Meant to Be
32 Chapter Thirty-Two
Notas iniciais
Nove horas da manhã. Aquela era uma manhã em que Rachel acordava, relativamente, cedo. Na verdade, após a conversa com Quinn no dia anterior, a morena não conseguira dormir adequadamente.
Depois de sair do apartamento da loira, Rachel foi para casa e ficou o resto do dia trancada em seu quarto. Do mesmo jeito que Quinn precisava de tempo pra pensar, ela também precisava. Afinal, pela primeira vez em anos, as duas haviam tido uma conversa um pouco mais esclarecedora. Mesmo a loira não tendo permitido ela explicar o que realmente acontecera naquela fatídica noite anos atrás, já foi mais do que qualquer outra conversa que elas tenham tido. E, por isso, a mente de Rachel não lhe deu sossego. Ela passara praticamente a noite inteira em claro, pensando e repensando. Por isso, nove horas da manhã não lhe parecia tão tarde.
Após fazer sua higiene matinal, Rachel finalmente resolveu sair do quarto. Não via seus pais desde a manhã anterior, já que havia ignorado o chamado dos homens. Ao chegar ao corredor, porém, a morena ouviu risadas. Mas não apenas de seus pais. Existia mais alguém ali com eles. Ela apressou o passo e ao entrar na cozinha deu de cara com sua filha e os três avós.
– Olha só quem acordou! – exclamou Hiram, o primeiro a nota-la, com um sorriso.
– Mammy! – exclamou Beth e correu em direção a morena.
– Hey princesa! Como você está? – perguntou Rachel lhe abraçando.
– Eu estou ótima! Eu e vovó vamos passar o dia aqui – sorriu.
– Ah, é?! Que ótimo, meu amor – a morena correspondeu o sorriso e então se virou para os outros adultos – Bom dia, pais. Judy, como vai?
– Bem, obrigada. Espero que nossa visita não a incomode, Hiram e Leroy disseram que estava tudo bem.
– E eles estão certos. Você e Beth sempre serão bem vindas aqui. Mas... – pausou – Onde está Quinn?
– Mamãe estava dormindo, quando saímos – disse Beth.
– Então ela virá depois? – perguntou Rachel, um sorriso brotando no rosto.
– Na verdade, Quinn pediu para passarmos o dia fora hoje. Annie está voltando e elas precisam de... Privacidade, eu acho – disse sem jeito – Por isso ficaremos aqui e dormiremos na casa de Brittany e Santana.
– Oh... – foi tudo que Rachel disse antes de um pequeno silêncio se instalar no cômodo.
– Okay, quem topa ir ao supermercado? – perguntou Leroy, tentando quebrar o clima – Afinal, hoje teremos uma mini chef na cozinha e ela precisa do material necessário.
– Vamos, vamos, vamos! – exclamou uma Beth animada.
Rachel sorriu com a animação da filha, mas em seu interior, todos os questionamentos da noite anterior voltavam com tudo e o medo de que Quinn continuasse a lutar contra o amor delas fazia todo o seu corpo estremecer...
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Quinn ressonava tranquila em seu sono. Após a saída de Rachel do apartamento, tudo que a loira havia feito foi chorar. Ela repassava a conversa com a morena em sua mente e as lágrimas caiam insistentemente. “Eu me agarrei a essa aliança com a esperança de que o nosso amor prevaleceria e você voltaria pra mim...”. Como Quinn poderia lutar contra isso? Tudo que Rachel havia feito, desde que ela voltara de Londres, se resumia em tentar tê-la de volta. Mas seu orgulho falava mais alto. Afinal, Rachel havia traído a, não é mesmo? Provavelmente nem ela mesma acreditava mais nisso.
Mas agora, Quinn apenas dormia. Seus pensamentos haviam lhe dado uma folga e, na madrugada, após secar todas as lágrimas existentes em seu corpo, ela se rendeu ao sono.
Quinn dormia. Calmamente, até que vozes se fizeram ouvir e toques se fizeram sentir. No fundo do seu sono, ela ouvia alguém lhe chamar. Leves carinhos sendo feitos em sua nuca.
– Quinn. Quinn, querida, hora de acordar...
– Mais cinco minutos, mãe – resmungou a loira e ouviu uma risada.
– Eu estou bem longe de ser sua mãe. O que é bom, se não teria cometido incesto...
Quinn abriu os olhos lentamente, acostumando-se a claridade, até que sua visão focalizou um rosto bastante conhecido e, ao que parecia, não era apenas parte dos seus sonhos.
– Annie? – Quinn a olhou surpresa, sentando-se na cama – Mas... Mas você não deveria chegar só mais tarde?
– Quinn, você sabe que horas são? – a loira negou com a cabeça, então Annie buscou seu celular e apontou-o para ela. O relógio no blockscreen mostrava 13:40.
– Oh meu deus! Eu esqueci de te buscar? Me desculpa, An. Me desculpa, eu... Meu celular devia ter despertado. Me desculpa! – a loira falava apressada, gesticulando com a mão.
– Hey, calminha – sorriu Annie – Está tudo bem. Eu liguei para Judy e ela me disse que tinha te deixado dormindo pela manhã, então eu peguei um táxi e logo cheguei aqui.
– Me desculpa mesmo, An...
– Já disse que está tudo bem, Q. Agora... – pausou e observou a loira – Você dormindo até essa hora? Isso não é normal.
– Eu só... – bufou – Não consegui dormir bem a noite.
– Okay – Annie sabia que havia mais alguma coisa, mas preferiu não insistir – Que tal você tirar a bunda dessa cama agora? Toma um banho e enquanto isso peço algo pra gente comer...
