Me, the universe and U
2 Parte 2
Notas iniciais
— Quê? – Pensei em voz alta. Levantei-me mais que depressa e corri pelas escadas atrás do cara estranho – não me pergunte o porquê fiz isso, mas fiz – ao chegar à saída o vi andando rumo aos carros e de repente atravessou a avenida. Segui-o até que ele adentrou a universidade e sentou-se em um banco na esquina de um dos blocos. Ele parecia perdido — foi o que pensei – Aproximei-me e sentei ao seu lado. Fitei o jardim do bloco a nossa frente e percebi que ele olhava para mim. Não sei por quanto tempo ficamos ali, mas ficamos.
— Eu... – Ele quebrou o silêncio – Só precisava.... Conversar. Desabafar. – Olhei-o nos olhos.
— Comigo? – Ele sorriu.
— Não.
— Conversa? Minha sala? – Ele sorriu de novo.
— Outra pessoa? – Claro! Ele estava procurando por outra pessoa, que vergonha meu Deus! – Pensei.
— Hmm. – Fitei novamente o jardim a frente. Na verdade, me deu vontade de levantar e voltar a minha sala de tanta vergonha. Comecei a ficar impaciente e quando ia me levantar ele me surpreendeu.
— Mas me impressionei com você.
— Porquê? – Não o olhei. – Me achou louca por correr atrás de você? – Meu Deus, o que eu estava fazendo dizendo tantas bobagens assim... — Percebi que ele sorria.
— Louco sou eu por invadir sua sala, me desculpe! – Olhei-o e nossos olhos se encontraram. – Senti algo que não sei explicar quando olhei para você naquela sala... Rodeada por toda aquela papelada, concentrada naquilo que estava fazendo e quando você me olhou... – Ele sorriu tímido e desviou os olhos dos meus. – Fiquei impressionado com tamanha beleza. Foi isso! – Seus olhos encontraram novamente os meus, encarei-o sem graça pelo elogio.
— Estranho. – Foi o que consegui dizer.
— Eu?
— Não imagina. – Ele gargalhou. Olhei-o surpresa.
— Me chamo Gabriel – Disse sério enquanto estendia a mão.
— Isabel – Levei um tempo entre a resposta e o apertar de mão. – Se quiser conversar.... Ou desabafar. – Fitei o jardim novamente.
— Tenho 29 anos – Ele começou — Sou advogado. Tenho pais que vivem um casamento de aparências e eu não sei o porquê eles não se separaram ainda. Minha mãe gostaria que eu fosse um filho perfeito, mas como não consigo ser perfeito ela me mima exageradamente. Meu pai me odeia pelo simples fato de ter nascido. Gostaria de ser financeiramente independente, mas infelizmente cresci em meio ao luxo e não consigo me abdicar dele. Acho que a única coisa que fiz de certo na minha vida foi ter me formado advogado, amo minha profissão e agora estou aqui falando da minha vida para uma estranha porque vim procurar minha tia para desabafar e não a encontrei. – Olhei-o e ele sorriu de novo. — Satisfeita? – Ele perguntou-me.
— Eu que deveria perguntar isso. Satisfeito?
— Sim! – Ele suspirou.
— Que bom! – Me levantei indo em direção a saída, o prédio ao qual trabalho fica em frente a uma das entradas da universidade.
— Isabel?
— Sim. – Virei-me para olhá-lo.
— Obrigado! – Sorri da forma sincera com que ele me olhava.
— Não por isso – Pisquei e voltei a caminhar lentamente.
Sofia já estava de volta à sala, mas eu estava tão impactada com o que havia acabado de acontecer que apenas me sentei em minha cadeira e voltei aos meus afazeres, Sofia como sempre não perguntou nada e continuou centrada no que estava fazendo. Apesar de, convivermos diariamente e entendermos muito bem uma a outra havia uma barreira entre mim e ela, na verdade, eu não sabia que barreira era essa, mas ela existia. Normalmente, não falávamos de nossas vidas pessoais, como colegas de trabalho fazem, mas sempre tivemos certa cumplicidade que nos fazia mais que simples colegas. Tenho e sempre tive muito respeito e admiração por Sofia e talvez fosse eu a barreira entre nós duas, acho que eu ainda a vejo como minha professora inalcançável e que nunca poderá torna-se amiga de uma aluna.
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