Meant to Be

1 Chapter One


Notas iniciais
Finalmente a segunda fase chegou! Espero ver muitos comentários, sejam eles bons ou ruins. Conto com vocês!

Agradecimento especial a minha amiga, comparsa e ajudante Mari de Melo. Tanto por me dar o nome da fic, como guentar noites e mais noites em que eu me queixava por estar com bloqueio criativo ou por me dar ótimas ideias. Anyway... Obrigada por tudo!

Enjoy!

POV Quinn on

Olhei para o relógio no notebook e o mesmo marcava 16h30. É raro sair do escritório antes das 18h, mas hoje é um dia especial. Beth tem um concerto de balé na escola e durante todo o dia recebi mensagens dela dizendo como não posso me atrasar. Comecei a arrumar minhas coisas para sair quando o Skype anunciou uma chamada da minha mãe. Atendi rapidamente, já sorrindo para ela.

- Mãe! Que saudades! – saudei animada.

- Meu amor, também estou morrendo de saudades – ela respondeu, mas pude perceber que havia algo errado.

- O que houve, mãe? Você não parece bem...

- Eu não quero te preocupar, filha. Sei que daqui a pouco tem o concerto de balé da Beth...

- Você dizer isso não me deixa menos preocupada. Me diz logo o que houve.

- Okay... Lembra que eu te falei que fiz alguns exames de rotina na semana passada? – eu acenei positivamente e ela continuou – Hoje fui mostrar os exames ao Dr. Lewis e eles mostraram que o nível dos meus leucócitos estão baixíssimos...

- Leucócitos? Mas isso significa... – as palavras engasgaram na minha garganta quando percebi o que aquilo significava. Minha mãe percebeu que já sabia do que se tratava.

- Isso mesmo, Quinn. Leucemia.

- Mas... Como? Você está bem, mãe.

- Eu também pensei isso, mas os exames discordam...

- E o que você vai fazer agora?

- Dr. Lewis disse que ainda está no início, então um transplante de medula e quimioterapia devem resolver, mas... – ela parou.

- Mas o que, mãe?

- Ele disse que seria melhor se eu fizesse isso em New York. Lá as condições de tratamento e as chances de encontrar um doador compatível são maiores.

- Você não pode ir sozinha. Eu vou voltar pra NY...

- Não. Filha, não precisa voltar. Eu seria a última pessoa a te pedir isso depois de tudo que você passou...

- Mãe, isso não está em discussão. Mas preciso de alguns dias, tudo bem? Vou organizar tudo aqui, mas ficarei em contato. Desembarco em Lima pra te pegar e daí vamos pra NY. Eu vou dar um jeito em tudo.

- Você tem certeza disso?

- Claro, mãe. Somos só eu, você e Beth, não vou te deixar na mão – sorri pra ela – Mas agora preciso ir, se me atrasar, sua neta me bota pra fora de casa – falei arrancando risadas dela.

- Tudo bem. Se cuida, meu amor. Eu te amo.

- Te amo mãe. Tchau – disse desligando a chamada.

Leucemia. Como diabos isso aconteceu?! Estava tão paralisada que não percebi a porta do meu escritório se abrindo.

- Hey Q, vamos antes que a Beth nos coloque pra fora de casa por nos atrasarmos... Q? – chamou a voz – Quinn? QUINN?

- Hã?! Oi, Annie... O que houve? – perguntei saindo de meu transe.

- Eu estou falando com você há tempos! Em que mundo você está?

- Me desculpa... – disse ainda desligada.

- Quinn, o que houve? Você está estranha... – disse ela dando a volta na mesa e se aproximando de mim.

- Acabei de falar com a minha mãe...

- Sério? Quanto tempo não falo com a Judy... Ela está bem?

- Não. Minha mãe está com leucemia, Annie.

- O QUE?! – exclamou ela – Mas... Como? Sua mãe estava tão bem quando veio aqui a última vez...

- Eu também pensei isso, mas os exames e o médico discordaram. Ela vai precisar de um transplante e quimioterapia.