– É uma boa ideia – sorriu e se levantou, indo em direção ao banheiro. No meio do caminho, Quinn pareceu lembrar de algo. Ela voltou até Annie, se aproximou e deu um leve beijo em seus lábios – Bem vinda de volta.
Annie sorriu sem jeito e depois de ver Quinn entrar no banheiro, saiu do quarto...
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Ao terminar seu banho e se vestir, Quinn saiu do quarto e encontrou Annie na cozinha, arrumando a mesa para que pudessem comer.
– Comida chinesa está bom pra você? – perguntou a morena.
– Ótimo, estou morrendo de fome – sorriu e sentou-se.
As duas começaram a comer em silêncio. Quinn encarava Annie e sentia que algo incomodava sua namorada.
– Como está Londres? – perguntou, buscando quebrar o silêncio.
– Fria – riu – Mas continua linda. Mal deu pra matar a saudade...
– E o processo da Tempest terminou bem?
– Sim, da melhor forma possível. Não entendo porque Logan exigiu que enviássemos um representante, era algo bem capaz de ser feito à distância.
– Logan tende a ser muito dramático, às vezes – sorriu.
– É, mas no fundo foi bom voltar – Quinn percebeu que a morena tinha um sorriso diferente no rosto – Mas como está tudo por aqui?
– Tudo bem, exceto por Beth tirando o sossego de todo mundo. Não vejo a hora desse aniversário passar – riu.
– Até parece! Eu sei que você está tão animada quanto ela.
As duas riram juntas e terminaram o almoço em meio a conversas, Annie contava sobre os dias em Londres e a mente de Quinn insistia que algo estava estranho com a morena.
Após limparem a cozinha, as duas se direcionaram a sala. Sentaram-se lado a lado no sofá e mais uma vez, silêncio.
– An? – Quinn chamou a atenção da morena – Você disse que nós precisávamos conversar, lembra?
– É, eu lembro – respondeu.
– Então...?
– Eu estou pensando como falar... – suspirou.
– Você sabe que pode falar qualquer coisa comigo – esclareceu.
– Nós nos conhecemos há muito tempo. Eu te conheço desde que comecei a faculdade, praticamente. Eu tinha só 18 anos e você me ensinou tudo que você sabe, me acolheu na sua casa, na sua vida e na vida da sua filha. E você não sabe quão importante isso foi pra mim... – a morena sorriu – Me relacionar contigo me tornou a mulher que eu mesma desconhecia e mesmo sabendo que seu coração era de outra, eu não me importei. Porque o que nós tínhamos sempre me fez feliz, sempre foi suficiente. Eu nunca pensei que viríamos para NY e que aqui seria onde você me pediria em namoro, pelo contrário, achei que aqui seria onde até o que tínhamos se acabaria de vez.
– Certo – Quinn disse quando a morena ficou em silêncio, dando sinal de que ela poderia continuar.
– Eu fui pra Londres a trabalho. Meu objetivo era terminar o processo o mais rápido possível e voltar pra você. Mas... – suspirou pesadamente – Mas o destino é uma coisa engraçada né?! Eu... Ah, droga! Isso não devia ser tão difícil.
– An, está tudo bem. Você pode me falar... – disse acariciando o braço da morena.
– Eu conheci alguém, Quinn. Eu conheci uma garota e... Não sei, acho que nós tivemos uma ligação sabe? Aquelas coisas que não se explica. Você apenas olha para aquela pessoa e acontece.
– Você se apaixonou – Quinn afirmou.
– Eu não te traí. Você sabe que eu não sou assim... Mas nós tivemos alguns encontros, sabe? Nos conhecemos melhor. Ela é ótima, Quinn. Mas eu me sinto tão mal, parece tão errado – disse Annie, algumas lágrimas começando a cair por seus olhos.
– Hey, está tudo bem, querida – disse Quinn, puxando a morena para seus braços.
– Eu não queria ser mais uma a te magoar, Quinn. Eu não te traí, você sabe disso, né?
– Eu sei, baby. Eu sei – assentiu enquanto acariciava as costas dela – Você não me magoou. Está tudo bem...
Passaram alguns minutos em silêncio. Quinn buscava acalmar Annie até que a morena parou de chorar e voltou a sentar-se, encarando-a.
– Você me perdoa? – perguntou.
– Eu não tenho motivos pra te perdoar, An. Você se apaixonou e eu estou feliz por você. Eu não posso te prender a mim quando você não me ama.
– Mas eu te amo! É só que... O que eu senti ao ver a Emma pela primeira vez... – pausou e Quinn pôde ver que os olhos da morena brilhavam – Foi tão forte. E então ela me sorriu e meu mundo parou. Você entende?
– Mais do que você imagina – disse Quinn, lembrando o dia em que viu Rachel sorrir pela primeira vez.
– Eu quis tanto falar com você antes. Você é minha melhor amiga, afinal de contas. Mas falar isso por telefone ou Skype não seria o ideal...
– Está tudo bem – sorriu – Então, isso significa que você não é mais minha namorada?
– Infelizmente – bufou, fingindo irritação – Eu sentirei falta do sexo – riu.
– Ah, não vai. Porque você vai fazer amor com alguém e isso é muito melhor...
– Certo – sorriu.
– Quer me falar mais sobre a Emma? – perguntou simpática.
– Só se depois você me falar o que aconteceu por aqui – Annie viu que Quinn iria contestar e completou – E nem diga que nada aconteceu. Eu te conheço, Fabray...
– Tudo bem, tudo bem. Você começa...
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