Meant to Be
30 Chapter Thirty
Notas iniciais
Era terça-feira. O dia da chegada de Judy e dos Berry. Os três viriam de Lima para o aniversário da neta. Beth ficara com Santana e Brittany durante aquele dia, já que Quinn passou o dia no escritório e Rachel precisou ir ao teatro. Agora as duas estavam no aeroporto à espera dos pais.
Um silêncio se mantinha entre elas. Nenhuma das duas sabia como se comportarem depois do que havia acontecido no domingo. Rachel queria falar, mas tinha medo da reação da loira. Já Quinn, não sabia como começar o assunto que realmente queria.
O clima estranho foi quebrado quando os passageiros começaram a passar pelo portão de desembarque. De longe as duas avistaram seus pais com sorrisos nos rostos e seguiram até eles.
– Mãe! – exclamou Quinn abraçando Judy.
– Pais, que saudade – falou Rachel sendo apertada entre Hiram e Leroy.
Após abraçarem a filha por um tempo, os homens se separaram e encararam Quinn, que estava abraçada a Judy.
– Quinn, finalmente nós podemos nos reencontrar – disse Hiram.
– Sinto muito, Hiram. Mas como vocês sabem, minha volta foi extremamente turbulenta e desde então vocês não vieram a NY...
– Não se desculpe, nós entendemos – disse Leroy – É bom ter você e nossa neta de volta. Beth fez falta...
– Ela está com saudades de vocês. Mas hoje ela passará a noite com Santana e Britt...
– Não tem problema, amanhã podemos matar a saudade da nossa princesa – disse Hiram.
– Sendo assim, que tal irmos jantar agora? – perguntou Rachel.
__________________________________________________
Os cinco decidiram ir a uma pizzaria. Todos estavam cansados e optaram por uma comida simples e rápida. Pediram duas pizzas e refrigerante.
– Beth está animada com o aniversário? – perguntou Hiram.
– Mais animada impossível, papai – respondeu Rachel – Ela está enlouquecendo todo mundo.
– Isso é verdade. Às vezes desconfio se a ideia da Rachel de fazer a festa foi realmente boa – brincou Quinn.
– Como se você também não estivesse adorando, Fabray – sorriu a morena.
Judy, Hiram e Leroy observavam a interação das duas com olhares curiosos, afinal a última vez que viram elas daquela forma foi anos atrás.
– Mas então Quinn, como foi esse tempo em Londres? Judy comentou que você está namorando... – disse Leroy.
– Foi um bom tempo. E sim, estou – respondeu a loira, um pouco desconfortável por Leroy colocar aquele assunto em pauta.
– E onde ela está? – perguntou o homem.
– Annie precisou ir para Londres há alguns dias, mas ela está voltando sexta-feira.
– E Beth gosta dela? – questionou.
– Pai! – advertiu Rachel.
– Tudo bem, Rachel – tranquilizou Quinn – Beth a adora, Leroy. Ela e Annie já convivem há um bom tempo e ela é tão família como qualquer uma das meninas, por exemplo.
– Como a Rachel, por exemplo? – inquiriu o homem.
– Pai! Já chega! – exclamou Rachel, compreendendo a real intenção do pai.
– Annie nunca poderá ser como a Rachel. Rachel é a mãe da Beth e esse é um título que ela só divide comigo e com a Shelby. Rachel é insubstituível na vida da Beth.
– Okay, já chega desse assunto. É melhor nós irmos embora – falou Rachel antes que seu pai pudesse perguntar mais alguma coisa.
– Vamos, eu deixo vocês em casa – disse Quinn.
– Não precisa, Quinn. Nós vamos de táxi – disse a morena.
– Eu faço questão, Rachel.
– Olha, na próxima vez eu prometo que deixo. Hoje é melhor nós irmos sozinhos...
– Tudo bem, então – assentiu a loira.
Rachel levantou-se junto dos pais e Leroy pegou sua carteira para pagar uma parte da conta.
– Não é necessário, Leroy. O jantar foi por minha conta – sorriu Quinn.
– Obrigada mais uma vez, Quinn – disse Rachel antecipadamente. Os três se despediram das duas Fabray e saíram da pizzaria em busca de um táxi. Quinn pagou a conta, então ela e Judy fizeram seu caminho para casa.
__________________________________________________
No dia seguinte, Rachel acordou tarde e ao sair da cama, encontrou seus pais na cozinha.
– Bom dia, filha – sorriu Hiram ao ver uma Rachel ainda sonolenta entrando na cozinha.
– Bom dia, papai. Pai – devolveu o cumprimentou.
– O que quer comer? – perguntou Leroy.
– Nada. Pela manhã eu só tomo café – respondeu, pegando uma xícara e se servindo de café.
– Tem certeza? – reforçou Leroy.
– Sim, pai. Eu tenho certeza.
– Alguém acordou de mau humor hoje... – sussurrou o homem.
– Depois daquela cena que você fez ontem, é óbvio que estou de mau humor. Nem sei porque estou falando com você... – bufou.
– Hey, você não pode me culpar. Queria que eu fosse um doce depois de tudo que ela te causou? Depois de ela ter afastado nossa neta de nós? – reclamou o homem.
– Você deixou todos nós desconfortáveis, pai! Eu e Quinn estamos começando a nos entender, sabia? Eu conheço a Annie, sei que a Beth a adora e não é pra menos. Ela é demais e eu agradeço por Quinn ter tido ela durante esse tempo. Mas você não podia colocar em questão a minha relação com a minha filha. Quinn nunca me proibiu de ver Beth, mesmo que legalmente eu não seja nada dela. Então você não podia ter deixado a desconfortável com aquelas perguntas totalmente fora do horário.
