Me diga quem é você!
18 Novos Rumos
Notas iniciais
Anteriormente em ~ Me diga quem é você!
“ — 8:29 pm – O quê??? Você se envolveu num incêndio? Você está bem??”.
Após ler esta última mensagem, percebi. A pessoa das mensagens não era Patch. Como ele me perguntara do incêndio se ele estava lá? No entanto, mandei mensagem para esse número da vez que quase fui abusada. Ao verificar o histórico das mensagens, dava pra notar que ele tinha ido me ajudar.
O que diabos estava acontecendo? Havia me enganado?
— Tem alguma coisa errada! – comecei a andar feito louca pelo quarto, e meu celular não parava de chegar mensagens.
Patch admitiu ter brigado com aqueles homens, até vi seus machucados, mas foi para essa pessoa que mandei mensagem, logo, Patch não tinha como saber onde eu estava, a menos que estivesse só de passagem.
Já essa pessoa até perguntou se eu estava tomando os remédios certos. Como se, ela soubesse do meu estado, talvez tivesse ouvido pela boca de algum responsável do hospital?
— Então, quer dizer que havia dois caras que me ajudaram aquela noite! Um deles acusado de um massacre horrível, enquanto o outro não fazia ideia de quem era.
Confrontaria diretamente a outra pessoa! Peguei meu celular!
“ — 8:31 pm: Hey. Cadê você?”.
“ — 8:31 pm: Nora! Responde!”.
“ — 8:32 pm: Como assim incêndio?”.
Comecei a digitar uma resposta.
“ — 8:33 pm: Você! Naquele dia, como você me ajudou?”.
“ — 8:34 pm: Assim que recebi sua mensagem, sai correndo. Quando cheguei você estava inconsciente no chão! Chamei imediatamente uma ambulância e te levei pro hospital.”.
“ — 8:35 pm: Você me deixou bem preocupado! Não sabia o que tinha acontecido e você estava machucada. Depois achei melhor não questionar a respeito até que estivesse melhor!”.
Então, Patch me defendeu daqueles caras, enquanto esse me levou para o hospital!
Patch me deixou lá? Ou houve algum outro problema?
Enfim, parece que minha gratidão deveria ter sido direcionada a outra pessoa também. Precisava saber quem era ele! A única informação era que estudávamos na mesma escola.
“ — 8:39 pm: Obrigada! Não sei se te agradeci, e se fiz isso, me permita fazer de novo! Estou realmente agradecida. Por ter me ajudado e principalmente, por ter atendido meu pedido de socorro, mesmo nós dois não tendo nenhuma ligação, parentesco, ou seja o que for. Realmente, de coração, muito obrigada!”.
Agora, me sentia um pouco aliviada, pelo menos por esse lado. Menos uma confusão na minha vida, mas longe de voltar ao normal.
“ — 8:40 pm: Você parecia estar em perigo, não iria recusar seu pedido de socorro!”.
“ — 8:40 pm: Mesmo que eu tenha chegado um pouco atrasado, fiz tudo o que pude pra ajudar!”.
“ — 8:41 pm: Você fez mais do que eu merecia!”.
“ — 8:42 pm: Agora o que é isso de ter se envolvido em um incêndio?”
Teria que explicar a ele, mas faria isso o mais breve possível.
“ — 8:44 pm: O botijão de gás estava vazando, teve um pequeno incêndio, mas todos saíram bem. Não houve ninguém machucado.”
“ — 8:45 pm: Você não se machucou, não é? Você parece uma imã para acidentes! ”
Infelizmente, ele estava com a razão. Sou um imã em potencial, buscando um perigo para se envolver.
“ — 8:45 pm: Estou bem. Obrigada! ”
Quem diria que estaria conversando por mensagem com alguém, mesmo que não conheça. No entanto, esse alguém fez algo muito importante por mim, assim como Patch. Parece que as pessoas começaram a entrar na minha vida, drasticamente sem minha permissão. Não sabia se isso era bom ou ruim, visto que a situação pela qual elas entraram foi essencial para minha sobrevivência.
Estava com medo. Medo de que algo desse errado, de que me machucasse, ou sofresse. Se pessoas que em tese, deveriam me amar, me machucaram e me maltrataram, quem dirá pessoas que nem conheço direito. Ainda mais com essa suspeita de que fosse o alvo do criminoso, mesmo não tendo a mínima de ideia do seu objetivo fazendo isso.
A lembrança daquela mulher me veio à mente. Qual o objetivo dela em fazer aquilo comigo quando era apenas uma criança?
Quem me dera que tudo aquilo fosse apenas um sonho e não lembranças escondidas na minha consciência, na tentativa de me proteger. Queria que fosse uma apenas um pesadelo, mas estava longe disso. Só de pensar nas coisas que ela me fez, minhas pernas tremiam, assim como meu corpo todo, e minha respiração ficou descompassada.
Ajoelhei-me no chão sem forças. Naquele dia, Patch estava comigo quando me permiti chorar. Ele havia feito parte de um dos momentos mais tristes da minha vida e me sentia com vergonha por isso, de que alguém me viu fraquejar, por ele ter que me ver naquele estado, logo alguém que tumultuava ainda mais minha vida. Porém, assim como Patch guardaria esse segredo, faria o mesmo com o dele e assim seguiríamos em frente.
— Nora! O que houve? – meu pai estava na porta e me olhava com preocupação. Percebi tarde demais que estava chorando. Merda!
— O que houve Nora? – meu pai era uma incógnita. Será que ele sabia pelas coisas que eu sofria na mão daquela mulher? Se sabia, tentou seguir em frente e esquecer tudo, ou, só não fizesse a mínima ideia de nada!
No dia em que desapareci, quando cheguei no outro dia, meu pai não pareceu preocupado, não gritou, brigou, como normalmente os pais fazem? Seus olhos apenas transpareceram um enorme alivio o que me fez pensar que, caso eu não voltasse, ele ficaria conformado? Será que ele me escondia algo também?
Por que as pessoas insistiam em manter segredos? Todos a minha volta. Primeiro foi Patch, agora meu pai. Quem será o próximo?
— Estou bem pai. É só que.... – desculpa não contar a verdade pra você, estou jogando seu jogo agora – Me lembrei novamente daquela noite! – o abracei, mas meu choro não era sobre o que ele pensava ser, mas pela merda que eu havia me metido.
Me deitei com a cabeça cheia de pensamentos. Como minha vida ficou sem rumo tão de repente? Precisava tomar as rédeas novamente e resolver o que tinha pra resolver pra que tudo voltasse ao normal, ou pelo menos em parte. Terei que seguir um novo rumo a partir de hoje, para que consiga um dia voltar ao que era antes.
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