Notas iniciais
Vocês não sabem o quanto me desculpo pela demora em postar e obrigada pela paciência de todos que acompanham. Amo vocês! Aqui está mais um capítulo. Boa leitura! P.s: desculpem qualquer erro ortográfico.

Anteriormente em ~ Me diga quem é você

— Sim, temos indícios de que a quarta pessoa seja ele — não queria ouvir ele terminar.

— Que seja Jev! — sussurrou.

Ouvi um barulho da porta da frente, olhei para trás e vi Patch deixando o estabelecimento.

Nossos olhos se encontram e nunca tinha visto aquele olhar nele, não sei quanto tempo se passou, mas quando pisquei ele não estava mais lá.

— Nora! — escutei detetive Basso me chamar e voltei para encara-lo.

— Você está bem? — me analisou.

Eu não sei!

POV's Autor

~ 1 dia antes

— Ele agora não tem mais escapatória. Vamos apenas deixar tudo preparado para amanhã e então damos um fim definitivo nele — um homem terminava de mexer no botijão de gás. Havia pesquisado tudo sobre aquele restaurante, sabia de todos seus fornecedores. Agora aquele botijão era apenas uma arma.

Pegou um telefone descartável e ligou para o estabelecimento.

— Boa tarde, aqui é da Empresa de Gás. Poderia falar com o responsável do estabelecimento? Ah, é você mesmo. Certo! Tenho um comunicado a dizer, seu restaurante acabou de ganhas um botijão cheio na promoção Cliente Presente. Tudo devido sua frequência em escolher os nossos serviços — a voz no fundo falou algumas coisas e fez perguntas sobre a entrega.

— Nós entregaremos amanhã mesmo em seu estabelecimento pelo fim da tarde, por volta de 18 horas. Oh, não estará amanhã? — já era de se esperar, já havia arranjado um plano. A senhora cozinheira havia "ganhado" um fogão e só tinha um horário para buscar, a moça do caixa foi presenteada com um dia no salão, infelizmente não foi possível contatar o garçom, não havia conseguido seu número. Bem, como era de se esperar, sacrifícios poderiam existir.

— Você pode deixar alguém responsável por isso! Sim, qual o nome? Sim, tudo anotado. Obrigada! — agora falta pouco.

O homem sentou-se e admirou sua obra prima imaginando como seria quando acontecesse. Começou a gargalhar sozinho em seu minúsculo quarto.

POV's Patch

~ 1 hora antes do Acidente

— Patch, sei que você já está pra sair, mas poderia fazer hora extra hoje? Tenho um compromisso, e parece que todo mundo também resolveu ter. Poderia fazer isso por mim? — o olhei e quase disse sim direto pois precisava de grana, mas lembrei de algo.

— Com uma condição, que Nora seja liberada!

— Mas assim fica bem mais...

— Minha única condição! — me mantive firme. Tentaria manter distância. Ficou certo de que ela não falaria nada sobre minha marca, nem amigos tinha para tal coisa, estava acostumada com sua vidinha de nada. Mas, ainda era um problema.

— Okay, mesmo que isso vá dificultar seu trabalho. Obrigada por se preocupar com ela! — apenas ignorou o que ele disse. Não estava preocupado com ela, mas comigo mesmo.

— Queria apenas lhe pedir um favor, 17h30 não esqueça de pegar os folhetos na gráfica, vou deixar o endereço no mural. Não se atrase.

~ 40 minutos antes do Acidente.

Estava sentado pensando sobre o que o detetive Basso queira com ela, aqueles caras já estavam presos, por que continuar nisso? Só se eles abriram a boca. Droga!

— Não posso faze nada! — sussurrou pra si mesmo. Será que Nora ficará calada?

— Preciso fazer algo! Pense! — tive uma ideia simples, mas era o que podia fazer no momento.

— Sr.Mouret estou indo já! — avisei

— Okay, deixo a loja nas mãos de Nora até você chegar! — precisaria sondar ela depois, sem levantar.suspeitas.

Ao andar até a porta, tentei decifrar o que Basso dizia, até ver seus lábios formarem a palavra que mais temia. Então eles tinham chegado a uma conclusão. Malditos, fui descuidado.

Ao abrir a porta, Nora rapidamente se virou e fiz questão de a encarar, por fim fui embora.

POV's Nora

~ 20 minutos antes do Acidente

— Okay senhorita Grey, obrigada pela conversa. Tenha uma boa tarde — trocamos um aperto de mão.

Detetive Basso então se foi me deixando com diversos questionamentos.

— Nora! Terei que sair mais cedo! Tenho um encontro de negócios importante. Patch foi na gráfica pegar uns panfletos que encomendei — Sr.Mouret botava se casaco — Como pode ver, hoje todos resolveram ter um compromisso. Só quero que você espere Patch para poder ir, tudo bem? — apenas acenei, não tinha outra coisa a se fazer.