– Eu estava te protegendo! – exclamou o homem.
– Eu não preciso de proteção, não contra a Quinn! E mesmo que precisasse, eu sei me defender!
– Filha, se acalma – disse Hiram, resolvendo intervir naquela confusão – Você sabe que seu pai não fez por mal. Só é muita informação para nós dois reencontrarmos a Quinn depois de tanto tempo...
– Imaginem então como foi pra mim! Mas mesmo assim, agora nós estamos nos entendendo...
– Se entendendo como?
– Eu... Eu não sei explicar. Nós nunca falamos sobre o que aconteceu. No começo nossa relação girava em torno da Beth, mas então voltamos a nos aproximar e nas últimas semanas, depois que a Annie viajou, nós meio que estamos nos reconectando. Tivemos bons momentos ao lado da Beth, sozinhas, assim como também tivemos momentos confusos. Mas já não há tanta hostilidade, sabem? Mas ainda parece faltar algo pra que tudo melhore, pra que talvez nós tenhamos uma chance...
– O que falta? – questionou Hiram – Falta vocês conversarem, sobre tudo. Depois disso, tudo vai se ajeitar.
– Mas como eu faço isso? Sempre que tento conversar, ela me corta.
– Você precisa tentar mais. Uma hora a Quinn vai ceder.
– Será mesmo, papai?
– Eu tenho certeza, filha...
__________________________________________________
Como quase sempre, Quinn estava atrasada. A loira havia combinado de almoçar com sua mãe, mas ficou presa em uma reunião mais do que o previsto. Dirigiu ensandecida pelas ruas de NY e ao chegar no restaurante avistou Judy sentada em uma mesa.
– Me desculpa, mãe! Faz tempo que está esperando? – perguntou a loira, vendo a Fabray mais velha se levantar para abraça-la.
– Não, querida. Apenas alguns minutos... – sorriu e as duas se sentaram.
Logo um garçom de aproximou e anotou os pedidos. Um pequeno silêncio se instalou entre mãe e filha.
– Vai me dizer o motivo desse almoço? – questionou Judy com um sorriso.
– O que? Eu não posso querer almoçar com a minha mãe? – disse a loira ofendida.
– Claro que pode, mas pra você sair do escritório significa que há algo que você quer conversar...
– Argh, por que você me conhece tão bem?! – bufou Quinn.
– Eu sou sua mãe, ora! – riu – Agora comece a falar...
Quinn parou por um momento e pensou. Se alguém poderia lhe dizer o que fazer, esse alguém era sua mãe. Mas primeiro, ela precisava se abrir. Respirou fundo.
– Eu... Eu quero conversar com a Rachel, mas eu não sei como.
– Conversar sobre o que?
– Tudo? – perguntou mais para si mesma – Nós estamos meio próximas desde que a Annie viajou e eu sinto que... Eu não sei explicar, mãe.
– Quinn, querida. Você precisa se expressar para que eu possa te ajudar...
– Ela guardou a aliança – disse e viu o rosto confuso de Judy – A aliança com a qual eu iria pedi-la em casamento naquela noite, ela guardou. Ela a usa no pescoço, junto do cordão que eu a dei de presente no nosso primeiro natal.
– E você quer saber o porquê – constatou – Bom, você precisa perguntar diretamente a ela. Já passou da hora de você e Rachel conversarem sobre o passado. Fingir que ele não existiu, não apaga o que aconteceu. Vocês precisam conversar, filha.
– O que eu faço?
– Chame-a pra almoçar amanhã no apartamento. Eu sairei com Beth, Leroy e Hiram. Lá vocês terão privacidade pra conversarem da forma que quiserem, sobre o que quiserem.
– Eu não sei se isso é uma boa ideia... – disse a loira sem jeito.
– Por que não seria? – questionou e então observou o rosto corado da filha – Aaah... Então vocês já estão se entendendo melhor do que o que eu pensava.
– Não! Mãe, não aconteceu nada. Chegou perto, mas as forças do universo impediram...
– Então espere que essa “força do universo” entre em ação amanhã, porque vocês irão conversar sozinhas, no apartamento.
– Tudo bem, tudo bem...
Mas no fundo, Quinn sabia que não estava tudo bem. Ela e Rachel sozinhas havia se tornado um perigo iminente...
__________________________________________________
Após deixar Judy em casa, Quinn voltou ao escritório. Durante a tarde não teria nenhuma reunião, mas precisava preparar a defesa de um processo. Porém, a conversa com Judy estava em sua cabeça. Depois de refletir alguns minutos, Quinn resolveu agir. Buscou seu celular e discou o número de certa morena.
– Alô? – atendeu após o terceiro toque.
– Hey Rachel, é a Quinn – disse a loira nervosa.
– Oi Quinn, aconteceu alguma coisa?
– Não, não. Está tudo bem... – pausou – Na verdade eu queria te fazer um convite...
– Convite? Okay...
– Você gostaria de almoçar comigo amanhã? No apartamento... – silêncio – Quer dizer, isso se você não for estar ocupada...
– Não, não! Claro que eu aceito, Quinn. Que horas?
– Às 11h está bom pra você?
– Ótimo. Eu estarei lá.
– Certo. Tudo bem então. Até amanhã, Rachel.
– Até, Quinn.
A loira encerrou a ligação e recostou sua cabeça contra a cadeira. Ela teria menos de 24 horas para se preparar para uma conversa com Rachel. Essa tarefa seria mais complicada do que o processo sobre a sua mesa...
Fale com o autor