Notas iniciais
Olá, pessoal. Possuo toda a história na cabeça e alguns capítulos já escritos, eis aqui o início do primeiro capítulo. É um romance autoral meu e tenho muito carinho por ele, espero que gostem!

Suponho que seja extremamente interessante refletir sobre a vida após ter vivido algumas décadas, mas em meu caso, por exemplo, ainda não tive essa oportunidade. Porém, ás vezes, me pego imaginando se quando tiver sei lá, meus sessenta anos, poderei refletir e me sentir realizada por não ter deixado de viver bem a minha vida. São muitos os questionamentos que tenho hoje, são grandes as dúvidas e medos e, muitas das vezes, não sei onde quero chegar, mas tenho a certeza de que não quero estar imóvel, estática. Muito pelo contrário, quero me sentir viva, quero aproveitar meu tempo sorrindo, chorando, amando, lutando, quero ver as crianças ao meu redor crescerem e me sentir velha. Quero me apaixonar por alguém que me faça sentir borboletas no estômago, me casar, ter filhos, um bom e amável trabalho, bons e velhos amigos para bater papo nos fins de semana e nos dias de semana também. Quero ser cobrada, quero que a confusão se instaure para que eu aprenda a lidar com as várias situações e intempéries que me serão apresentadas. Quero seguir a minha vida acreditando em Deus, ser possuidora de fé, mas não de uma fé normal, mas sim sobrenatural.

Quando eu era criança sonhava em ser professora, médica, advogada, veterinária e tantas outras profissões. O que não sabia era que todos nós temos um plano de vida traçado, não por nós, mas por Deus. Daí você pode me perguntar: Porque então muitas pessoas não se dão bem na vida? Deus não traçou um plano bom para elas? E eu responderei: Claro que ele traçou planos muito bons para todos nós, mas cabe a cada um decidir segui-lo ou não. Cada um de nós possui o livre arbítrio de realizar suas próprias escolhas e, por isso, estamos sujeitos a fazer escolhas erradas. Vale ressaltar que seguir o plano de Deus não significa ter uma vida sem problemas, conflitos, renuncias, perdas... Mas significa passar por todas as dificuldades com paz de espírito e esperança de que tudo isso, um dia, terá valido a pena pelo simples fato de possuir a promessa de uma vida eterna juntamente com Aquele que nos deu a vida e nos ajudou a vencer o mundo.

Não fico me perguntando o porquê de as coisas acontecerem em minha vida e também não sei se um dia saberei, mas tenho tentando aproveitar ao máximo todos os momentos. E assim vou vivendo e aprendendo cada dia mais... – Finalizei o texto e fiz uma rápida releitura, acertei alguns erros de concordância que haviam passado e salvei no pen-drive, imprimiria assim que recarregasse os cartuchos da impressora. Chequei mais uma vez minha caixa de e-mails e percebei que haviam e-mails novos.

— Cinco e-mails em menos de quinze minutos... – Pensei alto e cliquei no x vermelho no canto direito da tela do notebook. Apertei o botão liga/desliga e me levantei rumo à porta do escritório. Abri a porta e adentrei a sala de estar, Flávia estava na cozinha preparando o desjejum, passei os olhos pela sala e avistei minha agenda sobre a mesa de centro, eu havia perdido ela por ali na noite passada. Contornei o grande sofá branco e peguei-a, dei meia volta e contornei novamente o sofá rumo às escadas. Subi-as e virei à direita, abri a primeira porta marrom e adentrei meu quarto depositando minha agenda sobre a cama, com certeza em seguida eu a colocaria em minha bolsa. Caminhei até o closet, abri as duas portas centrais e escolhi uma blusa de seda branca e uma calça jeans preta. Abri a gaveta e peguei o primeiro cinto que avistei branco com listras pretas. Abri as duas portas a direita e me deparei com os pares de sapados ali dispostos, Flavia brinca que sou uma centopeia, sorri sozinha ao me lembrar. Fiquei em dúvidas entre o escarpam preto e a sandália prata com stress enfileirados na parte da frente. Acabei me decidindo pela sandália, me vesti e voltei ao quarto, peguei minha bolsa prata com detalhes pretos e coloquei minha agenda ali, depositei-a sobre a cama e me direcionei ao banheiro que fica na direção contrária ao closet. Parei em frente ao espelho e decidi passar apenas um gloss de leve nos lábios, penteei meus longos e pretos cabelos e passei um spray fixador na extensão dos fios, modelei meus cílios com o rímel e coloquei meus brincos de lanchinho prata. Voltei ao quarto e peguei minha bolsa indo em direção as escadas, segui rumo ao escritório. Peguei meu notebook e coloquei-o na capa, abri minha bolsa e coloquei-o dentro, peguei minha carteira sobre a mesa e me encaminhei a sala, depositei a bolsa sobre o sofá e me sentei a mesa que Flávia havia preparado. – Como sempre, servi-me de suco de laranja e pequei metade da maça que Flavia havia cortado.

— Que horas virá para o almoço? – Flavia estava apoiada sobre a bancada que divide a cozinha e a sala de estar. Na verdade, a mesa fica entre a sala e a cozinha.