- Nossa Quinn... – Annie sentou-se no meu colo e passou os braços por meu pescoço, me abraçando – E o que vai acontecer agora?

- Algo que eu pensei que não iria acontecer nunca mais... – olhei para Annie antes de falar novamente – Eu vou voltar para New York.

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O concerto de Beth foi perfeito! Minha princesa está cada dia melhor. Ela se dedica ao balé, mas tenho dúvidas de que ela vai investir na carreira de bailarina. Beth tem uma inteligência fora do comum para a idade dela e futuramente pode acabar escolhendo qualquer área para se especializar. No momento, prefiro deixa-la fazendo o que gosta.

Porém, o mais difícil seria agora, após o concerto. Eu, Beth e Annie saímos para jantar no restaurante preferido da minha filha. Não sabia como explicaria a ela que após pouco mais de quatro anos morando em Londres teríamos que voltar para New York. Após todo o tempo que ela precisou para se adaptar, mais uma vez eu faria uma bagunça na vida da minha princesinha.

- Papai me ligou hoje... – Beth disse quebrando o silêncio na mesa.

- Mesmo? E o que ele queria? – perguntei.

- Ele lembrou que hoje era o concerto. Conversamos um pouco e ele me mandou quebrar uma perna – ela riu.

- Eu gravei a apresentação, você pode enviá-lo depois... – disse Annie.

- Ótima ideia. Obrigada Tia A – Beth sorriu e naquele momento achei uma brecha para tocar no assunto.

- O que você acha de mostra-lo pessoalmente? – perguntei.

- Papai está vindo?! Ele não me falou nada... Pensei que ele só viesse próximo mês.

- Então Beth... Eu preciso te contar algo – engoli em seco e senti Annie segurar minha mão por baixo da mesa, me acalmando – Eu falei com sua vó hoje. Nós... Nós vamos precisar viajar.

- Viajar? Mas nós não vamos demorar né, mamãe? Daqui há três meses é meu aniversário e você prometeu fazer uma festa e disse que poderia chamar todos os meus amigos...

- Filha, nós vamos voltar pra NY. Sua vó... Ela, ela está doente e precisa da gente.

- Doente? Como assim? O que ela tem?

- Sua vó está com leucemia, filha. E por isso nós vamos precisar voltar a morar em NY. Ela precisa de nós duas.

Beth ficou em silêncio por um tempo. Já estava esperando a explosão, mas me surpreendi quando ela falou novamente.

- Quando nós vamos? – ela perguntou.

- Ainda não sei. Tenho algumas coisas a resolver aqui, mas não vai demorar muito.

- Tudo bem. Posso avisar ao papai e a mammy?

Mammy. A referência me causou um arrepio. Até agora não tinha percebido que voltar a New York traria tudo que deixei pra trás há quatro anos de volta. Eu estaria pronta para aquilo?

- Que tal uma surpresa? – foi Annie quem falou ao perceber que eu havia paralisado.

- Okay, é uma boa ideia – Beth disse e voltou a comer.

Annie me olhou e sorriu, apertando minha mão novamente. Se alguém sabia como voltar para NY seria difícil pra mim, era ela. Annie é minha melhor amiga, a primeira e uma das poucas que fiz em Londres. Quando saí de NY há quatro anos, foi tudo muito difícil. Não só pra mim, mas principalmente para Beth. Eu estava afastando-a da única família que ela tinha. Convencer Puck foi difícil, afinal, ele é pai dela. Mas ele sabia que após tudo que aconteceu, eu precisava fugir. É, exatamente isso, fugir. Então como um bom amigo, ele permitiu que eu trouxesse Beth. Escolhi Londres por ser uma cidade que amo e onde tenho vários contratos importantes.

Os primeiros meses foram complicados. Arrumei uma escola pra Beth próxima do apartamento que havia comprado e trabalhava em casa. Ela me perguntava constantemente quando voltaríamos, reclamava que estava com saudades das tias, do pai, dos avós e de sua mammy. Era difícil explicar a ela porque tivemos que sair de lá. Eu não poderia apenas dizer a ela tudo que aconteceu, não poderia dizer que sua mammy havia me traído. Não, acima de tudo, elas eram mãe e filha e eu não podia coloca-la contra Rachel.

