Notas iniciais
Sei que mereço os piores xingamentos por demorar tanto, mas não sabem o quanto é difícil conciliar tanto coisa pra fazer. Obrigada por não desistirem de mim, pois nunca vou desistir da história e nem de vocês. Desde já perdão por algum possível erro ortográfico e se divirtam com a leitura. KISSUS =)

Capítulo 15 – Sem saída!

Anteriormente em ~ Me diga quem é você

Estava tão cansada, mas não podia dormir. Precisava ficar de olho nele, caso ficasse pior, porém meus olhos estavam tão pesados. Cada vez que piscavam, demoravam a abrir. Não demorou muito a adormecer, mas cheguei a vislumbrar uma sombra a minha frente.

Tinha voltado ao armário. Apesar de não conseguir enxergar muito naquela penumbra, sabia que estava nele. Por que? Talvez o cheiro de mofo, o espaço a minha volta, o tecido das roupas em meus pés, a textura e a forma dos arranhões na madeira. Mesmo sendo a terceira vez que sonho com esse armário, minha memória se tornava cada vez mais real e palpável.

Como isto permaneceu tão escondido em meu subconsciente? Será que meu pai sabia disso? Se não, como não percebia as marcas em meu corpo, ou mesmo meu semblante? Isso eram perguntas que ele teria que responder!

Dessa vez, ao olhar pela fechadura, o quarto parecia o mesmo, mas dessa vez a porta do armário estava aberta. Percebi no momento que tentei espiar, a porta se moveu quando coloquei as mãos.

Fiquei receosa em sair e aquela mulher aparecer para me fazer algum mal, no entanto, algo me dizia que ela não iria vir. Por esse motivo, sai no mais perfeito silêncio e pisando levemente, tomando cuidado para evitar qualquer barulho.

Próximo à porta, ouvi vozes vindas do corredor.

— Cansei! Se soubesse que seria assim, teria pelo menos posto um fim nessa criança! – prosseguiu um silêncio até ela voltar a falar.

— Você não tem ideia do quanto odeio isso. Sem essa criança seria uma despesa a menos. Pelo menos com Harrison, tinha garantias de essa vizinhança podre não falar de mim – mais silêncio, percebi que ela estava ao telefone com alguém.

— Não se preocupe, tenho o plano perfeito! – ela gargalhou – Vou me livrar dos dois com uma tacada só e ainda ter a vida que mereço – mais silêncio – Tenho garantias, já está tudo arquitetado!

Ouvi um barulho da porta abrindo e uma voz conhecida vindo dela.

— Olá querida! – era meu pai.

— Desculpe, você deve ter se enganado, aqui não é nenhum restaurante! Oh não precisa se desculpar! – deu uma risadinha – Ok. Até – então desligou o telefone.

— Quem era amor? – escutei um estalo de beijo.

— Era engano – gargalhou e foram para outro lugar, pois as vozes fora ficando cada vez mais longe.

Meu sonho mudou, me levando para Patch, ele mexia em minha mão. Olhava para ela concentrado. As tocava com delicadeza e não percebi o quanto sua mão era grande e firme, já ele não percebeu que era observando, permanecia vidrado em sua tarefa. Mas foi logo que senti uma pontada que ele me encarou.

O cenário se transformou agora em um beco. Veio-me algo a mente, havia acabado de lembrar do último sonho que tive noite passada, o mesmo que não consegui me recordar imediatamente. Lembrei-me de tudo. Eu correndo daqueles monstros, e o quanto chamava fervorosamente por Patch.

Uma sombra do nada havia aparecido mais a frente. Aquela mesma pessoa! Fiquei com medo de me aproximar e a mesma sumir com todas as respostas. Por isso, fiquei imóvel.

Olhando assim, a altura parecia com a de Patch, os ombros largos, a forma de seu corpo. Apegava-me tanto a ideia de ser ele, que não conseguia mais discernir a separação em pessoas diferentes.

Aproximei-me cautelosamente. Minha respiração era a mínima possível. Ele então virou a cabeça, parece ter notado minha presença. Esperei para dar o próximo passo, mas então meu sonho se desfez e lá estava eu. Sentada no chão com as costas na geladeira. Patch ainda dormia, e não sei quanto tempo havia se passado.

Levantei-me e cambaleei um pouco pelo cansaço. Meu corpo doía devido à posição em que fiquei. Toquei em sua testa e ele não estava mais com febre. Olhei o relógio, havia se passado quase 12 horas. Peguei o banquinho ali perto e me sentei ao lado da cama.

Patch dormia tranquilamente, parecia tão calmo e leve.

— Você vai fazer um buraco em mim de tanto olhar! – ele falou firmemente. Assustei-me e levantei imediatamente da cadeira.

— Oh, está acordado. Você está bem? Sente dor em algum lugar? – perguntei rapidamente.

Patch sentou-se na cama.

— Não se preocupe! – garantiu – Você vai deixar seu estômago reclamar de novo?

— Ahn?

— Já é a quarta vez que ele faz esse barulho estranho e você nem ao menos escuta?

— Ah – senti meu rosto quente.