— Não sei... – Ela olhou-me intrigada. Eu sorri e me levantei terminando de beber o suco que estava no copo. Caminhei até ela e beijei-a no rosto, como sempre fazia antes de sair.

— Não vem almoçar? – Perguntou sorrindo com cara de quem iria me dar uma bronca dependendo da resposta.

— Acho que não! – Virei-me em direção a sala.

— Coma alguma coisa no almoço, não fique sem co... – Ela iniciou o sermão.

— Okay! – Interrompi sorrindo. Peguei minha bolsa sobre o sofá. – Não se preocupe Flavia, sei me cuidar. – Disse saindo pela porta rumo ao elevador.

Podia sentir o vento balançar meus longos cabelos enquanto dirigia. O trânsito ainda estava calmo. Estacionei em frente ao prédio ao qual trabalho. Adentrei o prédio, e cumprimentei o senhor simpático que sempre me recebe na portaria, subi as escadas e como de costume não havia ninguém no corredor, era cedo.

— Bom dia! – Cumprimentei Sofia enquanto adentrava a sala que dividíamos. É eu tenho uma sala ou metade de uma, sei lá. A sala estava como sempre florida, Sofia sempre se encarregava de decorá-la, mas eu, particularmente, nunca fui fã de flores. – Sofia foi minha professora nos primeiros períodos da graduação e hoje trabalhamos juntas. Admiro e respeito-a, para mim, ela é uma das melhores professoras do instituto. Posso dizer que carrego muito dela comigo, afinal, também sou uma professora e me espelhei em meus melhores professores para montar minha identidade profissional e Sofia contribuiu e muito para isso.

— Deixei uns papeis sobre sua mesa – Ela sorriu aquele sorriso que me deixava encucada e que desde meus dezessete anos me incomodava. Não sei por qual motivo a forma como Sofia sorri me deixa um pouco nervosa, hoje, estou mais acostumada, mas no primeiro período da faculdade sentia medo quando ela durante a aula soltava seus sorrisos sarcásticos ou quando por algum motivo bobo eu falava algo idiota e ela sorria debochando de mim. Confesso que às vezes ainda me sinto aquela menina de dezessete anos, assustada pela nova sensação causada por aquela professora que me despertou sentimentos tão confusos, que se dividiam entre picos de medo, raiva, admiração, felicidade...

— Okay! – Respondi e sentei-me, apertei o botão liga/desliga do pc — Olhei os papeis sobre a mesa e os empurrei para o lado esquerdo, não leria aquilo agora, minha agenda estava lotada de coisas para fazer, enviar e-mails, preencher atas e outras burocracias referentes a reunião que aconteceria.

— É para ler hoje okay? – Olhei-a com desaprovação e ela deu de ombros voltando à atenção para a tela do computador. Sorri de sua forma leve de lidar com as coisas, apesar de ser uma professora séria e muito exigente Sofia sempre teve seu lado mãezona para com seus alunos. Está sempre disposta a ajudar e a dar segundas chances, coisas que quando era aluna achava um absurdo, mas, hoje, como professora, eu entendo perfeitamente o que é tentar ajudar um aluno por pior que ele seja. Sentimo-nos responsáveis por eles, muitos acham isso bobeira, mas somos seres humanos e nossas relações despertam sentimentos e não há como conviver por seis meses ou um ano com uma pessoa e não se envolver de forma afetiva, é algo que não depende de nós e não há um botão liga/desliga ao qual podemos usar a cada turma. — Passei a manhã respondendo e-mails e organizando as pautas da reunião do dia seguinte. Sofia havia saído para resolver alguma coisa – da qual não me recordo. Fitei aquela enorme sala, vazia. O prédio onde se situa nossa sala é meio que inabitável – acredite. Desliguei a tela do pc e me levantei em direção a porta. Olhei de um lado ao outro no corredor e poderia contar as pessoas que estavam ali – nenhuma alma viva, se é que entende, hoje é o dia de folga das nossas secretárias – voltei a minha sala e me concentrei nas pautas que seriam discutidas na reunião. Eu estava tão concentrada que nem vi quando um rapaz adentrou a sala. Quando o vi ele simplesmente me olhava – não senti medo, mas também não me senti confortável – Okay! Ele era um gato, mas tinha invadido minha sala e estava parado de pé na porta me observando sei lá por quanto tempo.

— Posso ajudar? – Ele apenas me olhava sem ao menos mexer um músculo sequer do corpo – ele piscava os olhos apenas — O cara estranho sorriu e eu automaticamente sorri nervosa.

— Desculpa! – Finalmente ele disse e saiu correndo.

— Quê? – Pensei em voz alta. Levantei-me mais que depressa e corri pelas escadas atrás do cara estranho – não me pergunte o porquê fiz isso, mas fiz – ao chegar à saída o vi andando rumo aos carros e de repente atravessou a avenida. Segui-o até que ele adentrou a universidade e sentou-se em um banco na esquina de um dos blocos. Ele parecia perdido — foi o que pensei – Aproximei-me e sentei ao seu lado. Fitei o jardim do bloco a nossa frente e percebi que ele olhava para mim. Não sei por quanto tempo ficamos ali, mas ficamos.

Notas finais
E então?! Como foi?!