Arrumei as mesas nesse tempo enquanto o esperava. Precisava me focar em outra coisa e não na conversa que tive com o detetive.

Escutei o sino da porta. Era um rapaz loiro e olhos azuis intensos. Ele vestia um macacão, usava um boné e luvas, havia acabado de deixar um botijão de gás no chão.

— Boa tarde. Sou da empresa de gás — se apresentou — O gerente avisou que não estaria, mas pediu que deixasse o botijão assim mesmo. Foi ganho em um promoção — o encarava.

— Ah sim, entendi. Pode por na cozinha! Me acompanhe! — fui até a cozinha.

Foi então que tive uma sensação estranha! Já tinha visto esse homem alguma vez, lembro dos seus olhos.

Ele deixou o botijão e estava tirando o outro.

— Não é necessário. Ele ainda está bem cheio — o impedi. Vi seus ombros contraídos. Ele ajeitou o boné.

— Tem certeza? — me olhou sorrindo — Posso fazer o serviço completo logo.

— Sim...- respondi ao seu sorriso. Algo estava errado — Não é necessário.

— Está bem! Ai- ele gemeu quando ia se levantando — Minhas costas.

— Ah não, o que, o que faço? — perguntei nervosa. Tentei ajuda-lo mas me impediu.

— Vai passar, me dê um tempinho! — disse ele ainda ficou um tempinho agachado, mas percebi que ele não estava imóvel.

— O que vo...

— Pronto! Acho que passou! — ele se levantou de uma vez só, como se nada tivesse acontecido.

— Então! Faça bom uso do botijão e não deixe de comprar na nossa empresa! Tenha uma boa tarde.

Ele saiu tão rápido que nem agradeci, ia seguir ele mas Patch havia acabado de voltar com os panfletos.

— Obrigada senhor! — disse, ele parou e se virou para mim, apenas acenou com a mão na aba do boné. Foi então que me lembrei dele, não sei como, vejo pessoas e pessoas todo dia. Ele era o cara estranho do ônibus que parecia me vigiar. Era ele, lembrei de seus olhos azuis intensos.

Antes de dizer algo ele apenas se foi e nem falou com Patch, mas esbarrando levemente em seu ombro.

— Quem era? — perguntou olhando para a porta.

— Era de uma empresa de gás. Ele veio deixar um botijão de gás que havia sido ganho em uma promoção. Mas ele estava estranho.

— Deve ser paranóia sua! — ele comentou e foi guardar os panfletos no caixa.

— Você já pode ir! — avisou.

Com minha paranoia, nem vi que estávamos falando normalmente.

— Okay! — fui buscar minhas coisas no vestiário.

Troquei de roupa. Quando chegasse em casa, precisava pensar sobre hoje e chegar a alguma conclusão. Aquele sorriso dele, não era um sorriso comum, era como um de uma criança quando apronta algo. Vi o horário, eram 18 horas em ponto.

Tomei um banho e troquei de roupa. Assim que sai do banheiro senti um cheiro estranho. Parecia ser fumaça e gás.

Quando cheguei perto da porta vi que saia fumaça da porta.

— Meu Deus! — era fogo, fogo. Pensei em Patch, ele estava na cozinha. Abri a porta pra ver o quanto o fogo tinha avançado, mas foi a pior ideia que tive, a maçaneta estava muito quente e queimou minha mão, não consegui evitar o grito.

Olhei minha mão, estava muito vermelha e um pouco descamada. Chorava de dor.

— Merda, merda! — soluçava.

— Patch! Patch! — gritei pelo seu nome, mas só ouvi tosses e murmúrios.

Corri para molhar minha apenas um pouco com a agua corrente da pia, depois peguei um pano limpo e enrolei na mão. Gritei de dor mas resisti. Peguei uma toalha e a encharquei de água.

Abri um pouco a porta. O fogo não estava muito alto, era bem mais intenso na minha porta. Avistei Patch jogado no chão, graças o fogo ainda nao o tinha pegado.

Corri para a minha mochila. Peguei meu telefone e liguei para os bombeiros, falei a localização e corri de volta a porta. Tinha que atravessar aquilo, Patch estava inconsciente.

Fui ao banheiro e me molhei toda, coloquei a minha mochila na costa. Peguei a toalha que tinha usado a encharquei novamente para me cobrir.

— Merda! Você tem que fazer isso! — olhei para a porta e respirei fundo.

Corri gritando e atravessei o fogo. Cai tossindo do outro lado. Olhei ao meu redor, o fogo parecia vir do botijão de gás que aquele cara deixou.

Fui o mais rápido possível até Patch. Ele tossia e murmurava coisas sem nexos.

— Deixe eles! Não os matem! — ele tinha sua testa enrugada — Deixe as crianças irem. Pare!