— Deu pra perceber! – ele deu um leve sorriso e aquilo mais me assustou do que me alegrou. O que foi aquilo? Senti um leve frio na barriga.

— Você está realmente bem?

— Sim. Vamos tomar um banho, assim trocamos o curativo e podemos comer! – ele se levantou.

— Va...vamos?

— Não entenda mal Nora! – ele baixou a cabeça para ficar a minha altura – Não quis dizer os dois juntos ao mesmo tempo no banheiro! Pare de pensar besteira – ele empurrou delicadamente minha testa com o indicador.

— Ok. Ok. Foi isso que eu...entendi. Não se...se...se preocupe!

Depois que os dois tomaram banho (um de cada vez) o ajudei com os curativos e ele me ajudou com a minha mão. O estranho é que ela já havia sido tratada, talvez estivesse tão esgotada que não lembrava mais do que havia feito.

Pedimos comida e disse que ia pagar, mencionei então sobre o dinheiro que peguei emprestado da última vez. Ele não pareceu preocupado.

— Devemos agora ligar para o gerente, ele deve estar angustiado – falei pegando meu celular – Graças a Deus éramos as únicas pessoas no restaurante.

— Faça isso, e não se esqueça da sua família.

Na tela do celular havia 75 chamadas do meu pai.

— Droga! Preciso fazer uma ligação! – Patch apenas fez menção para que eu seguisse em frente.

Meu pai estava tão desesperado quando liguei que não cheguei a dizer nada por 7 minutos diretos. Por fim, garanti a ele que estava bem e logo ia voltar.

— Confie em mim, ok? – ele ficou em silêncio e concordou.

Em seguida liguei para o gerente. Percebi que Patch havia posto a orelha no telefone, seu rosto perigosamente perto do meu. Senti ele me cutucar e percebi que o gerente já havia atendido.

— É a Nora – tentei me concentrar na voz do Sr. Mouret e não pensar em Patch – Sim, estamos bem. Não me machuquei muito, já Patch – senti-o me cutucando e então pôs o dedo nos lábios. Não sei se olhava para ele ou onde seu dedo estava.

— Também está. Sem nenhum ferimento grave que não possa ser tratado em casa. Onde estou? – olhei para Patch, seu rosto estava a poucos centímetros do meu rosto, ele apenas acenou e entendi o que quis dizer – Estou... in...indo para casa! Para delegacia com o senhor? – senti o corpo de Patch ficar rígido ao meu lado – Sim, claro, onde e que horas? Claro, pode me esperar lá! Okay. Sim. Estou bem de verdade! Até mais.

Assim que o Sr.Mouret falou na delegacia e senti como Patch mudou. Sabia que tinha algo de errado. Então algumas lembranças me chamaram atenção.

Primeiro, após voltar ao trabalho, como o cheiro de remédio estava impregnado nele. Segundo, como ele parecia sempre saber de algo sobre aquela noite, mesmo eu nunca tendo dito nada. Terceiro, como ele olhou para mim no momento que o detetive Basso havia comentado sobre o Jev e sua ligação com o cara que me salvou. E também após o incêndio ele ficou sussurrando Jev. Contudo nenhuma dessas coisas foi o veredito, mas sim o banho. Havia um moletom pendurado em um prego. Era um moletom qualquer, tinha capuz e tudo mais. O porquê da minha curiosidade? O aroma dele. Lembrei-me do seu aroma, era fresco e característico, me trazia sensação de paz. E foi isso o que aquela sombra me passou.

Incrível como você esquece às vezes de detalhes, e lembra-se deles em situações diferentes. Naquela noite, lembrei-me do cheiro que me acalmou.

Tudo que tinha a fazer agora era arriscar. Nunca havia feito isso, no entanto não passaria o resto da minha vida sem fazer.

Virei-me para Patch, ele se afastava. Peguei seu pulso e o segurei. Ele em olhou com um misto de curiosidade e surpresa. Aproximei o suficiente para que pudesse sussurrar, sem soltar seu pulso.

Patch ainda me olhava com a mesma expressão. Juntei toda a coragem e mais alguma que não tinha e cheguei perto o suficiente de seu rosto. Olhei diretamente em seus olhos.

— É você! – afirmei e Patch ficou tenso por um momento rápido. Suas pupilas tremeram durante poucos segundos.

— Você que me salvou! – suas pupilas cresceram e percebi a expressão “fui pego”, ele abriu a boca para falar algo. Apertei seu pulso – Não adianta me enganar! – encarei. Ficamos assim, nos encarando, ele passou um tempo perdido em seus próprios pensamentos considerando algo. Sem desviar do meu olhar, suspirou pesadamente.

— Como você descobriu?

Notas finais
Então foi realmente ele que a salvou, quem aí certou? Mas ficamos com outra pergunta, porque esse medo dele de polícia? Quem leu o capítulo anterior e juntar as pecinhas entenderá porque. Quem será que causou o incêndio? Qual seu objetivo? Felizmente nada saiu como planejado, não acham hahaha Nos vemos no próximo capítulo e obrigada novamente por não desistirem de mim e nem da história.