Vou querer só isso mesmo.
– Sim senhor, pague ali no caixa, por favor. – Indicou-lhe o caixa.
– Ok. Feliz agora esquentadinha? – pergunta debochado a garota que nem mesmo o encara e pede seu remédio.
Diana pede seu remédio e vai ao caixa para pagar. Quando sai da farmácia conferindo o troco percebe alguém se aproximando dela, ela vira assustada para o lado e dá de cara com o comprador da farmácia.
– Quer me assustar mesmo, imbecil? – perguntou indignada guardando seu dinheiro na sacola onde estava o medicamento, uma mania de criança.
– Você quer mesmo correr o risco de perder trinta e oito dólares para qualquer bandidinho que passe e tome essa sacola da sua mão? – Ela o olha e bufa pegando o dinheiro de dentro da sacola e colocando no bolso.
– Pêra! Como você sabe que tenho trinta e oito dólares?
– Vi você contando o dinheiro. – falou casualmente colocando a mão que não segurava a sua sacola no bolso.
– Tá então. – falou. Logo após acenou para Thomas que acenou para ela a distância. A garota só não viu que Enzo revirara seus olhos ao seu lado ao ver tal cena, o que piorou sua dor de cabeça.
– Droga!
– Algum problema?
– Nada. Só minha cabeça que parece que vai explodir.
– Do jeito que você estava ontem à noite, até imagino mesmo. Ai pêra! – o menino para assustado fazendo a garota rir. – Não é pra parar literalmente menino – o mesmo revira os olhos novamente se arrependendo amargamente de tal ato.
– Você tem problemas garota!
– Ah cala a boca! – soltou enquanto ria. – Eu só ia dizer que nosso quarto deve estar só o lixão de tanto vômito seu. – falou frustrada.
– Até que não. Sou forte pra bebida, só vomitei duas vezes depois que cheguei. Meu maior problema é só a dor de cabeça mesmo. Todos esses remédios na verdade são pro Dante.
– Ah ta. – diz a garota chateada, pois imaginou, involuntariamente, Dante com outras. — Deixa eu te fazer uma pergunta, o Gabriel foi naquela festa ontem? – era melhor mudar seu pensamento antes que ficasse deprê.
– Ah não. Ele está muito mal pela Serena. – falou massageando a cabeça que parecia doer muito percebeu Diana. – Ei pêra! – a mesma se assusta com a pronúncia repentina do garoto – Como você sabe que estava bêbado ontem? E em uma festa?
– Caracas vey você devia estar muito bêbado mesmo. – riu – Não se lembra nem de ter me visto lá. Quem dirá então da gracinha que fez. – a garota gargalhou da situação.
– Que gracinha? — pergunta assustado.
– Você beijou a garota que mais odeia no mundo meu camarada. – tocou-lhe o ombro sorrindo solidária. Prendendo profundamente uma gargalhada ao ver a cara assustada e confusa do garoto.
– Eu beijei a Karol do departamento de administração?
– Não idiota você me beijou! – gargalhou profundamente ao se lembrar da cena que a divertia, já que Enzo havia beijado a garota que mais odeia por conta da bebida.
– Eu te beijei? – perguntou exaltado. Ela apenas assentiu ainda rindo – Não, espera! O que você estava fazendo numa rave? – perguntou exaltado fazendo-a rir mais. Mas ele não estava nervoso por te-la beijado, estava nervoso por ela ter freqüentado tal lugar promiscuo. Mal sabe ela disso.
– Estava acompanhando uma amiga. – falou se acalmando e parando de rir gradativamente.
– Serena? — perguntou confuso.
– Não, outra amiga aí de infância.
– Ah ta. – pareceu aliviado enquanto falava.
– Bem, já vou indo.
Os dois seguem cada um para um lado, ela para a ala feminina e ele para a masculina da faculdade. Mas antes que se distanciassem muito Diana pôde ouvi-lo dizer:
– Eu a beijei?
O que a fez rir mais.
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