— Patch! — gritei tentando o acordar.

— Nora! Estou queimando, me tira daqui. Ele está vindo me buscar! As crianças também — ele falava enquanto continuava tossindo.

— Merda Patch! — tentei levantar ele. Felizmente mesmo delirando conseguia me ajudar.

— Vamos! — felizmente o fogo não tinha impedido ainda a saída.

Encontramos pessoas lá fora. Perguntando se estávamos bem, se tinham outras pessoas lá dentro. Outras tentavam me ajudar.

— Estou bem! Não há mais ninguém — tentavam ajudar Patch — Só não toquem nele! Me chamem um táxi, por favor! — gritei

Dentro de uns 3 minutos um táxi encostou.

— Não toquem nele! — pedi novamente

Usei toda a força que tinha e o deitei no banco. Fechei a porta e dei a volta para ajeitar a cabeça dele no banco, quando ia sair senti a mão de Patch segurando a minha que estava coberta pela blusa. Senti uma dor aguda e não consegui evitar lágrimas.

Droga Patch! Engoli um grito. Tentei soltar mas ele continuava a apertar.

Porra Patch.

Entrei e deixei sua cabeça em cima das minhas pernas.

— Para o hospital por favor!

O táxi então saiu.

Patch murmurava algumas coisas baixinhas, mas eu não entendia.

— Nora! — ele sussurrou. Seus olhos estavam abertos. Ele parecia fraco, e haviam lágrimas prestes a cair.

— Sim!

Ele falou algo mas não entendi. Aproximei meu ouvido da sua boca.

— Hospital não! — sussurrou — Por favor!

— Mas... — seus olhos pareciam suplicante. Respirei fundo.

— Onde fica sua casa? — perguntei mas ele já estava de olhos fechados.

— Patch? Patch? — o balancei.

Não lembro direito onde era a casa dele. Não podia ir para casa, meu pai não iria gostar muito.

Calma, respira. Basta eu tentar lembrar do ônibus que eu peguei aquele dia. Do local. Calma.

— Moço, esquece o hospital.

— Você tem certeza. Ele não parece bem, nem você — avisou.

— Sim tenho. Só me ajude a achar um local — falei de tudo que eu lembrava. Ele pareceu entender e mudou de caminho.

Patch havia parado de murmurar, mas estava muito quente.

— Tinha como parar em uma farmácia no caminho. Por favor! — o motorista me olhou pelo retrovisor. Deve ter pensado "Como descartam um hospital e preferem uma farmácia?" Sim, eu posso ler seu olhar.

Fui na farmácia, disse todos os sintomas, o atendente queria cuidar de mim por causa da mão mas disse que foi uma queimadura simples. Comprei e fiquei atenta a suas instruções. Agradeci e corri até o táxi.

Demorou uns 30 minutos até chegarmos a casa dele. Felizmente não demorou muito para encontrar. Paguei o táxi que foi praticamente todo meu dinheiro da carteira. O moço se disponibilizou a me ajudar mas preferi carregar Patch sozinha. Já tinha feito bastante isso, acostumei com seu peso.

Merda. Como vou abrir a porta. Estava trancada.

Revistei os bolsos dele. Por favor, diga que carrega sua chave. Para minha alegria achei um molho de chave. Testei todas, na última abriu.

Entrei e delicadamente deitei Patch na cama. Voltei pra trancar a porta atrás de mim.

Me encostei na porta, olhando para Patch. Estava exausta e muito ofegante, mas ainda tinha coisas a se fazer. Peguei a sacola de remédio e dei início as instruções que o farmacêutico me deu.

Demorou mais ou menos 20 minutos. Ele não tinha muitas queimaduras. A febre estava baixando com o remédio que dei e o pano morno na sua cabeça.

Tirei sua blusa e limpei a fumaça de seus corpo com um pano molhado tomando cuidado com alguma possível queimadura. Limpei seu rosto.

De vez em quando ele sussurrava. Eram sempre as mesmas coisas. Crianças, morte, vingança, fogo, sangue. Mas em um momento, enquanto umedecia o pano ouvi ele sussurrar Jev. Congelei onde estava. Quando o olhei, não falava mais nada e ficou assim o restante da noite.

Terminei de limpar ele e me joguei no chão encostada na geladeira.

— Parece que o jogo virou não é? — sussurrei e me permiti um leve sorriso.

Estava tão cansada, mas não podia dormir. Precisava ficar de olho nele, caso ele ficasse pior, mas meus olhos estavam tão pesados. Cada vez que piscava eles demoravam para abrir.

Não demorou muito a adormecer, mas cheguei a vislumbrar uma sombra a minha frente.

Notas finais
E então, consegui responder algumas perguntas de vocês? Espero que sim! Até o próximo capítulo. Não deixem de comentar e favoritar. Amo responder seus comentários. Até a próxima! ♡