Rachel. É incrível o impacto que apenas lembrar o nome dela ainda tem em mim. Após entrar naquele táxi anos atrás, eu não a vi mais. Fugi para o apartamento de Brittany e Santana e evitei-a a qualquer custo. Ligações, mensagens e até nas vezes que ela me procurou pessoalmente. Brittany foi até nossa casa e pegou minhas coisas e de Beth. Três dias após aquela noite nós estávamos num avião a caminho de Londres. Ela e Beth se falam constantemente por Skype, mas sempre em momentos que não estou por perto. Não quis mais saber dela de forma alguma.

Após quatro meses aqui, resolvi que deveria abrir um pequeno escritório. Trabalhar em casa estava ficando insuportável, já que tinha mais chances de pensar nela. Foram durante as entrevistas à procura de uma advogada assistente que conheci Annie. Dentre tantas candidatas, ela foi a escolhida. Advogada formada e muito competente, ela era a melhor escolha. Inicialmente, nossa relação era extremamente profissional. Mas aos poucos, começamos a nos aproximar. Annie se tornou minha melhor amiga aqui. Contei-a tudo que aconteceu em NY e o que me fez me mudar. Desde que me lembro, Annie sempre esteve aqui pra mim. Após algum tempo, nossa relação começou a passar por mudanças. Eu percebia que Annie me olhava de jeito diferente e não podia deixar de reparar em sua beleza. Foi então que um dia, após um jantar com clientes, quando fui deixa-la em casa, que ela me beijou. Ambas havíamos bebido. A sensação de ter lábios nos meus após tanto tempo foi maravilhosa. Mas apesar de tudo, não conseguia tirar Rachel da minha mente. Não podia colocar Annie nessa encruzilhada. Parei o beijo e a expliquei que não podia ter um relacionamento com ninguém, que não era capaz disso. Mas ao que parece, ela já havia pensado em tudo. “Amigas com benefícios” foi o que ela me propôs. Desde então eu e Annie temos um relacionamento que se baseia em amizade e sexo sempre que a necessidade aparece. Atualmente ela mora comigo e Beth em nosso apartamento e, graças a deus, minha filha a adora.

Após o jantar, voltamos para o apartamento. Beth foi direto para o seu quarto, eu e Annie fomos para o meu. Ela tinha um quarto, mas era muito difícil dormir lá. Nós preferíamos dormir juntas. Depois que trocamos de roupa, deitamos na cama. Annie se aproximou e deitou a cabeça no meu ombro, passando a mão por cima da minha barriga. Eu a aconcheguei a mim.

- Eu vou sentir sua falta... – ela disse.

- Como assim? – perguntei, enquanto passava a ponta dos dedos por suas costas.

- Quando você e Beth voltarem pra NY, eu vou sentir falta de vocês. Mas principalmente de você.

As palavras dela me fizeram pensar. Após alguns segundos resolvi arriscar.

- Que tal se ao invés de sentir saudades, você fosse com a gente? – perguntei.

- Você ta falando sério? – ela se sentou e me olhou espantada. Me sentei e encostei as costas na cabeceira da cama.

- Claro. É uma má ideia? – olhei-a confusa.

- Você quer mesmo que eu vá?

- É óbvio, se não eu não te chamaria. E eu espero que não seja por muito tempo. Após o tratamento da minha mãe, podemos voltar pra Londres.

- Quinn, eu... Eu não sei nem o que dizer.

- Diga que sim. Eu e Beth não podíamos te deixar aqui depois desses anos em que você esteve com a gente. E assim você pode conhecer NY... – sorri dando de ombros.

- Oh meu deus! – ela exclamou se jogando em meus braços e me beijando – Eu te amo, sabia?

- Sim, sabia – sorri convencida, arrancando uma risada dela.

- Nós vamos pra New York?

- Sim, nós vamos pra New York.

Só espero que isso seja realmente uma boa ideia, pensei enquanto Annie me abraçava novamente.

Notas finais
Meu primeiro capítulo merece reviews?! :D